PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Divagações | O carnaval e o que falta fazer

Ao contrário do entusiasmo de outros anos, em que de máquina fotográfica em punho ia captar emoções do desfile carnavalesco da cidade de Benguela, hoje dediquei o dia ao recolhimento e reflexão. Várias perguntas povoam a cabeça, sem no entanto encontrar respostas. E se investíssemos o dinheiro que se gasta no Carnaval para fomentar a pesquisa das variadíssimas danças "esquecidas" no mosaico etnolinguístico angolano? Não seria já altura de alargar os olhos para fora da caixa do semba? Será que o modelo de Luanda funciona e dialoga com outras formas de viver e manifestar cultura? Ou até que ponto é consistente e sustentável avaliar as nossas festas populares ao critério (brasileiro) da existência do Rei, Rainha e coisas e tal? Penso no anonimato da cianda (leste), cipwete, olundongo, onjando, ukongo (no sul) entre outros, por exemplo. Interessará a rebita ao kwanyama? Será que não ficam bem tais danças no gosto do turista a quem vendemos o produto actual em forma de vídeo? O que é que resta de profundo depois que se apagam as luzes do desfile carnavalesco? Nos anos 80, o Carnaval da Victória, modelo de Benguela, tinha como atracção o grupo da Hanha do Norte, que apresentava a sua tradição, salvo erro, não tanto nos moldes da "mesmice". Enfim. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa, Benguela, 28.02.2017

Utilidade pública | COMO DEIXAR DE GASTAR SALDO DE VOZ INVOLUNTARIAMENTE QUANDO TERMINA O SALDO DE DADOS NA REDE UNITEL

Recebi um alerta sobre uma função "default" (pré-definida) chamada "Net light" para utentes da operadora Unitel, responsável pelo evaporar  do Saldo de Voz automaticamente quando os dados terminam. Uma vez que a sua activação é automática, então torna-se necessário alertar para a existência de um método de separar os saldos de Dados e Voz. Assim, Se pretender desativar o Net Light e racionalizar da melhor forma os seus kwanzas que imagino lhe custam ganhar, deverá enviar uma mensagem (SMS) para o número 19108 com a palavra CANCELAR. De seguida receberá outra mensagem automática de confirmação. A última decisão é sua, claro. De todo o modo, partilhamos que há esta possibilidade de escolher entre continuar como está ou mudar para que quando o saldo de Dados terminar, não gaste automaticamente e sem dar por isso o saldo de Voz. Ainda era só isso. Obrigado. Benguela, 28.02.2017
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Repassando | Odair Varela representa Cabo Verde no 3.º encontro de literatura infanto-juvenil da lusofonia

Odair Varela Rodrigues vai estar presente no 3.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia, promovido pela Fundação “O Século”, que vai decorrer de 13 a 18 de Março de 2017, em São Pedro do Estoril (concelho de Cascais), Portugal.

O escritor cabo-verdiano, autor do livro “A fita cor-de-rosa”, agraciado com a “Menção Honrosa” no Concurso Lusófono de Trofa – Prémio Matilde Rosa Araújo 2013, vai participar numa das mesas redondas deste Encontro, em que estará em debate a “Oratura e Literatura na Lusofonia”. O antigo jornalista e atual consultor em Comunicação irá, também, estar presente nas visitas dos escritores, autores e narradores às escolas dos concelhos da Grande Lisboa, aproveitando para apresentar o seu mais novo livro ilustrado “Tufas, a Princesa Crioula”.

Promovido, mais uma vez, pela Fundação “O Século”, este 3.º Encontro arranca dia 13 de Março, com a visita de escritores, contadores de histórias e ilustradores às escolas, onde irão participar em sessões de leitura com crianças dos estabelecimentos de ensino dos vários concelhos da Grande Lisboa.

Nota do Blog Angodebates: A foto é do do Facebook do autor, com quem Gociante Patissa esteve na 6.ª Bienal de Jovens Criadores da CPLP, que teve lugar em Salvador da Bahia, Brasil, em 2013.                        www.angodebates.blogspot.com

Áudio | Rubrica CULTURA E ARTES Rádio Morena Comercial 26.2.17 Anaína e Alcobias entrevstam Gociante Patissa

Áudio | A rubrica CULTURA e ARTE, do programa SERÃO NA RÁDIO, conduzido por Alcobias Félix e Anaína Lourenço na Rádio Morena Comercial em Benguela, recebeu o escritor benguelense Gociante Patissa para um descontraído dedo de prosa sobre a sua actividade. São 34 minutos de áudio daquilo que foi a edição de 26.02.2017

domingo, 26 de fevereiro de 2017

(arquivo) Citação

"Nós falamos assim: 'você vais bater uma mulher grávida, lhe empurras nas escadas, ferir a filha alheia?! Não sabes que isso é matar a tua esposa e o filho que lhe deste?! Se não lhe gostas, você não lhe devolve na mãe dela?! Já porque, se te queixarmos na polícia, só vais ir preso, nós mesmo é que vamos te dar a lição'. Olha, pegamos no jovem, lhe demos uma boa surra, esses batem ali, aqueles batem lá, ficou todo inflamado. E lhe falamos: 'torna mais!' Aquilo parece foi remédio, já passam anos, a mulher até hoje... nunca mais se queixou".
GP. Benguela, 25.02.2016
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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Áudio | Gociante Patissa apresentando livro ALÉM DAS PALAVRAS de Domingos Cupa 25.02.17


O lobitanga Domingos Cupa estreou-se com o poemário «Além das palavras», sob chancela da editora Cão Que Lê, cuja cerimónia de lançamento e sessão de autógrafos teve lugar no Salão Nobre da Administração Municipal do Lobito, província de Benguela (Angola) na tarde de sábado, 25 de Fevereiro de 2017. A apresentação formal da obra esteve a cargo do escritor Gociante Patissa (prelecção feita de improviso)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Humor | Morte certa (*)

Pergunta o doente:
- Tem a certeza, doutor, que é malária que eu tenho?!
E o médico:
- Absoluta, senhor!
E o doente:
- É que um amigo meu estava a ser tratado de malária mas, afinal, acabou por morrer de outra coisa qualquer.
E o médico:
- Senhor! Eu quando trato uma pessoa de malária, é de malária que ela morre.
(Do Jornal de Angola, 21.02/2017, pág. 26)
(*) título da responsabilidade do blog www.angodebates.blogspot.com

(arquivo) Nota solta | SOCIOLOGIA DO PORTÃO HOSPITALAR

Estive ontem entre 18h30-20h30 ao portão do Hospital Geral de Benguela, fazendo companhia a parentes meus que têm lá dentro alguém internado. Não sendo propriamente horário de visitas, só uma pessoa entrou com o jantar do doente.

As duas horas sugeriram que, mais do que simples portão, é um potencial laboratório de sociologia. À primeira vista, a questão parece residir na arrogância do protector físico, de uma empresa privada cujo emblema não consegui divisar. Mas em instantes se percebe que não é o lugar mais feliz para guarnecer, de tão intenso e estressante na relação com o público, onde a solidariedade, a agressividade e a falta de moral de quem procura os serviços se confundem em certa medida, nada facilitando a organização.

Pelo menos dez viaturas manifestaram intenção de passar o portão, em alguns casos sem motivo aparente, que seria, por exemplo, estar a transportar doente ou ser funcionário do hospital (houve um rapaz inclusive ao volante de uma moto de quatro rodas). Os seis primeiros foram permitidos, quase a contra-gosto, até um senhor de RAv-4 posicionar-se mesmo no acesso, bloqueando a via para a ambulância que deixava as instalações para mais um serviço de urgências. Escusado será dizer que o guarda foi ralhado.

Alguns automobilistas são de uma classe social superior à do guarda, não se coibindo de usar sinal sonoro para impor a sua vontade, o que obviamente contribui para certa impotência do homem perante os excessos e impunidade. Mas se fosse só por aí, diríamos que se trata de uma situação controlada. Como será a relação do guarda com gente menos abastada, com a qual diríamos que mais se identifica?

Chega depois uma mãe com criança em estado grave às costas, a bordo de kupapata (moto-táxi). Só que com ela vêm outras seis motorizadas, na típica solidariedade Bantu, contrastando com o que é sensato nesta circunstância. O guarda deixa passar o kupapata da mãe e criança doente. Outro kupapata do mesmo grupo trespassa com uma menina de não mais de 13 anos, que sinceramente não sabíamos bem que relevância teria lá dentro. O guarda fecha o portão, para o desagrado do pai da criança doente, ele também transportado por kupapata. O que se seguem são agressões verbais de quem se sente no direito de levar para dentro do hospital todo o grupo que o acompanha na hora difícil.

Pouco depois, outra família chega com criança doente, igualmente a bordo de kupapata. A motorizada da mãe é permitida, não a do pai. E lá está o senhor a despejar incisivos disparates sobre o guarda, que também é humano (ex-militar?) e promete retalhar com bofetadas, pontapés e uso de arma de fogo (que não a tinha, até onde deu para ver).

Longe de colocar o guarda hospitalar no centro das virtudes, digo apenas, como quem trabalha no atendimento público, que urge encurtar os turnos naquela posição de permanente rótulo de carrasco. A sugestão é uma renda a cada três horas, e não doze como presumo ocorrer. Só que, como sempre, se eles reclamam, correm o risco de perder o ganha-pão. É como ironizava o outro, o trabalho dignifica (quando não danifica) o homem.

Gociante Patissa, Benguela 22 Fevereiro 2013
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Crónica | Assinaturas para o meu partido (PSAV)

Excelências! Visto que se aproxima aquela época em que de repente todo o mundo vira bonzinho, diria mesmo varinha mágica em forma humana, e depois de verificar que lá bem no fundo, no fundo, andamos a nos repetir uns aos outros nessa coisa dos partidos e partidecos, sob o ponto de vista das designações, dos moldes de conflitos internos, da graxa aos superiores, do compadrio, e até da matriz ideológica (esquerda, direita, centro), sua excelência eu, que não é menos angolano do que ninguém, lança a recolha de assinaturas para a legalização junto dos tribunais competentes daquilo que se propõe ser o partido que vai resolver as nossas vidas.

Se dúvida alguma houvesse quanto ao arcaboiço para uma tal empreitada, então ficou dissipada depois de verificar a azáfama mais ou menos adolescente de um projecto designado Partido de Crentes, idealizado na matriz messiânica por um conterra a partir da diáspora, cuja base são os fãs no segmento música electrónica Rap, pelo que, vistas as coisas, isso afinal ainda continua fácil, cogumelicamete falando.

Mas nós não somos um projecto qualquer, atenção! A originalidade é o nosso diferencial. Então como? Primeiro, no alinhamento ideológico. Se ficamos à direita, fomentamos o mesmo extremar de pôlos de quem se posiciona à esquerda. Ficar no centro? Para quê, para herdar a indefinição de quem mora por cima do muro?! Não!!! Nós somos de uma elevação de longe maior que isso! Atenção que somos o Partido Sonhado Angola Vai (PSAV). A regra do nosso futuro governo é clara: viajar e laifar. Porque ao fim de 40 anos, o país já não é mais criança para ainda não saber caminhar por si. Nada de ficar trancado nas luxuosas masmorras chamadas gabinetes, ver o tempo, o crescimento dos filhos, o ciclo de vida dos animais domésticos, tudo isto, nos escapar de entre os dedos da mão, enfim envelhecer tão aceleradamente a nossa passagem pela vida.

Esse país tem de ser levado com um pouco de sonhos mais a sério. No nosso partido, enquanto projecto de governação, o lema é “Angola Vai”. Vai p’ra frente, claro. Mas de que jeito, diante de tantos obstáculos nestes conturbados ventos globais? Ora, sonhando. Repare quão nobre soa: Partido Sonhado Angola Vai. Quer dizer, tudo muito Zen.

A nossa estratégia brotará dos sonhos e para o efeito, claro está, indispensáveis pressupostos serão as boas condições espirituais e conforto qb. O bem sonhar é o investimento primário. Como presidente, a missão inaugural consistirá em três meses de turismo por paradisíacos destinos, o que inclui um curso intensivo de fotografia. Teremos as vias diplomáticas abertas para comunicação lacónica a cada quinzena. O resto é alinhar com a ordem mundial da esfera onírica. Dormir será obrigatório. A nossa tarefa, longe de toda energia negativa, será inquestionavelmente só e apenas sonhar. Repito. Tudo muito Zen.

Ah, compulsada a lista da cúpula governativa, adianta-se aos interessados desde já que a lista está incompleta, por enquanto só temos uma nomeada para o cargo de Ministra do Turismo Executivo em Benefício Próprio. Já sabe, se quer a boa vida que o elenco na elite Partido Sonhado Angola Vai promete, é só assinar o manifesto e recolher assinaturas. Como? Sonhando, ora essa! Faça-nos o favor de sonhar bem hoje. Cumpra-se. Gabinete do presidente do melhor que há: Partido Sonhado Angola Vai. Assina: Sua Excelência Eu (Mestre em Ciências Tentadas). Ainda era só isso. Obrigado hahahah
Gociante Patissa, Benguela, 21 Fev. 17

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Opinião | Eleições e novos paradigmas

por Alexandre Lucas Tchilumbu (*)

Se os paradoxos anunciam a chegada de novos paradigmas, em relação as nossas eleições, que novas regras se mostram e quais os paradoxos?

Eu explico-me melhor! Por paradigmas, podemos entender como sendo a forma como percebemos a realidade. Um exemplo: Se um homem vestir uma roupa feminina, isso pode ser visto como um paradoxo, pois o paradigma social diz que homem não veste roupa de mulher! Não está escrito em lugar nenhum; é um paradigma.

O Dr Lair Ribeiro afirma que o paradigma está pra nós como a água está para o peixe. O peixe só sabe que vive na água, quando se perceber fora dela. Só nos apercebemos da mudança de paradigmas, quando um novo se instala. Um exemplo: até a chegada dos relógios eletrônicos, os suíços detinham 85% do comércio mundial deste segmento. Porém, uma desatenção os fez negligenciar a chegada de um novo paradigma; o relógio eletrônico. Presos às antigas regras, os suíços praticamente entregaram de bandeja o negócio dos eletrônicos aos japoneses e americanos, que anos depois passaram a deter mais de 70% do mercado.

No caso das nossas eleições, quais os paradoxos que começam a despontar e que novos paradigmas se anunciam? Um exemplo de algo que começa a se tornar paradoxal aos olhos do votante é o atributo do desequilíbrio! A grande abertura trazida pelas TIC's(tecnologias de informação), elevou a consciência dos utentes a um ponto em que comportamentos que refletem desequilíbrio começam a ser colocados de lado. Quem estuda a evolução do comportamento humano sabe que às crianças actuais, quando diante de desavenças entre os progenitores, tenderão a unir-se àquele que apresentar integridade nas palavras e na atitude. No passado, a criança simplesmente chorava.
Integridade passa a ser o padrão que queremos ver em todas as coisas. O partido que olha pro futuro e busca galgar terreno na confiança do eleitor, precisa equilibrar-se, diante de pressupostos como "verdade", "unidade" é "bom senso". Este é o novo paradigma!

Crónica | À procura de um jazigo para pôr o corpo

Yosefe Muetunda
Aconteceu com uma jovem que é minha grande amiga. Acredito que ela vai ler a publicação e, se tiver coragem, vai denunciar a sua identidade.

No segundo mês de namoro, achou um contacto gravado no telefone do namorado com a inscrição "amor da nha vida".

Um dia depois, ao querer saber mais, encontrou uma mensagem recebida, com o seguinte breve teor: "hoje, à noite, pode ser?"; e outra, enviada, a ripostar "é claro, adoraria!".

Sem se exaltar, silenciou-se por dois dias. No terceiro, sorrateiramente, leu mais uma breve conversa: "ontem, querido, esforçamos muito"; "eu quase arrebentava, querida, pois os métodos não funcionavam"; "nas noites seguintes vamos moderar"; "ainda bem, assim resisto mais". Ela copiou tudo, transcrevendo com fidelidade na sua agenda. Nada zunzunou, por mais de três dias.

Num outro, enquanto eles aproveitavam a noite para refrescar os ânimos, com beijos e orações, quando o sol estava morto, o telefone dele apita. Ela, que já andava a acumular, arranca-o e, do mesmo contacto, leu a mensagem: "Então, amor, não queres exercitar mais comigo?"

A estrebuchar, quase bate o dispositivo na parede mais próxima, não fosse a intervenção do parceiro estratega. Desmontou-lho das mãos. Ao ler, sorriu ironicamente e disse:
— A minha mãe está a dar-me explicações de Matemática para testar na UAN. É sempre à noite, quando ela vem do serviço. Acho que devo ir.

E ela ficou toda envergonhada, à procura de um jazigo para pôr o corpo. Morria de ciúmes pelas mensagens da sogra.
Yosefe Muetunda, Luanda, 17.02.2017.XXI.23h49

Repassando (conforme recebido por e-mail) | CONVITE PARA LISBOA | Sexta 3 de março 18:00: apresentação dos n.ºs 24 e 25 da DiVersos - Poesia e Tradução na AJH

Fundada em 1996, a DiVersos - Poesia e Tradução fez 20 anos em 2016. 

Dois números recentes que evocam o aniversário vão ser apresentados (sexta 3 de março às 18:00) na sede da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (Rua Rodrigues Sampaio, 140 (perto da Rua do Bonjardim e da Praça D. João I). Nesse sentido, este convite é-lhe dirigido – ficaremos muito gratos pela sua presença.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Grande Entrevista | “TIVE DE SUPERAR OS MEUS MEDOS” | Conheça a história de Hilária Kalei, líder da Associação de Mães na Adolescência

Por Gociante Patissa (texto e fotos)

A poucos dias de completar 21 anos, a costureira Hilária Kalei (HK), caloira no curso universitário de psicologia clínica, é o rosto visível da comissão instaladora da Associação de Mães na Adolescência (AMA), da qual é coordenadora e palestrante. Tornou-se mãe aos 17 anos, o que a forçou a desistir de sonhos, entre os quais a prática de andebol. HK não imaginava que enfrentaria um drama ainda maior, o da anemia falciforme, diagnosticada ao sétimo mês de vida do seu bebé. Foram três penosos anos pelos corredores do hospital de Benguela, várias transfusões de sangue, até que, infelizmente, a batalha foi perdida para a morte. A AMA é um colectivo voluntário que realiza palestras, a par do uso das redes sociais, para sensibilizar contra a gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, bem como lidar com a situação das vítimas de abuso sexual. A reportagem do Blog Angodebates (BA) ouviu a coordenadora para saber mais sobre o projecto.

"As pessoas identificam-se muito com aquilo por que nós passamos"

BA: Como foi que surgiu a ideia de Associação? Qual foi a vossa motivação?
HK: Uma das meninas resolveu juntar algumas amigas para um almoço. Até nem todas eram mães. Durante o convívio, eu saí para buscar o meu filho, porque havia lá outras crianças, e daí surgiu a ideia. Eu disse: por que é que não continuamos? Sugeri que fosse AMA (Associação de Mães na Adolescência), e vamos passando as nossas experiências para as outras meninas que ainda não são mães. Pelo menos vamos servir como alerta. E para aquelas que já são mães, então encontrar uma maneira de, de nós, surgir um apoio.

BA: Quantas pessoas formam a AMA?
HK: Neste momento, mães dentro da Associação temos 15. E o grupo de apoio, meninas que não têem filhos mas que também fazem parte, são 46. No total dá por aí umas 61.

BA: Parece um grupo grande. Como é possível gerir esse grosso?
HK: Nós temos grupo privado no Facebook, que é fechado, e aí temos dado as informações. Falamos sobre actividades, cada um expõe aquilo que são as ideias e é muito fácil. Estamos em comunicação todos os dias.

BA: Há quanto tempo existem?
HK: A AMA vai fazer um ano, dia seis de Março. Na verdade, a reunião primeira, como disse do almoço, foi em Novembro de 2015. Só que daí tínhamos parado e só em 2016, é que nos voltamos a encontrar e foi também a primeira palestra, no Colégio das Madres.

(arquivo) Partilhando leituras | Locutoras e Locutores

Faltavam dez dias para ir ao ar e ainda não tínhamos locutores. Impaciente, coloquei um anúncio na própria emissora que já havia iniciado as transmissões experimentais. Como Tamayo é uma cidadezinha do interior, será preciso repeti-lo várias vezes, pensei ingenuamente. Uma menção foi suficiente. No dia seguinte, quando cheguei à rádio, vi a fila de jovens, todos ansiosos em se tornar locutores da Radio Enriquillo.

A verdade é que ainda não havia pensado em como faria a seleção. Então decidi colocar uma mesa sob o mogno do pátio e fui fazendo passar os candidatos um a um, uma a uma, para avaliar suas qualidades locutorais. Ao primeiro, entreguei um jornal para que o lesse em voz alta. Levou a mão ao ouvido, pigarreou e começou a atropelar as palavras como se estivesse sendo perseguido pela polícia. A segunda era uma moça muito simpática e muito decotada. Aproximou-se com olhar malicioso, inclinou-se mais do necessário para pegar o jornal... e em vez de lê-lo, abanou-se com ele por causa do calor. O terceiro da fila pegou o jornal de ponta-cabeça.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Crónica | Um mestrado do tipo flecha que sai torta

Conforme tinha sido anunciado aos vivos e aos extraterrestres, hoje era o tal dia muito esperado para a reunião na CESPU-Benguela sobre o lançamento do curso de pós-graduação com acesso ao mestrado em Gestão Estratégicas de Recursos Humanos.

Tirando só mesmo o par de beijinhos que sua excelência eu ganhou de um emotivo reencontro de anos bwé (com uma daquelas fulgurantes paixões sucumbidas nos tempos de ingénua pré-juventude e que, como sempre talhados a bons perdedores, esperamos que a vida seja generosa e lhes faça felizes, seja nas mãos de quem for)… tirando só isso, a reunião foi uma seca, como diria o bom do português, pelo tema, pelo tom a roçar o sobranceiro e por se passar ao lado da expectativa.

A prelectora, bem articulada e de sensualidade comedida, teve uma audiência de quase quarenta "doutores", se não mais. No caso de sua excelência eu, sabedor de bom bocejar em ambientes pardos, esperava uma resposta concreta, aquela referente ao não reconhecimento (ainda) pelo Estado Angolano dos certificados da Universidade Portucalense via CESPU (regime semi-presencial com docentes vindos da Europa), por, diz-se, a instituição intermédia, que reivindica (em audível tom da sua esbelta directora) um inquestionável reconhecimento e prestígio ao nível internacional, afinal não ter aprovação do INARES (organismo do Ministério angolano do Ensino Superior).

Uma hora e a sessão de esclarecimento não esclareceu quanto a ter havido algum esforço administrativo para aproximação entre a intermediária de origem portuguesa e as autoridades que validam o que é substancial, o grau académico no mercado mwangolê. Qual seria a lógica de gastar neurónios e pecúnia por um certificado de enfeite?

Mas é como tudo. Entre cépticos e optimistas, a marcha do tempo segue e os dados estão lançados, digo actualizados. Para a pós-graduação, USD 9.970,00 o curso, ou 12 parcelas mensais de USD 850,00, a serem pagos ao câmbio do dia. A taxa de inscrição, não reembolsável, como fez questão de sublinhar a responsável, está só pelos módicos AKZ 50 mil. Mas como é sempre o dedo da ferida no pé aquele que por ironia mais tropeça, o curso pretendido por sua excelência eu, este, tem o arranque condicionado ao surgimento de 35 candidatos, de inscritos mesmo é que patina pela metade da cifra.

Ora, por todo o exposto, já liguei para o tio por afinidade chamado Donaldo Trampo, lá na Branca Casa, a respeito da decisão, só que a secretária informou que ele, o tio pato, não podia atender à sexta-feira, que nesse dia ele renova a fórmula oxigenada de tingir os cabelos.

Mas deixei recado. Tio Trampo, vê se metes ali uma bolsazinha por cunha naquele mambo de Fulbright e tal, já que estamos a mijar nessa comuna chamada ordem mundial. Porque do jeito que as coisas vão, entre dois males, não sei se é déjà-vu ou quê… mas o tio já ouviu falar da sorte da flecha que sai torta, né? Assim, fico só com o meu já inquestionável grau académico. Ainda era só isso. Obrigado. E assino já, já: Mestre em Ciências Tentadas.
Gociante Patissa. Benguela, 17 Fev. 2017

Áudio Debate | "As Implicações da Poligamia e os Desafios de Ordem Cultural, Ética e Moral Nas Sociedades Africanas" (Rádio Benguela 16.02.2017)

No dia 16 Fev 2017, o programa TUDO À NOITE, conduzido na Rádio Benguela (república de Angola) por Aldemiro Cussivila, promoveu um debate sobre "AS IMPLICAÇÕES DA POLIGAMIA E OS DESAFIOS DE ORDEM CULTURAL, ÉTICO E MORAL NAS SOCIEDADES AFRICANAS", estando o painel constituído pelos seguintes convidados : António Andrade (engenheiro agrónomo e professor), Adriano Ukwatchali (padre, professor e antropólogo), Gociante Patissa (linguista, escritor e Blogger) e Jose Mulangue (professor e sociólogo)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

NOS 92.9 FM RÁDIO BENGUELA...

Sua excelência eu juntamente com boca dele ainda estão no estúdio da Rádio Benguela. Vamos discutir "as implicações da poligamia e os desafios de ordem cultural, ético e moral nas sociedades africanas."
Ainda era só isso. Obrigado

Humor mwangolê | DOIS PARA O SOGRO

O jovem foi ao encontro da sua noiva na casa dela, posto la o pai da noiva viu o TeleFone dele um Samsung galaxy S7 e perguntou-lhe:
-Quanto que te custou este telefone?
O jovem pensou rapidamente, se eu falar o preço verdadeiro ele vai querer me queimar nos valores da carta do pedido, então o jovem dise:
- 20.000kz pai.
O futuro sogro entrou em casa e quando saiu deu-lhe 40.000 kz.
-Toma compra 1 para mim é outro para minha esposa.
....
O jovem não sabe o que fazer porque o telefone custou-lhe 375.000 Kz

(Recebido sem identificação de autor)
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Citação

"Uanhenga Xitu foi um escritor ímpar e um homem de coragem. Porque, numa altura em que a maioria gabava-se de ter aprendido o português no Maria Relvas, apareceu um homem que, apropriando-se da língua, escreveu num português que sabia, num português que conhecia. E saíram aquelas obras maravilhosas, como o Mestre Tamoda. (...) Em vida, soube representar bem os dois nomes que tinha, o Mendes de Carvalho, nome português, e Uanhenga Xitu, o nome dele". - Dario de Melo, noticiário 13h, Radio Nacional de Angola, 16/02/14

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Crónica | O POETA NÃO MORREU | Uma história do além

Tom Cardoso
(foto: Diário do Centro do Mundo)
Por Tom Cardoso (*)

– Tom, precisamos de pautas mais quentes. Cadê o furo?

Era o editor do caderno de cultura, fazendo o que todo chefe tem que fazer: cobrar do repórter matérias exclusivas, de grande repercussão, chamadas de "furo" no jargão jornalístico.
– Pode deixar.

Essa cobrança era sempre feita na reunião de pauta. E nada é mais chato na profissão de jornalista do que participar de reunião de pauta. Por duas razões:

Just a question | Um eterno incompreedido ou um auto-tramado Tramagal?

Ouvi ontem pela imprensa a notícia da saída (demissão, afastamento, chicotada psicológica ou como convier chamar) do treinador Agostinho Tramagal, antes mesmo do jogo de estreia no club JGM do Huambo. A matéria não fazia referência às causas do corte do vínculo contratual, o que nestes casos só concorre para especulações sobre um eventual mal estar entre o clube de futebol e o treinador. Consta que será uma ruptura conflituosa (mais uma). Porque um treinador desportivo é uma figura pública, se calhar seria útil para questões de compreensão da história do nosso futebol olhar para o fenómeno das saídas bruscas a meio das missões no campeonato angolano da primeira divisão, vulgo "girabola". E como na falta de informações mais plausíveis o cidadão não sabe exactamente em que lado depositar a sua solidariedade, se ao clube ou se ao treinador "expelido", fiquemos pela dúvida que pergunta, considerando que num passado recente o mesmo Agostinho Tramagal abandonou em ambiente tenso o clube lobitanga Académica Petróleos e, seguidamente, também saiu em clima de tumulto do comando técnico da Académica do Soyo. Será o conterra um eterno incompreedido ou um auto-tramado Tramagal?
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Humor | Tás contratado: o provador de vinho

Numa conhecida empresa vinícola do Norte, o provador havia falecido e o proprietário começou a procurar alguém que fizesse o trabalho.
Um velho, jeito de antigo malandro, bêbado e mal vestido, apresentou-se para solicitar o lugar.
O proprietário, que não gostou do candidato,  queria por isso ver-se livre dele.
Então, na presença de outros dirigentes da empresa, mandou dar-lhe um copo de vinho para ele testar. O velho provou e disse:
“- É um Moscatel de três anos, elaborado com uvas colhidas na parte norte da região, guardado em um barril inox. É de baixa qualidade, porém, aceitável".
“-Correcto”, disse o chefe. Outro copo por favor.
“- É um cabernet, safra 2008, com uvas colhidas nas encostas ao sul da região,  guardado em barril de carvalho americano a 8 graus de temperatura. Ainda faltam
uns três anos, para que alcance a mais alta qualidade.”
- "Absolutamente correcto".  Um terceiro copo.
“- É um espumante elaborado com uvas chardonnay, completado com 15% pinot noir, de alta qualidade e exclusivas”, disse o bêbado.
O proprietário não acreditava no que estava vendo e fez um sinal com os olhos  à  secretária e pediu-lhe  que fizesse algo. Ela saiu da sala e regressou com um
copo de urina.
O malandro provou e, calmamente, disse:
“- É de uma loira de 26 anos de idade, com três meses de gravidez e, se não me derem o emprego, digo quem é o pai.
(Recebido sem identificação de autor)
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Divagações | Um toque de humanismo no negócio Sãovalentista

Fiquei a reflectir sobre um anúncio de restaurante que vi cá pelo Facebook, infelizmente estava em inglês, mas será talvez o mais original mesmo no contexto de campanhas para o dia de São Valentim. Em datas tão universais, não é tarefa de amadores identificar o que se possa vender como sendo o diferencial do estabelecimento. Eis então que a gerência desse restaurante oferece um pacote fabuloso. Imagina tu que para quem leva a namorada, o restaurante oferece desconto de 25%. Que bom, não é? Calma, que ainda não é tudo. Para quem leva a esposa, desconto de 50%. Já para quem leva as duas de uma vez, a refeição é totalmente grátis, e ainda oferecem transporte para o hospital. É um aliciante toque de humanismo no negócio, ou estou enganado? Seja como for, ainda era só isso. Obrigado hahahah

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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Opinião | MENOS INTRANSIGÊNCIA JURÍDICA, “CAMARADA VICE-PRESIDENTE”!

Cresci a ver a azáfama do pai à hora dos noticiários das 13h00 e 20h00 respectivamente. Numa Angola dilacerada pela guerra civil, o partido/estado/governo fazia questão de garantir um pequeno "rádio de funções" em AM e MW aos governantes de base.

Podiam-lhes faltar confortos destes que hoje se assistem, podiam circular no exercício da administração comunal sobre a carroça de um tractor agrícola, mas nunca sem o cabaz de um radito a pilhas para acompanhar as orientações directoras centralmente emanadas e, principalmente, as nomeações e exonerações. De sorte que alguns nomes passaram a fazer parte do processo do enriquecimento da nossa cultura geral. Porque até a massa elegível não era assim muito variável. Saía-se quando muito de um posto para outro, ou regressar de um “defeso”, e só muito raramente brotavam surpresas da real base (mas era mister manter aceso o facho da aspiração). 

Às vezes víamos o pai saltitar de alegria pela nomeação de quadros da sua lista de modelos patrióticos. Chegou mesmo ao ponto (hoje vejo como infeliz) de atribuir a um filho o nome de um certo governante benguelense (e creio que professor na Escola Provincial do Partido, entre 1986-1989), nome de pronúncia tónica que se confundia entre o gaulês e o cabo-verdiano (nunca soubemos o significado). Vivia-se o pico do comunismo e  a renegação da herança cristã do seu pai catequista e preso político de São Nicolau.

Em resumo, admirávamos, como à bandeira e ao hino, os governantes e os combatentes da nação. E foi pois com elevada desilusão que nestes últimos cinco anos vimos um camarada Bornito de Sousa, um patriota e combatente, de repente argumentar, nas vestes de Ministro da Administração do Território, uma lógica contrária à rotura ideológica por que sempre se lutou e nos “independentamos” como país.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Citação

O ku-duro é [apenas] uma música electrónica; não tem nada nosso, não tem nada da nossa identidade. Quando falamos que o ku-duro está a internacionalizar-se, isto, é uma fantochada. Não é verdade. Porque o ku-duro, hoje e do jeito que está a ser feito, o que é que tem para dar?! (...) Vamos perguntar: 'no ku-duro, qual é a música que saiu e está na ribalta'. Nenhuma! É tudo música descartável, ao contrário por exemplo do semba de um Carlos Burity, que tem sustentabilidade. (Victor Almeida, in Revista Musical. TPA, 10.02.2017)

Utilidade pública | TOYOTA DE ANGOLA NO LOBITO ENCERRADA PARA DAR LUGAR A UM AGENTE REVENDEDOR

A fazer fé nas informações da senhora que atende a um dos terminais disponíveis para esclarecimentos pós-encerramento da Toyota de Angola no Lobito, o quadro de crise financeira esteve na base da falência, na medida em que vinham registando uma cada vez menor entrada de clientes, inviabilizando  deste modo a manutenção do negócio e as despesas com a mão-de-obra.

Entretanto, a actividade de venda de automóveis e de peças, bem como a assistência técnica, serão continuadas, a partir do mês de Abril, por um agente nas mesmas instalações, sitas no bairro da Canata, ao lado dos Bombeiros.

Não está para já claro se os preços a serem praticados andarão pelos padrões da "defunta" Toyota de Angola, que decidiu salvaguardar apenas a sua sede central em Luanda.

O encerramento da instituição, que apanhou desprevenido meio-mundo, é formalizado por um comunicado datado de 1 de Fevereiro, estampado na vidraça e que dispõe de contactos telefónicos para orientação de quem tem documentação pendente ou desconheça uma certa loja revendedora de seus produtos, localizada na cidade de Benguela.

O que é facto é que sai em grande medida prejudicada, nos termos da cobertura de garantia, muita gente que, por gosto ou em função da credibilidade, um dia apostou a sua suada poupança para adquirir um zerinho da secular marca japonesa. Chega-se a uma tal leitura dada a evidência de quão louco seria, para residentes de Benguela, galgar os cerca de mil e 200 quilómetros de ida-e-volta a que estariam sujeitos para ver o carro assistido na capital do país.

Até lá, uma palavrinha das instituições vocacionadas na defesa do consumidor viria mesmo a propósito. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa, 10.02.2017
www.angodebates.blogspot.com

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Crónica | Só pode ser conspiração contra o meu mestrado em ciências tentadas

Estava calmo e quê e tal no horário do patrão, sem chatear ninguém, sua excelência eu renascido de três dias de licença médica. De repente, sem avisar nem nada, só ouviu já no telefone - prrrrriiimmmm!!! - Olha assim, é mensagem. Faz favor, que não seja notícia de óbito nem doença. Leio ou não leio? Vou só já ler, lá preferiu sua excelência, doses limitadas de coragem em cena.

E o conteúdo então? É porque, ah "Boa tarde, a Cespu-Angola informa a todos os alunos que a apresentação do curso de Finanças e G.E.R.Humanos vai ser realizado no dia 17/02/2017 pelas 19h00 sexta feira nas nossas instalações." Como assim?! Mas não pode!!! Exclamou veementemente sua excelência eu, digo no coração só. Na boca, tipo assim dar berro, para dizer a verdade, não se ouviu nada. Sua excelência já nem se lembrava mais até.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Humor | Dia de São Valentim

Marido:  Querida, eu estou indo para 3 dias de conferência de trabalho
Esposa: OKey, mas vamos entregar sua jornada nas mãos de Deus em oração.
Marido:  está bem, vamos orar.
Esposa:  Deus conceda meu marido uma grande jornada laboral
Marido:  muito alto Ameeeeeeeen.!
Esposa:  Não conceda sua ereção masculina se ele tentar cometer adultério.
Marido:  calado
Esposa:  Não deixe que ele retorne em segurança se ele conseguir ter casos extra-conjugais com outras senhoras.
Marido: ....... suando
Esposa:  Na verdade, Espírito Santo, mate-o se ele cometer ...
Marido:  Ohhhhhh! cale-se, está certo, eu não vou mais; porque o Espírito Santo me disse em espírito que a conferência foi cancelada.
(Recebido sem assinatura de autor)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Procura-se | Alguém que possa adquirir por mim em luanda?

Fiquei a saber que afinal ainda se pode encontrar no Kero Gika, em Luanda, à venda o meu segundo livro de contos, FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS. Como não encontra vassoura para uma ida e volta a Luanda sem gastar kumbús, então vem sua excelência eu pedir por obséquio que uma alma entre conhecidos e amigos se digne mui respeitosamente autorizar-se a si própria no sentido de ir adquirir uns cinco exemplares. A modalidade de envio e de reembolso do capital (neste caso 2 mil e 500 kwanzas, na razão de quinhentos por exemplar) será tratada a posteriori. O sumido livro saiu pelo Programa Ler Angola, do Grecima, em 2014

Será que a pessoa também não pode só pedir lá um pouco muito? É mal?
Ainda era só isso. Obrigado.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Divagações | Variáveis da reconciliação nacional vista pela teoria da comunicação

Não, vale já esclarecer em função do título, não se trata de nenhum extracto de livro de epistemologia em ciências da comunicação. Estas linhas breves procuram apenas dar eco a uma abordagem profunda e singela feita por um cidadão moçambicano, por sinal uma referência no ramo do teatro, quando instado a se pronunciar sobre o papel da arte ou a visão do artista em relação à reconciliação nacional, longa entrevista emitida pelo canal moçambicano STV Notícias. Puxando do seu fértil raciocínio, aquele artista elevou a coisa a um patamar que subtilmente chama à responsabilidade de outro sector crucial e transversal. Mais palavra, menos palavra, citamos de memória o que disse o interlocutor: É uma grande hipocrisia a forma como se fala da reconciliação nacional. A reconciliação nacional não é o aperto de mãos e, pronto, estamos reconciliados. A reconciliação nacional é tu me chamares para a tua estação televisiva, dar-me espaço para entrevista, mas também vermos a intenção da tua pergunta ou o que quero atingir com a minha resposta. Portanto, disse o homem, se não se vir bem o sentido de integridade, passa a ser manipulação. Ainda era só isso. Obrigado.

Divagações | À espera que os movimentos associativos literários façam o impossível

A história do panorama intelectual angolano está mais ou menos rica de episódios de criação de associações e/ou movimentos literários, caracterizados pelo legítimo entusiasmo juvenil. O carisma, o bicho do talento, a fome do estrelato e também algum seguidismo engrossam a argamassa da utopia (da qual nunca devíamos abrir mão). Os movimentos do pós-independência, até melhor opinião, diríamos que são movidos pelo combustível da luta contra a exclusão perpetrada por segmentos elitistas, o que até a geração de 1980 enfrentou para ser aceite na União dos Escritores Angolanos, que obviamente era um clube de um punhado de privilegiados. Porque a união faz a força, chega-se ao entendimento de que de braços dados com a socialização, as declamações com alguma vaidade excessiva à mistura, publicações periódicas, e acima de tudo com a institucionalização, se chega ao reconhecimento do potencial de cada um. E os ciclos repetem-se. Criam-se grupos, surgem roturas por incompatibilidade de temperamento ou por causa da não renovação de mandatos ou por isto e aquilo. O exemplo mais emblemático é o da idosa Brigada Jovem de Literatura, cuja direcção em média etária anda pelas 45 velas apagadas e talvez já não se recorde do ano em que chegou ao poder, que se calcula ter sido sob promessa de uma próxima assembleia ao fim dos anos que o estatuto prevê. Mais para cá, às vezes dou por mim a ser contactado por jovens que pedem ajuda para influenciar a sua entrada a um determinado movimento e/ou associação literária porque querem, imaginem, ser escritores. Como quem não chegou a pertencer a movimentos literários, o grande receio é se não se estará eventualmente à espera de suculentos milagres. É que para além da oportunidade de um crescimento conjunto, não creio que os movimentos/associações produzam escritores como tal, actividade que aliás é algo bastante individual e exige talento, experiência de vida, domínio rigoroso da língua em que se escreve, isolamento investigativo e criativo. E ancorados no benefício da dúvida, estaremos aqui para ver quantos escritores emergirão com potencial e consistência nos próximos quinze anos dos movimentos (pertinentes, naturalmente) mais notórios e mediáticos por Luanda, Huila e Benguela. Até lá, ficam eventuais desculpas a quem se sentir injustiçado por estas linhas dominicais. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa. Benguela, 5 Fev 2017

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Humor | Caranguejos angolanos

Um pescador de caranguejos nunca tapa o balde em que vai colocando os caranguejos que apanha.
Isto admira toda a gente à sua volta.
Alguém lhe pergunta um dia:
"Porque não tapas o balde em que tens os caranguejos? Não tens medo que fujam?"
Ao que o pescador calmamente responde:
"Não é preciso. São caranguejos angolanos: quando um tenta subir, os outros imediatamente o puxam para baixo!"
(De autor desconhecido) www.angodebates.blogspot.com

Crónica | Abandonados pelas representantes de automóveis, só nos resta pensar em camelos

Quando me chegou através de um colega de trabalho a notícia, infausta, digamos, do encerramento da TDA, empresa que representa as marcas Nissan, Renault e Mahindra, sita no perímetro do Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela, bateu-me uma empatia. E pensei cá comigo: ora, estamos em presença de derrota por KO do consórcio português Teixeira Duarte (já sei que alguém estará a bater um murro na mesa por achar que não é bem português, mas de direito angolano, enfim).

Ainda indaguei se tinha ideia de onde ir para a aquisição das peças necessárias a cada cinco mil quilómetros de revisão. Serenamente, como só os mais experientes sabem fazer para desenganar cidadãos ingénuos, respondeu:

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Denúncia | PARASITISMO DO PORTAL "ANGOLA-CONNECTION"

Caríssimos gestores do portal Angola-Connection http://angola-connection.net/

Gostaria de me dirigir a vós num ambiente alegre enquanto parceiros, mas venho mesmo é manifestar o meu desagrado pela sistemática recuperação de textos que publico no meu Blog Angola, Debates & Ideias http://angodebates.blogspot.com/, os quais vocÊs retomam sem fazer referência a isso. Como devem imaginar, ao só dizerem o nome do autor, fica a impressão de que sou um funcionário vosso, quando na verdade o único veículo que sirvo é o meu próprio Blog.

Gostaria deste modo de contar com a vossa colaboração no sentido de, ou indicar o link da matéria original, ou pararem imediatamente de publicar textos meus.
Com os melhores cumprimentos

Gociante Patissa
Caixa Postal (P.O. Box) 393 - Benguela, República de Angola

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Revelando segredos | Sabino Nunda Casaco, um desconhecido que deu vida à AJS (ONG)

Sabino Nunda Casaco (facebook)
A história das instituições, a partir do momento em que estas saltam da esfera do sonho para a materialização, legitima várias perspectivas. E como só podia ser de uma ingenuidade gigante esperar que exista apenas uma versão de registar a trajectória e o impacto junto da sociedade, que é em fim último o beneficiário do altruísmo, a história da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade) é passível de ser colhida pela perspectiva dos protagonistas, pela das testemunhas, pela dos continuadores, pela das vítimas (aqui um lamentável fruto de umas e outras escolhas).

Neste apontamento ressalta-se outra perspectiva muito valiosa que não se encontra em actas de reuniões, na glória dos relatórios de projectos implementados e ainda menos na beleza dos dólares ao bolso. Falo de parceiros desinteressados que se mantêm anónimos, aqueles que na primeira hora abraçaram o que para muito boa gente roçava o lunático. Um destes é Sabino Nunda Casaco. A AJS é faísca do sector da sociedade civil, Organização Não Governamental de âmbito local, nascida do inconformismo de estudantes do ensino médio (tinha 21 anos o fundador), num quadro complexo de guerra civil e carência urbana de vária ordem.