PONTOS DE VENDA

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Gociante Patissa lança livro Gociante Patissa lança livro (via Jornal de Angola)

“O Apito Que Não se Ouviu”, livro de crónica da autoria de Gociante Patissa, é  lançado no sábado, às 15h00, na Mediateca de Benguela, numa edição da União dos Escritores Angolanos (UEA).

Com 100 páginas, “O Apito Que Não se Ouviu”, o sexto livro do autor, junta 37 crónicas divididas em três capítulos: “Viagens”, “Por dentro da nossa gente” e “Na via”. 
O livro assinala o oitavo aniversário de uma produção que o autor publicou entre os anos de 2006 e 2014 na plataforma digital, através da sua página “Angola, Debates & Ideias”, no site www.angodebates.blogspot.com

O livro é apresentado pelo escritor Luís Fernando. A crónica que dá título ao livro é uma homenagem a um amigo que o autor teve durante a adolescência no bairro Santa Cruz, no município do Lobito, que veio a falecer no exercício da sua actividade policial. Daniel Gociante Patissa nasceu na comuna do Monte-Belo,  em 1978. Licenciado em Linguística, especialidade de Inglês, pelo Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED) da Universidade Katyavala Bwila, é membro da União dos Escritores Angolanos.

Já recebeu vários prémios como o Prémio Provincial de Benguela de Cultura e Artes em 2012, na categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas, pelo contributo na divulgação da língua e cultura umbundu.

Venceu  o Prémio Festival de Artes da Sonangol edição 2014, na categoria de poesia. Publicou os livros “Consulado do Vazio”, 2008, “A Última Ouvinte”, 2010, “Não Tem Pernas o Tempo”, 2013, “Guardanapo de Papel” e “O Homem do Rádio que Espalhava Dúvidas”, 2014.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

NOTA DE IMPRENSA | Lançamento do Livro "O APITO QUE NÃO SE OUVIU "


Por incumbência do Secretário-Geral da União dos Escritores Angolanos (UEA), o confrade Carmo Neto, somos a solicitar a vossa divulgação e cobertura da sessão de lançamento do livro crónicas "O APITO QUE NÃO SE OUVIU", da autoria de Gociante Patissa, residente nesta cidade. O referido acto terá lugar na Mediateca de Benguela, pelas 15 horas de sábado, dia 31 de Outubro, com apresentação formal do escritor e jornalista Luís Fernando. A obra será comercializada ao preço de mil kwanzas e as entradas são livres.

Diário | Entre a classe, como um filho pródigo


Tive hoje o grato prazer de me sentar numa sala para aulas a convite do Clube de Imprensa de Benguela, para o seminário dirigido a assessores de imprensa e profissionais de comunicação institucional. É a área que há três anos decidi seguir, se mestrado houvesse por cá. Para este seminário, cujo prelector é um perito que vem embaixada americana, Eduard Cue, o convite que recebi contou com o determinante contributo de Mbangula Katumwa.

Do ponto de vista anímico, o seminário tem um valor superior aos três curtos dias que vai durar. Como um filho pródigo, senti que a vida me estava a dar outra oportunidade de privar com a classe. E para que não fique a impressão de estar a forçar uma espécie de falsa qualidade, vale dizer que tenho sempre uma pequena dificuldade em responder quando se quer saber a minha profissão, pior ainda por minha própria culpa. Se profissão é ganha-pão, então trabalho no sector da aviação, concretamente no serviço de terra. Agora, se profissão envolve paixão, resiliência e aptidão/vocação mais experiência acumulada, então não tenho outra: jornalista!

Quando decidi trocar a oportunidade de fazer carreira no jornalismo, optando por outras formas de sobrevivência (2009), sabia que estava a abrir mão do que sempre quis... fazer comunicação. Foi uma decisão difícil, talvez a mais difícil de toda uma trajectória profissional. Nem sempre o assertivo responde aos desejos da alma, como foi o caso de virar as costas à oportunidade de, finalmente, sair do estatuto de freelance e pertencer a um projecto radiofónico naquela altura promissor, com toda a possibilidade de realização. Como se isso fosse pouco, o jornalismo (que para mim é uma forma de estar todos os dias, todo o dia) tem um imediato sentido de exclusão: só é jornalista quem está a exercer a profissão, no activo. E cá vamos, inconformados, produzindo de maneira freelance para jornais e blogs. Obviamente ansioso por mais uma aula. Sabe tão bem a "reintegração!"

PS: a foto documenta algum momento (2003-2010) que realizei e conduzi um programa de mesa-redonda/debate através da Rádio Morena, mais a edição de um boletim informativo pela AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), ONG angolana que co-fundei em 1999.

domingo, 25 de outubro de 2015

Diário | PROCURA-SE

Trovador que queira, a título voluntário ou de patrocínio, animar por breves minutos a sessão de lançamento oficial de um livro em Benguela, agendada para a tarde do próximo sábado (31/10). Como nota adicional, vale lembrar que a literatura é ainda o parente pobre do mercado cultural, pelo que cada nota de mil kwanzas que se arrecadar na venda de cada exemplar será para repor os gastos da editora. Logo, até o escritor é outro voluntário no meio da história hahahah Em caso de interesse, por favor acertar via mensagem. Obrigado

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Lançamento do livro de crónicas está para breve | «O APITO QUE NÃO SE OUVIU» É O SEXTO TÍTULO DE GOCIANTE PATISSA

Foto: Nana Almeida
Acabam de chegar a Luanda, vindos do Brasil onde foi feita a impressão, os mil exemplares que conformam a primeira edição de «O Apito Que Não Se Ouviu», sexto livro da safra de Gociante Patissa e o primeiro no género crónica. Como de costume, a província de Benguela, onde o autor reside, acolherá a primeira cerimónia de lançamento, cuja data será anunciada brevemente pela União dos Escritores Angolanos, na condição de editora.

Com 100 páginas, a obra reúne, na óptica de Gociante Patissa, os melhores textos do seu blogue www.angodebates.blogspot.com, visando desta forma assinalar o oitavo aniversário de uma produção apaixonada nesta plataforma alternativa, no período compreendido entre 2006-2014, onde o literário, o jornalístico e o activismo cidadão se entrelaçam constantemente. No plano temático, as crónicas estão repartidas em três capítulos, nomeadamente VIAGENS (oito textos), POR DENTRO DA NOSSA GENTE (20 textos) e NA VIA (nove textos).

A crónica que dá título ao livro, «O Apito Que Não Se Ouviu», é uma homenagem a um amigo de adolescência e vizinho, no bairro Santa Cruz, Lobito, o Kalú, que perdeu a vida no exercício da sua actividade policial.
| FRAGMENTOS DO HISTORIAL |
Surgiu com o endereço www.angodebates.blogspot.com o blog «Angola Debates & ideias», em Agosto de 2006, denominação influenciada por um programa radiofónico semanal de mesa-redonda e debates sobre o exercício da cidadania e a saúde pública, que o autor realizava e conduzia através da Rádio Morena Comercial sob iniciativa da AJS, organização da sociedade civil angolana com sede no Lobito.

Inicialmente dedicado ao resumo e pinceladas aos assuntos debatidos, o blog, sem deixar de ser generalista, não tardou a encontrar a sua linha de marca. Tinha falado mais alto o bicho de «cronicar». Os textos acabavam publicados também na secção de escrita criativa do «Boletim A Voz do Olho», de produção quase artesanal e distribuição incipiente, igualmente projecto informativo, educativo e cultural mensal da AJS, do qual foi o Coordenador Editorial (...)

Na imprensa convencional, algumas crónicas foram retomadas pelo Semanário Angolense, Jornal Cultura, bem como pela Revista Tranquilidade, do Comando Geral da Polícia Nacional, com a qual o autor teve uma curta colaboração.

| Outros livros de Patissa |

— CONSULADO DO VAZIO (poesia), KAT - Consultoria e empreendimentos. Benguela, Angola, 2008.

— A ÚLTIMA OUVINTE (contos), União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola, 2010.
— NÃO TEM PERNAS O TEMPO (novela), União dos Escritores angolanos. Luanda, Angola, 2013.
— GUARDANAPO DE PAPEL (poesia), NósSomos. Luanda, Angola / VN Cerveira, Portugal, 2014.
— FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS (contos). GRECIMA. Programa Ler Angola. Luanda, Angola, 2014.


| Inclusão em antologias |

— III ANTOLOGIA DE POETAS LUSÓFONOS. Folheto Edições, Leiria, Portugal, 2010.

— CONVERSAS DE HOMENS NO CONTO ANGOLANO – Breve Antologia (1980-2010). União dos Escritores Angolanos, Luanda, Angola, 2011.
— BALADA DOS HOMENS QUE SONHAM – Breve Antologia do Conto Angolano (1980-2010). Clube do Autor, Lisboa, Portugal, 2012.
maior resolução
— DI VERSOS – POESIA E TRADUÇÃO, N.º 18. Edições Sempre-em-pé. Maia, Portugal, Fevereiro, 2013.
— A ARQUEOLOGIA DA PALAVRA E A ANATOMIA DA LÍNGUA – ANTOLOGIA POÉTICA. Movimento Literário Kuphaluxa. Maputo, Moçambique, 2013.
— DI VERSOS – Poesia e Tradução, N.º 22. Edições Sempre-em-pé. Maia, Portugal, Fevereiro, 2015.
— 800 ANOS/O FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Bela e o Monstro, parceria entre o jornal PÚBLICO e o «Movimento-2014». Lisboa, Junho de 2014.


| Distinções |

— Membro Efectivo da União dos Escritores Angolanos.

— Laureado do Prémio Provincial de Cultura e Artes 2012, categoria de Investigação em Ciências Sociais e Humanas, outorgado pela Direcção de Benguela da Cultura, pelo contributo na divulgação da língua e cultura Umbundu através do conto e novas Tecnologias de Informação e Comunicação.
— Vencedor do “FESTIVAL DE ARTES” da Sonangol EP 2014, categoria de poema.

domingo, 4 de outubro de 2015

A convite da Rádio Benguela, o escritor angolano Gociante Patissa falou sobre a importância da leitura para a criança, numa conversa agradável conduzida pela carismática radialista Filomena Maria. O registo áudio foi feito por telefone, uma gentileza do amigo Albino Baiao

Diário | Duas licenciaturas dariam um mestrado?

Alguém sabe dizer como (ficou ou) ficará o final da novela legalização dos cursos de licenciatura, aquele "número" que recentemente sacudiu a relação entre as universidades e o Ministério do Ensino Superior? Estive a pensar em iniciar uma segunda licenciatura para o ano, só para não ficar estagnado na graduação em linguística/Inglês. A questão é que curso escolher, não se vislumbrando para um horizonte breve algo parecido à Comunicação Social, que pudesse dar substância ao sonho de especialização em comunicação institucional. Este é já o terceiro ano em que o meu sentido casmurro de esperança se mantém quanto à possibilidade de arrancar o mestrado em Gestão Estratégica de Recursos Humanos na CESPU Benguela, onde de início me inscrevi para o curso de Ciências da Comunicação. Por ser em regime semi-presencial, dava mesmo grande jeito para quem, na falta do poder de "sobrenome", em idade ideal não seguiu para formação ao estrangeiro. Sou um pouco desajeitado para formação à distância. Bom, na minha velha qualidade de mestre em ciências tentadas, será que duas licenciaturas não equivaleriam a um mestradozito? Hahaha

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Diário | Têem como não ser grandes figuras com excessiva aparição mediática?

Não tenho problemas em reconhecer a grandeza das pessoas, sejam elas anónimas mentes, sejam elas figuras de relevo regional ou mundial. O que honestamente me parece algo esquisito é a excessiva aparição das pessoas na agenda informativa. Foi no consulado do presidente Obama que tive o privilégio de visitar os EUA num programa de intercâmbio sob os auspícios do Departamento de Estado. Cá ou lá, sempre me pareceu exagerada a carga de expectativas e mediatização do líder, fundamentalmente porque se cada mínimo gesto dos bastidores vira assunto, talvez durma com fotógrafos à porta. Um verdadeiro big brother. Com o devido respeito à fé de cada um, tenho a impressão que é da mesma "doença" que anda assolado o consulado do papa Francisco. A simplicidade do papa acaba contrariada pelo exagero com que é publicitada. É do nosso tempo a propaganda comandar o perfil das lideranças, restando pouca margem para opinião própria, bem sei.

Crónica | Que referências de autoridade moral e cidadania teremos daqui a 40 anos?

Às vezes, observando certas tendências comportamentais na nossa sociedade, ocorre um eclipse entre a esperança e o desespero. 

Esperança, porque é preciso continuar a acreditar no lado positivo do ser humano. O que de errado comete a geração dos nossos mais velhos, a dos libertadores, tarde ou cedo desaparece com a própria geração, é a lei da vida (o maior legado que nos deixam é a obra da reconciliação política e militar). Já o desespero não podia ser menor, quando entre jovens e adolescentes vinga a alienação de indicadores básicos de convivência social. Já falei do caos que seria se cada passageiro de um transporte público tocasse em viva voz a música do telemóvel.

Hoje, depois de pedir a um compatriota (13 anos) que baixasse a música, em vão, vi-me obrigado a lhe lembrar que estávamos num corredor hospitalar (ele até mais combalido), pelo que devia, nas próximas vezes, munir-se de fones, a exemplo de dois jovens no banco ao lado. Aqueles concordaram. É que vinha mesmo a despropósito.

É tautologia dizer que os angolanos não são “iguais”. Nenhum povo é. De qualquer modo, é nas tendências que uma sociedade é “catalogada”, por muito que o relativismo procure negar este critério sociólogo de percepção do “outro”. E a mim, quando o assunto é a postura do angolano no estrangeiro, há qualquer coisa que me intriga. Falo daquela mania de extrapolar o génio festivo e o poder que o poder de compra nos dá. É como se a ONU nos plasmasse o direito exclusivo de falar mais alto, de impor o contacto físico (inconveniente). É como se alguma escala nos tornasse superiores a outros.

Voltei a passar as férias na vizinha República da Namíbia. Povo de maioria Bantu, multi-étnico e linguístico, tão perto de nós, ao mesmo tempo tão distante. Nas províncias de Oshikango e Oshakati, fronteira Norte para eles, Sul para nós, taxistas e comerciantes esmeram-se no português (que não estudam na escola), sinal do quanto o não falante de Oshiwambo e Kwanyama (línguas comuns) movimenta a sua economia. Ao contrário dos comerciantes asiáticos que abundam cá (chineses, vietnamitas), o namibiano raramente levanta a voz. Há quem veja nisso um status inferior, mas basta um pouco de inteligência para ver o óbvio, sendo língua igual a poder: eles dominam a nossa língua, nós vamos geralmente mal no inglês (que estudamos desde a 7.ª classe)

Numa hospedaria de Ongwediva, que acolhe angolanos em busca de saúde, nem mesmo a barreira da língua inibe iniciativas a roçar o desrespeito. Se a bebida atrasa, adiantam-se os berros. O pessoal de serviço, a contra-gosto, mantém-se bem-educado. Há mais gente hospedada, a pagar por sossego (namibianos, ingleses, alemães). Quando ali estive, independiam da hora as brincadeiras de duas mães e suas crianças, cantarolando e dançando: "daquele pai, daquela mãe. Lhe dá! Quadradinho, quadradinho!", enfim.

Ah, também lá se espera pelo médico. Não faltam livros e revistas com chamativas fotos. Por sorte duas mocinhas têem boas batidas e vídeos no telemóvel para curtir e rir. Alguém dirá que se está a exagerar, que seria ofensivo não abrir excepção a grupos profissionais imaculados (diplomatas, religiosos, etc.). Seja como for, assusta este prosperar da árvore, qualquer dia ofusca a própria floresta. Que referências de autoridade moral e cidadania teremos daqui a 40 anos? Como foi que regredimos tanto?

Gociante Patissa. Benguela, 2 Outubro 2015