PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sem vida no pé

Sem vida no pé

… e as sentenças correram seu caminho 

ao asfalto cedeu
esse campo não é o seu
sem vida no pé
conserva olhos de lição
milho, chuva e café

Todos os dias, todo o dia
passos escassos
quase nulos
clemente
vai com as formigas dançar
pelos caminhos da obra
eis o brotar de fecundas veredas
que importa se sem vida no pé?

Gociante Patissa, in «Guardanapo de Papel», 2014. NósSomos, da. Luanda, Angola / Vila Nova de Cerveira, Portugal.

Inventário do camaleão

foto de autor desconhecido
Vi
ontem
num
chão
qualquer
camaleão

Até
ser
enjeitado
tinha
a luzir
o amarelo
de quem
ao partir
não
abdicou
de si.

Gociante Patissa, in «Guardanapo de Papel», 2014. NósSomos, Lda. Luanda, Angola / Vila Nova de Cerveira, Portugal.

Polissemia

"Ainda te dão uma oportunidade que te permite fazer vida, e não aproveitas? Achas que a boa vida dura a vida toda, não?"

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A quem possa interessar


Depois de várias notificações de leitores à procura do meu livro de poesia, "Guardanapo de Papel", e que foram confrontados com a informação de que o stock esgotou na livraria Letra Livre, deixo aqui o e-mail da editora NósSomos, em Portugal, que poderá ter alguns exemplares em arquivo e, segundo soube, pode, ela também, enviar pelos correios: etutanu@gmail.com

Movimento Lev'Arte chega ao Namibe

A província do Namibe passa a contar com uma representação do Movimento Lev'Arte, cuja cerimónia oficial acontece já no próximo sábado, 1 de Novembro.

Um conjunto de actividades, entre as quais o recital de poesia e o lançamento de livros, foi programado para o evento, que tem o início agendado para 9h00 da manhã, no mercado Municipal. Já a tomada de posse dos integrantes do núcleo provincial ocorrerá no anfiteatro do Pólo Universitário do Namibe.

Fundado em 2006, o Movimento Lev'Arte ambiciona humanizar o comportamento das pessoas através da arte, tendo como traço de união o intercâmbio cultural para a criatividade artística e o gosto pela literatura. Conta com estruturas nas províncias de Luanda, Benguela, Bengo, Huambo, Huíla, Malanje, Kwanza Norte, Kwanza Sul, Moxico e Namibe.

Génese

 Este é Gociante [Ngo-si-ya-nde] Kapinãla, pai da senhora minha mãe
Este é Manuel [ma-nu-wenle] Patissa, pai do senhor meu pai e meu xará

Expansão da Língua Portuguesa será tema de conferência na Casa de Angola em Portugal

Com o propósito de reflectir sobre a relevância da língua portuguesa em países como Angola, o encontro e conferência terá lugar na Casa de Angola, no próximo sábado, 8 de Novembro, pelas 18:00 (UTC). De acordo com o convite, a iniciativa é da Casa de Angola, sita na Travessa Fábrica das Sedas 7, 1250-107 Lisboa, e será introduzida por Filomena Barata e Tomás Gavino Coelho. Estará ainda disponível a gastronomia angolana no local.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

União Dos Escritores Angolanos presente no mais alto pódio cultural| Albino Carlos venceu na categoria de literatura o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2014

Ler notícia do Jornal de Angola aqui

EM BOA HORA, GABRIEL TCHIEMA (ao centro) RECONHECIDO| Prémio Nacional De Cultura E Artes incentivando a recolha do segmento cultural de profunda identidade

COMO DIZ NOTÍCIA DA ANGOP - «Segundo o relatório final do júri, apresentado pelo porta-voz, António Fonseca, a obra traduz o mais alto nível de investigação e cuidados na elaboração artística e cultural da música e integra elementos pedagógicos da tradição oral, centrados na cultura Cokwe, mesmo que por vezes com recurso ao de outras comunidades sócio-culturais angolanas.

A obra expressa um trabalho de resgate de ritmos tradicionais da região do Leste do país que, trazendo uma roupagem técnico-musical a emblemáticas canções, com fulgor e indelével marca na interpretação, vem brindar a todos com níveis de excelência que se percebem nas canções que integram a obra e demonstram habilidades na execução instrumental, personalizando-a com a sua magnífica voz, transmitindo íntimas e expressivas emoções.»

Traços no Paint

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Utilidade pública| aberto Prémio Literário Cordeiro da Matta 2014

O ministério da Cultura, através da Biblioteca Nacional, lançou a primeira edição do Prémio Literário Cordeiro da Matta 2014, que visa laurear anualmente obras inéditas de autores angolanos nas categorias de Literatura, Linguística e Investigação em Ciências Sociais e Humanas. Cada um dos três laureados embolsará 1 milhão e 500 mil kwanzas (aproximadamente 15 mil USD). O prazo de recepção de candidaturas termina no próximo dia 29 de Novembro, podendo o regulamento e informações ser obtidos na sede da Biblioteca Nacional, Largo António Jacinto, que atende pelos telefones 222 321 429, 912 848 914 e pelo e-mail bnangola@gmail.com.

O blog Angodebates e o seu editor, que não aconselham ninguém a inspirar-se em prémios, acreditam todavia não fazer mal a ninguém concorrer, desde que se tenha a obra pronta. Força!

Traços

Este tipo de comércio, sim, o blog Angodebates apoia

«De 31 de Outubro de 2014 a 27 de março de 2015, o semanário SOL distribui, gratuitamente, em associação com a UCCLA, 1 Milhão de Livros, numa homenagem aos associados da Casa dos Estudantes do Império. Entre os autores, contam-se Agostinho Neto, Luandino Vieira, José Craveirinha, Viriato da Cruz, Alfredo Margarido e muitos outros.»

Capitão da selecção sul-africana de futebol assassinado

Foto: Rebecca Blackwell, Yahoo
Senzo Meyiwa, 27 anos, o guarda-redes e capitão dos Bafana-Bafana, foi baleado mortalmente às 20h00 deste domingo na vila de Vosloorus, arredores de Joanesburgo, na África do Sul, quando a residência em que se encontrava foi assaltada. Segundo a polícia, os três meliantes, que abriram fogo à queima-roupa na sequência de uma troca de palavras, meteram-se em fuga, pelo que se oferecem 14 mil dólares americanos a quem fornecer informações sobre o seu paradeiro.

domingo, 26 de outubro de 2014

O ESCRITOR FANTASMA| articulista põe em causa novo livro de Saramago

Por Alberto Gonçalves, in Diário de Notícias, 12/10/14

Uma última viagem na sua permanente vocação para agitar consciências, diz o anúncio da Porto Editora. Um acto revolucionário, diz o juiz espanhol Baltasar Garzón. Saramago vintage, diz o editor brasileiro do falecido escritor. Saramago no seu melhor, diz o editor português. Uma obra divertida, diz Eduardo Lourenço. Tudo isto a propósito de "Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas", o dito romance inacabado de José Saramago. Na verdade, de romances inacabados está o mundo cheio. Alabardas inaugura um género novo, o dos romances praticamente por começar.

Cada vez mais distante

Outubro-Novembro de 2005

Send me some rainbow

Wish I could drive to Huambo this time of the year just to... hunt the rain

Outro fumo sem fogo?

Na minha condição de ficcionista, reajo sempre com cepticismo a relatos cujo "enredo" seja à partida evidente, o que ou representa fraqueza de quem orquestra, ou genialidade de quem investigou. A foto que captei com telemóvel numa loja na zona comercial do Lobito vai nesta linha. Seja como for, está passado o alerta

sábado, 25 de outubro de 2014

Do meu livro de contos A ÚLTIMA OUVINTE, publicado em 2010, fiquei a saber que ainda é possível obter os últimos exemplares directamente na sede da União Dos Escritores Angolanos, Largo das Escolas, em Luanda ao preço de mil kwanzas

O meu livro de poesia GUARDANAPO DE PAPEL, editado pela NósSomos, em Portugal, já pode ser comprado online por 5 Euros: LIVRARIA LETRA LIVRE

Visite o site da livraria aqui
NADA A ASSINALAR

Excepto pombos
no tecto
asas insuflando incoerências
e o esvair-se de um sono
que perdeu a missão
não passou dos olhos

talvez urja desaprender
tudo,
o hoje desmentir
o mundo de criança vestir
será?

Bem, se calhar nada
mesmo
a assinalar.
Gociante Patissa

Someone tell me a lie, please

Kind of fed up

UCCLA presta tributo à Casa dos Estudantes do Império

Meio século volvido sobre o seu encerramento, a Casa dos Estudantes do Império (CEI) será homenageada, na próxima terça-feira (28), por iniciativa da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), cerimónia a ter lugar às 9h00 no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A entrevista (polémica e extensa, note-se) que o escritor Dario de Melo concedeu ao jornal O País está já disponível online

Ler aqui

Novos casos de ÉBOLA| que tal questionarmos as certezas?

Na curta meia-hora ao volante de casa para o trabalho, senti-me molestado pela notícia de um médico americano, mais um como até vem sendo já um costume, cujo exame médico deu positivo. Depois de ter servido em África, pela ONG Médicos Sem Fronteiras, e entrado no seu país, assintomático, eis que alguns dias depois, o homem viria a dar sinais. Não estando em causa a nacionalidade, a minha questão vira-se para o cepticismo relativamente às descobertas que nos vêm sendo "vendidas" pela comunidade científica, na base das quais são concebidos os protocolos de prevenção. Colocado de outra forma: se eu, que entendo quase nada do exercício de medicina, já sei que me devo proteger por completo antes de tomar contacto com algum suspeito de infecção pelo vírus do ébola, então será que os médicos não levaram isso em conta? Ou será que, ao contrário do que temos acreditado até agora, o ébola não se fica pelos fluídos? Não será que o ébola anda atento às notícias e já arranjou outra forma de avançar, tipo pelo ar? It's just another question.

Cartoon Jornal de Angola, 24.10.14

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Just a question

Não será preocupante termos músicos feitos "especialistas" em (só) interpretar sucessos "alheios" do antigamente? Quer dizer, uma musiquinha, de vez em quando, até passa na "homenagem". Mas, andar de top em top, de concurso em concurso, de contrato em contrato, pendurado?! Será o medo de "rochar?" (entenda-se não cair no goto do povo?) Como diria o brasileiro, toca a “tirar o olho do retrovisor; vamos olhar em frente”

Aspiração

"Gostaria de estar ao teu lado sem dizer nada, para deixar que o silêncio diga tudo o que precisas de saber." (tradução, pelo autor, de trecho de canção do músico moçambicano Cheny Wa Gune, STV Notícias, 23.10.14)

Arminda Kanjala Gociante Patissa, a terceira dos netos de Manuel Patissa a optar pela Linguística na licenciatura (português, defendida a 18.10.14)...

depois deFélix Chijengue Manuel Chinjengue (português) e eu (inglês). Vêm a caminho a Celeste e a Loide (português). Há qualquer coisa de estranho, é muita linguística junta na família hahahah

PS: Aqui está, pois, a mãe do Ataíde

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Na voz de antigo ministro da educação| AINDA A DISSONÂNCIA DA NOVA GRAFIA DOS TOPÓNIMOS

O País: "Antes escrevia-se Kwanza-Sul e a gora exigem que seja cuanza sul. Têm mais razão os que escrevem com K ou com C?"

Dario de Melo: "Os que escrevem com K são capazes de ter mais razão. O K era um sinal de rompimento com a realidade portuguesa, como istória sem H, é um sinal de rompimento com a estrutura gráfica portuguesa. Portanto, suponho que nem um nem outro têm razão. Ainda que me custe um pouco, porque o kuduro é que tem razão. O kuduro é com K."
in jornal O País. Luanda, 17.10.14

Do brasileiro Sérgio Guerra| "Hereros de Angola" exibido em Florença

Foto: Facebook do autor
Texto: Jornal de Angola, 22.10.14 - O documentário “Hereros de Angola”, realizado por Sérgio Guerra, foi apresentado no domingo, durante o Festival de cinema de Florença, designado or “Kibaka Florença Festival de Cinema Africano”, que decorreu de 17 a 19 deste mês.

“Hereros de Angola”, que esteve em destaque no segundo dia do festival, promovido pela Associação Angolana Njinga Mbande na cidade italiana de Florença, é um documentário sobre a cultura milenar deste grupo étnico angolano de origem bantu. No mesmo dia, foram ainda exibidos o filme “Damaru”, de Agbor Obed, e “O Espinho da Rosa”, de Filipe Henrique.

Dario de Melo| Da ideia de que os escritores consagrados não dão atenção aos novos autores (excertos)

Arquivo blog Angodebates
"Eu tenho um bocadinho de medo de conversar com os mais novos, porque tenho um azar muito grande quando converso. Talvez a minha exigência, essa minha cara de indivíduo mau e duro obrigue o mais novo a acabar de ouvir, escapa e nunca mais escreve. Vou contar um episódio: um dia fui a EAL e o Carlos disse-me: olha, esta moça está a me chatear para publicar umas coisas. Li, a menina tinha muito jeito e até lhe pedi se me autorizava a tirar uma parte e eu utilizar. Ela autorizou, saiu daí muito satisfeita e nunca mais apareceu! Quando estava no Instituto Nacional do Livro e do Disco, apareceu lá um jovem, que trabalhava na fábrica de sabão, trazia uma estória para a gente publicar. Li, a estória estava muito boa. Telefonei-lhe imediatamente, o homem ainda não tinha chegado ao local onde trabalhava. Disse-lhe que publico esta coisa e volte porque preciso de conversar umas coisas sobre você. Ele veio, disse-lhe que a única coisa que me parece errada era o título. Se aceitar ponho este título, se não quiser publico como está. Disse-me que sim, senhor, vou pensar. E até hoje! Portanto, o meu medo de ajudar as pessoas é que depois elas desapareçam.
(…)
"O problema da literatura infantil é este: quero um cartão-de-visita para pôr lá escritor. Depois arranjo mais outros dois livros de quatro folhas e vou para a União dos Escritores Angolanos"
(…)
"Eu gostaria de continuar a fazer as minhas crónicas, porque julgo que ponho alguns pontos nos is. Simplesmente já estou em idade de não andar a pedir nos jornais para as minhas crónicas." 

(Dario de Melo, escritor, in jornal O País. Luanda, 17.10.14)

Cartoon Jornal de Angola, 21.10.14

Este fim-de-semana em Benguela| Angola e Cabo-Verde juntos em duplo show ao vivo

- Lobito: 24.10.14 - Tito com Yola Araújo e Walter Ananás, esplanada do Hotel Restinga
- Benguela: 25.10.14 - Tito Paris com Célsio Mambo, Solar dos Leões.
Os preços, segundo a organização Mil&M, variam de 3 mil (normal), 6 mil (executiva), e 8 mil (VIP) no Lobito, ao passo que na cidade de Benguela, por se tratar de gala, o ingresso custa dez mil kwanzas.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

"Bem, eu leio pouco, porque sou gago"

de um jovem que tropeçou na equipa de reportagem da TPA sobre hábitos de leitura, emitida no telejornal de 21.10.14

Citação

"Até agora muita gente não percebe o negócio da música. A LS Republicano não descobre valores, gerimos carreira de artistas que já estão no mercado e tenham público" - Guelmo Cruz, director de marketing, in jornal Nova Gazeta, pág. 30. Luanda, 16.10.14

Não podendo sair por aí a ligar o país de carro, vou dando algumas breves saídas. Hoje voltei à comuna da Hanha do Norte, uns 20 km a nordeste do Lobito

Nota positiva à gerência do embala

Há coisa de um mês, numa das minhas habituais idas para caminhar à ponta da Restinga, Lobito, observei uma presença de pelo menos duas dezenas de jovens com papéis à mão e preenchendo formulários, do que facilmente depreendi tratar-se de exames para emprego no restaurante "Embala Típico". Hoje, numa fugida do meu emprego para caminhar, constatei um quadro de capacitação de futuros garçons e garçonetes no Embala. Havia um casal de origem europeia, que me pareceu ser o patrão, em duas sessões, estando ele em pé com pelo menos oito jovens à volta de uma mesa posta a preceito, e ela, sentada, passando para outros cerca de oito jovens noções teóricas de etiqueta. Não sei quais foram as razões que levaram a fechar a casa na gestão anterior nem se vai o negócio desta vez vingar, mas não posso deixar de elogiar para já a visão profissional dos gestores que preparam a reabertura, onde o investimento na capacidade do servidor está evidente. Assim, sim, ó Terra minha! 
Gociante Patissa, Lobito 21.10.14

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Crónica| A paz chega sempre tarde

Esteve há instantes a ser entrevistado no programa Hora Quente (TPA2) o locutor da Rádio Luanda, Octávio Pedro Kapapa, que marcou a história de muitos angolanos no seu papel de voz principal dos espaços de propaganda, contra-informação e motivação patriótica no tempo da guerra civil. Disse ser oriundo de Benguela, onde ainda viveu na missão Católica, durante a adolescência, na formação para padre, tendo a sua família seguido para Luanda na condição de refugiados por causa mesmo da instabilidade.

A mim, particularmente, Octávio Kapapa, que julgo ter surgido na transição entre o «Angola Combatente» e o «Hora Certa», marcou em grande medida. Recordo que na campanha eleitoral de 1992, tinha eu 14 anos, íamos ao comité municipal do MPLA, na Restinga do Lobito, levantar o material de propaganda (bandeiras, bonés, camisolas, etc.) no gabinete do camarada Silva (já falecido), tendo-se transformado a nossa residência em ponto para abastecer o bairro da Santa-Cruz, Zona 4, hoje comuna do São João.

Essa relação teve por base a carta escrita por um irmão mais novo do meu pai (já falecido) que era muito prendado no violão e outras artes e compunha canções patrióticas, infelizmente não gravadas.
 
No meu livro «Não Tem Pernas o Tempo», pode-se ler: «O pico da euforia ocorria às dezanove horas, quando entrava no ar o programa Angola Combatente, o qual acompanhavam, em tom de ralhar, pelo rádio-receptor do Chefe da Casa. O compatriota locutor de serviço, Octávio Kapapa, sabia acalentar seus espíritos. Sentavam-se em forma de arco, no pátio, aonde as esposas iam levar o jantar, e só se separavam após o noticiário e a Página Desportiva. E antes de se irem deitar, o boa noite de despedida: “A luta Continua! A vitória é certa!”. Geralmente, e já com uns copos à mistura, atingia-se o cúmulo do entusiasmo, com brindes de muletas e a mais sórdida linguagem de caserna, felizes da vida mesmo, quando o Angola Combatente anunciasse a estatística das baixas do inimigo em mais uma frente de combate» (UEA, 2013, p. 58).

Se de voz Octávio Kapapa era inconfundível, já não se podia dizer o mesmo de sua aparência. Havia mesmo quem jurasse não se tratar de nome real, já que as suas "bocas" exigiam demasiada coragem. O meu pai, Victor Manuel Patissa (1946-2001), que de militante/guerrilheiro de base, filho de camponeses, "ractificado" em 1978, veio a chegar a Comissário Comunal (Chila, Bocoio e Equimina, Baía Farta) e mais tarde Administrador comunal (Kalahanga, Baía Farta), por conta de quem tão cedo nos vimos expostos à política e noção de pátria, ficaria feliz em finalmente conhecer o rosto do homem. Chegas tarde, ilustre Kapapa, a paz chega sempre tarde.

Gociante Patissa, Benguela, 20.10.14

Está comprovado: operação que é operação... não arranca mesmo dente (mais um anúncio surreal)

"Solicitação de conferência de imprensa" é o assunto concebido por quem a vai dar (moral da história: faz falta um profissional chamado assessor de imprensa)

Artistas angolanos encantam público na Zâmbia

(Texto da Angop com foto de António Escrivão, 20 Outubro de 2014) - A Orquestra Sinfónica Kapossoka e o grupo Kamunga abrilhantaram no sábado, em Lusaka, na Zâmbia, uma gala oferecida pela Embaixada de Angola, em comemoração aos 50 anos de independência daquele país africano, que se assinala no dia 24 deste mês.

Um exemplo de vox pop que devíamos seguir

Num programa da RTP (televisão estatal portuguesa) cujo nome por acaso não retive, deu ontem para registar com agrado o realce ao contraditório nas opiniões dos entrevistados sobre a programação daquela estação. Estranho, digo para os nossos hábitos, foi notar que era a própria RTP que colhia e transmitia críticas (algumas até inflamadas, como o narrador fazia questão de sublinhar). Para exemplo, trago a matéria em que pelo menos 4 de 5 entrevistados eram veementemente contra o facto de a estação ter dedicado um telejornal inteiro na cobertura da victória do campeonato de futebol pelo Benfica, ignorando tudo o resto no país e no mundo. Outro galho de críticas teve a ver com a predominância de programas fúteis (pimbas, na gíria deles) no entretimento. "A RTP vive correndo atrás das audiências, quando, em se tratando de um serviço público, devia ter uma programação baseada mais em critérios de cidadania", avaliou um entrevistado. Num período em que a nossa TPA festeja ainda os resultados do mais recente estudo que o coloca no topo das audiências pela Marktest, com a já previsível inundação de elogios e tudo a convergir no mar de rosas, fez-me bem à digestão "quebrar a rotina". Vi, por exemplo, uma peça da nossa TPA que ouvia numa barbearia um menino de pouco menos de dez anos revelar numa única palavra, quando questionado sobre o que mais gostava, "o telejornal", o que flutua entre a verdade e o surreal. Os portugueses, nesse aspecto, têm uma importante lição de abertura, pois acredito, sem desmerecer os profissionais da TPA (que "somos todos nós"), que as ZAP e DSTV's só ganham cada vez mais adesão porque estamos ainda longe de ouvir o que a massa crítica angolana acha. E viva "O pato", descanse em paz "O Sexolândia", força ao "Layfar" e tudo o que alimente o cor-de-rosismo. Uma boa semana laboral a todos e todas.
Gociante Patissa, Benguela 20.10.14

domingo, 19 de outubro de 2014

O bolo da licenciatura da manucha Arminda Gociante Patissa que de Kanjala passou a «Canjala», por imposição da estúpida da compatriota em serviço na Identificação quando teve de renovar do BI no ano passado

Kanjala [kanja:la]- pequena fome
Canjala [Tanja:la]- relacionado à fome; propriedade da fome.

Ou seja, o nome de cada localidade conta uma história. Graças ao novo registo do MAT que visa ressuscitar a corruptela colonial, acabar-se-á com o que haveria de memória colectiva na toponímia. Está aberto o precedente: investigar para quê, se vale a força da auto-negação? Shame on you, ó Terra minha!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Lidos os destaques de obras e protagonistas do panorama cultural, dilui-se a dúvida

UTUNGA WEKAYA (A idade do tabaco)

- UMBUNDU
"A mãi, eci handi, okusipa, nda capwa. Eci okuka."
"So, eci ndotava, ndisipa ale."
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- TRADUÇÃO
"Ó mãe, é já altura de deixares de fumar. Estás a caminhar para velhice."
"O teu pai, quando o aceitei, já eu fumava."

Conversas com o Abí depois que a luz se vai (*)

"Abí, do dia ou da noite, o que é que você gosta mais?"
"Se gosto mais de quê?"
"De quando está escuro ou quando está claro."
"Gosto mais da borboleta."
"Ai... entre o dia e a noite você prefere a borboleta?"
"Sim."
"Porquê?"
"Porque a borboleta é que vai buscar peixe."
"Ah, é? Então, quando a gente quer comer peixe, basta chamar a borboleta?"
"Sim, tio."
"Mas estás a falar da borboleta ou da [tia] Violeta [zungueira de peixe]?"
"Bor-bo-le-ta!"
"Ah, ok. Desculpa. E como é que a borboleta faz?"
"Voa e atira mesmo a rede e traz peixe e caranguejo."
"Obrigado. Amanhã, como quero almoçar peixe, vou então pedir à borboleta, ya?"
"Sim, tio."

(*) O Abí tem três anos e é irmão mais novo do Ataíde.

OBS: Imagem resultante da montagem de duas fotos de autores não identificados, disponíveis mediante motor de pesquisa da google.

Paulo de Carvalho| excertos do sociólogo sobre o racismo

“Pode dizer-se que não há em Angola racismo que envolva violência massiva e praticamente não existem actos de racismo com violência. O racismo mais comum pelo mundo é o que pressupõe a supremacia dos mais claros, como se o dia tivesse supremacia sobre a noite e como se ambos não se complementassem apenas. Por cá existe este racismo tradicional, que foi herdado do período colonial. Mas existem também outras manifestações de racismo, que pressupõem que à supremacia demográfica de uns deva corresponder a sua hegemonia e o afastamento dos grupos “raciais” menos expressivos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Debatendo chapéu com sobrinho de 5 anos

"Chapéu do tio é tipo chapéu de polícia, só que esse não tem estrelas."
"Hoko, Tai! Isso é chapéu de escritor, é chapéu de artista."
"Gosto mais chapéu de chefe. Artista é capanga."
"Nunca mais!"
"Tio, artista é capanga do chefe."
"Bem, se calhar até tens razão, filho."

Ligação aérea entre Kunene e Benguela deixa de existir

Uma fonte na Taag (Linhas Aéreas de Angola) revelou-nos que a operadora estatal vai encerrar a rota Onjiva-Catumbela, sendo para já Outubro o último mês. Consta que a Taag, que há pouco menos de um ano reduziu de dois para um voo semanal, sustenta a decisão pela baixa frequência de ocupação de lugares, não sendo por isso rentável a operação. O custo do bilhete ronda os 16 mil kwanzas para um percurso na classe económica. Apesar do que possa parecer, as intensas trocas comerciais na fronteira com a Namíbia são insuficientes para o sector da aviação, quanto mais não seja dada a melhoria das estradas. Pelas mesmas razões, outras operadoras de voos regulares vêem desistindo de ligar as províncias de Benguela e Kunene, entre elas as que viriam a falir, nomeadamente a Diexim, Air Gemini e a Air26. A confirmar-se, a desistência da Taag vai certamente abalar aqueles que não queiram fazer a ligação por estrada, cerca de 800 km. A alternativa seria apanhar um voo para Luanda e de lá seguir para Kunene e vice-versa. 

Gociante Patissa, Benguela 16.10.14

PROCURA-SE "Tendências e Debates"

Por solicitação de um amigo que está interessado (também eu) no acesso à edição do sábado passado (11/10) do programa "Tendências e Debates", da Rádio Nacional de Angola, que versou sobre algo ligado à qualidade literária, gostaria de saber se eles (ou alguém não necessariamente ligado à RNA) gravam o programa e o disponibilizam algures. Grato.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

«Dar um sonho a quem não sonha»

Na sua passagem pelo programa Hora Quente da TPA (15/10), Kialunga Afonso e Fénix Monteiro, representantes de um movimento emergente de promoção da poesia e declamação intitulado Berço Literário, falaram de suas realizações, onde consta a publicação de uma antologia que acreditam representar uma porta de entrada de novos autores para o universo literário. A actividade do Movimento Berço Literário, que para já gostaria de contar com o amparo de escritores de referência, consiste na animação aos domingos de um restaurante situado no Cacuaco, em Luanda, tendo como lema «Dar Um Sonho A Quem Não Sonha».

Já agora, divagando na subjectividade que o lema encerra, parece um sinal inquietante, quanto ao que colheremos de próximas gerações de artistas, ter-se chegado ao ponto de alguém sonhar por outrem, pois vejo o sonho entre as coisas mais íntimas do indivíduo. Como disse certa vez um importante agente cultural, são as nossas utopias que nos guiam. Será que existimos se não sonhamos?

Finalmente o triunfo dos "Palancóis"

Quando sair a confirmação do não apuramento da selecção angolana de futebol para o CAN, os nossos Palancas Negras, que por mérito próprio têm conseguido destacar-se mais por uma de caracóis, terão como consolo os 4-0 impostos hoje em Luanda ao Lesotho e os quatro ponto dos 12 possíveis.

Novidade para quem aspira revelar-se no canto

Concurso ‘Benguela Gentes e Músicas’ abre ainda este mês a segunda temporada. Fontes apontam para segunda quinzena de Novembro a primeira gala.

O Filho Anarquista (autor não identificado)

-Filho, eu descobri estas coisas no teu armário ...
-Qual é o problema de ter uma máscara do Anonymous e um taco de beisebol ?
-Usas isso ?
-Não ... quer dizer, às vezes ....
-É que preciso delas ... emprestas-mas ?
-Precisa ? P'ra quê ?
-É que eu li as coisas que escreveste na internet...
-Leu o meu face ?
-Qual é o problema ? Não é público ?
-É ... mas ...
-Pois é, li o que escreveste e ....
-Pai eu sei que não gostou do que eu escrevi, mas... eu não vou discutir, são as minhas ideias. Eu sou anarquista e...
-Não ... eu achei excelente ... convenceste-me.
-Convenci ? ... de quê ?
-Está tudo errado mesmo ... eu li o que escreveste e concordo, agora eu sou anarquista também, como tu ... 

-Pai ... o quê ? Pai... que história é essa ?
-É, viraste-me a cabeça, temos que quebrar tudo ! Agora eu sou Old Black Bloc !
-O pai não pode... é director de uma empresa enorme e ...

Anúncios surreais (como diz o ditado, quem muito abraça pouco aperta)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Petróleo mais perto do fomento universitário| UAN E TOTAL FIRMAM PROTOCOLO DE COOPERAÇÃO

A Universidade Agostinho Neto (UAN) e a multinacional francesa Total E&P têm agendada para amanhã, 16 de Outubro, a assinatura de um Protocolo de Cooperação.

Mestre em ciências tentadas

Plano A: pós-graduação com acesso ao Mestrado em Ciências da Comunicação (cancelado por falta de candidatos)
Plano B: pós-graduação com acesso ao Mestrado em Gestão Estratégica de Recursos Humanos (arranque condicionado pelas mesmas razões)
Conclusão: vou pedir ao Ministério do Ensino Superior a equivalência do Mestrado em Ciências Tentadas, comprovada que está a minha boa fé em não me ficar pela licenciatura, desiderato pelo qual apertei os cintos, cortei nas futilidades, só para poupar algum para as propinas (de modo a manter o emprego, a única fonte de sustento, estudar de noite) na CESPU. Mereço, ou não? Hahaha

Essa coisa chamada destino

Património?
Uma memória
Mil traços de tinta
É o aforismo invertido
Um mais um buscando sentido

Procura-se
Vivo
Morto serve
O sono

Num tempo ausente 
Almas ardendo
Dentre mil desejos
O de dançar
Ao acaso toca destino
traçado
de Gama

Se esperares de mim
A lado nenhum chegamos
Comandava ela
E em viagem partiam
Seus suores ao leme
Que à outra margem não deu
Mau se fez cada vento
Tivessem ouvido a música
Estava o desencontro traçado
Nesta coisa chamada destino.

Gociante Patissa, Benguela, 14.10.2014 (poema em construção)

procura-se

vivo 
morto serve
o sono

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Assim, sim, confrade!

Gostei de ver/ouvir o Nok Nogueira na entrevista de há pouco no programa Hora Quente (TPA 2), onde esteve para anunciar para amanhã o lançamentodo seu livro "As Mãos do Tempo", editado pela NósSomos e a ser apresentado por Jomo Fortunato, que terá lugar no Centro Camões, em Luanda. Alguém perguntará: e se não gostasses, dirias? Bem, o mais provável é que não, uma vez sermos colegas na UEA. Ainda bem que gostei, o que me coloca à vontade em ressaltar o sentido pedagógico com que abordou a relação entre potenciais escritores e os já consagrados. Disse a dado momento que a crítica que o jovem recebe "é um choque, é sempre mal recebida", não deixando de recomendar a leitura como base para o encaminhamento que se quer. Assim, sim, confrade!

‘Benguela Gentes e Músicas’ despede-se em grande| «DESCOBRIMOS DEZ BONS TALENTOS», diz Adão filipe

Texto e foto: Gociante Patissa
A gala do primeiro aniversário do «Benguela Gentes e Músicas», que teve lugar no Cine Kalunga a 27/09, marcou também a grande final do concurso e o encerramento da primeira temporada daquela iniciativa da Rádio Nacional de Angola (RNA), visando a descoberta e o encaminhamento de novos talentos.

Enquanto durou, registou-se um grosso de 300 candidatos de diversos municípios da província de Benguela, dos quais 30 foram apurados, na ordem de dez por edição. Seguiu-se uma breve formação teórica, pois para alguns era a primeira oportunidade em termos profissionais. Para o êxito na execução dos temas, entre inéditos e rapsódia, podendo ser da autoria dos concorrentes ou cedidos, a Rádio Benguela adoptou um grupo musical local já consistente e que se passou a chamar ‘Banda FM’.

«Hoje, temos a felicidade de dizer que descobrimos dez bons talentos que têm condições para poder seguir a carreira artística», gaba o mentor do projecto, o jornalista, compositor e produtor Adão Filipe, que é também o director da Rádio.

A gala final contou com dez concorrentes, sendo três finalistas da primeira edição, quatro da segunda e quatro da terceira, respectivamente, estreantes que tiveram o privilégio de partilhar o palco com estrelas internacionais.

‘Benguela Gentes e Músicas’| Victória justa para «O Semba do Amor»

Texto e foto: Gociante Patissa

Numa noite em que os candidatos do «Benguela Gentes e Músicas» são tão-só três vencedores e sete finalistas de edições anteriores, todo o nervosismo parece estar explicado. O relógio marca 21h40. Para espairecer, entra o primeiro convidado especial, Célsio Mambo, também ele revelado em concursos, que proporciona momentos sublimes de canto lírico! No Cine Kalunga, o público é irrepreensível a vibrar, contrariando o lugar-comum de que só nos empolgamos em sons dançantes.

Aberta a sessão, os mestres de cerimónia, Santos Júnior e Gilcéu de Almeia, acomodam o jurado de luxo, presidido por Maneco Viera Dias, proeminente figura da União Nacional dos Artistas compositores, ladeado de Ricardo Lemvo, músico e compositor do berço do Kongo e radicado nos EUA, Kyaku Kyadaff, exímio trovador e compositor, Manuel Gonçalves, jurista, e o célebre Rey Webba, músico e produtor.  

domingo, 12 de outubro de 2014

Brincando ao Photoshop

"Katumbela/ Minha Terra/ Bela/ Como ela está" (Flay, in «Catumbela, meu berço»)

"Navegar é preciso/ Viver não é preciso"

Cartoon Jornal de Angola 12.10.14

Diversidades

“A kizomba também faz parte da nossa realidade e é difícil largá-la. Sempre tive motivações para interpretar os mais variados estilos da nossa música tradicional e tenho consciência da nossa vasta diversidade cultural. Mas compreendo, por outro lado, que temos de estudar com seriedade a forma de promovermos esta diversidade e o valor que devemos dar aos que se dedicam a ela.” - Belisse dos Santos, cantora, entrevista ao Suplemento Mutamba, in «Novo Jornal», Luanda, 10 Outubro 2014

sábado, 11 de outubro de 2014

da "Cultura e actos identitários na música

No meu raciocínio cultural modesto, defendo que é aceitável que uma mulher mumuíla, do sul de Angola, desfile num palco cultural de seios à amostra, semi-nua como é sua tradição; mas já não é admissível que um jovem angolano leve para um palco nacional de cultura, as suas nádegas despidas, ou semi-despidas com boxers coloridas ou negras, imitando uma moda frívola, que até não acrescenta à estética, ao conforto do caminhar, e muito menos à dança. Este mau exemplo nascido do além, é mesmo um acto degradante que deve ser repudiado, sobretudo quando o «utilizador» lhe dá um uso exagerado como aconteceu em Malange com a referida dupla [NGA e Dji Tafinha]. Ademais, a moda foi criada como chamativo, pouco salubre sexualmente falando, não podendo por isso ser tido como um exercício respeitável a sua imitação. (...) Aliás, tal como o fez Yannick Afroman, rapper, com sua correcta indumentária, não custa nada exibir a decência e a estética artística, que seja de bom acolhimento por parte do público que nos assiste.
– António Venâncio, articulista, in Semanário Angolense, pág. 30. Luanda, 11 de Outubro de 2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Palancas

Na nossa selecção de futebol, que mais depende da fé do que dos próprios pés, talvez o atleta 17 (que rendeu Job) devesse entrar mais cedo.

A cada passo, a vontade de desistir

É a sensação ao cabo da quinta vídeo-aula na nova empreitada de autodidacta em que me "matriculei", o FOTOSHOP na óptica do utilizador. É tanta volta, tanta ferramenta a clicar, para obter um simples efeito, o que por instantes me fez lembrar a maçada que era preencher o guião de elaboração de projectos, quer da União Europeia, quer o do PNUD, na corrida para a obtenção de fundos, durante os 13 anos que servi o sector das Organizações Não Governamentais... (onde fiz de tudo um pouco, desde líder de organização, mentor e gestor de projectos de desenvolvimento comunitário, tradutor-intérprete, jornalista free-lance em rádio e newsletter, pesquisador de grupos focais, formador e/ou facilitador de seminários/workshops em elaboração e gestão do ciclo de projectos). Era chato, muito chato mas, no final, vinha o momento da assinatura do acordo de financiamento. E com o PHOTOSHOP, virá a recompensa? hahaha

Nos bastidores, a linda repórter

«Bom dia, estamos a fazer entrevista sobre o jogo dos palancas. Olha, só vou entrevistar quem apoia a victória (...) Qual vai ser o resultado? 'Dois a um'. Qual é a palavra de apreço que deixa para os nossos jogadores? 'Força!'»

E já imagino o Lead, mais logo: «BENGUELENSES ACREDITAM NO TRIUNFO DA SELECÇÃO DE FUTEBOL E APURAMENTO PARA O CAN»

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Pupilos

"Colega, afinal por que é que insistes em tratar os professores por /dócta/, se eles só são licenciados? Todo o mundo lhes chama de /títcha/!"
"Eh pá, me deixa! É mesmo minha cultura chamar de /dócta/!"
"Cultura mais de como, se só estamos no primeiro Ano e, no Médio, os profs só tinham o Médio?"
"É minha cultura, pá! Ja disse."

Denunciado por Gerson Isidoro in Facebook

Não perca hoje, no Centro Camões, em Luanda

É hoje, dia 9 de Outubro (5ª feira), pelas 18H00, no Camões - Centro Cultural Português (Av. de Portugal, 50), à Embaixada Portuguesa, em Luanda, será lançado o livro "BALADA DOS HOMENS QUE SONHAM - Breve antologia do Conto angolano (1980-2010)" .

Na antologia participam 14 contistas de várias gerações, designadamente Timóteo Ulika, Eduardo Bettencourt Pinto, E. Bonavena, José Luís Mendonça, António Fonseca,Frederico Ningi, Joao Tala, Zetho Cunha Gonçalves, José Eduardo Agualusa, Carmo Neto, Roderick Nehone, Albino Carlos, Ondjaki e Gociante Patissa.

Organizada por António Quino, a antologia foi reeditada este ano no âmbito do FENACULT.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Receita para repórteres

Quando eu, velhinho, velhinho, abrir a minha rádio, para a equipa só contratarei repórteres com o faro da formiga. Não sei como conseguem, mas impressiona como em pouco menos de 20 minutos elas já se assenhoram do mínimo pedaço de pão na cozinha. Com um repórter assim, não há fonte que se esquive hahaha

terça-feira, 7 de outubro de 2014

«Oco, oco, o kwenje!» (Assim, sim, rapaz!)

Na sua canção intitulada «Okucita Kuvala» (que na língua Umbundu equivale a não é fácil ser mãe), Auxílio Morais, que ficou em segundo lugar da classificação na gala final do 'Benguela, Gentes e Músicas' (27/09), retratou a mulher, no seu papel de mãe batalhadora e de poucas posses, que faz da sua tenacidade no campo, no negócio precário, enfim, o sustento da sociedade, combinando a força de vontade e a fé cristã. Para dar ênfase à actuação, AM recorreu à indumentária típica da personagem a descrever, exibindo mesmo uma bíblia em palco, um exemplo da transversalidade do teatro nas artes. E mais, AM é um exemplo de que não basta cantar em línguas nacionais, mas há que fazê-lo bem, com algum sentido de pesquisa, profundidade e correcção. Assim, sim, rapaz!

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Não sou propriamente partidário de certificados com o meu nome preenchido à mão, embora neste caso até seja correspondente à forma como o curso foi organizado