PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O Jornal Cultura traz um breve bate-papo com o presidente do juri do Prémio Literário Sagrada Esperança, Ferreira "Cassé"

Carlos Ferreira "Cassé", que presidiu ao júri da edição deste ano do concurso Sagrada Esperança, manifestou ao jornal Cultura a sua satisfação pela qualidade das obras concorrentes (texto e foto de Isaquiel Cori).

Jornal Cultura - A qualidade geral das obras apresentadas a concurso indiciam que o estádio actual da literatura angolana é bom, ou pelo menos auspicioso?

Carlos Ferreira - No geral, e contrariando o que os jurados reclamaram dos trabalhos concorrentes ao Prémio António Jacinto, apareceu um número muito razoável (entre 50, digamos, 15...) de escritos de qualidade literária efectiva.

JC - As obras cuja publicação o júri recomendou serão antes submetidas a um processo de correcção ou sairão a público tal como estão?

CF- A recomendação para publicação é exactamente isso. Uma recomendação, que nem sequer está prevista no regulamento. Simplesmente por se tratarem de obras que nos parecem superiores à média do que tem chegado ao público, decidimos aconselhar a sua publicação.

JC - A recomendação tão extensiva para publicação de obras concorrentes além de condescendente não poderá igualmente significar um incentivo à mediocridade?

CF- Não houve rigorosamente nenhuma condescendência quanto aos aconselhamentos. Só o fizemos e, de forma igualmente unânime, por haver qualidade efectiva. O facto de terem sido escolhidas também por unanimidade dão a dimensão exacta da exigência que o júri colocou na sua selecção.

JC - A decisão do concurso foi consensual ou resultou de muito debate?

CF - A decisão do júri, foi, não só unânime, como não levou mais do que dez minutos. E isso
porque, para obedecer aos itens principais do regulamento, a obra vencedora deixava todas as
outras a larga distância, do ponto de vista da inovação, da modernidade, do imaginário e em simultâneo por ter um carácter tão nacional
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A edição deste ano do Prémio Sagrada Esperança foi atribuída ao escritor Adriano Mixinge (Luanda, 1968), que concorreu com o romance "O Ocaso dos Pirilampos". Ao anunciar o resultado do concurso, a escritora Amélia Dalomba, secretária do corpo de jurados, referiu que a obra vencedora, vertida em prosa poética, "conjuga vários estilos, entre a crónica, por natureza irónica, e o ensaio, recorrendo ao simbolismo, outra componente essencial da literatura".

Além disso, o júri considerou que a obra "está integrada num contexto universal, abarca Preocupações hoje quotidianas de qualquer cidadão comum – a destruição ambiental, a falta do exercício pleno da cidadania, a desumanização, a sobreposição do lado material ao espiritual, num apelo à consciência colectiva".

O júri propôs a publicação de outras obras remetidas a concurso, nomeadamente, “Estórias para bem ouvir leitura para todos”, de Fragata de Morais, “Fátussengóla - O Homem do rádio que espalhava dúvidas”, de Gociante Patissa, e “Actores de Teatro – A vida dos grupos angolanos”, de Francisco Luís João Gaspar.

Mesmo tendo achado que "não obedeceram a alguns parâmetros determinados pelo regulamento", o júri propôs igualmente a publicação dos originais “A pele de Zito Maimba”, de Ana Paula de Jesus Gomes, “Sou quem sou”, de Ariclenes Tiago, “Sou aquilo que me deixo ser”, de Marcos Castro e Silva, “A sul do sol”, de Francisco Montanha Rebello, e “Filhos do Musseque”, de Aberto Botelho.

Adriano Mixinge, historiador e crítico de arte por ora emprestado à diplomacia (é adido cultural na Embaixada de Angola em Espanha), é um autor bastante conhecido. Publicou os livros "Tanda", romance, Edições Chá de Caxinde, Luanda, 2006; e “Made in Angola: arte contemporânea, artistas e debates”, ensaios, Editions L`Harmattan, Paris, 2009.

In «Jornal Cultura», nº 40, pág. 430 de Setembro a 13 de Outubro de 2013, Presidente do júri da edição deste ano do Prémio Sagrada Esperança como universal.

Um ambientalista um tanto bélico/macabro

foto via facebook by: Hendrik Vieira Lopes

Um abraço ao colectivo da Selecção Angolana de Basquetebol pelo bis na conquista do troféu africano em femininos

Orgulho positivo em ser angolano!

domingo, 29 de setembro de 2013

Blogue Angodebates e os sete anos de vida


video

Palestra sobre Caracterizar Neto na Literatura Contemporânea

A convite do Movimento Lev'Arte Benguela, fui o orador da palestra que marcou o fecho das festividades do mês dedicado a Agostinho Neto, evento que teve lugar na Sala de conferências da Mediateca de Benguela, pela manhã deste sábado, 28 de Setembro. Com uma plateia composta maioritariamente por jovens potenciais escritores e alguns professores, historiadores, foi para mim um exercício interessante e desafiador, tendo em conta a ténue linha que existe entre o narrador (literatura) e o perfil do autor António Agostinho Neto (carga política-ideológica), em alguns casos até beirando o tabu. Falamos sobre a génese da literatura angolana, os períodos (colonial/africano) o papel das gerações literárias, a relação entre o jornalismo e a literatura, sobre a influência dos ditames do mercado (interno e principalmente em Portugal e Brasil), sobre o posicionamento da literatura em relação ao poder, sobre a necessidade de mais formação de estudiosos e produção de crítica literária em Angola, uma vez que dependemos muito ainda de "observadores externos", bem como foi discutida a razoabilidade metodológica (em muitos casos ausência dela) de algumas vozes discordantes quanto ao valor literário de Neto e seus contemporâneos.
 Cartaz produzido pelos organizadores
Efraim Chinguto (anfitrião), Lucas Katimba Katimba(moderador) e Gociante Patissa (palestrante) — comEfraim Chinguto e Lucas Katimba Katimba
 Lucas Katimba Katimba, o moderador (esq.) e Gociante Patissa, o palestrante

sábado, 28 de setembro de 2013

Do arquivo: AQUELE XAROPE TROPICAL

AQUELE XAROPE TROPICAL

A banda suplanta o disco
aplausos
na outra mesa o xarope
a todos os males
dava jeito
num gole só
esquecer lábios de um gajo no gargalo
mas tinha de andar doido
que no centro se impunha uma torre
espuma de barril
e o previsível efeito gentílico
ao mínimo encostar do mindinho
viria o ortopedista a caminho
deixo o lugar com o pensamento no xarope
esbelto frasco cozido na foz
entre o bantu
e um cabo já nascido verde
que dançava sensual
colada ao trôpego de ébrio
que mal deve saber como tomar
em condições
aquele xarope.

Gociante Patissa, Benguela 6 Julho 2013

Do arquivo: O que guardo da M.


Seguia eu com zeloso olhar os passos de M. Era última semana do nosso encontro em Miami. Nunca nos aproximamos um pouco mais ou menos relativamente aos demais. Vinte almas no grupo, cada representando os irrequietos do seu país, que é por ora a palavra que me ocorre para caracterizar activistas cívicos. Era mais de sorrir, dando a ver seus dentes um pouco desencontrados, do que de falar. Outra utilidade que dava à boca fazia-lhe descer as escadas para ter com o bafo de inverno que a rua cuspia, fumar no hotel não podia. Nessa noite ela estava de saia e uma blusa com a sobriedade que eu muito aprecio. Cantavam-se parabéns de improviso pelos anos de um colega de grupo. Não era eu. A música era colombiana. M. dançava, seus pés descalços, brancos e delicados, realçando-se sobre o veludo roxo da alcatifa. Até hoje não sei porque me envolveu tão estranho deleite, como se de uma descoberta nova se tratasse, um acontecimento. Só pode ser tolice, já que ela não podia ter nascido com sapato nos pés.

Gociante Patissa, Janeiro 2010-Março 2013
"A derrota é órfã, a victória tem muitos pais". (sabedoria popular universal)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Respeito

Ela: porque é que me tratas por você e não por tu como tratas os teus amigos?
Ele: Não sei... Respeito, se calhar.
Ela: Não quero que me respeites assim.

Ecos e polissemia quanto à metáfora não tem pernas o tempo


Tenho ainda os lábios puxados para trás, sorrindo, quando inicio estas linhas. Acaba de chegar ao meu conhecimento que no passado domingo, oradora de uma igreja evangélica do Lobito dirigiu-se à sua plateia, grupo feminino da sua igreja, em termos mais ou menos como estes: "Há um jovem de Benguela que tem muita razão, quando diz que não tem pernas o tempo". Segundo aquela oradora, "você que está estático em casa, não se preocupa em aproximar-se ao seu Deus, à sua congregação, por achar que não é ainda o tempo", corre o risco de ficar ultrapassado. É preciso ir ao encontro, ao invés de esperar que o tempo chegue, que o tempo passe pelo seu pátio, pois ele nunca chegará, uma vez que não ter penas".

A polissemia, o direito que o leitor tem de interpretar de acordo com a sua visão do mundo, é ou não algo belo na literatura? Um abraço

A quem possa interessar

Punivo do Lobito, uma das escolas em que andei

Em em 1996, primeiro, anulando a matrícula logo no 2º ano. Voltei em 2002, mas quase me foi impossível conseguir um lugar, no que o professor e conterrâneo Nicolau Kupuiya foi (uma vez mais) para mim muito prestativo. De facto. O prof Kupuiya, com quem a minha relação não era inicialmente muito boa, pois eu era imaturo e lidava mal com erros do professor quando o assunto fosse a língua inglesa, veio a revelar-se um verdadeiro conterrâneo e até pai. Notando a minha falta de recursos financeiros, passou a não me cobrar o dinheiro da folha de provas. Como forma de lhe recompensar, passei a partilhar com ele o que eu recebia do estrangeiro por correspondência, jornais, folhetos e demais material em inglês. No segundo ano, optei mesmo por desistir, para entrar para o mercado formal de trabalho, o que lhe deixou bastante aborrecido. Falou mesmo em custear os meus estudos, o que, vindo embora de um gesto nobre, era contra os meus princípios. Tinha que assumir os meus encargos eu próprio e não responsabilizar alguém que certamente tinha sua própria família para sustentar. E assim foi. Um abraço

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Do arquivo:

Auto-foto em quarto do Jerusalem Gate Hotel, horas antes de estar a escassos metros do presidente israelita, Shimon Peres, no auditório do Centro Internacional de Convenções, local que acolheu a cerimónia de abertura e a própria 26ª edição da Feira do Livro. De recordar que a delegação da União dos Escritores Angolanos foi composta pelos escritores Bonavena, Ningi e Patissa, de 8 a 18 de Fevereiro de 2013, numa segunda participação angolana ao evento internacional que a capital hebraica acolhe a cada dois anos, tendo sido na ocasião apresentada a versão hebraica da antologia Balada dos Homens que sonham - Breve Antologia do conto angolano (1980-2010), de que o trio é co-autor, organizada por António Quino.

Turismo interno: Visita ao município do Chongorói (4 anos depois)


Desobedecendo-me a mim mesmo quanto a não mais viajar a passeio por estrada, dei por mim ao volante para o Chongorói. É certo que a sede do município não é lá tão fotogénica quando temos poucas horas para a desvendar, mas a boa condição do asfalto compensa, já que fisicamente o desgaste é pouco ao cabo de duas horas à velocidade mediana de 90km/h. 

Chongorói é o último município a sul da província de Benguela, por isso fronteiriço relativamente à Huila, que começa logo pelo vizinho município de Kilengues. À semelhança da toponímia dos municípios do MBalombo, Katombela e Kuvale (Cubal), vem de um rio o nome do município, no caso Congoloi [t∫ongolo:i].
 Ao longo da via, o turista logo percebe que a principal actividade da população é certamente agropecuária, o que recomenda algum cuidado ao volante, não fosse a berma o pasto de bois, ovelhas e cabritos. Quanto à produção agrícola, coloridas bacias de limão à beira da estrada convidam os bolsos, dos duzentos aos quinhentos kwanzas. Já na praça (entenda-se mercado informal), várias galinhas à venda reforçam o quadro.
Por falar em praça, os músicos e demais fazedores e amigos da arte que se identificam com o combate à pirataria podem ficar alegres, já que não se vendem discos, tal é o cerco da polícia económica. Discos originais também não se encontram à venda, o que ficará a dever-se ao relativamente fraco poder de compra, já que mil kwanzas não são bem um “troco sujo”. Mas pelo que constatamos, o resultado visível do combate à pirataria pode ser apenas sol de pouca dura, pois lá estão duas barracas (igual número de computadores portáteis) vendendo música digital via pendrives e cartões de memória para uso em telemóveis, viaturas e afins.
Crianças na escola e adultos no campo, no comércio ou no proletariado fazem jus ao dia produtivo.
Um abraço e até à próxima paragem!

Gociante Patissa, Chongorói 25 Setembro 2013

Preta cortina

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"Fracção da dor"

"Fracção da dor" é sugestivo título de uma das músicas que compõem o disco "o pai do lamento" do kudurista Rey Loy. A música, segundo o autor em entrevista ao Hora Quente, TPA2, 23.09.13, tem a ver com a forma como a dor está subdividida no dia-a-dia das pessoas. A par de uma preocupação nas letras, Loy empresta também uma entoação melódica que se distancia dos "gritos e ordens banais em altos decibéis" peculiares em alguns nomes populares e populistas do estilo. É esse tipo de ku-duro, o de Dog Murras, Bruno M, "a felicidade" de Se Bem, "estamos sempre a subir" de Virgílio Fire que, acrescento, merece a minha consideração. Força, rapazes!
"Vou avisar: atenção, esse poema e' sexualmente transmissível", by Neto Muhindohahahha

Eu e os telemóveis complicados. Vem aí a novela das minhas trapalhadas

Já para começar, activei sem saber a opção de bloqueio de chamadas. O resto é já previsível, muita chamada perdida. Acho que tenho que voltar ao tempo do telefone fixo hahahaha

Educação para a saúde precisa-se, seja qual for a condição social dos cidadãos

Um sol moreno

Andaime de Chindumbo

CRÓNICA EM CONSTRUÇÃO:

Imagem de autor desconhecido

CRÓNICA EM CONSTRUÇÃO: Tinham-se passado alguns anos sem se jogarem a vista em cima. O mais recente beijo estava congelado no tempo em forma de carimbo estampado no bilhete de despedida, no gesto clássico de untar os lábios de batom e seguidamente beijar o papel. Eram dela os lábios, não havia dúvidas, apesar de evidente a diferença. Aquele bilhete tinha qualquer coisa de trágica, o que nem mesmo a natureza floreada e perfumada do papel usado conseguia disfarçar. Vou, devo ir. Até um dia, Luanda é aqui perto, lia-se. Guardo tudo, o que esqueci e o que devo lembrar. No outro dia, nessa mania de amar sob a chuva... lembras? Tem aquele dia ainda, entre a tua casa e a minha, que esticaste o laço da minha última roupa. Aquilo depois rebentou, tive que levar embrulhado na mão, e ainda por cima meu irmaozinho quase me obrigava a mostrar, julgando que fosse rebuçados. Você!... O tipo sorria todas as vezes que seguiram à primeira leitura, rotina em jeito de quebrar o vazio. Um dia, está ele finalmente em Luanda. O telemóvel e a ponte são feitos do mesmo barro. Estou no Nguanhã, diz-lhe a rapariga. A partir de Viana, ele percebe que Luanda é distante, principalmente quando se está dentro dela. Entre um candongueiro e outro para ir ter com ela, ele nota, incrédulo, que tem o bolso vazio... o telemóvel fora já furtado. Tem que ficar para outra altura a tentativa de reencontro. Se calhar, ter o número da pessoa amada na memória do telefone é pouco.
Gociante Patissa 22.09.13

Eu sou... mas não devia

domingo, 22 de setembro de 2013

Tem como não ser encorajador o interesse da academia por escritores residentes em Benguela?


Por orientação do seu professor da cadeira de História da Arte, foi ter comigo anteontem à casa da minha irmã um senhor, estudante do curso de arquitectura no Instituto Superior Politécnico Universidade Jean Piaget Benguela. A finalidade da entrevista é produzir um texto com cerca de três páginas sobre a biografia literária deGociante Patissa, influências, livros publicados e os que tenho no prelo, participação em antologias e eventos no país e no estrangeiro, principais dificuldades enfrentadas.

E quanto ao ISCED (da Universidade Katyavala Bwila), da parte do sector de Língua Portuguesa, um grupo de pelo menos cinco estudantes recorreram à minha família para obtenção dos livros que tenho publicados... também por orientação do professor, no caso o meu amigo David Calivala. Até exemplares do Consulado do Vazio que andavam armazenados em casa foram um pouco mais valorizados.

Em ambos os exercícios académicos, vinha expressa a recomendação: Não se dediquem apenas a estudar os autores já muito divulgados, estudem também aqueles que vivem connosco ou que estejam a começar.

Já agora...
OBRAS PUBLICADAS
– Consulado do Vazio (poesia), KAT - Consultoria e empreendimentos. Benguela, Angola, 2008.
– A Última Ouvinte (contos), União dos Escritores Angolanos. Luanda, Angola, 2010.
– Não Tem Pernas o Tempo (romance), União Dos Escritores Angolanos angolanos. Luanda, Angola, 2013

PARTICIPAÇÃO EM ANTOLOGIAS
– III Antologia de Poetas Lusófonos. Folheto Edições, Leiria. Portugal 2010.
– Conversas de Homens no Conto Angolano - Breve Antologia (1980 – 2010). União dos Escritores Angolanos, Luanda, Angola, 2011.
– Balada dos Homens que sonham - Breve Antologia do Conto Angolano (1980 – 2010). Clube do Autor, Lisboa, Portugal 2012.
– Di Versos - Poesia e Tradução, nº 18. Edições Sempre-em-pé. Maia, Portugal, Fevereiro 2013.
– A arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua - antologia poética organizada por Amosse Mucavele. Maputo, Moçambique, 2013.

OBRAS NO PRELO
– Guardanapo de Papel (inédito, poesia com edição em curso pela NósSomos. Lisboa, Portugal)
– Fátussengóla-O Homem do rádio que espalhava dúvidas, contos.

Obrigado, caros professores e respectivas instituições, pela oportunidade!

Brinquedo novo

sábado, 21 de setembro de 2013

A lua de lá

Um cheirinho de FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS, um dos 13 que compõem o livro de contos com o mesmo nome, que Gociante Patissa tem no prelo para o presente ano

"Ia na quinta morte, quando o tipo aportou a cidade. Sim, porque divórcio não é senão outra forma de morrer. Basta ver que, por lei, só divórcio e morte dissolvem a instituição universal chamada matrimónio. Mas não vou discorrer sobre a aura maniqueísta que envolve a morte mundana. Quero olhar para um outro aspecto da questão, apenas como o fim de uma vida e início de outra. Em certas existências, o divórcio, como a própria morte, no fim das contas, só peca por tardar.

Fátussengóla passava dos quarenta anos, que pareciam vinte e oito, de tão franzino. As únicas referências que transportava de outros lugares, observáveis como tal num primeiro contacto, eram os dados do bilhete de identidade. Nem uma palavra sobre o seu passado, muito menos aquelas fotografias na carteira de documentos (que tornam os humanos um pouco mais humanos longe de casa). Bem, tinha a companhia inseparável do seu rádio do tamanho de um tijolo que, de tão rijo, devia ter sido fabricado no antigo Bloco Soviético.

Uma vez formalizada a separação, vendia os haveres que lhe coubessem e se entregava à estrada, em busca de outro lugar para renascer, invariavelmente uma capital de província. O resto era estabelecer contactos, com o já previsível titubear de quem aprende a caminhar, se bem que em Benguela acabou logo bafejado pela sorte
(...)
Pouco falava de seus divórcios, talvez por lhe ter marcado a última relação, com a kambuta Rodé, tão dócil quanto rija, a quem acusa de violência literalmente doméstica. Certa vez, ela foi procura-lo ao bar em que ele se costumava esquecer de si próprio. Com insuspeita calma, acertou a cabeça do homem com panela de pressão. E saiu tal como chegou, calada e vagarosa nos passos." 

Aguarde.

Desta vez não tanto para turismo: Viagem à aldeia de "Chindumbo"

Uma viagem marcante, porque em companhia
para as últimas moradas do meu pai, do meu avô e
 chará mais a da tia em cujas costas me escudei
durante as fugas aos ataques de guerrilha ainda
em tenra idade.
A aldeia viveu um misto de tristeza e alegria. Tristeza, porque a morte esteve no centro; alegria, porque, finalmente, chegavam para repouso definitivo na aldeia que os criou e forjou as ossadas do cristão Manuel Patissa (1916-2008), do político e governante Victor Manuel Patissa (1946-2001), e da camponesa Adelina Mbali Manuel Patissa (1941-2007?), pai e filhos que vieram a falecer por doença na cidade do Lobito, que os adoptou no contexto de guerra que a história do país registou. Como bons Bantu, a família sente que a missão foi cumprida.

Foi na aldeia de Chindumbo que Victor Manuel Patissa viria a embarcar para o exercício da política-partidária (1973/4), de activista para representante do MPLA, tendo abandonado a aldeia em 1977 com o surgimento dos primeiros sinais de linchamento no quadro das rivalidades dos novos movimentos, indo viver para a comuna do Monte-Belo, onde nasci em Dezembro de 1978. Depois de rectificado (ou ractificado), em Dezembro de 1978, passando a militante de facto, outros desafios surgiram, como a governação da comuna da Chila, município do Bocoio, comuna da Equimina, município da Baía Farta, com a designação de comissário comunal, isso nas décadas de 1980-90. Mais tarde, foi nomeado para a comuna da Kalahanga, já com a designação de administrador comunal, no que foi, segundo relatos, o primeiro governante daquela localidade já na era de república em regime de democracia.


Manuel Patissa, ao centro, meu avô e xará, Adelina Mbali Manuel Patissa,esq,minha tia, e Victor Manuel Patissa, meu pai.

 Finalmente na tua aldeia, pai
 Túmulos de Manuel Patissa, Adelina Mbali, Victor Manuel Patissa e de uma prima do avô
Na localidade de Olondimba, a caminho da barragem de Lomaum, estão os túmulos de Patissa Mariano, meu bisavô, falecido no dia 16 de Janeiro de 1937, e o de sua esposa, Malinya, falecida a 22 de Dezembro de 1957.
Deu para visitar a aldeia de Kalombwe, onde foi recentemente inaugurada uma escola primária em memória de Belino Bastos, assassinado no quadro do conflito armado, um político e contemporâneo do meu pai.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Adriano Mixinge conquista prémio Sagrada Esperança com obra "O Ocaso dos Pirilampos"

Texto da Angop: O vencedor vai receber, em data anunciar, dois milhões e 500 mil kwanzas, num patrocínio do Banco Caixa Geral Totta de Angola.
A obra vencedora foi anunciada pela secretária do corpo de jurados, Amélia da Lomba, adiantando que “trata-se de um livro em prosa poética, que conjuga vários estilos, entre a crónica, por natureza irónica e o ensaio, recorrendo ao simbolismo, outra componente essencial da literatura”.
Segundo Amélia da Lomba, “O Ocaso dos Pirilampos”, integrando num contexto universal, abarca preocupações quotidianas de qualquer cidadão comum, como a destruição do ambiente, a falta de exercício pleno da cidadania, a desumanização, a sobreposição do lado material ao espiritual, num apelo à  consciência colectiva.
Anunciou que a obra vencedora obedece os três parâmetros definidos pelo artigo 1, do regulamento do concurso, a finalidade e a periodicidade.
Os membros do júri, acrescentou a secretária, propõem para publicação pelo seu alcance pedagógico as obras “Estórias para bem ouvir leituras para todos”, de Fragata de Morais, “Fátussengóla-O Homem do rádio que espalhava dúvidas”, de Gociante Patissa, e “Actores de Teatro-A vida dos grupos angolanos”, de Francisco Luís João Gaspar.  
“Embora não obedecendo alguns parâmetros determinados pelo regulamento, os jurados aconselham a publicação das obras “A pele de Zito Maimba”, de Ana Paula de Jesus Gomes, “Sou que sou”, de Ariclenes Tiago, “Sou aquilo que me  deixo ser”, de Marcos Castro e Silva, “A sul do sol”, de Francisco Montanha Rebello, e “Filhos do Musseque”, de Alberto Botelho”, explicou.
O Prémio Literário Sagrada Esperança é promovido pelo Instituto Nacional das Indústrias Culturais e a Fundação António Agostinho Neto (FAAN), com o patrocínio do Banco Caixa Geral Totta de Angola, em homenagem póstuma ao primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto.
De periodicidade anual, o concurso visa incentivar a criação literária entre os autores nacionais, bem como assegurar o surgimento, cada vez mais, de obras editadas.

FINALMENTE OS RESULTADOS DO PRÉMIO SAGRADA ESPERANÇA. O MEU LIVRO DE CONTOS NÃO GANHOU, MAS CONSTA ENTRE OS RECOMENDADOS PARA PUBLICAÇÃO. ESTOU CONTENTE. Estar entre os quatro finalistas, num concurso em que só uma obra podia vencer, é para mim um encorajador sinal de que vale a pena continuar a escrever. O livro sai mesmo este ano, por uma editora.

"Os membros do júri, acrescentou a secretária, propõem para publicação pelo seu alcance pedagógico as obras “Estórias para bem ouvir leituras para todos”, de Fragata de Morais, “Fátussengóla-O Homem do rádio que espalhava dúvidas”, de Gociante Patissa, e “Actores de Teatro-A vida dos grupos angolanos”, de Francisco Luís João Gaspar. "

Literatura: Prémio Sagrada Esperança para Adriano Mixinge


Texto do site da TPA - A obra "O caso dos Pirilampos", do escritor angolano Adriano Sebastião Mixinge, conquistou ontem, terça-feira, em Luanda, o prémio literário Sagrada Esperança, edição 2012/2013. O vencedor vai receber, em data anunciar, dois milhões e 500 mil kwanzas, num patrocínio do Banco Caixa Geral Totta de Angola.

Programa “entre nós” eleva-se com momentos de poesia e trova

Na sua segunda edição, o programa “ENTRE NÓS”, emitido entre 9-12h00 na grelha de programação recém-inaugurada pela Rádio Benguela, dedicou nesta terça-feira, 17 de Setembro, cerca de uma hora de conversa para assinalar o dia dedicado a Agostinho Neto. As anfitriãs do espaço, designadamente Filomena Maria e Clementina Afonso, afáveis e raras vozes nestas paragens, tiveram como convidados o escritor Gociante Patissa e o músico Yuri Mulaja “Serious”. Para além da troca de impressões sobre a temática característica em Neto e seus contemporâneos, voltou-se a apelar para a necessidade de identificar mecanismos e estratégias, com vista à incrementar os hábitos de leitura na nossa sociedade, almejando um estágio em que os escritores sejam massivamente conhecidos em função das suas obras, e não apenas pelo nome. O papel da trova como via de eternização de clássicos da nossa literatura, que em alguns casos têm a idade da nossa história mais recente, foi também abordado. Isso, tendo como referência o contributo dos Kafala Brothers, por exemplo, na época do “Estado Providência”. Ora, não ignorando a liberdade de mercado, como dirimir que a trova perca tanto terreno em detrimento de estilos mais dançantes? Em torno destas e de outras questões gravitou a agradável prosa. Mas o momento de maior elevação foi mesmo a combinação entre a declamação de poemas de Agostinho Neto, do seu livro Sagrada Esperança, num sublime entrosamento com o timbre melancólico da trova de “serious”. Qualquer lágrima que escapasse de emoção, “entre nós”, teve razão de ser. Bem-haja!