PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Brincadeiras à parte

"Como ficou a questão da consulta?"
"Liguei para o médico para marcar, porque lá enche muito, e ele pediu dois saldos. Mandei lixar. Já da outra vez me pediu um. Fiz só auto-medicação."

segunda-feira, 29 de julho de 2013

JÁ PODEMOS FALAR EM DATAS DE LANÇAMENTO NA PROVÍNCIA DE BENGUELA (embora susceptíveis a alterações)


Cidade de Benguela: 10 de Agosto (Acto solene).

Cidade do Lobito: 11 de Agosto (enquadrado nos festejos do centenário da cidade).

OBS: em ambos os casos, em horas e lugares a indicar
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E ainda para a PROVÍNCIA DO BIÉ

Cidade do Kuito: entre 15 a 25 de Agosto (dia exacto e lugar a confirmar. Estão em curso acertos entre a Direcção Provincial da Cultura, que fez o convite, e a editora,União Dos Escritores Angolanos)

Dicas para o pessoal a residir (ou de passagem) em Luanda... O romance "Não Tem Pernas do Tempo" está à venda na "quitanda da União", na sede de editora, União Dos Escritores Angolanos, ao Largo das Escolas, pela bandas da Praça da Independência. Um pássaro me disse que custa mil kwanzas o exemplar. Mbora lá tomar contacto com o material. Obrigado

Excerto


Na segunda semana, o Chefe da Casa chamou António Veremos para a segunda etapa da recepção. Esclareceu que a dotação era insuficiente. Cada cabeça recebia cinco quilos de fuba, um de sal, dois de açúcar, três de feijão, litro de óleo, dez tábuas de peixe seco e uma barra de sabão. Por isso, era indispensável ir à rua pedir esmola.
— Aqui, família, somos caçadores de caridade. — disse-lhe o Chefe da Casa. — Como os calos das muletas já saíram, vais começar comigo.
— Ok, conterra. — concordou Veremos, tomado subitamente pela memória dos tempos de próspero empresário da FBI. Certa vez, e já na defensiva ante o jogral de mendigos à porta da pastelaria, só depois de dizer “não tenho nada!”, notou que ainda nada lhe haviam pedido. Às vezes, a gente foge a miséria, não sabe porquê, mas evita cruzar com ela pelas avenidas. E ela caminha e se perpetua, como a própria indiferença.
— Então, mas os que têm ofício já tentaram procurar emprego?
— Ó família, a bicha do emprego é longa, quase não anda, e o mutilado se cansa de tanto tempo de pé numa só perna.
— Por isso, parente, a qualquer gajo que me pedisse opinião, sei bem o que diria. E é há muito que o sei: um “NÃO!”, que a guerra é a maior porcaria.

António Veremos revelava-se desajeitado com a caça de esmola. Dirse-ia que era muito distraído, levando, por consequência, o dobro do tempo habitual para aprender a bumbar sem supervisão. Uma vez superada esta etapa, surgia outra tensão entre o aprendiz e o instrutor.

Veremos abandonava frequentemente a labuta antes do pôr-do-sol, que era a fértil altura, quando os funcionários voltavam aos seus lares para guardar a noite. O Chefe acreditava que a crise seria passageira, mas estava enganado.
— Ó família, o quê que se passa contigo afinal?
— Fiquei cansado, essa merda de muletas dão cabo dum gajo…
— Desculpa, mas isso é mentira! Tu achas que não sou mutilado, também não passei pelo que estás a passar?! Tu não és criança, o trabalho dignifica o homem, pá!

Entretanto, António Veremos não mudava. Já não era apenas a questão de abandonar cedo o posto de esmola, passou mesmo a não pôr lá os pés. Tornou-se algo misterioso. Saía de manhã e regressava à noitinha.

Cansado dos raspanetes do Chefe da Casa, Veremos contou-lhe a história de Rita, sua fulminante paixão, que deixou de ver na viagem do acidente que lhe roubou a perna. Estaria morta? Teria recebido alta e regressado a Luanda? Era a procurá-la que passava o dia espreitando em salas hospitalares e postos médicos. O relato veio a terminar num ambiente gélido face à reacção do companheiro:

— Porra, pá! Deixas de bumbar para ir atrás duma puta, que não se importou contigo?! Se é sexo, há mulher na casa, mas com kumbú na mão.
— Eh pá!, calma ali! Primeiro, puta é a tua avó! Segundo, você não sabe se ela está morta ou não! Quem és tu (…)?! Eu também já fui alguém, ouviste?! Nem tu nem ninguém decide, se procuro a minha mulher ou não!

Pág. 51-52

Crónica: “FICO COM A TUA PREOCUPAÇÃO”

“Bom dia, comadre.”
“Bom dia, compadre.”
“Como é o passado?”
“Ah, mas passamos bem, sem queixas, somente vós.”
“Nós passamos bem, também sem problemas a lamentar”.
“O outro?”
“O outro ainda não lhe deram a promoção de estar em casa em horas de trabalhar. Foi mesmo no serviço.”
“Então calha bem. Queria mesmo uma palavra com a comadre.”
“Aié? Vamos entrar então aí dentro, a casa está um pouco desarrumada, mas na sala mesmo dá”.
“Desarrumada, comadre? É porque nunca mais foste na minha casa! Aquilo até faz chorar…”
“Tá aí kissângwa ainda.”
“Haka! Obrigado.”
“É como o assunto?”
“Comadre, até custa um pouco começar, mas é assim: já há muitos dias que guardo essa palavra. Estou cansado lá em casa. A outra, aquilo até não sei como dizer, por isso é que… sempre que venho aqui e vejo como a comadre me recebe, cuida da casa, conversa, me faz pensar. A comadre é a mulher que me falta, eu te quero, comadre. Nós dois temos futuro”.
“Aié…? É assim, compadre, fico com a tua preocupação. O outro ainda quando voltar do serviço vou-lhe pedir o teu pedido. Se ele achar que sim, depois vai dar a resposta”.
“Não, comadre, faz favor, o compadre não pode saber! Eu até só estava a brincar, a comadre já não me conhece?! Comadre, estou a ir, ya?! Olha, se na próxima semana eu não aparecer, é porque fui visitar família no mato…”
“Se prepara, compadre, o outro vem aí!”

Gociante Patissa, Aeroporto Internacional da Catumbela 29 Julho 2013

domingo, 28 de julho de 2013

Crónica: SONAMBULISMO LIBERTÁRIO OU QUASE ISSO

Nessa onda de fabulosos dinheiros e sonhos, estive a pensar no que faria com pelo menos 2 milhões (não de massaroca, que a minha mãe nunca foi de produzir "milhinhos", mas "milhões" mesmo, vezes sem conta arrumados em sua despensa)…

Pois, continuando, com 2 milhões de dólares eu tomaria um banho de perfume e pela primeira vez (última também, espero) me punha num fato e gravata para ir ter com o meu patrão. Enchia o peito de ar, pigarreava, coçava a barba, agarrava num frasco de desodorizante e pulverizava as notas que tivesse no meu bolso, tossia com um pouco mais de classe, dizia-lhe para estar à vontade no seu próprio gabinete e, pronto, inaugurando a era de libertação íntima no uso de palavras, abrir-me-ia ao que vinha:

“Como sabe, muito poucos entre nós podem dar-se ao luxo de escolher. Tenho a si como tenho vizinhos, amigos, alguns familiares, ex-patrões, enfim, por casualidade, que no meu caso está mais para fatalidade. Seu rosto lembra-me a quantidade de sapos que venho deglutindo, quantos deles indigestos, desde os meus quinze anos, quando o sustento dos estudos e a lei do estômago me atiraram ao mercado do trabalho, qual Daniel à cova dos leões, chamando a um qualquer mortal de chefe. Hoje, venho mui respeitosamente, diria mais simbolicamente, declarar-me independente. Tenho com que viver para o resto da vida, e mais, para ser seu colega enquanto entidade ou engatatão para  secretárias. Me esquece, ouviu?!”

A entidade patronal, ou a pessoa que a representa porque, como diz o outro, as instituições não existem como tal, haveria de me olhar com perplexidade, pondo em causa a minha saúde mental. Só que tudo isso estaria já previsto, bastando dizer:

“Imagino como me inveja esta liberdade, pois tudo o que o senhor pode estar a imaginar é espetar-me faltas, comunicar aos maiorais para um processo disciplinar, um corte, mais um ou menos um, como de costume. Poupe-se de cansar a mente, que o passe já o entreguei ao efectivo da segurança, que por sua vez acaba de me passar o curriculum vitae, sabe-se lá como ficou a saber da minha nova condição, está a ver?!”

Nesse instante, eu aliviava o nó da gravata, marcava uns passos porta afora, fingia ter esquecido algo, voltava a entrar e atirava a gravata e o cinto (esse maldito simbolizando o lado carrasco do desenrascanço) para o balde de lixo. “Receba-me o vento”, gritaria.

No dia seguinte, recrutava algumas bocas de aluguer, elevando bem alta a tenção de instituir a preguiça como um direito fundamental para mentes criativas, num qualquer enquadramento com a nova Lei do Mecenato. A minha casa transformava-se imediatamente em estação de rádio, com estúdio especial emitindo a partir do conforto da minha cama. Pronto, são ideias. Ou seja, estou já acordado?

Oh, caramba!, estou atrasado para o serviço, nem tempo para o matabicho resta. O carro, vigésima mão da Europa, está avariado, quer dizer, já só falta ir busca-lo à oficina; mas como, se o salário só cai uma vez por mês? Ainda por cima, não há água na torneira, foi-se outra vez,  ao passo que o gerador não permite engomar o uniforme.

Gociante Patissa, Aeroporto Internacional da Catumbela, 28 Julho 2013

Uma paragem na comuna natal, Monte Belo, e com isso mais uma colheita nas lavras do professor Kambuta Comunal

O umbigo vem sendo estrume para a produção da fruta cartaz — em Monte Belo, Bocoio.

 Há gente que colhe sem plantar, também eu — emMonte Belo, Bocoio.
 Ou seja, mais uma professora colhendo por lazer — comArminda Patissa Gociante em Monte Belo, Bocoio.
 Preparando evidências para processar o Estado, pois a famosas galinhas de Angola, em Umbundu olohanga, estão a dar cabo do abacaxi. Como é então? Lol
 Dizem que se conversa com as plantas, não é? Ora, pois... — em Monte Belo, Bocoio.
 Comendo da própria fonte. Maboque aos pontapés — emMonte Belo, Bocoio.
 Há sempre um ser solitário, com os maboques dá-se igual— em Monte Belo, Bocoio.
Maboques oportunamente captados pela nossa objectiva— em Monte Belo, Bocoio.

sábado, 27 de julho de 2013

Nota solta: As mesas e todo o cenário de festa familiar desencorajam o acesso à turística fonte de águas termais no Kutokota, ou "Cota-cota" no Balombo


A fonte de águas termais do Kutokota, que em Umbundu quer dizer mesmo aquecer ou quentura ou ainda estar quente, conhecida entre nós pela corruptela Cota-Cota, que como tal não tem significado nenhum, é um caso digno de estudo, não apenas pela vertente química ou geológica, mas pela sociocultural mesmo. Já em tempos reportei aqui a injustiça que consistia na exclusão de mulheres que quisessem conhecer o local ou usufruir das águas que se acreditam boas para a saúde, uma vez que os machos se arrogavam no direito de tomar o seu banho em pelota. Depois de vários protestos, cremos, as autoridades repuseram a ordem, passando o lugar a ser um ponto aberto a todos. Hoje, porém, foi com um misto de compreensão e apreensão que encontrarmos o lugar engalanado para acolher cerimónia matrimonial, o que representa temporária "privatização" daquele espaço turístico. As senhoras que cuidavam de confeccionar os alimentos e velar pela decoração receberam-nos de caras nada amistosas, nós que nos sentimos no direito de pisar nas quentes águas que são de todos, como se estivéssemos em suas residências. Assim, o Balombo só sai a perder. Nada temos contra casamentos, mas o bem de poucos deverá mesmo comprometer o da maioria? Haja ordem!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Romance "Não Tem pernas o Tempo" disponível na livraria do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, pelo menos no Terminal de Partidas (foto de Neto Muhindo, 26.07.2013)

E, por coincidência, no mesmo lugar…

(Abre-se bruscamente a porta da cozinha. Com ela vem, tomada pela euforia, vestida de garça, obviamente, a copeira baixinha. Não cabendo em si, anuncia)

“A fulana nasceu! Um rapaz e uma menina!”

(A copeira altinha corresponde)

“Wau! Queria [entenda-se devia] ter festa aqui na [secção de] gastronomia… Quando?”
“De manhã”.

(contagiada, uma cliente toma a liberdade de intervir na conversa)

“É vossa colega que teve?”
“Sim, gémeos, casal”.

(De inveja positiva, a cliente dá-se a revelar)

“Eu também queria gémeos. Como é que se faz?”
“Né…?! Ela trabalhou aqui connosco ontem. Teve hoje”.

(Da secção de take-away, junta-se, algo inconveniente, um moço)

“Não é teve, pariu!”
“Hôko!”
“Sim. Qual é o problema? A palavra está no dicionário”.
“Que pari é animal, pessoa teve, dá à luz”.

(As duas copeiras desaparecem porta adentro, aos saltos e abraços. O micro-ondas, a quem foi confiado um prato de sopa da cliente que gostaria de ter gémeos também, vai a caminho da rouquidão com o beep de missão completa. São já quase três da tarde, e sinceramente começo a temer pelo desfecho do meu peixe, literalmente esquecido na grelha ao lume, pior ainda por ser a última posta daquela tarde. E já morna a emoção da notícia, as copeiras voltam.)

“Até dava para fazer hovya…”
“É verdade, barriga bem grande a trabalhar até meia-noite”…

Registado por Gociante Patissa, em algum mercado do Lobito, 26 Julho 2013

Arquivos do tempo que fiz rádio (2003-2010)

De Neto Muhindo: «Enquanto aguardava pelo embarque decidi visitar a livraria do aeroporto, e olha o que encontrei...Gociante Patissa ! Estou orgulhoso de ti meu "brada"»

quinta-feira, 25 de julho de 2013

"Na Restinga quase não havia negros, só um ou outro. Os negros eram lavadeiras, cozinheiros, etc., serviçais. A Restinga era um bairro silencioso, onde depois passaram a viver um ou dois assimilados. Também aquilo era muito silencioso para os negros. Se um negro fosse a passar pela Restinga podia aparecer uma senhora branca, com a sua filha, a perguntar para onde é que vais?"

Texto e foto: José Kaliengue, Jornal O País - Lino Passassi é uma figura conhecida no Lobito, com uma longa carreira no ramo da Educação. Natural da Hanha do Cubal, vive no “poiso do flamingo” há mais de trinta anos. Tempo suficiente para ter observado e aprendido a sua terra adoptada. Nesta conversa falamos um pouco de tudo, de memórias e dos dias de hoje, da Canata, “o bairro” do Lobito, da Restinga restrita, da beleza das mulheres, dos valores que não se passam aos mais jovens, da aculturação.

Como caracteriza o Lobito de hoje, com tanta gente vinda de fora?

O litoral do Lobito está como todas as cidades superlotadas. No princípio pensámos que seria passageiro, que as pessoas depois voltariam aos seus locais de origem. Está visto que não. O Lobito tem hoje até problemas de trânsito, está perto dos problemas das cidades grandes, isso pode ser sentido já no estacionamento automóvel no centro da cidade, além de que não se está a criar novos parques.

E estes problemas não foram sendo resolvidos com o tempo, ou antecipados, já que a cidade não foi das maiores vítimas da guerra?

Nós tivemos foi os efeitos da guerra, que se reflectiram aqui. E um dos efeitos é termos esta gente toda aqui. E para tanta gente faltam-nos vias estruturais, para a cidade circular bem. Isso vê-se no bairro Africano, no Chapanguel. Havia aí uma via rápida, bonita, mas com tanta gente a construir na área alta, construiu-se até nas linhas naturais de passagem da água das chuvas, que lavavam as águas para a Catumbela… agora as construções fecharam tudo. O que fez com que as águas das chuvas arrastem tudo o que encontram nos bairros S. João e Sta. Cruz, onde hoje há casas soterradas até meia altura, no sopé do morro. Como resultado, o asfalto foi-se. Foi a via rápida.

E acha que não seria possível recuperar a via?

Para debate: "Angola já não consegue inventar nada para a sua salvaguarda"

"No meu entender, acho que Angola já não consegue inventar nada para a sua salvaguarda, ou porque perdeu as fontes de inspiração para poder avaliar pelos seus próprios meios as suas criações, ou porque aderiu ao mimetismo cultural e ideológico sem se questionar se esta via seria ou não a melhor para a sua reconstrução ou para investir em recursos humanos.

Porque, hoje, o nosso modelo vem com toda a intensidade do Brasil e Cuba, servindo-nos das duas experiências que acredito possam ser valiosas para enriquecer e serem aplicadas na nossa cultura. Ontem, o modelo estava expressamente em cuba e na antiga URSS, sem tirarmos proveito das nossas próprias vivências, pelo menos a dos quinhentos anos de convivência com o ocidente e o seu cristianismo, mesmo que essa experiência foi dramática. Mas, pelo menos, essa lição que durou quase quinhentos anos deveria servir de base de experiência para melhor escolher o que nos identifica como seres pensantes."

Dya Kasembe, in «Reflexão Filosófica Sobre a Estupidez Codificada», 1ª edição. 2011. Luanda. Mayamba Editora.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A CAMA É A CHAMINÉ

(…) Ferve chá ao lume. Pedir-te-ia o perdão, mas perdoar é entender. E não entenderias tu, bem sei, que eu tenha vivido a música, nossa eleita, sozinho. Indignar-te-á, penso eu, que tenha lavado uma taça somente na sublime rotina do serão. Que o tempo resvala, ao chão não se agarra, hoje, como ontem, percebo, mas não filtram perfis os afectos, como sabemos. Tu até és romântico, diz a vizinha, não sei porque segues só. É do mesmo que falamos? Rasteira aba de cera lembra o que foi vela. Faz-se escuro, malandramente escuro, leve aroma de fumaça. Outra música sucede, igualmente nossa, ao último gole da taça. Não há orgasmo que a cale. E amanhã, outro chá a ferver. A cama é a chaminé(…)

Citação

"Me bateu outra vez de novo (...) Quando o corpo está doente, o físico, fisicamente, não consegue ficar de pé".

Aspirações do Didí em pequeno

"O que é que queres ser quando fores grande?"
"Quero ser director, mano."
"Mas director de quê?"
"Para mandar os outros."

Lei do Mecenato incentiva fomento da cultura em Angola


Texto da AngopA Lei do Mecenato, aprovada pela Assembleia Nacional em 2012, estabelece incentivos fiscais as instituições que pretendam fazer liberalidades (generosidades) em apoio do Estado, visando fomentar, valorizar e promover o desenvolvimento do sector cultural.

Este instrumento jurídico (Lei nº8/12 de 18 de Janeiro), no seu artigo 4º nº1, indica que são atribuídos esses benefícios fiscais as pessoas colectivas, que de forma altruísta (filantrópica), prestem serviços ou pratiquem acções, realizem para outrem ou financiem, obras ou projectos de cariz cultural, no caso, já que a lei é abrangente para outras áreas sociais.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Diálogo na copa, uma grelhando o peixe e a outra arrumando a loiça

“A fulana queria [entenda-se devia] já pedir repouso.”
“Mas a barriga dela é assim grande porquê, parece é primeiro filho?”
“Aquilo é balão mágico!” (risos)
“Ó coisa, aquilo… Mas culpado é o marido dela.”
“É porque Deus opera milagre, um dia mesmo queria [entenda-se podia] nascer no serviço.”
“Essa coisa de escolher filho de papai e mamãe, ó coisa, eu não gosto. Homem tem que ser batalhador. Ou sai, ou quê, inventa qualquer coisa. Agora, que só fica em casa, eu não aturo.”
“Mas ele tem quantos anos?”
“28 anos, acho, o moço.”
“Será que é muito bonito? Assim não é escravizar a outra? Os bonitos é que têm essa mania. Uma gaja se mata a trabalhar sozinha, ele acorda bem tarde. Quer dizer, é escrava mesmo.”
“Eu então, o fulano também não trabalhava quando namorei com ele. Eu lhe disse assim: ó coiso, você já não trabalha, não me dás nada, ainda se comporta mais mal?! É mesmo pela tua beleza que vou sofrer? Lhe deixei mesmo assim nas calmas.”
“Mas o marido dela, isso mesmo assim é normal? 28 anos, só fica em casa?”
“O fulano ainda falou com ele que aí tem salo. O salário é vinte e cinco mil, mas tem “bizno” [business], a pessoa não volta p’ra casa de mãos a abanar. Ele já… nada!”
“Também homem assim, você vai-lhe dar mais segundo filho? Assim ela vai nascer, vão ficar mesmo só a se olhar?”
“Vais ir ver já quando o bebé nascer. Não há falar que Benguela é longe, vamos ir mesmo o grupo dos colegas para ver.”

Lobito, 22 Julho 2013

domingo, 21 de julho de 2013

Joao Tala com novo livro

Do autor: "É o meu décimo livro (sétimo em poesia), escrito entre 2006 e 2009, editada pela UEA. Depois vem o que me atormenta, é que não me simpatizo muito com cerimónias de Lançamentos de Livros..."

Foi hoje a enterrar. Um kota que tinha um carinho por mim e pelo meu trabalho. Enfim, a vida é a morte, de qualquer modo.

Nascido aos três de Setembro de 1947, em Luanda, e membro efectivo da UNAP desde 1984, Délio Baptista, além de ter obras e amostras feitas em Angola e estrangeiro, já foi o delegado da UNAP em Benguela (Angop).

Terá sido a última exposição sua

"Artista quer músicas em línguas nacionais", diz título do Jornal de Angola. Todavia, digo eu, tenham a paciência de pedir como pronunciar as palavras, que há sempre um bom falante ao lado

Foto: JA
NR: Foi com tristeza que ouvi numa música de um jovem /ombwembwa/ para dizer paz. Se fosse inglês ou francês, claro que se preocuparia em pronunciar correctamente. É "OMBEMBWA", caramba! Deu cá uma vontade de lhe mandar fazer cópias, como na primária. Outro novo sembista "apressado", que reinventou tema do grande Waldemar Bastos, foi cantar Magalita, /wenju kulo/. Mas wenju, o quê? Frase tão simples no modo apelativo. "Enju kulo", quer dizer vem cá. Concluindo, cantar línguas nacionais sim, mas com a devida correcção. A seguir, matéria do Jornal de Angola 

Artista quer músicas em línguas nacionais

O músico angolano Gaby Moy aconselhou na quinta-feira, em Luanda, os músicos a incluírem nas suas obras discográficas temas em línguas nacionais, de forma a valorizarem a cultura nacional. Em declarações à Angop, o músico afirmou ser importante que se interpretem temas nas várias línguas para que haja, por parte dos mais novos um certo interesse no kimbundo, umbundo e kikongo. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O kota Delio Batista e eu na exposição do Isidro Sanene, creio, Maio de 2010

MEU PRIMEIRO CONTACTO COM DÉLIO BATISTA, UM ARTISTA PARA BEM LEMBRAR

Quando em 2008 precisei, por recomendação da editora, de um quadro para capa do "Consulado do Vazio", meu poemário de estreia, e após fracasso com outros artistas, Cláudio Silva (Pepino, do Hotel Luso) apresentou-me a Délio Batista, um artista plástico de curriculum vastíssimo. Eram 9 e tal da manhã. E por volta das 11h00, kota Délio já me havia cedido "De Pernas Cruzadas", com que me enamorei dentre o seu acervo. Tudo a custo zero. De tal sorte que lhe tenho como "padrinho", e sei que ele tem algum carinho por mim e pelo meu trabalho. Estive recentemente em sua nova casa, ocasião bem aproveitada para mais umas fotos para a posteridade. Obrigado, kota Délio, pelo seu monumental exemplo de solidariedade artística. (Texto de Julho de 2010)

Sociedade benguelense enlutada. Morreu esta madrugada o pintor Délio Batista, vítima de doença. Foi autor da ilustração de capa de "Consulado do Vazio", livro de poesia com que se estreou Gociante Patissa. Paz à sua alma, caro camarada!

Angola na vice-presidência do simpósio internacional do Fespam

Texto e foto: Angop - Angola foi eleita segunda vice-presidente da mesa do simpósio internacional sobre ‘’As músicas africanas, vector da autenticidade e factor de emergência’’ que decorre na sala das conferências internacionais do Palácio dos Congressos desta capital.

O angolano e perito da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) Simão Souindoula assume o referido cargo.

A mesa é presidida pela antropóloga norte-americana Sheila Walker, da organização Afrodiáspora’, o ivoiriense Adépo Yapo ocupa a primeira vice-presidência, ao passo que o camaronês Émile Mosexly Batamack foi eleito secretário geral.