PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Ao que consta, fecho da Oxfam em Benguela foi precipitação do tribunal. A ONG inglesa pode reabrir ainda na próxima segunda-feira

Quando ontem, por volta das 16h, passei pela rua da Oxfam (por detrás do cine monumental), notei um movimento estranho. Havia lá dois carros da polícia, alguns agentes com cara de caso, e uns três senhores de batina preta, que davam a entender que eram homens do tribunal. No mesmo dia, li no mural de um amigo no FB que a Oxfam tinha encerrado o escritório. 

Cuidei de fazer contactos telefónicos com pessoal amigo ainda no activo no sector das ONG para saber se tinham sido informados, como é normal, do fim de missão daquela agência internacional. Somente ao cair da noite de hoje fui informado que se tratou de uma acção compulsiva do tribunal provincial de Benguela, na sequência de uma alegada queixa do ex-representante daquela ONG, angolano de nacionalidade, que terá litigado por eventuais dívidas dos honorários e outras cenas. 

Segundo a minha fonte, a decisão do tribunal está a ser vista como unilateral e excessiva, estando em curso contactos para o levantamento de tal medida, o que permitirá a reabertura do escritório já a partir da próxima segunda-feira, 4 de Fevereiro (que coincide com o feriado do início da luta armada). 

Resta esperar.

Crónica: Leite gelado?

Rex (Nigéria) e Patissa (Angola) à mesa do
matabicho no Washington Marriot

Entre Luanda e Newark residem umas 14 horas úteis de voo, acabando metade deste tempo gasto ainda na rota de escala, via Lisboa. Somam-se a isso duas horas de ligação, as quais no meu caso foram agradáveis com cicerone de luxo, de quem ainda ganhei um par luvas pretas.

O entusiasmo de conhecer América, ainda por cima com todas as despesas patrocinadas pelo Departamento de Estado e o Programa de Líderes Internacionais Visitantes, não suplantava o desgaste a todos os níveis, desde as nádegas anestesiadas de tanto sentar, o choque térmico entre o calor da banda e o inverno pelo caminho, as bruscas mudanças de paisagem, a língua, os fusos horários que alargavam cada vez mais o comprimento das horas do dia, a preocupação em achar o lugar marcado no bilhete para sentar, a comida, enfim. Tinha pela frente ainda mais três horas de voo para aterrar em Dulles, Washington-DC, isso há três anos.

Já pouco, ou quase nada mesmo, me apetecia, quando a hospedeira passava com aquele carrinho de víveres e me consultou sobre o que queria beber. Farto da típica variedade de refrigerantes, respondi-lhe, lacónico: cold milk, please!

Conhecendo a tendência americana da preocupação com a reputação, diria que a hospedeira não foi a tempo de esboçar aquele discurso floreado em jeito de negação. Era escusado pronunciar a palavra NÃO, de tão evidente na expressão facial. Trabalho também em aviação, e sei que em certas circunstâncias, o humano escapa na reacção do profissional. Sorri e lhe disse que estava tudo bem.

Recuperado o controlo da situação, assegurou que havia leite apenas para misturar com chá e café, não serviam um copo inteiro. No problem, tranquilizei. Uma vez servidos os passageiros sem que um deles se lembrasse de pedir leite, ela veio ter comigo. Desculpa, o senhor ainda quer leite? Sorri outra vez. Sim. E lá trouxe um pacote que dava para um copo e meio, para meu agrado. I am truly sorry about that, desculpou-se ela, acrescentando que era a primeira vez que lhe pediam leite gelado. Thanks.

A Cristina bem dizia, num desses bate-papos cibernéticos, que o ser humano é dos mamíferos o único que continua com leite depois do desmame (ao que acrescento, com pequenas doses de café para fingir que não, como no galão).

Gociante Patissa, 30 Janeiro 2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Motorizadas sem iluminação, a moda urbana de Benguela

Na hora de chegar à casa e encostar o carro, o motorista dá por terminado mais um ciclo de riscos na via. Dominar o código de estrada é o mínimo, determinante mesmo é dominar o comportamento de risco e a impunidade dos utentes de motorizadas. Diante de tanta irresponsabilidade, já deixei de me preocupar com quem não usa capacete, já que o pior que lhe pode acontecer é rebentar a sua própria cabeça. Preocupa-me cada vez mais a moda das motorizadas sem iluminação, já que em caso de acidente, ter razão não evita gastos com o bate-chapas. Sim, porque quando a tragédia ocorre, vem aquele discurso de arrependimento e incapacidade financeira para reparar os danos.
Soube que a Oxfam encerrou ontem sua representação em Benguela, que era, até onde sei, a sede regional daquela agência internacional humanitária de origem inglesa. Alguém sabe dar-me mais informação sobre o assunto?

Em reposição agora no Teatro do Bairro, em Fevereiro tem a oportunidade de assistir a peça" Faz Escuro nos Olhos" uma criação coletiva GRIOT com encenação de Rogério de Carvalho.

TEATRO DO BAIRRO * 14 a 23 de Fevereiro ‘13, 21H ou * 17 e 24 Fevereiro ‘13 17H
Anaína Lourenço (Direcção e Producção Executiva 927739241) - Portugal

Marcos 13:33, in «Bíblia Sagrada»

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

S O S

Estou a investigar sobre o valor dos sonhos e sua interpretação nas mais diversas culturas, bem como eventuais causas e efeitos. Claro está que será feito um cruzamento com acontecimentos recentes numa comunidade concreta de Ovimbundu. Qualquer de fonte será ultra valiosa. Por favor........

Opinião: O nosso pesadelo e o cabo das tormentas


Inácio Gil Tomás, Benguela, 28/01/2013 - Não são poucos os angolanos que tiveram na véspera do CAN a esperança de que a nossa selecção fosse transitar para a fase seguinte da competição. Num dos seus artigos na rubrica Ponto de vista da Rádio 5, Arlindo Leitão dizia que "em função dos resultados estaríamos a atravessar o Cabo da Boa Esperança ou o Cabo das Tormentas" tal como os auto-proclamados descobridores o convencionaram chamar.

Agora já o sabemos, afinal baqueamos, não conseguimos transitar do Atlântico para o Índico como os Tubarões Azuis. E o que devemos fazer? Analisar as causas profundas da eliminação, as consequências e tirar lições para colher frutos saborosos no futuro.

Uma série de situações envolveram a nossa participação, com realce para o desejo de alcançar o melhor resultado possível (chegar à final não é - neste caso não era - proibido), manifestação clara do imediatismo. Imediatismo também nas propostas financeiras apresentadas para estimular os jogadores, conforme certa empresa que prometeu um milhão de Kwanzas por cada golo marcado. Julgo que o dinheiro (não sei qual o valor disponibilizado para o efeito) seria melhor aplicado no financiamento de uma escola de futebol, contribuindo desta forma para a formação de novos talentos.

A Cristina dizia que o ser humano é dos mamíferos o único que continua com leite depois do desmame (ao que acrescento, com pequenas doses de café para fingir que não, como no galão)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Outro co(r)po teu é, só a câmara cadeira vazia não cobre

O bar tem dessas coisas. A gente sai sempre de lá com algo de valioso dito por gente desconhecida da mesa ao lado.

"You're still young like the sun after rain" (particularmente gosto das imagens neste verso da música "Born To Touch Your Feelings" dos Scorpions).

Conversa de bar em manhã de sábado, Benguela 26.01.2013


«O Zé Viola é um negro que ensinava até português aos brancos. Ele veio ainda criança do Balombo, cresceu com os padrinhos na Catumbela. Não lhe deixavam sair de casa para se misturar, só para a paderia (sic), para a escola e a igreja. Apareceu um jornalista naquele tempo, quando o homem tinha já nome  na banda musical dele, a lhe perguntar: Qual é o teu prato preferido? O Zé encheu o peito, e lhe respondeu: puré de batata com ovos escalfados!!! O mwadiê ficou atrapalhado, esperava que o Zé falasse assim tipo pirão com peixe, essas coisas do povo, estás a ver?...»

(Contexto: era colonial. Imagem: autor desconhecido)

E nesse constante viver, como se já não soubessem os céus chover, completa-se o ciclo de fracassada safra lá onde nasci

Empresária angolana, a mais rica de África


Texto e foto: Jornal de AngolaA empresária angolana Isabel dos Santos foi considerada como a mulher mais rica de África pela revista dos EUA “Forbes”, que anualmente publica a lista das personalidades mais ricas do mundo.

A empresária Isabel dos Santos acaba de participar num importante negócio em Portugal, ao promover a fusão da ZON, empresa líder na televisão por cabo, com a operadora de telefonia móvel, Optimus. 

A administração da ZON, à qual pertence a empresária dos Santos, decidiu, por unanimidade, fundir a empresa com a operadora de telefonia móvel Optimus, da Sonaecom. As administrações das duas empresas anunciaram em comunicado que a nova empresa passou a designar-se “Zon Optimus”. A operação foi comunicada à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários de Portugal. As duas administrações estimam que a operação tenha criado um valor de 350 a 450 milhões de euros.

A empresária angolana Isabel dos Santos também tem uma posição forte na Banca portuguesa.

"Relativismo físiomental" - Mercado na sede da comuna do Monte Belo

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Crónica: A lição do cambista


Sendo já consabida a carência do pós-quadra-festiva, fiz-me ao banco, anteontem, para esgotar o último pouco, muito pouco, da poupança.

De seguida, parei o carro sobre a rotunda do Kulinji, cidade de Benguela, para cambiar as três míseras centenas de dólares para kwanzas. Dez mil e quatrocentos era quanto cada centena valia.

Desfeita a algibeira, pôs-se o kínguila a conferir os kwanzas, pronto mesmo a entregar-mos, sem que tivesse um mínimo contacto sequer com o motivo do câmbio, no caso os dólares. Como sabes que as notas não são falsas? Confrontei o homem, como aliás, inutilmente talvez, sempre faço, na esperança de voltar a ver a velha preocupação do cambista em levantar a cédula para o sol, ou afagá-la entre o indicador e o polegar.

Dava-me mais conforto, receando se calhar ser vítima de milhares de falatórios que nos chegam sobre ardis de cambistas que te forçam a aceitar que tua nota era falsa. Mesmo porque, como disse, as notas eram as últimas, quando do salário de Dezembro e do décimo terceiro já só restam saudades. 


Muito serenamente, o kínguila disse: o kota já costuma trocar aqui, eu já conheço. Mentira!, quase ripostei, pois há já um bom tempinho que meu suor não vale dólares. Como iria trocar o que não tenho? Além do mais, o carro que usei naquele dia é relativamente recente, pouco menos de três meses. Quer dizer, ele tratou-me como trataria qualquer um. Mas então, esses homens vêem excesso de honestidade nos seus clientes? Xiça!

Saí dali com um misto de satisfação e frustração. Bem, isso tudo eu não contaria, não fosse pelo susto de há pouco nas bombas de combustível na Catumbela.

Depois de pedir que me atestassem o depósito, senti por instantes, na escuridão do bolso, que uma das notas de mil kwanzas tinha espessura diferente. E pensei cá comigo: talvez não seja o kínguila o mais propenso a receber notas falsas, mas quem fica com os kwanzas, dado que a distracção é maior, a pensar que ninguém falsificaria notas de menor valor facial. E nessa suspeita, sendo também tais duas notas as últimas, e não havendo nas bombas loiça a lavar, como aconselha a anedota em caso de consumo sem dinheiro em restaurante, só me restou efectuar o pagamento.

Lá o bombeiro embolsou as duas notas de mil kwanzas, nada disse, e muito parvo seria eu se levantasse ali conversa sobre esta ou aquela nota potencialmente não autêntica, não?

Gociante Patissa, Benguela 25 Janeiro 2013
quando chega a hora, parece que custa largar o chão
Does it ever rain over there?
Would it rain if I wanted?

Se estou de acordo no caso Yuri da Cunha, parece-me discutível que a Pérola pague ao Duo Canhoto pelo tema "Omboyo", que mais não é do que uma recolha feita ao cancioneiro popular Umbundu. Qualquer dia vendo os provérbios que partilho, afinal

"O músico Yuri da Cunha compensa financeiramente a família de Artur Nunes pelo uso das obras do artista no seu mais recente disco intitulado “Yuri da Cunha canta Artur Nunes”, segundo avançou hoje, quinta-feira, em Luanda, a União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC).Em comunicado de imprensa (...) O Gabinete Jurídico da UNAC avança que na mesma situação está a cantora Pérola, que compensou financeiramente o Duo Canhoto, pela utilização da música “O Mboio”.

Ler notícia completa da Angop aqui

 Em 2011 escrevi isso 

Oratura: Divagando pelo universo do cantar popular Umbundu

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

CAN de cultura

A caminho de meia-hora de telejornal monocórdico a respeito do CAN de futebol, veio-me à cabeça a entrevista colectiva que um escritor de referência em Angola deu há alguns anos, na qual realçava a importância de se realizar um CAN de cultura  fazer disso também a grande festa da nação.

Bem, até ao Dombe-Grande, maior terra do feitiço da SADC, fomos, pelo que, se os Palancas Negras não ganharem logo a África do Sul no CAN, já não sabemos mais o que terá faltado...

NÃO É O TIPO, É O ACTO


Em dias de sol ardente no litoral, parece ser de meia hora a distância entre dez da manhã e a hora doze. É nesse hiato que se apresentou, naquele dia, a agente ao local de serviço, cujo atraso dava-se mesmo a ver pelo rosto suado, como se o amoníaco do seu próprio organismo lhe quisesse renovar os quarenta e tal anos que o seu bilhete de identidade indicava. Tinha cara de sono, direi, que bem condizia com a patente de sargento . Ela entra, saúda, e a maioria aguarda tacitamente por uma justificação: “Estou avir da Técnica [de Investigação Criminal]”, diz ela, para a empatia das cerca de dez pessoas na sala. “Qual é o problema?”, questiona um dos presentes. “Tenho lá um sobrinho. Esses dias, não temos sono por causa do processo. Está preso com uns amigos”, continua ela, sempre seguida pelo silêncio de solidariedade dos demais. “Pegaram à força uma moça do bairro”. Dito isso, os rostos parecem desfazer a empatia inicial, o que veio a piorar quando a agente trouxe cá fora a voz da sua alma: “Mas a moça também já não era virgem, é mãe de dois filhos até”… O repúdio foi geral, como quem diz, não é pelo tipo, é pelo acto.

Gociante Patissa, Lobito 23.01.2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Por Fridolim Correia

O reverendo jurava que a barba de Abrãao resolveria todos os problemas que afligiam os fiéis. Sejam eles sobre desemprego, infertilidade, falta de sorte no amor, impotência…etc. os panfletes publicitários bem como os anúncios colocados na Rádio Zwela Ngô Makuto bem como na TV Akodiwa kya, diziam “você que não faz filho, com a barba de Abrão terá trigémeos, você que só encontra mulheres feias, agora vai encontrar misses, até Angelina Jolie virá de rastos lamber-te os pés…você que sofre de impotência sexual, com a barba de Abrão vai ejacular trinta vezes por noite…você desempregado, com a barba de Abraão até serás contratado para trabalhar no gabinete de Obama…você que não dá nada na escola, basta comprar a barba de Abraão, no dia do princípio, o princípio da boa vida para todos”. Cada fio da suposta barba de Abraão devidamente enrolado num papel de cartolina coché, como se fosse um embrulho de liamba, custava nada mais nada menos que “só cêm dólares”.

Por Fridolim Correia 22.01.2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Há dias em que apetece fugir do serviço e achar momentos assim, cantar qualquer coisa em qualquer nota com alguém como o Peter

Hoje é o dia dedicado ao humanista Martin Luther King


Vesti a camisola no aniversário de 2010, quando me encontrava no Grupo de Visitantes Internacionais  Líderes Associativos Juvenis a convite do Departamento de Estado aos EUA. A jornada do voluntariado foi promovida pela Universidade de Concordia, cidade de Portland, estado de Oregon

Denominador-comum

Parece que fiz as pazes. Não voltei a registar nos três últimos dias razões para me chatear, não houve sono interrompido nem sabonete roído. É uma paz que espero irreversível, a qual fico a dever ao denominador-comum chamado raticida.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Que as boas acções devem ser divulgadas, é uma perspectiva válida. Agora, que certa divulgação não anda longe de ferir o bom senso, por não passar de publicidade intencional de quem faz a doação, é outra perspectiva válida. Grata excepção seja dada ao piloto Luís Sá Silva


Segundo o portal Platina Line "A pequena Joseane nasceu  com problemas psicomotoras, que a impossibilita de falar, ver, e andar, ela apenas consegue ouvir.  Com isso ela precisou de uma cadeira especial, que foi patrocinada pelo Piloto de Formula 3 o Senhor Luís Sá Silva , piloto da Angola Racing Team no valor de aproximado de 4 mil dólares, dado através do programa."

UM POEMA NADA SABE


Não será num poema que direi
Se te amo ou simplesmente te quero
Se és real ou simplesmente algo que inventei
Para sustentar o sonho ou aliviar o desespero

Acredite pois, um poema seria impróprio
Talvez minimalista, lacónico e vulgar
Se te fiz real é porque mereces um império
Um mar aberto onde possas navegar

E não um pedaço de papel
Branco e ingénuo
Que nada sabe

O amor tem espaços contíguos
Como os mares o limpo sal
Depois que o sol os abre

Martinho Bangula, in «Poética», Vol. 1, pág. 385, Editorial Minerva, 2012. Lisboa.

"Música de intervenção rápida, o kú-duro" (Margareth do Rosário, 19.01.13, in «Revista Musical», TPA-Luanda).

sábado, 19 de janeiro de 2013

Do anedotário universal

"No manicomio, um maluco, sentado num banquinho, segura uma vara de pescar mergulhada num balde de água. O médico passa e pergunta: - O que você está pescando? - Otários, doutor. - Já pegou algum? - O senhor é o quinto! "

Apenas erro de geografia

Imagem: Africa Top sports
Agora que se vive a euforia do CAN de futebol, vale reconhecer que a selecção angolana só não será campeã porque foram buscar treinador ao Uruguay, quando bem podiam buscar no Brasil os fundadores das igrejas Universal e Mundial, conhecidos que são pela precisão de seus milagres.

Classes sociais unidas por nada

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Gociante Patissa com Nelson Sul D'Angola na hora de exibir o diploma do Prémio Provincial de Cultura e Artes, categoria de Ciências Sociais e Humanas, edição 2012 (foto de Maximiano Filipe Filipe) 08.01.2013

Opinião: A educação como comércio e a ideia de laicidade

Conversávamos recentemente sobre o quadro actual dos agentes envolvidos no sector da educação em Angola, sobretudo nos últimos onze anos. E foi com alguma apreensão que abordamos o efeito inverso que pode vir a ter no futuro a entrada em cena, para não dizer proliferação, de cada vez mais colégios e  igrejas.

O meu interlocutor e eu conhecemos minimamente o sector da educação formal. Enquanto representantes de organizações da sociedade civil até há pouco menos de seis anos, andamos envolvidos em advocacia social pela gratuitidade e obrigatoriedade do ensino público primário, conforme a Lei (13/01) de Bases do Sistema de Educação em vigor. A então “Coligação ensino Gratuito, Já!” teve como pano de fundo a melhoria da qualidade e o alcance das metas de Dakar de educação para todos até 2015.

É senso comum dizer-se que 70% da população angolana é cristã. Depreende-se dali que a igreja não pode estar à margem dos problemas da sociedade e é esperada a dar o seu contributo, enquanto parceira de quem gere o Estado, o governo. Pouco há para questionar quanto a isso ao longo da história da Angola pré e pós-independência. São incontáveis as personalidades formadas em missões, católica, evangélica ou metodista.

Excepto a igreja católica, que manteve no Seminário a formação de sacerdotes (do ensino médio ao bacharelato), as demais ocuparam-se a promover aulas de alfabetização (entenda-se ensino de adultos) e/ou ceder espaços para salas anexas da escola pública mais próxima. Os operadores privados ganharam expressão a partir de 1992, com a adopção do regime democrático e a liberdade de mercado. Era o fim do «Estado providência», característico do comunismo/socialismo que marcou a primeira República, saída da independência de Portugal em 1975.

Alguns teóricos defendem que a educação, a saúde e a cultura cabem no «papel director do Estado», onde o governo planifica, financia e controla. Mas, basta olharmos para as estatísticas de alunos fora do sistema de educação a cada ano escolar para percebermos que, tal como o Estado não pode empregar toda a força produtiva, também é irrealista garantir educação para todos, num país com mais de 16 milhões de habitantes.

A dicotomia «poucas vagas na escola pública versus pouco dinheiro para propina nos colégios do centro da cidade» fez surgir, como dizem os políticos, uma terceira via, os colégios da periferia (e não só), alguns em instalações precárias e com a legalização por completar. Há menos de quatro anos, no Lobito, um número considerável de pais e encarregados viu-se revoltado quando o colégio de seus filhos foi encerrado por operar ilegalmente. Tantos anos de escolaridade e propinas pagas para… nada!

Enquanto isso, a inspecção escolar enfrenta os seus desafios. Em 2006, por exemplo, a província de Benguela tinha seis inspectores para cobrir nove municípios. Há informações de igrejas que substituem educação moral e cívica pela bíblia. Como garantir que os sectores privado e público ensinem a mesma coisa na mesma classe?

Quem parece não querer ficar de fora são os templos, quase não se importando em engolir o pátio, que tanto bem faria às crianças. Abrir um colégio permite arrecadar, ora com as propinas, ora com a venda de uniforme. Será a falência do altruísmo?

Gociante Patissa, Benguea 17 Janeiro 2013

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

“Assim é América”


Estava já farto de tantas palestras, reuniões e sei lá mais o quê do programa de visitantes internacionais aos Estados Unidos em Janeiro de 2010. Evadi-me, num dia destes, sem o mínimo remorso até hoje, como sempre faço quando me farto das aulas. Portland (Oregon) é uma cidade muito linda, que continuo desconhecendo no seu todo, do mesmo jeito aliás que desconheço Luanda. Precisava de ir ao Bestbuy comprar um computador portátil, não fazendo ideia da distância a que aquilo ficava. Dirigi-me ao cab, como são chamados os táxis amarelos. Era da Eritreia o taxista, ficando fácil a empatia entre africanos. O homem pergunta-me o destino, ao que gaguejo. Ele logo percebe que estava aí um estrangeiro “perdido”. Enquanto dirigíamos para o sítio, que é bem fora das localidades, o taxista disse-me algo, entre o dramático e o real, que não tenho como esquecer. “Meu irmão, é preciso ter muito cuidado aqui. Não é como nos nossos países, onde o cenário na rua dá a prever já o crime. Aqui é tudo muito calmo, mas de repente algo de muito grave acontece. Os bandidos não são como os nossos, que te assaltam e levam teus haveres. Aqui te estrangulam por nada. Essa gente é doente. Assim é América”.
Gociante Patissa

UBIQUIDADE

Saudou-me, com modos. Correspondi, algo aliviado do stress que era interinar a posição do chefe em dia agitado. O vosso avião já partiu de Luanda? Pergunta-me a jovem de aparentemente vinte e poucos anos, que lindamente se encaixava no estereótipo de beleza feminina de Benguela que certos sectores propagam: morena, corpo equilibrado, entre o cheio e o magro, altura razoável, lábios sensuais, trajo sóbrio. Parte daqui a pouco, respondo. Avisa-me quando partir, porque venho nesse avião, acrescenta ela, para a minha perplexidade, pois até aí sabia que a física não permitia um mesmo corpo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Diga? Respondo, apanhado desprevenido. Ela sorri à minha previsível reacção, ao seu jeito de mulher docemente malandra. É isso mesmo, venho nesse avião. Louca não parecia estar. Está bem, anuí. Quando obtive a confirmação, passei-lhe a palavra, e ela agradeceu. Moço, agora preciso da tua ajuda. Preciso ficar num sítio, protegida. Levei-a à minha sala de trabalho, onde a acomodei. Ela pega no telefone e diz: mãe? Olha, mãe, estou agora a embarcar em Luanda, o voo leva uma hora. Faz as contas, me apanhas no aeroporto. Fim da chamada. Telefone desligado. Tarde de domingo. Teria saído de viagem na sexta-feira. Agora vira-se para mim, com o mesmo sorriso calculista, e diz: não ligues.
Gociante Patissa, 16.01.2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Estado de necessidade?

Tirou-me do sono às três da manhã por causa de sons que mal cabiam no sonho, de tão dissonantes. E lá fui eu, entre o ensonado e o irritado, atrás dele, de chinelo à mão, chegando mesmo num um para um. Bem-vindo é que nunca seria! Sorte a dele que havia um buraco na parede, e escapou. Notei a seguir que andou a roer sabonete do WC. Talvez não o fizesse por mal, apenas estado de necessidade, porquanto somos dois solteiros preguiçosos em casa. Vai daí eu ter passado pelo supermercado essa tarde, já a pensar nele. Trouxe de lá um saco e um pacote, para que os últimos dias de sua passagem nesta vida sejam de fartura. Raticida é o que vai ter de sobra.

Huíla: Línguas nacionais fazem parte do currículo escolar

Voz da América: O ensino das línguas locais em algumas escolas do ensino primário do primeiro e segundo ciclos, é uma realidade na província da Huíla. Para a consolidação do ensino das línguas locais, 120 professores irão a partir desta segunda-feira até 1 de Fevereiro próximo beneficiar de formação nas línguas Nyaneka-Humbi, Umbundu e Ngangela.

Academia de umbundo já tem terreno para instalações

Jornal de Angola14 de Janeiro, 2013: O director da Cultura no Huambo afirmou à Angop que a construção do edifício da futura academia de língua umbundu, para o qual já há terreno, depende do Ministério do sector, a quem foi apresentado o projecto.

Pedro Chissanga disse que a entrada em funcionamento da academia “valoriza e preserva a língua umbundo enquanto património cultural imaterial” e “ajuda a padronizar a escrita e a pronúncia desta língua”.

O director da cultura referiu ter esperança de, “talvez, nos próximos três anos” a academia estar a funcionar em pleno.O umbundu é uma língua bantu falada pela etnia ovimbundo que habita no centro e sul do país. O facto de um terço da população angolana pertencer a este grupo étnico, salientou, faz com que o umbundu seja uma das línguas mais faladas no país e usada por cerca de cinco milhões de falantes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

(Do arquivo) Crónica: ELA NÃO TINHA O DIREITO DE O PERDOAR


Nota: Ao ouvir das novas revelações do caso Jorge Valério, pensei num texto que partilhei há quatro anos:

Crónica: ELA NÃO TINHA O DIREITO DE O PERDOAR

Perdoar? Talvez não, (era o mais fácil de imaginar) depois do que ele fez. De tal modo que, quando passaram por mim, no princípio deste mês, felizes, aos abraços, ela sorrindo de maneira desarmada, não evitei a dúvida sobre até que ponto se pode “arriscar” na lógica da segunda oportunidade.

Para além da maresia do local, o aeroporto é também um bom barómetro para ver que há pessoas/mulheres a quem a lei devia proibir de sair de casa. Assim não nos passaria pela cabeça a tentação de lhes roubar o sorriso, o corpo, a voz (não é justo que pertençam já a alguém!). Era o caso dela! A rapariga, como que a pressentir que tinha “fã à primeira vista”, agarrava-se ainda mais ao corpo atlético do "dono", esbanjando brisas de felicidade. Viajavam juntos. Que pecado! Faria mais sentido que fosse outra pessoa no lugar, mas era ele mesmo! Irónico. Bonita, inteligente… De que adianta serem belas quando não são nossas?!

O “infeliz”, talvez já acomodado com o que tem, não se envolvia com a mesma electricidade que ela. De vez em quando levava a mão à região dos seios dela – seios de estrela de televisão! Bem, mas sei disfarçar, aliás conheço o meu lugar…

Flashback: encontram-se em casa (ou no carro). Beijos, abraços, o clímax aquece e fazem amor, namorados que são. Só que, desta vez, ele tem em mãos um telemóvel novo, caro e cheio de funções. E, pondo em prática a máxima de que “amar e ter juízo não é possível”, ele decide filmar o acto sexual. Ela, um tanto perdida no calor do momento, ou se calhar nem por isso, sorri de surpresa, nega um bocado, mas “como ele é o dono”, permite. Depois do acto o casal ri-se do que foi capaz de fazer, quando ambos viajavam de excitação. Ela parte para a casa e “está tudo bem!”. Mas só após o namoro terminar é que percebe quão parva chegou a ser ao deixar-se filmar tal como veio ao mundo e logo na hora de obedecer à libido. Mas já é tarde: a imagem circula na Internet e no telefone de quem quiser. Longe de ficção, uma realidade que se repetia.

Com ela aconteceu o mesmo, por volta de 2007, quando andavam na moda os vídeos caseiros de cenas de sexo, regra geral sem o consentimento da rapariga, ou usados como vingança. A moral social foi imediata a condenar. Os tribunais e a polícia não ficaram fora de campo, não obstante terem sido apanhados em contra-mão, pois, no dizer dos entendidos, a moldura penal para crimes do género estava ainda por existir. «À nossa juventude faltam conhecimentos básicos para se viver em sociedade condignamente, e passa necessariamente pela educação», defendia, na ocasião, o padre e docente de ética, João Cassanji Santos.

Veio a erosão do tempo, e tudo “apagou”, processo acelerado talvez pelo desaparecimento dos tais vídeos. Assim julgava eu, até ver, minutos antes de iniciar essa crónica, uma senhora a visualizar no seu telemóvel cenas do tipo. «É gravação… Aí eu não estava a fazer nada, estava a vestir», esclarecia à amiga, com quem rasgava gargalhadas de cumplicidade.

Gociante Patissa, aeroporto da Catumbela, 25 Abril 2009

Opinião: Os parabéns pelo prémio, no meu caso, são fundamentalmente para o júri.

Foto: gentileza de Edson Tadeu Bastos "Watela",
também laureado na categoria de artes plásticas

Fiquei à espera que meus amigos me mandassem fotos de ontem da outorga do Prémio Provincial de Cultura e Artes em Benguela. Devem estar a retemperar as energias.

Tenho recebido parabéns por ter sido indicado pelo júri para a categoria de ciências sociais e humanas, "pelo contributo na divulgação da língua local Umbundu, na perspectiva das tradições orais, através do conto e das novas tecnologias de comunicação e informação”. Não tinha a certeza quanto ao que seria a reacção do público, mas até agora tem sido de encorajamento. A família está sempre perto.

Entre outros, recebi agradecimentos de Alberto Ngongo por, uma vez mais, dignificar o Lobito; Recebi elogios por me assumir natural do Monte-Belo, Bocoio (meu documento diz natural da Equimina, Baía Farta); recebi abraços do bairro da Santa-Cruz, onde morei entre 1997-2008. Abracei Délio Batista, autor da capa do “Consulado do Vazio”, meu livro de estreia; abracei o Sr. Grilo, da tabacaria, Avelino Henriques, meu professor do curso intensivo de jornalismo em 2005. De Lilas Orlov recebi bom telefonema.

Vários outros gestos de carinho continuam a chegar, mas julgo que os parabéns pelo prémio, no meu caso, são fundamentalmente para o júri.

Primeiro, porque a literatura, ao contrário da música, não é tão fácil de acompanhar. A divulgação, sendo ainda débil, não contribui para que o público conheça o nosso trabalho como devia ser. Reparem que o livro de contos "A Última Ouvinte", editado em 2010 pela União dos Escritores Angolanos, onde está presente a tradição oral africana, já não existe em Benguela, esgotados que estão os quase 200 exemplares.

Somado a isso, o Jornal Cultura (das Edições Novembro), bem como a Revista Tranquilidade (do Comando Geral da Polícia Nacional), veículos em que tenho crónica e ensaio publicados, não chegam ao grande público. Os blogues Ombembwa e Angodebates, onde partilho o que recolho da tradição oral africana, existem há mais de quatro anos, mas sabemos bem que poucos angolanos têm acesso à Internet, ou, se o têm, dedicam atenção à leitura de coisas do género. Em Abril realizei e conduzi na Rádio Benguela o "Espaço Literatura", meia hora semanal entre o livro e a tradição oral africana, o qual acabei suspendendo ao cabo de quatro sessões. Mas não é só isso.

Segundo, porque, sem deixar de considerar o espírito de equipa e a dimensão do patrono do prémio, a Direcção Provincial da Cultura, acredito que fez muita diferença, na minha indicação em particular, o papel de Armindo Jaime Gomes "ArJaGo" (historiador, docente, escritor, e editor). Como um dia me disse José Patrocínio, "em certa medida, as instituições não existem, senão em função das pessoas que as representam".

Estaria a faltar aos meus grandes deveres não mencionar isso. E continuarei nessa senda cosmopolita de dar e receber cultura por via da literatura e comunicação social.

Abraços
Daniel Gociante Patissa, Benguela 09.01.2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Crónica: TALVEZ PORQUE NO AMOR É COMO NA GUERRA


Isso foi naquele tempo em que os rapazes se declaravam, plagiando esta ou aquela letra de música romântica, e aguardavam longos dias pelo sim da rapariga, ou então pela gravidez que não era sua. Longe de imaginar que anos depois, hoje digo, viria a ser tudo mais fácil, pois há “músicas” com requerimento incalculável na rasteira bandeira cultural chamada mentalidade do ku-duro: para tocar nas mamas, para windeck, para espreitar por baixo do vestido, enfim.

Naquela época, o ajudante de carpinteiro vivia entusiasmo redobrado, um pouco por ter achado dicionário lá no serviço, velho, velho, como o amor, e que tinha a cor da madeira; outro pouco do entusiasmo devia-se à intensidade dos sentimentos, ou no mínimo ansiedade, num quase namoro. Porém, quando chegasse perto da rapariga, as palavras fugiam.

“Você me procura, mas não fala quase nada”, disse-lhe, entre o carinho e o protesto, a menina.

“Bem, minha bem-quista, é que quando te vejo, sinto… eh, no peito… algumas espingardas”.

A rapariga sorriu um pouco, para soar simpática. Era bem capaz de nunca ter ouvido falar em espingardas (já que a guerra em Angola foi feita com armas e armamento de verdade, não espingardazinhas).

Despediram-se com promessa de um breve encontro. Isso, digo eu, se as espingardas não explodissem no peito do rapaz. É que se uma já mataria, imaginemos várias explodindo no peito de alguém. Definitivamente, no amor é como na guerra.

Gociante Patissa 07.01.13 (crónica em construção)

domingo, 6 de janeiro de 2013

E as noites não contam?


Queixava-se de tudo, até do que ia (aos olhos de todo o mundo) impecavelmente. Os enfermeiros e a catalogadora andavam a ponto de se fartar de tanto queixume, sim, porque, a seu ver, a situação dela até não era nada, se comparada com outros casos. "Boa tarde, senhora, como está a nossa disposição, hoje?". Silêncio. Suspiro dorido. Um olhar à volta da sala, em jeito de denúncia. "Como estou, doutor? Como vou estar?", refilou. "É o que espero ouvir da nossa amiga", responde-lhe, sorridente, o profissional. "Está mal, doutor. É uma eternidade presa a esta cama, que a pessoa até já sonha com o pior". "Não seja por isso, minha cara", minimiza o médico, "é apenas uma perna engessada, quer dizer, seis dias de cama". "Seis dias de cama? Como assim?Ai, e as noites não contam?", protesta a paciente. "Pronto, são seis dias e noites"...

GP 06.01.12 (crónica em construção) 

PAPOS


- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto e "disseram-me". Não "me disseram".
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é "digo-te"? 
- O quê?
- Digo-te que você...
- O "te" e o "você" não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo e elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por que?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.

Luís Fernando Veríssimo, 2004, in «Comédias para se ler na escola». Projeto Democratização da Leitura, Brasil.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Actualização sobre laureados do Prémio Provincial de Cultura e Artes, organizado pela Direcção Provincial de Benguela da Cultura


Em acta datada de 11 de Dezembro de 2012, o júri do Prémio Provincial de Cultura e Artes de Benguela, constituído por Armindo Jaime Gomes, Eliezer João Teca, Joaquim Pedro Teixeira, Ngongo Adérito Borges Fançony e Maria Imaculada Pereira, deliberou entre outros o seguinte:

CATEGORIA DE LITERATURA: “Foi apurada a escritora ANA PAULA DE JESUS GOMES – PAULA RUSSA, autora de «Amigos para sempre», edição da União dos Escritores Angolanos, por mérito de ser a única em Benguela a experimentar a modalidade infanto-juvenil”.

CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS: “Foi apurado o escritor GOCIANTE PATISSA, pelo contributo na divulgação da língua local Umbundu, na perspectiva das tradições orais, através do conto e das novas tecnologias de comunicação e informação”.

Outros laureados são o músico Neves (Tiviné), na modalidade da canção, o pintor Edson Tadeu Bastos “Watela”, na modalidade de artes plásticas, grupo Watunga Dance da Catumbela, bem como o grupo promotor de maratonas de teatros, construído por Esteves Quina, Cincero Muntu, Neves e Walale.

Conforme o regulamento, cabe a cada laureado o valor de 700 mil kwanzas (7 mil USD). A cerimónia de entrega do prémio marcada para 8 de Janeiro, coincidindo com a comemoração do Dia da Cultura Nacional.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Achado algures no Facebook

É como diz o adágio Umbundu: "Cimboto tulemenla oku ywela, pwãi oku sonama kwaye mwenle" (Ao sapo pedimos apenas que não faça barulho. É nulo pedir que deixe de andar cócoras).

O QUE É E O QUE SE VÊ


O mudo vai à boleia num camião que leva troncos para a serração. Num dos solavancos, dois troncos entalam uma das pernas do mudo. O mudo grita, como pode. O motorista, condoído, pára ao primeiro sinal vertical de posto de saúde. Os enfermeiros dedicam à perna direita o tempo de massagem que os manuais um dia os ensinaram. Sem inchaço aparente, o camião segue a viagem, agora já num troço de asfalto irrepreensível. Entretanto, lá está outra vez o mudo a gritar. O motorista, outra vez atencioso, pergunta ao mudo o que se passa. O mudo indica a perna direita, a que fora massageada, mas tão logo indica a perna esquerda. Sempre fora a perna esquerda a vítima de entalo, só que o mudo dera para tratamento a direita… para ocultar talvez a gangrena.

Gociante Patissa, 2013 

"A Pedra"

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

De Olho na Linguagem: Sexa


- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" e masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa”?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.- Não. "A palavra' é feminino. Se fosse masculina seria "o pal..."
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática.

Luís Fernando Veríssimo, 2004, in «Comédias para se ler na escola». Projeto Democratização da Leitura, Brasil.

poesia de Pombal Maria: NÃO ESTOU ENGANADO

NÃO ESTOU ENGANADO

Vivi 1 aNO,
100 SemANas, MESes i DiaS.
1 Ano para ESqueCER,
NinguéM fez anos
Nem a filha do Sr. ENGano!
Eu PoDERIA até enGAnAR,
Fingir que os dias são seMAnas,
mEseS
& ANOs
Mas já o ANO asSiM
O Era
AntES do SR. ENGanO


(Pombal Maria), Luanda, partilhado a 1 Janeiro 2013
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No olho do fuzil


No ânus do ano
O cano
Não posso disparar
Há um engano.

(Pombal Maria) em Luanda, partilhado a 1 Janeiro 2013

Vigília de reveillon da Igreja Universal do Reino de Deus em Luanda registou acima de dez mortes e centena de feridos.

Texto da AngopCresce número de mortes em consequência da vigília "Dia do Fim" 

Luanda - O número de mortes resultante do trágico incidente que se verificou às portas da Cidadela Desportiva, em Luanda, por volta das 19H30 de segunda-feira, subiu de nove para dez, informou hoje (terça-feira), o porta-voz do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, Faustino Sebastião.

 O incidente ocorreu quando fieis se preparavam para aceder ao recinto do Estádio Nacional da Cidadela Desportiva, local que acolheu uma vigília da Igreja Universal do Reino de Deus, designada "Vigília da virada – Dia do Fim".

 Segundo o Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, das vítimas mortais seis são adultos e quatro crianças.

 O porta-voz afirmou que as mortes ocorreram em consequência de esmagamento e asfixia. Realçou que por altura do incidente estavam abertos dois dos quatro portões, num recinto que acolheu cerca de 70 mil pessoas. 

 Faustino Sebastião informou que 120 outras pessoas ficaram feridas na tragédia, estando 12 delas ainda internadas em unidades hospitalares da capital angolana, Luanda.

 Em declarações hoje à imprensa, o bispo-adjunto da Igreja Universal do Reino de Deus, em Angola, Ferner Batalha admitiu que o número de fiéis que esteve na cidadela excedeu a capacidade do recinto.

 "A nossa expectativa era ter 70 mil pessoas, mas foi de longe superada".