PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Artista plástico Miguel DaFranca expõe "DaFranca a Preto & Branco"



Luanda - "DaFranca a Preto & Branco" é o título da nova exposição individual do artista plástico Miguel Dafranca a estar patente de seis de Março a seis de Abril deste ano, no Instituto Camões, em Luanda.

Na amostra, que integra vinte obras de pintura, segundo o curador Benjamim Sabby, que falava hoje, terça-feira, à Angop, "Dafranca pensa o sonho, vive o pensamento e sonha a vida".
Sabby fez saber que é esta busca incessante por diferentes trilhos artísticos e novas abordagens plásticas para expressar o indescritível que levou o artista a condensar este conjunto de obras, concebidas na técnica mista com o acrílico e colagem sobre tela, em preto e branco.
DaFranca é também o autor da ilustração
de capa do livro de contos  A Última Ouvinte
Miguel Dafranca nasceu a 9 de Outubro de 1943, em Portalegre, Portugal. Conheceu Angola, em 1967 e aqui se radicou após a independência, tendo adquirido a nacionalidade angolana.
As suas obras estão representadas em várias colecções angolanas e portuguesas, bem como são referidas em várias publicações e artigos sobre arte moderna em Portugal.
Foi premiado em tempos idos com o primeiro prémio de pintura no XV Salão de Outubro no Estoril, Portugal. Participou em cerca de duas dezenas de exposições colectivas em Portugal.
Dafranca já foi seleccionado para a Primeira Retrospectiva de Arte Portuguesa Contemporânea, organizada pela Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa.
Fez parte do prémio Ensarte/2006, tendo a sua obra exposta e posteriormente adquirida pela Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA). Venceu igualmente o Grande Prémio de Pintura do Ensarte 2010.
Já expôs individualmente em Luanda com 26 pinturas e uma escultura no Salão Internacional de Exposições (SIEXPO), em Luanda.
Em Julho de 2009 apresentou uma exposição individual no Instituto Camões em Luanda.
Participou nas exposições colectivas da Coopearte, organizadas anualmente pela Galeria Celamar, bem como nas promovidas pela União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), de que é membro efectivo.
Tem obras suas que foram expostas na "Expo Shangai 2010" e na Trienal de Luanda.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O respeito pela propriedade intelectual alheia não é mesmo o forte de muitos angolanos que conhecemos bem informados. Na edição desta semana, na matéria sobre o carnaval, O Novo Jornal não se importou nem um pouco em "roubar" foto de minha autoria, publicada no Blog Angodebates. Assim, definitivamente, está demais!


A matéria da foto foi originalmente publicada no Blog Angodebates em 2008 http://angodebates.blogspot.com/2008/02/algumas-fotos-do-carnaval-provincial-em.html

Ministra da Cultura diz que Estatuto das Línguas Nacionais irá solidificar a sua valorização Ministra da Cultura diz que Estatuto das Línguas Nacionais irá solidificar a sua valorização

Luena – A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, assegurou, no Luena, que o futuro Estatuto das Línguas Nacionais, em vias de aprovação pelos órgãos competentes, irá solidificar a valorização e a importância das línguas nacionais existentes em Angola.

Texto da Angop 25-02-2012 22:00
Falando no acto de lançamento do dicionário da língua Cokwe, versão Cokwe-Português e Português-Cokwe, da autoria do padre Adriano Correia Barbosa, Rosa Cruz e Silva disse que além do referido estatuto, o sector continua a trabalhar para prestar maior atenção ao processo de valorização das línguas nacionais. 
 
Para a ministra, um dicionário serve de instrumento valioso não só para os locutores, mas também para os que querem e devem aprender a língua e servirá para a novas gerações, por isso, encorajou os escritores a publicarem mais bibliografia de línguas nacionais com celeridade e regularidade.
 
Rosa Cruz e Silva reconheceu as vantagens que o dicionário Cokwe trará para os falantes da língua, visto que ao longo dos anos pouco se fez para o engrandecimento da cultura desta língua, pois boa parte dos investigadores centraram-se na problemática social e antropológica e não na controversa linguística.
 
Por sua vez, o vice-governador para a esfera Económica do Moxico, Francisco Kambango, disse que a província possui um mosaico etnolinguístico diversificado, traduzido na rica expressão e vivência cultural do seu povo, que falando várias línguas, entre elas o Cokwe, Luvale, Mbunda, Luchaji e Umbundu, evidenciando de forma notória a simbiose dos valores morais, uso e costumes dos seus habitantes, constituídos num manancial de conhecimentos seculares.
 
Para o responsável, o lançamento do dicionário Cokwe-Português e Português-Cokwe, nesta província tem um significado especial, por simbolizar a importância que a Diocese do Luena dedica as línguas nacionais, cujo instrumento de transmissão da cultura dos povos, no caso particular do Cokwe é “extremamente” importante.
 
“Sobre esta obra e seu autor vem uma curiosidade, que me faz lembrar os anos 1972 e 1973, eu e alguns companheiros que estão presentes nesta cidade, éramos professores da Escola da Missão Católica do Léua, onde o autor era o seu responsável e dedicava-se de forma abnegada, sem medir sacrifícios, na recolha de vários textos orais em Cokwe”, disse o igualmente responsável da associação Cristã dos Dirigentes e Gestores da Diocese do Luena (ACDG).
 
A cerimónia de lançamento dos dicionários Cokwe-Português e Português-Cokwe aconteceu foi presidida pelo ministro da Educação, Mpinda Simão, e testemunhada pela sua homóloga da Cultura, Rosa Cruz e Silva, pelo governador provincial, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, membros do governo local, magistrados do Ministério Público e Judicial, deputados, académicos, autoridades religiosas e tradicionais, entre outras individualidades.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ser ou não ser referenciada a fonte: uma questão de educação para a cidadania entre a literatura e as artes cénicas

Fiquei contente ao notar que o meu poema "Sonhos de rua" inspirou peça teatral, em Luanda,  e sobretudo porque as receitas arrecadadas serviram para apoiar um centro de abrigo para crianças desfavorecidas. Entretanto, não tardou a tristeza. É que, apesar de tudo, o grupo não se lembrou de referenciar em que se inspirou. Detalhe apenas?

Eis o poema, divulgado também aqui no Blog Angodebates, originalmente publicado no meu poemário de estreia, Consulado do Vazio, KAT consultoria e empreendimentos, Julho 2008)

No dia de São Valentim
vou apanhar flores
e guardá-las bem perto de mim
debaixo do meu banco de jardim
e tenho a certeza de que logo à noite
a morena miss dos meus sonhos
a sua prenda virá reclamar
sou criança de rua
mas tenho o sonho
na conta do que a sorte me negar.

A notícia publicada pela Angop no dia 16 de Junho de 2011 diz:

19-06-2011 7:10 Representação
Njila apresenta peça teatral Sonhos de Rua 
Luanda – O grupo teatral Njila vai exibir dia 23, no auditório Njinga Mbandi, em Luanda, a peça intitulada “Sonhos de Rua”, que retrata o sofrimento e o sonho dos meninos da artéria. Em declarações à Angop, o director do grupo Waldemar Francisco disse que o espectáculo teatral é de beneficência para as crianças do Lar Kuzola e dos meninos de rua.  “Os valores monetários que vamos arrecadar no espectáculo teatral e musical iremos comprar vestuários, calçados e lençóis para levarmos no Lar Kuzola e a outra parte ofereceremos aos meninos que se encontram nas ruas da cidade capital”, frisou. Segundo o músico Waldemar Francisco, é uma enorme satisfação ajudar estas crianças abandonadas que necessitam de muito carinho e amor para poderem ultrapassar as dificuldades do dia-a-dia. Disse ser importante que outros artistas façam acções do género, para contribuírem para a melhoria da dieta alimentar destes menores. Acrescentou ser necessário confortar estas crianças carenciadas para reduzir o sofrimento dos mesmos e proporcioná-los um futuro promissor.


Não parecem restar dúvidas de como não é só coincidência o que há entre o tema/contexto/personagem do poema e a peça teatral. Será portanto de compreender a tristeza que me ocorreu ao notar que o grupo revela uma necessidade urgente de se repensar a noção da cidadania nas artes. Citar a fonte de inspiração da peça teatral não é tão irrelevante como vem parecendo quando se trata de textos de escritores menos famosos, nem tornaria os actores menos talentosos.

Gociante Patissa, Fevereiro 2012.

Crónica: Cultura geral de bar

Estou desde as 9h30 no Alfa, restaurante à beira-mar na restinga do Lobito, num dia bwé produtivo no crônico trabalho da monografia. A mesa atrás de mim é que parece amaldiçoada. 

primeiro, num Nissan Armada veio um casal (mulher bonita e devidamente sensual, bela de se apreciar), mas com uma monotonia e tanto na conversa (comandada pelo "amor"), em tom de radialista, basicamente girando em torno do que podia ou não custear dos restaurantes caros e tal. Uma das passagens: "A Unitel anda a roubar saldo ou quê? (...) Tu é que mais me gastas o saldo, vou passar a te castigar, não te pago mais", e tal. "Tens que passar a ter mais iniciativas, sugerir mais, tipo, "mor hoje quero comer isso, vamos ao restaurante X"...

Algum tempo depois, chegava uma jovem moça, bonita, juraria que a conheço de algum lado - do aeroporto, se calhar - mãe de dois rapazes. A conversa gira em torno de "volta, vou-te chapar". Fulano, "cala-te!" Eu vou almoçar e se, na brincadeira, quando eu acabar, não tiverem comido, vocês vão a fome".

Já mesmo no princípio dass 14h00, digo, neste momento, estão uns jovens muito bem informados do Showbizz americano, ao ponto de partilharem, excitados, as conquistas do mundo RAP. Foi graças a eles que fiquei a saber de um clip onde o artista aparece com maçarico em punho a danificar um carro luxuoso e novo. Ah, para não pensares que acabou, fala-se também da virtude do cantor que produz chuva de notas de dólares que atira do palco, isso, sem ignorar o altruismo daqueles "irmãos" nossos idos para as américas à época da escravatura: roupas que custam milhões são atiradas aos fãs. E para acabar de vez com a minha ignorância (sem ser da parte deles intencional, até porque nem se lembram que estou a metro e mio deles e com monte de livros sobre a mesa), um cunclui: "na terra deles, só há mesmo um tipo de dinheiro, O DÓLAR". Sim, senhor!!!

Gociante Patissa, Lobito, 25 Fevereiro 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Opinião: "A imbecilização do país pelo Kuduro"

Texto do Semanário Angolense, 18/02/2012, da autoria de Kajim Ban-Gala.

Não sei se os subscrito­res da DSTV «topa­ram» a pretensão en­capotada da TV Globo em Angola, mas, há duas semanas mais ou menos, que um preten­sioso anúncio foi enviado para os «mails» dos clientes. O anúncio é ele próprio pretensiosíssimo. Pre­tende convocar os subscritores angolanos a dizerem uma parvo­íce favorável à DSTV e, em troca, ganhar uma prenda.

Diz-se que a fruta podre (como o pretensioso) nunca cai longe da árvore. Isto é: o pretensioso nunca se afasta das suas pretensões, a não ser que a sua pretensão apodreça e isso é o que acontece quase sempre. Já não bastava o pacote senil «pay-per- viw» que a DSTV oferece hoje em dia aos seus subscritores.

É de todo, ou quase no todo, uma plataforma repetidora que repete os mesmos conteúdos, pas­se o pleonasmo. Basta ver, caro leitor, os canais de cinema: um festival senil de repetição de pe­lículas antigas, já arquivadas em todos os países que as realizaram. Encarados que somos como de­pósito de velharias já descartadas noutros cantos do planeta, aceita­mos a condição de aterro do lixo televisivo.

A subjugação cultural do nos­so país pelas culturas alheias é um facto preocupante. Veja-se um caso: a TV Globo, que, numa atitude de colonialismo cultural aberto e insultuoso, repete «ene» vezes os mesmos produtos nove­lísticos e séries, há mais de três anos ou mais. As suas novelas pa­recem histórias escritas e vividas por pessoas que nada têm a ver com o Brasil real. Mais parecem histórias ocorridas num qualquer país nórdico.

A propósito de um episódio em que um participante negro do «Big Brother Brasil» foi acusado de «ngombelar» outra participan­te, branca, até as autoridades bra­sileiras questionaram a concessão e a idoneidade da Globo para ope­rar em televisão aberta. Enquan­to isso, em Angola, a pretensiosa DSTV pretende endeusá-la.

Um país, como o nosso, que consome por junto e atacado o ra­cismo cultural da TV Globo e ao mesmo tempo entroniza na sua escala de valores musicais o Ku­duro, pode esperar por um futuro culturalmente risonho. Por exem­plo, a pretensão do movimento nacional do «i love kuduro» vai além de um mero pretensiosismo: culmina na convicção de que esse género musical que se dança de forma «aparatosamente apalha­çada» e cantado com letras in­decentes e indecorosas, é o traço musico-cultural mais notório do nosso país.

Há uns dias atrás, o jovem can­tor Koréon Dú congratulava-se no Canal 1 do TPA com os «bifes» que os kuduristas se distribuem em plena luz do dia e fora do Carna­val. Mas a pretensão de elevar este estilo musical (não sei dizer: na verdade, vejo que os estrangeiros pensam tratar-se de um valor exó­tico, algo inusitado, fora do con­texto cultural africano) teve nele um arauto. Quis estabelecer um paralelismo com os «bifes» que os kotas mandavam para os seus ho­mólogos dos grupos carnavalescos de antigamente.

Mas, quem se achar pretensioso o suficiente e quiser provar os «bi­fes» do Kuduro, experimente «tra­gar» a matéria escrita por Romão Brandão (SA, 11/02/2011, pág.40). É a nossa falta de pertença à nossa cultura ou culturas inter-étnicas, que fará com que a pretensão pre­tensiosa do Kuduro avance.

Refiro-me, portanto, à nossa desistência do Semba, da Ndjim­ba, do Katembe, entre outros. Convém interpelar as nossas consciências a respeito do futuro dessa juventude kudurista e mais do que isso, «kudurizada». P’ra quê maratona do saber? Maratona é a da conhecida cervejeira: «é só mijar, sussa!».

A juventude angolana «kudu­rizada» tornou-se pretensiosa tal como a DSTV, porque percebem que actuam num país sem orien­tação cultural. Um país falho de bons exemplos. O facto de o Ku­duro aparecer sempre associado a drogas, distúrbios da ordem pú­blica e consumo avarento do ál­cool não desperta as autoridades.

Assistir, diariamente, os jovens alienarem-se sob a influência do «carro-chefe» da alienação, o Ku­duro, faz dó. Onde e quando se montam os potentes decibéis de Kuduro, o resultado é sempre o mesmo: a perturbação do sossego colectivo. Os jovens que optam por empregar o seu tempo a estu­dar têm que se mudar de lugar.

Aqui se percebe que as sôfregas mensagens das autoridades so­bre a necessidade de incutir nos jovens a cultura nacional, a mo­ral, a ética social, e a preservação dos bons costumes, não-violência contra a mulher, etc, é para ser lida no sentido contrário. Como por exemplo: cultivem a desbun­da a torto e a direito, perturbem o mais que puderem a paz social de quem vos rodeia, incendeiem a violência doméstica contra a mu­lher, embebedem-se sem parar, e depois disso, mijem em qualquer parede
Os mais velhos do Carnaval daqueles tempos cultivavam a de­cência vernacular, e não vendiam «bifes» malcheirosos ou sangren­tos, como agora o kuduro vende. Espremidas certas letras do Kudu­ro, só sai sangue, pornografia, in­citamento ao desafio da autorida­de policial, desrespeito à mulher, etc. Antigamente os «bifes» eram suculentos. Como este: «Kela ua zueló Cabocomeu tujioluaape­sar tujiolua, mas tu zuata kia mbo­te», que era um saudável «bife» dos mestres carnavalescos do his­tórico Sambizanga.

Texto do Semanário Angolense, 18/02/2012, da autoria de Kajim Ban-Gala.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

«Balada dos Homens que Sonham», nas livrarias a partir de quinta-feira, com edição do Clube do Autor, reúne alguns dos principais nomes da literatura angolana. A obra será apresentada no próximo dia 22 de Fevereiro, pelas 22h00, no Hotel Axis Vermar (Póvoa de Varzim), no âmbito da 13º edição do Correntes d’ Escritas.

«Ondjaki, José Eduardo Agualusa, Frederico Nini e Timóteo Ulika são apenas alguns dos autores presentes nesta breve antologia do conto angolano. Os textos aqui reunidos, 22 no total, revelam uma Angola por vezes desconhecida, quase sempre inspiradora, alegre, viva e cheia de talento.
Organizado por António Quino, «Balada dos Homens que Sonham» nasceu do interesse da União dos Escritores Angolanos em promover mais a literatura angolana a nível internacional.
Segundo o coordenador, o livro foi organizado com o objectivo de condensar textos literários em prosa, iniciando um volume de textos de autores que se tenham revelado ou publicado entre 1980 e 2010, e cujo teor expresse interesse, contexto, realidade, consciência colectiva, escolhas estéticas e temáticas de Angola e dos angolanos.
«A escala dos contistas foi disposta numa hierarquia que obedece à data dos seus nascimentos», esclarece António Quino. «Assim, iniciámos com os contos dos autores mais velhos e terminámos com os dois mais novos, criando uma espécie de pico que tem no cimo memórias mais distanciadas do presente e, na ponta, um presente menos pretérito. Aqui reside um dos substratos dos contos dos «catorze apóstolos» presentes nesta antologia. Um silêncio que fala e convoca o leitor, pois muito fica por ser dito na incompletude das formas, ideias e coisas muito directas dos verbos exprimir e comunicar»
Nota do Angodebates: Gociante Patissa (1978) é o mais novo entre os autores nesta antologia e participa com dois contos, nomeadamente, "A Última Ouvinte" e "Um Natal com a Avó".

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Acho que os angolanos, entenda-se novos autores, os da minha geração, têm que tirar da cabeça essa "febre" do show de declamar como forma de afirmação enquanto escritores/poetas. De nada valem o espernear e os "orgasmos" quando o texto é fraco. É no ponto de partida que está o segredo. Primeiro o trabalho, depois a mediatização. Digo eu.

Canto dos novos poetas e o parto difícil da nação

O poeta José Luís Mendonça
 é das vozes mais importantes
da poesia angolana após
 a Independência
Com a proclamação da Independência, a 11 de Novembro de 1975, houve um “boom” cultural, educacional e literário. Uma vaga de escritores emerge com o novo país independente, nos meados dos anos 80, através da Brigada Jovem de Literatura. São jovens oriundos dos liceus e da universidade, como de resto ocorre com a maior parte dos escritores das gerações literárias anteriores e dos restantes países africanos de língua portuguesa.

A utilidade desta geração do após independência pode ser aferida em função do impulso que dá à literatura angolana, bebendo da sua rica tradição criativa. A literatura angolana, objectivada como textos e autores, sofreu nos últimos 36 anos um impulso decisivo e é uma das literaturas mais antigas do continente, a par da da Serra Leoa, por exemplo, cuja primeira elite literária vem do Fourbay College, nos finais do século XIX.
Como é sobejamente sabido, a literatura enquanto instituição deriva do sistema escolar e da imprensa, sem prejuízo do imaginário nacional e da relação entre autores e público. Essa elite literária angolana publicou muitos trabalhos na página “Vida & Cultura” do Jornal de Angola.
Mas alguns anos antes foi publicada a primeira antologia depois da independência, por antigos presidiários de São Nicolau: Kolokota, Kangija e Ulika. Entre estes apenas um sobreviveu ao parto doloroso da nação.
Em Julho 1985 foi proclamada a Brigada Jovem de Literatura (BJL). Entre os seus animadores estão António Fonseca, São Vicente, Carlos Ferreira, Lopito Feijó, Irene Neto, Fernando Couto ou Victor Jorge. Entre estes, são raros os poetas que conseguem publicar os seus poemas, textos de ficção narrativa e ensaios na revista ou antologia “Aspiração”. Só muito mais tarde conseguiram publicar os seus títulos de estreia, por via da União dos Escritores Angolanos.



A BJL publicou três edições da sua revista “Aspiração", inspirada no poema homónimo de Agostinho Neto. 
Os aspirantes a escritor querem brigar como formadores de consciências em busca da sua afirmação individual e geracional. Brigam e fincam o pé no chão da terra que os viu nascer e medrar para a vida, inspirados nos poetas da “Mensagem” e da “Cultura” ou da “Guerrilha” e do “Silêncio”, bebendo de outras leituras que lhes vêm parar às mãos, entremeada com a literatura marxista, que fazia época. Os autores do velho mundo, como Garcia Lorca, Bertholt Brecht, são referências. Os latino-americanos do realismo mágico idem, Jorge Amado, também. Tal como Luandino Vieira bebeu de Graciliano Ramos e os mensageiros do neo-realismo e dos (demais) nordestinos brasileiros. 
Em 1986 surge a tendência estética Onhandanji, como atestava a sua vinheta, inspirados no valor simbólico da pedra e da riqueza plástica da cultura africana e nos artefactos da linguagem visual. Resgatam o experimentalismo já explorado na tradição literária angolana por poetas como António Jacinto, mas pensam também nos irmãos Campos do Brasil ou num Conde Lautreamont ou mesmo num Humberto Eco. O paladino dessa tendência estética eliterária é Luís Kandjimbo, secundado pelo poeta e crítico literário Lopito Feijó. Esta tendência contou com o apoio decisivo de Ruy Duarte de Carvalho, poeta dos “Sinais Misteriosos Já Se Vê” (uma referência obrigatória dessa nova postura). Dessa época destaque para Joca Paixão,o falecido Ginginha e o poeta António Panguila.


Revista Archote e os cantalutistas



Em 1986 surge a revista “Archote”. O autor destas linhas colaborou no seu terceiro número, em 1987. O seu principal animador era E. Bonavena. Faziam parte dessa tertúlia, que coabitava com o grupo musical e poético Os Kiximbulas, Doriana, Emanuel do Nascimento, Sande, João Faria e outros. Ao quinto número da revista, Luandino Vieira, então secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, chamou a si a edição da revista e passou a ser impressa na Lito Tipo. 
Ainda nos anos 80, os poetas Jose Luis Mendonça e João Maimona, que militava na Brigada Jovem de Literatura “Alda Alda”, no Huambo, ganham o Prémio Sagrada Esperança, nas duas primeiras edições. O INALD publica os seus livros de estreia, “Chuva Novembrina” e “Trajectória Obliterarda”. 
Por essa altura, surge também o título de estreia de João Melo, “Definição”. Antes surgiram outros títulos nos Cadernos Lavra & Oficina da UEA. Carlos fFerreira foi o primeiro a inaugurar a colecção. Depois seguiram-se outros livros: “Doutrina”, de Lopito Feijo, e “Lenda do Chá”, de Rui Augusto, que depois publicou ”Amor Civil”. 
O “boom” dá-se nos anos 90: alguns dos novos aspirantes a autores recorrem a patrocínioss e a fundos próprios para fazer ouvir a sua voz poética, contra as tentativas frustradas do seu clamor ecoar no deserto. 
Com o espaço editorial a meio gás e num ambiente de quase ausência de crítica literária, dá-se lugar à mediocridade e mesmo ao simples panfleto que não chega a ser poético. A par dos bons poetas, também surgem os chamados “cantalutistas”, mais preocupados com a mensagem do que com a forma. Os formalistas, a par dos diletantes, também abundam, fugindo à abordagem literária do quotidiano. 
Alguns autores desencantados, velhos e novos, esquivam-se no amor. Este tema mobiliza a contestação dos críticos e ensaístas mais argutos da praça, indignados com o facto dos poetas passarem ao largo da virulência do tecido social, que não pode ser escamoteada, nem negligenciada muito menos omitida pelos mais bem-intencionados de que o inferno anda cheio.



A arte da palavra



O país exangue, mergulhado numa guerra atroz, exige mais. Os poetas que procuram o equilíbrio entre forma e conteúdo, preenchem o círculo de uma luz no fundo do túnel, anunciando um novo ciclo de renovação temática e estética na literatura angolana, rompendo com outras dinâmicas criativas, ainda que titubeantes.
António Gonçalves dá o ar da sua graça em 1994, com “Gemido da Pedra”. Outros tantos não estão alheios ao novo contexto. Nesta perspectiva, assiste-se a um novo “boom”editorial, já sem o peso do anterior, mas que marcou uma fase interessante da nossa história cultural recente. Autores antes nunca publicados em livro saem do casulo, nalguns casos com o apoio de mecenas. Outros tantos entregam-se à edição de autor com meios próprios. Inscrevem-se nessa perspectiva Flas Ndombe, António Panguila, Kafuqueno ou Frederico Ningui. 
Os jovens são acusados de só cultivarem a poesia, por ser o mais fácil dos géneros, desconhecedores do grau de exigência e o rigor intelectual que o fazer literário, com o particular realce para o labor que a arte da palavra, por excelência - a poesia – impõe a todo o tempo.
Os prosadores são raros, mas temos Sílvio Peixoto, cronista de fibra, falecido prematuramente num acidente aéreo. Lá se foi o polemista agressivo e bem-falante! Entre prosadores ainda temos Jacinto de Lemos, com “Undengue”, Roderick Nehone, do “Ano do Cão” e a romancista Rosária da Silva, com a celebrada “Totonya”.
Nos últimos anos, a par da consolidação deste legado literário que já é secular, o valor acrescentado da actividade ficcional e poética dos novos autores, afirma-se, reafirma-se e firma-se no meio de um novo surto. Este de maus poetas. O défice que muitas dessas obras acusam em termos de qualidade, publicadas pelos mais novos dos anos 2000/2010, revela as limitações de vária ordem que os “novos aventureiros” da arte de escrever enfrentam, a par da falta de leitura aturada e o deficiente conhecimento da língua portuguesa.  
Ainda estamos longe de ver emergir uma nova geração de poetas de qualidade literária reconhecida como nos finais dos anos 80 e princípios dos 90.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O sono é essa outra loucura de apagar as luzes, como se ao acendê-las, amanhã, a manhã as fosse renovar. E a manivela gira que gira, quase sempre no mesmo raio. É o que digo.

A cantora Whitney Houston foi encontrada morta em Los Angels, aos 48 anos de idade. Triste fim de uma estrela que marcou a muitos.



Em 1997, no Lobito, quando frequentava o curso de pedreiro de construção civil pelo IED (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento), ONG financiada pela União Europeia, fomos "forçados" a ver o filme "The body guard", como forma de preencher a lacuna da palestra"/seminário que não se podia realizar. No final, acabei gostando do filme. Grande Whitney!

Se valesse a pena diríamos que as drogas são ilusão a curto prazo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Acabado de chegar À casa, tranco por engano o feixe de chaves da casa na ignição do carro. São 22h50 e não tenho como entrar, e os mosquitos não poupam as pernas. Um amigo vem a caminho pra me dar, em 30 minutos, suas cópias das chaves da minha casa. Mas... e se não aparecer a chave alternativa do carro, é outra maçada. Mas não tem makas, uma solução de cada vez rsrsrs.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Se eu tivesse de indicar os títulos mais chamativos para a capa de um livro, com certeza no topo estaria "Autópsia de um Mar de Ruínas". É muita metáfora junta!!!

O autor é português e chama-se João de Melo.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Poemas do meu dorso: "Quadra cinza"

Quadra cinza

Estranhas meus poros indignados
E eu estranho que tal contestes
quando fui dos dardos lançados
ilustre balão de testes.

Gociante Patissa, Fevereiro 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Lançado livro sobre comunidade Ngangela


Menongue (Angop) – O livro “A Pérola Etno-antropológica dos Ngangelas”, de autoria de Bernardo Kativa, foi lançado, nesta quinta-feira, na Direcção Provincial da Cultura, em Menongue, província do Kuando Kubango.
 
Com nove capítulos, a obra fala da localização geográfica dos Ngangelas na era das fontes históricas, do estudo etnográfico dos Ngangelas, da vida sócio-cultural do povo Ngangela, do casamento inter-cultural e o perfil dos Ngangelas.
 
Fala ainda da psicologia dimensional do povo Ngangela, do enigma da morte, da sabedoria do povo e do tríptico folclórico inter-cultural.
 
Segundo o autor do livro, o objectivo fundamental da publicação foi exactamente a recuperação dos valores sócio-culturais do povo Ngangela, em particular, e do povo angolano em geral.
 
De acordo com Bernardo Kativa, que falava à Angop, o material foi preparado durante sete anos, tendo sido patrocinada pelo Governo da Província do Kuando Kubango, pelo Ministério da Cultura e por pessoas singulares.
 
Disse terem sido editados trezentos e dez exemplares, contra mil inicialmente preconizados, ao que prometeu a reimpressão dos restantes, desde que consiga apoios para o efeito.
 
Constou do programa da cerimónia de lançamento a intervenção do director da Cultura no Kuando Kubango, Luís Paulo Vissunju, o discurso do governador da província do Kuando Kubango, Eusébio de Brito Teixeira, a que se seguiu a sessão de venda de livros.
 
Ao intervir, o governador agradeceu ao autor pela obra e encorajo-o a prosseguir na mesma carreira, tendo desafiado os demais jovens da província a seguirem o mesmo exemplo, em diversos campos do  saber.
 
Além do governante, estiveram presentes na cerimónia o vice-governador para a área técnica, Simão Baptista, o comandante da Polícia Nacional, Tomé Laureano Neto, membros do governo da província, representantes dos partidos políticos, entidades religiosas e autoridades tradicionais.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ontem, um senhor (que conheço), ao passar à porta de um bar, abordou outro (que conheço de cara) para que lhe desse um cigarro do maço (azul e de produção tradicional benguelense) que começava a abrir. "Aí dentro estão a vender, vai comprar os teus cigarros!" Lição: o tabaco não produz irmandade sempre. É que desde cedo, a gente absorve de senso comum a noção de solidariedade que há entre os fumadores. De sorte que um maluco pode pedir cigarro a qualquer ser humano, lhe será dado. Em Angola é visão comum. Verdade ou não?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Crónica: Publicidade não tem hora nem idade certa

Riram-se dele, como nunca se devia rir às custas de ninguém. Ele, a muito custo, não soltou disparate algum.

E foram-se rindo, que até parecia nunca mais terminar. Ele, só raiva no peito. Era um dia com tudo a correr muito bem no quintal. Os mais-velhos, como sempre para celebrar a vida, andavam embalados naquele dialéctico lamentar por isto e aquilo, ladainhas que retiram do foco qualquer mais-novo ali presente. Não é que um olhar fora de mão foi logo espreitar pelo intervalo entre a carne e o tecido dos calções do rapaz?! Pronto, acabou vendo o que não esperava. Lá estava o que devia estar, e o que não devia também. Uma camisinha envolvendo o instrumento do menino de oito anos apenas. Não se via bem com que adereço mais se prendia o insólito, dada a diferença cronológica entre os diâmetros do homem e da borracha. Mas, também, até aí, não é olhar demais?

"Use a camisinha", vive repetindo a máquina da propaganda, muitas vezes lacónica demais para se lembrar de dizer como e quando. "Use". A publicidade não tem hora nem idade certa. Logo, por quê a chacota, se o rapaz estava apenas a usar como muitas vezes ouve? Para os demais, era com certeza uma iniciativa precipitada e longe do previsto pela máquina da propaganda. Perguntar, que é bom, nada. Talvez com algum tabu implícito. Só depois de se cansarem de tanta consumição, se aperceberam que não se tratava de brincadeira, antes, de uma solução para não fazer xixi na cama. 

Quer dizer, se um gajo faz xixi na cama, riem-se. Se passa dia e noite com camisinha, como forma de evitar os raspanetes, riem-se. É chato ser-se puto, não é?!

Gociante Patissa
Bairro da Santa-Cruz, Lobito 1 Fevereiro 2012