PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 25 de dezembro de 2011

Uma quadra festiva mais segura nas estradas. Obrigado, senhores enfermeiros, agentes de trânsito e todos quantos se vêm forçados a abdicar do convívio familiar em prol do bem-estar colectivo

A Polícia Nacional e o Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola destacaram homens e ambulâncias ao longo das principais rodovias na província de Benguela, aliando a mensagem de prevenção à capacidade de resposta em caso de ocorrência da sinistralidade. O Blogue Angodebates constatou isso mesmo, no passado dia 23/12, na comuna do Culango (onde a estrada nacional nº 100 ganha desvio em forma de V para Luanda e o centro-leste do país). Havia também uma equipa nas imediações do bairro da Santa-Cruz, na fronteira com a Catumbela. Já guiando para o Sul, no dia seguinte, encontramos outro "dispositivo" entre Catengue e a Talama-Njamba, conforme a foto acima ilustra.

As ambulâncias do INEMA, geralmente criticadas por alegado excessivo elitismo, já que se dão mais a ver em eventos oficiais do que no dia-a-dia, terão contribuído certamente para o êxito da operação quando se fizer o balanço. 

Obrigado, senhores enfermeiros, agentes reguladores de trânsito e todos quantos se vêm forçados a abdicar dessa tão especial época do ano em prol do bem-estar colectivo.

Gociante Patissa



sábado, 24 de dezembro de 2011

George Michael- One More Try

Uma vez na vida "queimei" o rádio-cassete do meu pai, um que trouxera da Administração Comunal da Kalahanga, da qual ele era o cabeça. Isso foi em 1991, tinha eu 13 anitos. Tocava esta música quando a energia eléctrica foi, e rapidamente desliguei a ficha para ouvi-la até ao fim a pilhas. Quando a energia voltou, por uma falha de ajuste, o transformador ficou danificado. Blame it on George Michel, ou então, já que é Natal, vamos dar-lhe "Just one ore try".

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Conto: Um natal com a avó, In «A Última Ouvinte», UEA&Gociante Patissa, 2010


Velha-Mbali encontrava-se a repousar no cadeirão da varanda desde a sua chegada. Confundiam-se, no bocejar, os solavancos da viagem e os restos do sono de quem madrugou para apanhar o primeiro autocarro intermunicipal da SGO. As pausas prolongadas e a economia de palavras eram parte da recuperação do efeito dos vómitos. A anciã teve o incómodo já previsível de usar saco plástico para lançar, foram três vezes nesta viagem de setenta quilómetros para ser mais preciso, uma fatalidade que decerto não será digerida nesta encarnação.

Qual sino de boas-vindas, o efeito acústico resultante do atrito entre a loiça e os talheres, enquanto punham a mesa, lisonjeava os ouvidos da hóspede. Chegava também com agrado a fumaça do peixe na grelha, que era a segunda paixão que Velha-Mbali guardava da cidade depois da família.

Velha-Mbali herdou da mãe uma beleza que compensava a estatura baixa do lado paterno. O rosto era a única vitrina para se lhe ver a pele semi-flácida, obra da idade. Usava panos compridos, de arrastar o chão, como manda a tradição. Os cabelos, maioritariamente brancos, salientavam a ligação entre o lenço e o quimone, ambos de tecido azulescuro de pintas brancas. A sorte de nascer imune à cárie era responsável pela capacidade de competir com os netos em matérias de mastigar, fosse o que fosse. Como é claro, empatava também na hora de palitar.

E enquanto a deixavam descansar sob a sombra da trepadeira, aguardava pelo almoço, calada, mas sempre atenta ao mínimo movimento no quintal. Era esta última a característica que os netos maisgostavam nela: ser fértil em análises dramáticas das makas da sua gente.

A fadiga da viagem não duraria muito, cedo seria suplantada pela emoção de rever os netos, agora bem crescidinhos. Bálsamo mais milagroso do que isso seria, aliás, impossível. Sentia-se inclusive rejuvenescida ao ver a neta caçula, sua chará por sinal, com mais de dez anos. E isso era suficiente para se dar conta da longa ausência na vida dos seus entes, pelo menos fisicamente. Mas para além do desconforto com as viagens por estrada, infelizmente a única via, Velha-Mbali considerava improcedente o convite de viver a beira-mar. E exigia que se respeitasse a sua posição, vontade que resultara com os adultos, mas não com os netos, que eternizavam o debate.
— Ó avó — rompeu o silêncio Waldemar, o primogénito —, a avó veio para ficar já, não?
— Não, kanekulu… Avó vem comer só natal!

E a conversa ainda continuou após o almoço. Para convencer Velha-Mbali a optar por uma vida mais relaxada, os netos esgotaram todos os argumentos de vantagem da cidade sobre o campo. Ao fim de várias horas de debate, por sua vez carregado de mimos no colo e paternalismos de vária ordem, sentenciou Velha-Mbali:
— Omwenyo Okulima, olohombo ovyo vilia opapelo.[1]
.
Convencidos de que a sua forma de ver a vida era a mais acertada, os netos matavam-se de rir aos exageros da avó que, por sua vez, também se divertia rindo, com agradável malícia, da ingenuidade deles. Mal cabia na cabeça da anciã que alguém maior de doze anos viva dependente dos pais, quando no campo seria capaz de gerir a sua própria lavrinha. Os netos, ajudados pelos pais, chegaram ainda a sugerir que, como meio-termo, a avó passasse também o reveillon. Mas ela era boa a refilar:
— O quê?! Se dia da família é dois dias após o natal, o ano novo é como?!

Era propositado o trocadilho, pois que lhe custava digerir as ausências dos chefes do lar, que andavam de prevenção, o pai na marinha e a mãe no controlo aéreo da aviação civil, só regressando ao lar no dia 27 de Dezembro. E no dia da partida, houve mais alegria do que tristeza. Com a presença da avó, o natal daquele ano foi diferente.

Todas as vezes que veio à cidade, Velha-Mbali se deparou com deselegantes surpresas, mas a desta vez, batia seguramente todos os recordes. A anciã chegou mesmo a tossir de choque ao cruzar com miúdo de doze anos apenas, não mais do que isso, girando a cidade para cima e para baixo com cuecas e sutiãs de mulher adulta no ombro a gritar: «arreou, arreou no negócio, é a última zunga do ano!!!»

E como a ousadia é a alma do negócio na zunga, o rapaz abordou-a insistentemente, para não dizer chatamente:
— Minha mamoite[2], arreou na tanga; olha “mónica”; táqui surtião… Velha-Mbali ainda tentou fingir indiferença, mas não aguentou.

Arremessou, com toda a violência, o galo de raça contra a cabeça do adolescente:
— Vai faltar respeito na tua mãe, que não te deu educação!!!

O zungueiro, que nunca vira tão intempestiva reação de potencial cliente, logo uma “mamoite”, meteu-se a correr. E no máximo da sua quilometragem!

E devia ter uma cabeça muito rija mesmo, o zungueiro, já que o impacto da pancada fez rebentar a corda que imobilizava as patas do galo. Este, que não imaginava as fêmeas que por ele esperavam para reprodução lá no kimbo, meteu-se em fuga no frenético trânsito urbano em hora de ponta. Era ver o desespero da anciã diante do risco de perder o animal. Isso é que nunca! Eis que arregaçou o espírito, e lá ia atrás do galo, ela que também já não tinha lá muita juventude nas pernas. De repente… — puapualakatá, pumbas! — acabava de ser atropelada por um kupapata, que vinha em sentido contrário.
— Netele, a njali, ndakapele okuteta onimbu[3]
— Amõla wange, watopa muele cokuti vetapalo omo oteta onimbu?![4]
— Vangecele, mamã[5]… — suplicava o kupapata, enquanto se levantava do chão e inventariava os danos.
— Mbi cakulimba okuti olikondakonda opitaela?![6]

O kupapata de imediato ligou para o serviço de bombeiros, que localizou a família e levaram Velha-Mbali ao banco de urgência. Algumas horas mais tarde, estava aplicado o gesso. O kupapata tinha muitos danos, a começar mesmo pela compra de outro galo de raça — regressar de mãos a abanar é que Velha-Mbali não aceitava de modo algum!

Conscientes de que o pior havia passado, os netos partilharam com a avó a alegria de saber que, finalmente, passariam juntos o reveillon. E a velha ainda conseguia fazer troça da própria perna engessada:
— A maka é que na cidade metem perna branca!!!

Gociante Patissa, in «A Última Ouvinte», UEA&Gociante Patissa, 2010
PS: à memória da tia Adelina Mbali Manuel Patissa


[1] Viver é cultivar. Comer papéis — ou seja, dinheiro — é coisa de cabritos
[2] (calão) mãezinha
[3] É desculpar, minha mãe, a intenção era fazer corta-mato...
[4] És tão parvo assim, meu filho, que queres corta-mato na estrada?!
[5] Perdão, mãezinha
[6] Esqueceste que quem contorna também costuma chegar?!

Oratura: Mulheres Vacisanji homenageando galos


A minha mãe partilhou connosco trecho de um cântico que costuma animar senhoras do grupo coral da sua igreja em cerimónias especiais, a exemplo de casamentos. O templo está situado no Morro do Alto-Niva, município da Catumbela. Suas colegas, que não ela, são predominantemente Vacisanji, subgrupo étnico (Ovimbundu) que habita a circunscrição administrativa do município do Bocoio, a 100 quilómetros da cidade de Benguela, capital da província como mesmo nome. A canção, de cuja letra completa a velha não se lembra, agradou-me bastante, não só pela entoação, mas essencialmente pelo seu alcance poético:

“Kulo ka kuli akondombolo / Kucaca ndati?”

Traduzindo:

“Não há cá galos / Como tem amanhecido?”

Faz lembrar o papel universal do galo, o de anunciar o novo dia. Ora, na sua ausência, como saberemos que já amanheceu? Pode-se também interpretá-la no sentido de desmentir a inexistência de galos: se é o galo quem anuncia a madrugada, ora, e as madrugadas continuam a existir, logo, há galos.

Minha mãe, que não sabe dizer que despertador o galo usa para despertar os humanos, tem contudo uma certeza: madrugadas sem galo cantar são sem graça.

Recolhido por Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 21 de Dezembro de 2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Amanhã mesmo, cedinho, devo repartir as despesas entre mãe e irmãos, e outra parte para mim mesmo. É a mesma correria que a gente critica, cada vez mais material do que cristã, mas que no fundo ajuda a dar sentido à vida. 

Boa quadra festiva a todos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Segundo a investigadora italiana Jessica Falcone, «O estudo das literaturas africanas sofre ainda de muitos preconceitos»


Professora e investigadora em literaturas africanas, Jéssica Falconi é italiana de nacionalidade. Em conversa com o Semanário Angolense, esta estudiosa aborda questões relativas às literaturas africanas, a crítica literária em Angola e o papel que devem desempenhar as Universidade para o fomento da qualidade literária em Angola.

Extracto da entrevista conduzida por Cláudio Fortuna:

Semanário Aangolense- Quais são os escritores angolanos com projeção internacional e por quê?

Jéssica Falconi - Isto da projeção internacional é um pouco complicado. Há muitos factores que incidem neste fenómeno, para além do talento do escritor. As estratégias de marketing das editoras, as políticas de tradução e, não raras vezes, as relações pessoais...

Enquanto não concluo a transcrição do texto, a matéria está disponível na página 40 do http://semanario-angolense.com/home/semanario_angolense_446.pdf

domingo, 18 de dezembro de 2011

Yuri da Cunha sublinha importância das línguas nacionais



Angop
Músico Yuri da Cunha (à direit.) realça importância das línguas nacionais
Músico Yuri da Cunha (à direit.) realça importância das línguas nacionais

Luanda - O músico angolano Yuri da Cunha realçou  hoje (domingo ), em Luanda, a importância da aprendizagem das línguas nacionais,  por parte da nova geração de músicos, visando a preservação e desenvolvimento da cultura nacional.


Em declarações hoje à Angop, à margem do espectáculo denominado “Boda Anos 70, 80, 90” de Paulo Flores, que teve lugar no Estádio dos Coqueiros, no qual foi convidado, disse ser importante para nova geração a aprendizagem das línguas nativas, com finalidade de proteger  e desenvolver a  música e, consequentemente, internacionalizar a mesma.

Na mesma perspectiva, Yuri da Cunha solicitou às instituições de direito para criarem projectos que visam o incentivo quer a nível escolar, quer no seio familiar, da utilização  das línguas nacionais , como veículo de transmissão de mensagens.

“A nova geração de músicos, principalmente, deve preocupar-se em usar as nossas línguas nacionais, para que as músicas dos artistas que marcaram no passado seja uma referência para as futuras gerações”, comentou.

Durante a sua actuação Yuri da Cunha dividiu o palco com Paulo Flores, cantando músicas nacionais que marcaram a praça angolana.

O trajecto musical de Yuri da Cunha iniciou-se na sua infância, assistindo aos ensaios do conjunto "Os Kwanzas", onde o seu pai, Henrique da Cunha "Riquito", era um exímio guitarrista.

Mais tarde em Luanda, no bairro Rocha Pinto, em companhia dos seus primos e irmãos (actualmente ligados à música) foi aperfeiçoando técnicas de voz e interpretação com o professor Manuel Costa "Makanha".

Em 1994, inscreve-se nos concursos de música infantil da Rádio Nacional de Angola (RNA) e destacou-se com a canção o "Amigo", da autoria do professor "Makanha", tendo vencido o prémio de melhor canção infantil.

Em1996 seguiu para Lisboa (Portugal), onde gravou o seu primeiro trabalho discográfico intitulado "É tudo Amor".


O lançamento do seu segundo disco intitulado "Eu", em Janeiro de 2005, permitiu-lhe confirmar o sucesso de temas que o colocaram
na ribalta do music hall angolano.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

‎"(...) e que nos contos e nas canções/ganha a cultura/ e a vida continua/ continua menos a tua/ queria ser cantor/para meu pranto na trova disfarçar/queria ser actor/para fingir que é arcaico amar" 


(trecho do poema Consulado do Vazio, livro Consulado do Vazio, Gociante Patissa e KAT Editora, Benguela 2008).

Exposição 'Retorno Pictórico' patente em Benguela

Fonte da foto:
http://doismaisdoisigualacinco.blogspot.com/2006/10/j-delgas.html

Benguela – A exposição do artista plástico angolano Jó Delgas, do Núcleo de Jovens Pintores de Benguela, está patente na galeria Benamor desde o fim-de-semana.

Intitulada “Retorno Pictórico”, a amostra, com encerramento previsto para 23 deste mês, conta com 15 obras, entre as quais “Foqueiras a Beira-rio”,”Fidelidade Homocanina”, “Acasalamento”, “O Cântico da Peixeira”, “Mãe Natureza II”, “O Ardina”, “Ensaios p’ra Dança” e Quotidiano no Quimbo”.

Falando à Angop, Jó Delgas deu a conhecer que da exposição fazem ainda parte os quadros “Cópula a Beira-mar Prefácio”, “Cozinha Tradicional”, “Litoral de Benguela”, “O Quimbo da Lay”, “O Pescador da Caota”, “Geração Tetrafásica – Conflitos”, “ A Arte de Trançar”, “O Banho de Cascata” e o “O Caçador e a Presa”.

Natural de Luanda, Jó Delgas, nome artístico de José Delgado Gomes, começou a carreira nas artes plásticas em 1986 na província de Benguela, sendo também um artista de banda desenhada.

Texto da Angop

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Entre hoje e amanhã, bem no último minuto da virada, vou tomar um trago, bem amargo, embora saiba à partida que nunca chegará a ser mais amargo do que a impotência e o cansaço que me envolvem. Esse preto está cansado desse pega, que no fundo nada pega! E como profissional de prostituição, quando amanhecer, será mais um dia, com a diferença apenas de ser um pouco mais chato do que os demais nesse 2011.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Em nome dele



Ganhei do amigo Carlos Pacatolo o mais recente romance de Pepetela, depois de ter ganho no princípio deste ano ou fim do passado um livro (poesia/prosa) de Nuno Júdice, das mãos da amiga Cristina Amado. Na verdade, Foi nesse mesmo período que ganhei Sabor de Maboque, de Dulce Braga. Bom, não vale esquecer Sonância, do amigo Martinho Bangula nem tampouco Gravidez de um por do Sol, do amigo Lara. Houve um ano que ganhei via correios dois livros de Lili Laranjo, um dos quais com poemas de Natal. Em resumo, tenho sido um gajo de sorte rsrsrsrs, e olha que não inclui aqui os digitais.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Crónica: Outro domingo que ofereci aos sobrinhos


Regressado por volta das 14h00 do Lobito, onde investi a manhã com o rotineiro passeio até à ponta da Restinga, seguido de uma paragem em casa da mamã, tirei a tarde para cumprir a segunda parte da promessa de passear com sobrinhos. Muito gelado e espreitadela à praia (sem mergulhar, ainda).

Pelo Caminho da Baía Azul constatamos com agrado as obras de ampliação da rodovia, que vai do cine Kalunga à vila da Baía Farta. A turística Baía Azul recebeu-nos, alegre, com diversidade de visitantes, enfim, tudo para termos um dia diferente. Fomos até ao topo norte, de onde se aprecia a imensidão do oceano e, ao longo do arco, a ligação com a piscatória Baia Farta. Infelizmente, fomos forçados a dar meia-volta, porque ali mesmo, sítio tão de todos, às 16h00, havia um Jeep com casal a ter relações sexuais.

Entusiasmadas as sobrinhas pelo colorido de um lodge ao longo do troço, não tive outra alternativa senão desviar até este. Portão aberto, ninguém para dar satisfação, crianças brincando, alegres, no fundo do quintal. Conclusão: podia-se lá ter e apreciar os animais da selva e as belas plantas. Errado. Uma matilha surgiu do meio do nada para desencorajar os curiosos, que ficaram a salvo graças à atenção dos guardas. Acabou tudo em sorrisos.

De volta, pelas imediações do antigo posto de controlo, no desvio que se tornou obrigatório para o acesso à Baia Farta enquanto durarem as obras da via, estava montado o cenário de fatal acidente. Estatelado no asfalto, o cadáver aguardava-se pela polícia de trânsito. Sem camisa, provavelmente pelo ambiente de praia, o finando vinha ao volante de uma motorizada Delop, que embateu forte e feio contra um turismo.

Foi um dia memorável. Espero, na minha qualidade de tio que passa mais tempo na conversa com computadores e turbinas de avião, voltar a proporcionar um passeio melhor, ou no mínimo igual a este, no ano que vem. É uma pena que me tenha esquecido de levar a máquina fotográfica.

Gociante Patissa, Benguela, 4 de Dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

Rádio Diocesana de Benguela celebra primeiro aniversário de emissão à distância


A equipa juntou-se este sábado (03/12) nas suas instalações, ao lado do Bispado, para comemorar o primeiro aniversário do “Magazine da Rádio Diocesana de Benguela”. Trata-se de um espaço de informação generalista sobre Benguela, produzido nesta província do litoral centro do país e enquadrado na programação da Rádio Ecclesia de Luanda, que o emite às manhãs de segunda-feira para aquela cidade na frequência de 97.5 FM.

O “Magazine Diocesano” é o mais visível sinal de aspiração da extensão do sinal da Emissora Católica para todo o território angolano, um projecto que se acreditava arrancaria em 2004, altura em que se intensificou a instalação de estúdios e repetidoras em mais de seis províncias. Entretanto, a primeira fase viria a revelar-se um erro de concepção, já que visava restituir a cobertura nacional do sinal da Ecclesia em FM e onda curta, que se quebrou com o fim da era colonial. A lei em vigor reserva tal privilégio à estatal Rádio Nacional de Angola. O clero viu-se forçado a redesenhar o projecto para rádios de âmbito provincial, estando desde o ano passado à espera da luz verde do Ministério da Comunicação Social para o arranque.

Na cidade de Benguela, enquanto a permissão não surge, o estúdio do projecto, que tem à cabeça o Pe. Kakepa Graciano, retomou o processo de selecção de novos talentos através da formação-acção. São na sua maioria jovens que tomam contacto pela primeira vez com o mundo da rádio. O veterano José Manuel Alberto, que traz a experiência das rádios Benguela e Morena, considera haver condições técnicas e humanas suficientes para o arranque da Diocesana, e com isso reforçar a pluralidade.

Horácio dos Reis integra os 16 funcionários que dão vida à Diocesana. É o chefe de redacção e mentor da emissão online, através do site www.radiodiocesanadebenguela.net. Na visão do seu criador, o site permite medir progressivamente o retorno da sociedade. “As pessoas continuam a pedir mais. Antes era maioritariamente gente na diáspora, mas agora, até mesmo os cidadãos residentes”, realça.

No ar há sete meses, o site teve, ainda segundo Reis, três momentos altos de transmissão em directo: a cobertura do “Quintas de Debate”, sob promoção da ONG Omunga (transmitido para Luanda em conexão com a Rádio Despertar); a cobertura da missa do corpo presente do Pe. Celestino Kamuko (transmitido para Luanda com a Rádio Ecclesia); e uma emissão a partir do Lobito, que dista 30 quilómetros do estúdio.

Gociante Patissa, Benguela, 03/12/11

Rádio Diocesana de Benguela tem talentos prontos para o mercado

Lídia da Silva
Lídia da Silva e três outras raparigas, uma das quais sonoplasta, destacaram-se entre as duas centenas de jovens que vão surgindo para o teste. “Quando ouvi que deram continuidade ao projecto anterior, há um ano, vim para cá”, conta. O Blog Angodebates quis saber como se sentia com a não abertura de facto, já que a maioria dos angolanos não está familiarizada com a Internet, onde ouviria a emissão online. “Dizer que me sinto bem, se calhar, estaria a mentir, uma vez que o nosso trabalho só é ouvido em Luanda, e quando vamos entrevistar, o público tem expectativa de acompanhar os seus pronunciamentos”, confessou.

Hipólito Pinto

Da mesma tristeza alinha Hipólito Pinto, 27 anos, que se juntou à equipa há um ano, atrás de um sonho. Hoje é repórter, locutor e entende de sonorização. “Me deixa muito triste. Se pudéssemos fazer qualquer coisa para abrir essa rádio, faríamos. Mas estamos também expectantes. À medida que caminhamos, acreditamos que o dia da abertura está quase”, disse.


António Mateus
António Mateus, 22 anos, é outro polivalente. “É um sonho que sempre tive, ser profissional da comunicação social, não digo apenas em rádio, mas agora vejo que a rádio é uma paixão, é aqui que estou a dar os primeiros passos”, revelou, para logo falar do impasse da abertura: “É uma pena. Conheço bem o país, como ele está a andar. E sabemos que as causas da não abertura da rádio, se a gente comenta, cria uma certa polémica”, referiu.


Samuel Quijingo
Samuel Quijingo, 31 anos, desdobra-se entre a informação e o entretenimento, sendo o animador do programa vespertino “geração fantástica”, emitido em directo via Internet. Encara a realização profissional como uma soma de pequenos passos, pelo que, para quem veio de uma empresa privada de comercialização de perecíveis, está realizado. “Porque me sinto que comecei, estou seguro na classe jornalística”, sentenciou. “Como tenho familiares e amigos em Luanda, sinto que o trabalho é bem recebido pela sociedade”, confessa.


Luciano Cambimbi
Luciano Cambimbi, 29 anos, é da leva que em 2004 acabou vendo o sonho desmoronar. Teria razões para se sentir frustrado, mas, antes, voltou a embarcar nova fase do projecto. “As condições parecem mais sérias do que no projecto anterior, não digo que antes não fossem. Mas é que agora, até, já conseguimos enviar matérias para Luanda, temos um espaço concreto na grelha da Rádio Ecclesia”, assegura. “Há vontade de aprender e aprender mais, para não termos contratempos quando isso abrir”, acrescenta o também editor religioso.

Gociante Patissa, Benguela, 03/12/11

Peito materno (algures entre os municípios de Caimbambo e Cubal, Benguela)

Segundo Figueiredo Casimiro Casimiro, via facebook, "Esta cerra chama-se VITORIA. Localiza-se no Kalenguele. Gostei dá acesso a minha terra CUBAL".

Eu vejo sempre um peito materno cada vez que olho nela. Nossa Angola tem dessas paisagens que fazem bem à vista de quem "rasga" o país por terra. bom fim de semana, amigo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011