PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

UMBUNDU: Ndo kuvangula cesilivilo lyo ocisangwa ko kukala kutundasyãhulu wo wiñi wovimbundu (PORTUGUÊS: Breve nota sobre o sentido etimológico da bebida Ocisangwa na cultura Ovimbundu)

Ombenje, yo vo
Internet 
UMBUNDU: Ndo kuvangula cesilivilo lyo ocisangwa ko kukala kutundasyãhulu wo wiñi wovimbundu

Ocisangwa (vamwe vacitukula vati “quissangua” e “kisangua”), casyata okunyuiwa mulo von Ngola, cipongiyiwa lo huta yaleluka kwenda yatanda ko kovaimbo vosi. Tusima tuti kakuli onjila imosi lika yo ku pongiya, nda twa vanjiliya awiñi la wiñi vo lo nyitiwe. Haimo lumwe, ha citangi ko nda tulinga tuti kuli ovisangwa vivali: (a) cina cakwaya kwenda cikolwisa, (b) la cina cakwaya ale syo, pwãi kacikolwisa. Oco katukainde olonjila vya sanjavala, tupopya ño eci ca syata kwapata ovimbundu.

Ocimãho cokutaya cilo oku yevalisa vimwe twamãla okuyeva, kweci catyamenla kelomboloko lyo cinsangwa (cina cakwaya ale syo, pwãi kacikolwisa) kutundasyãhulu, casumbiwa ndovava, cina okuti kakuli omõla ale ukulu kacisole. Olonjanja vyalwa, u waliveta ocisangwa olaña mwenle lo kulima kepya, ke yevi onjala.

Ocisangwa cipongiyiwa lo kufelula, ndeci ño ke kela. O sema yitengiwa lo loseke, vikalinga noke ovitami (vikoka okuti tê lo kuvenja venjamo vombya ale vo neka, oco kavikalinyolehenle). Kuli vo vana va panga ovitami lo lwoso. Onduko yovitami, tusima tuti yatundilila ko “kutamenla”.

Oco ocisangwa cisonse, osimbu omanu vainda lo kukapa kapa ko ombundi, vamwe lavo vo vakapa ko onyoñolo oco cikwate okalemba kamwe kaposoka. Ovituwa vyaco, ndomo caleluka okucitala, haiko vili kovaimbo, omo lyu hwasi wukasi vusitu, kenda andi mekonda lyu kulihinso wapiãla kweci catyamenla kuhayele lovihemba vyumbundu. Pwãi osuka oyo vali yasyata oku kapiwa kocisangwa. Kweci ca tyamenla kovikwata vyokusoleka ale okwambata, tukwete ombenje, pwãi volupale omunu osoleka leci akwete.

Ocisangwa laco vo kacitava okukamba pongandala, pepunda pana pakapiwa ovikwata vyociholo co kutambela ale oku lomba (ko putu vati “consentir”, “alambamento” ale andi “alembamento”). Mekonda lya nye? Pepulilo eli opo tusanga osapi yondaka. Ndeci twayeva kwakulu vendamba, ocisangwa cikwete esilivilo linene konepa yokutambula akombe. Onduko yocisangwa yitundilila “ko kusangiwa” ale “oku sangwa”. Tulinga tuti ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa, ocidenkaise cekalo liwa ku yu wasangiwa. Njali yukãi eye ukwacikele cokucipongiya lo ku cava, kacitava cikamba.

Eli olyo esapulo twatenla ko, pwãi nda okwete lya kwavo, tulilavoka lesanju.

Gociante Patissa, Benguela, 26/10/2011
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PORTUGUÊS: Breve nota sobre o sentido etimológico da bebida Ocisangwa na cultura Ovimbundu

A “ocisangwa” (mais conhecida pelas corruptelas “quissangua” e “kisangua”) é uma bebida típica em Angola, feita à base de ingredientes simples e naturais. Não creio haver uma forma consensual que sirva de receita, tendo em conta até a nossa peculiar diversidade étnica. Ainda assim, podemos resumir a sua classificação em dois galhos: (a) a fermentada e alcoólica, (b) a azeda ou não, mas não alcoólica. Mas para não dispersar o foco, concentremo-nos à realidade dos Ovimbundu.

O propósito destas linhas é partilhar o resultado de uma recente recolha, quanto ao significado antropológico de “ocisangwa” (a azeda ou não, mas não alcoólica), aquele líquido da importância da água, sempre presente e acessível a todas as idades. Às vezes basta uma boa dose de “ocisangwa” para se passar o dia todo na lavoura.

O modo de preparo é pela fervura, similar ao de “ekela lyo sema” (papa de milho), com uma mistura de fuba e rolão, que fará o papel de “ovitami”, (minúsculas porções trituráveis de milho para engrossar o líquido, que fazem com que se esteja constantemente a agitar o copo para se evitar o desperdício de os abandonar no fundo deste). Há quem use o arroz como “ovitami”, substantivo que julgamos advir de “okutamenla”, que em Umbundu significa engrossar.

Para adoçar o líquido, os povos antigos usavam raízes, havendo também quem lhe acrescente troncos de “pnyoñolo” para caprichar no aroma. Tais práticas, como é de imaginar, são ainda usuais no meio rural, dada a riqueza da flora angolana e o vasto conhecimento sobre sua multidisciplinar aplicação na medicina alternativa. Mas é ao açúcar que mais se recorre de modo geral. Quanto à sua conservação e até transporte, recorre-se à “ombenje” (cabaça), substituída por utensílios mais modernos conforme o meio.

A “ocisangwa” é dos bens de presença obrigatória na “ongandala”, a trouxa tradicional que se leva nos rituais de “okutambela” e/ou “okulomba” (conhecidos como “consentir” e “alambamento” ou “alembamento”). Então porquê? E é daqui que parte a vontade de partilharmos. Segundo nossas idóneas fontes, o líquido é de elevado valor no que à hospitalidade diz respeito. O termo “ocisangwa” vem de “oku sangiwa”, que também se diz em muitas variantes do Umbundu “okusangwa. Ou seja, “ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa”, é algo encontrado, símbolo pelo qual o anfitrião se revela hospitaleiro, claro está, tendo na mulher a garantia da sua existência.

Essa é a nossa, mas aguardamos com agrado pela versão que você tiver.

Gociante Patissa, Benguela, 26/10/2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

SEGURANDO NOSSAS LÍNGUAS (Artigo publicado pela revista Universo, Setembro 2011, propriedade da Sonangol produzida em língua Inglesa e distribuída no Reino Unido; tradução de Gociante Patissa).

Enquanto o português é a língua oficial de Angola, o país é anfitrião de uma riqueza de línguas e dialectos de raízes mais antigas. A revista Universo olha para os esforços para preservar e dar vida nova para a estes.

A versão do português falado pelos angolanos contém muitas palavras que seriam totalmente estranhas a lusófonos do Brasil, Portugal ou mesmo Moçambique. Isso, porque muitas palavras usadas em Angola de hoje vêm de suas línguas indígenas Africanas, como o Kimbundu, Umbundu, Kikongo e Tchokwe.

Por exemplo, os táxis colectivos miniautocarros azúis-e-brancos que se vêm em toda a Luanda são conhecidos como candongueiros. Esta vem da palavra kimbundu Candonga, que significa  mercado. É fundida com 'eiro', o ​​sufixo português, que significa mercado negro. Este nome foi dado aos táxis porque eram o meio de transporte para os vendedores que trabalham no famoso mercado da cidade, o Roque Santeiro.

Um exemplo semelhante é zungueira, palavra usada para descrever os vendedores do sexo feminino que vagueam pelas ruas da capital, oferecendo tudo, desde frutas, peixes e legumes a chinelos e ainda verniz para unhas. Zunga, em Kimbundu, significa “movimento contínuo", que resume muito bem o facto de que as zungueiras vão sempre em busca de novos clientes.

Raridade

De acordo com o escritor e antropólogo angolano, António Tomás, as pessoas em Luanda recorrem frequentemente ao Kimbundu quando querem descrever novos fenómenos sociais. "As pessoas usam Kimbundu quando se referem a algo que não possam descrever adequadamente em português; Acho que é algo exclusivamente angolano", explicou.

"É como se o Kimbundu fosse um recurso de armazenamento de palavras quando há um novo fenómeno social a precisar de nome. Outro exemplo é maka. Significa muito mais do que a palavra portuguesa "problema" , apesar de ser a tradução literal. Mas maka é mais rico de alguma forma, parece ter um significado mais profundo ".

Acredita-se haver em Angola cerca de 50 diferentes dialectos ou línguas (dependendo de como você classifica uma língua). A maioria é de origem Bantu, como o Kimbundu e o Umbundu, enquanto uma pequena maioria falada em áreas remotas vem de grupos menores, como os Khoisan. O Kimbundu é falado nas províncias do centro-norte e litoral, Luanda, Malange, Kwanza Norte e Bengo, enquanto o Umbundu é predominante no centro e sul: Benguela, Huambo, Huíla e Bié.

Nas províncias do nortenhas do Zaire, Uíge e Cabinda, as pessoas falam maioritariamente o Kikongo,  mas também Lingala e Fiote, línguas usadas na fronteira pelos congoleses.

O Tchokwe é falado nas Lundas e mais ao sul ao longo e através da fronteira com a Zâmbia, enquanto que na província mais meridional do país, o dialeto é conhecido como Cuanhama, embora seja por vezes também escrito Oshikwanyama ou Kwanyama.

António Tomás, foto A Semana
No entanto, ao contrário da África do Sul, onde há 11 línguas oficiais e para onde é mais provável ouvir um político falar em zulu ou xhosa quando você usa Inglês ouAfrikaans, em Angola as línguas  africanas são relegadas muito para o último plano. O escritor António Tomás, que nasceu em 1973, cresceu na cidade de Luanda e, enquanto seus pais são oriundos de zonas de expressão Kimbundu, em casa só falavam Português .

"Faço parte dessa geração, cujos pais viveram a era colonial dos anos 1960, quando os portugueses tentavam nacionalizar o país através da língua e alienar a etnicidade das pessoas", disse à revista Universo. "Forçaram as pessoas a assimilar. Tinham de falar Português, se quisessem um emprego, e muitas pessoas, inclusive meus pais, mudaram de nome para serem mais Portuguesas. Só quando eu tinha 18 anos é que eu descobri que o verdadeiro nome de meu pai era Kutubiko ".

Tomás, que está actualmente a concluir doutoramento em Antropologia Cultural na Universidade de Columbia em Nova York, disse que o seu primeiro contacto real com as línguas de Angola - além de sua avó, cujo Kimbundu era sempre traduzida em Português por sua mãe – deu-se quando cumpriu o serviço militar na década de 1990.

"Fui enviado para Benguela e as pessoas vieram das áreas circundantes onde todo mundo falava Umbundu mais do que Português", lembrou. "Eu não  tinha antes passado por aquilo. Pessoas da minha idade, em Luanda, simplesmente não falavam Kimbundu, apesar de os nossos pais falarem. Foi lá, ouvindo as pessoas contarem maravilhosas estórias em sua própria língua, relatos passados de geração em geração através dos avós,  que me comecei a  interessar por língua, cultura e antropologia."

Tomás disse que planeou aprender mais Kimbundu e Umbundu, e se possível algumas outras línguas de Angola . "Essas línguas são como uma caixa de armazenamento para as nossas culturas e precisamos mantê-las vivas para manter nossa cultura viva. "Se não fizermos algo agora, dentro de 100 anos o Português será a única língua falada em Angola. Precisamos urgentemente fazer valer as nossas diferenças e aprenderas nossas línguas para aprendermos também a nossa cultura. "

A residir em Benguela está o Gociante Patissa, que partilha o entusiasmo de Tomás por línguas angolanas. Totalmente bilingue em Umbundu e Português, o jovem de  32 anos é autor de um Blog e sobre a sua língua materna, onde traduz poesia e excertos da literatura e explora provérbios. "Adoro línguas e eu adoro escrever", disse. "E acho que através da minha, Umbundu,  tenho uma herança cultural muito rica e  quero compartilhar isso, então é por isso que fiz o Blog. Gostaria de um dia escrever um livro”.

Patissa, que estudou linguística na universidade e é também fluente em Inglês, nasceu na comuna rural de Monte Belo, movendo-se para a cidade costeira do Lobito, 100 km de distância, quando tinha sete anos. "Quando chegamos à cidade, a maioria não falava Umbundu, mas acho que por a minha mãe não dominar muito a língua portuguesa, continuamos falando em casa e ainda falamos enquanto adultos", afirmou. "Ainda há essa timidez de falar em línguas africanas em Angola, e isso vem do sistema colonial, mas precisamos superar isso e ter orgulho de nossas raízes culturais".

Esta é uma posição apoiada pelo governo, que já começou a com projectos experimentais de ensino do Umbundu, Kimbundu e Tchokwe em algumas escolas primárias e dirige o Instituto de Línguas Nacionais para promover dialectos autóctones.

Valorizando as línguas

Falando numa conferência em Luanda no início deste ano, Cornelio Caley, Vice-Ministro da Cultura, disse: "É muito importante que valorizemos as nossas línguas nacionais, porque nos permitem apreciar a nossa cultura nacional. Saímos recentemente de um sistema de colonial, durante o qual nossas línguas maternas foram sistematicamente negligenciadas e linguisticamente alteradas."

O vice-ministro considerou triste que jovens angolanos tivessem mostrado mais interesse em aprender línguas estrangeiras, como Inglês e Francês, em detrimento de suas línguas nacionais, e pediu aos pais para passar os seus conhecimentos aos filhos.

Na opinião de Tomás, no entanto, ao falar dialectos em casa vai mantê-los vivos, mais precisa ser feito para trazer línguas do espaço doméstico para o oficial. "Os Portugueses foram realmente eficazes na forma como criaram esse tabu em torno do nosso línguas nacionais e as pessoas tinham esse complexo real de inferioridade reais sobre o uso de dialectos africanos", disse. "Dizia-se que era uma língua inferior, menos útil e menos versátil, e lembro-me na escola que se você falasse Kimbundu, podia ser intimidado ou o professor diria que tal interferiria negativamente no seu Português. "Isso tem continuado hoje e há essa mentalidade que as línguas africanas são para falar em casa, em privado, não em público. Isto é muito triste e quando perdemos essas línguas, ninguém vai notar mesmo".

Professor Prah, foto IMPLAN
A ajudar Angola a preservar as suas muitas línguas está o Centro de Estudos Avançados da Sociedade Africana (CASAS), com sede em Cape Town, África do Sul. O Diretor Kwesi Kwaa Prah vem liderando o projeto para produzir uma ortografia-padrão (sistema ortográfico) para idiomas do país Bantu que, segundo ele, são todos muito semelhantes.

"Se você é um falante Cuanhama, pode não ser capaz de falar kimbundu, mas de lê-lo", explicou. "O que estamos fazendo é racionalizar as estruturas de ortografia para fazer uma versão harmonizada para que se possa em seguida publicar formas de escrita das línguas. "Trata-se de economias de escala. Se apenas 20 mil pessoas são capazes de ler um livro, você vai lutar para produzir muitos livros para esse público, mas se cinco milhões podem lê-lo, então você terá mais oportunidades."

Professor Prah, ganês, cuja organização trabalha em toda a África, tem opiniões fortes sobre promoção das línguas nacionais. Acredita que o legado colonial dominante de idiomas europeus, como Português, Inglês e Francês está a atrasar o desenvolvimento do continente.

"Não acredito que se possa avançar  através da língua de outra pessoa", disse. "Olhe para a Alemanha, eles falam alemão; olha para a Itália, eles falam italiano. E agora olha para a Ásia, também uma vez colonizados, mas agora falando suas próprias línguas. Vietname, por exemplo, costumava ser francês, mas agora as pessoas usam vietnamita, e na Malásia, ex-britânico e apesar de muitas pessoas falam Inglês, sua língua materna é o malaio. Estas são sociedades com economias em crescimento e estão se movendo para a frente; África ainda está atrás com isso".

Professor Prah acredita que Angola ainda precisa de agitar o que ele vê como uma dependência neo-colonialista em Português, e diz que é preciso fazer mais para promover as línguas africanas que estiveram intrinsecamente ligadas à identidade nacional e da cultura. "Se não protegermos as nossas línguas Africano, é essencialmente o etnocídio, porque as nossas línguas são parte da nossa identidade e nossa cultura e é através da nossa cultura e da língua que nós nos definimos", acrescentou.

Congratulando-se com o apoio do governo para o trabalho CASAS faz em Angola, o Professor Prah diz esperar que o guia ortográfico angolano esteja pronto até Novembro e que abriria portas para mais trabalhos publicados em línguas indígenas e dialectos angolanos.

O Bloguista Gociante Patissa concorda que a falta de trabalhos publicados em línguas africanas, a par de  passagens bíblicas traduzidas por missionários, dificulta a aprendizagem ou preservação de dialectos. Dicionários e gramáticas, segundo ele, são difíceis de encontrar, e o que exclui muita gente interessada em aprender. Mas é encorajado pelo crescente número de músicos que agora estão usando Umbundu e Kimbundu em suas letras.

"Estamos vendo mais música com letras africanas, particularmente artistas do Huambo, Benguela e Lobito, o que é uma boa promoção da língua", disse. "É um indicador de que o interesse em nossas línguas nacionais está crescendo e acho que vai ajudar a protegê-las nos próximos anos."

O Professor Prah concorda. "Os africanos estão lentamente começando a despertar para a cultura nacional e línguas, e percebendo que precisam para preservar esta parte da sua identidade de ser capaz de desenvolver", disse.

Apesar de muitos angolanos urbanos já não falarem as línguas africanas, se você viaja fora das principais cidades e vilas, encontrará lugares onde apenas estes dialectos são falados. A fim de fornecer um serviço a essas pessoas, cujas estatísticas não são claras, as emissoras estatais Televisão Pública de Angola e Rádio Nacional de Angola têm notícias diferentes e mostram  informações. Folhetos do governo em muitas questões de saúde e cívico, como eleições, também são traduzidos para as principais línguas para garantir que todos no país sejam informados. E na sequência das recentes chuvas fortes e inundações, existem agora os planos para o Serviço Nacional de Meteorologia INAMET (Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica ') para dar alerta nos idiomas locais.

(Artigo publicado pela revista Universo, Setembro 2011, propriedade da Sonangol produzida em língua Inglesa e distribuída no Reino Unido; tradução de Gociante Patissa).

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crónica: Se os rios fizessem inversão de marcha

O olhar é como o rio. Ambos alimentam, mas sua natureza é rota de sentido único. Um vai da íris ao objecto, outro da nascente à foz. Os tempos também. À medida que seguem, vão nutrindo a vegetação, ou a esperança e a nostalgia. Nem inovo eu a fórmula, nem ela a mim. A humanidade é toda, no final das contas, uma repetição.

Da sociedade civil guardo memórias, mais aquelas da ingenuidade. Das metas, dos planos, das estratégias. Tudo afinal mera utopia, olhando em reverso, tal como a vontade de mudar o mundo, ou parte dele, para melhor que o senso comum permitisse. O desemprego, o inconformismo e a criatividade lançaram muitos ao sector informal, comigo deu-se em 1999, e com isso a oportunidade de pensar para lá do discurso oficial, como prevê o exercício da cidadania. Os seminários e capacitações são outros ganhos. Depois que se sai, resta aquela ambivalência.

No passado mês de Julho, fui convidado para a recepção na residência do Embaixador Americano em Luanda, Christopher McMullen, que confraternizou com ex-bolseiros e participantes de programas de intercâmbio suportados pelo seu governo. Porque em 2010, integrei o grupo de Líderes Associativos Juvenis que visitou Washington, Oregon, Utah e Florida, em nome de uma ONG angolana, de que sou co-fundador (já não estou no activo, por questões de integridade).

Noutra época, teria telefonado à Ilda, da casa de passagem da ADRA, por detrás do Xamavo. Mas a experiência na aviação ensina a tratar das reservas pessoalmente. Vencida a previsão de aterragem, a tripulação do Boeing anunciava pista congestionada. Sobrevoaríamos a capital por mais 20 minutos. Passavam das 16H00 e o compromisso seria duas horas mais tarde. Uma vez em terra, um candongueiro resolve a falta de protocolo. Bato à porta, aperto a campainha, mas tarda a resposta. Depois sai um senhor, estrangeiro talvez, com má notícia: aquilo há coisa de um ano que deixou de ser hospedaria.

Uma hora me separa do evento, e lá estou eu pelas ruas do São Paulo. Alameda Hotel é a paragem a seguir. Atende-me um senhor de meia-idade, refastelado no sofá da recepção, que talvez não merecesse o nome, a julgar pela mórbida luz e mofo indisfarçável. Diz-me que há cerca de três anos que andam encerrados para obras (nada visíveis). Abre excepção, provavelmente das milhares que se vêm abrindo ao longo do defeso oficial a quem quer cama para coisas rápidas. Digo que não estou acompanhado. Ah, se fosse assim, diz-me, solícito, teria que sair cedo, 6H00 da manhã o mais tardar. Cheira-me a insegurança, mas disfarço. Retiro-me apenas com a eufemista promessa de voltar. No Quinaxixe encontro um residencial em jeito de bunker, pelo qual não pagaria os meus 10 mil kwanzas, se não andasse contra o tempo.

No final tudo se arranja e a recepção é enriquecedora, acima de tudo pela interacção com personalidades dos mais diversos sectores. Encosto-me aos historiadores, Simão Souindoula e Américo Kunonoca, ao lado dos jornalistas, Lilas Orlov e Nelson Rosa. Como que a beber da fonte, ouço para aprender e tirar dúvidas sobre um pouco de tudo e sobre as implicações dos derrubes de Muamar Kadafi e Laurent Gbagbó.

O nosso mundo parece-se um pouco com o mar. Bem podia estar calmo, de tanto que tem de recursos e espaço, mas anda às ondas… talvez por ter nas ondas a forma de tomar o seu banho.

Gociante Patissa, Aeroporto da Catumbela, 21 Outubro 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mexendo no arquivo: "Girassol"











Girassol

Sintonizada à frequência
da melodrama da espécie humana
está ela perplexa humilde e sorridente
no canteiro no quintal

Escancarada aos raios escaldantes
de um sol que é de todos
traz sonhos alegres
de um amanhã sem toneladas de mortes

Num mundo de pólvoras
onde escasseia o amor
ri-se da cólera dos homens de toda parte
em conflito com a paz
em conflito com a justiça
em conflito consigo mesmos
e no seu verde e amarelo
vai singela a planta girando ao sol

Gociante Patissa, In «Consulado do Vazio», Kat-Benguela, 2008

Em destaque na imprensa brasileira um evento de poesia ao ar livre, que inclui textos do angolano Gociante Patissa


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lucky Dube foi assassinado num dia como hoje, há quatro anos (nossa reiterada homenagem)


Contrariando a tese «não se deve chorar pelo leite derramado» - porque por este e outros artistas que essa África perdeu, sim, se deve chorar - o Blog Angodebates recorda Lucky Dube, assassinado a 18 de Outubro de 2007.

Segundo o site Wikipedia, "Dube foi assassinado no subúrbio de Joanesburgo, em Rosettenville logo após ter largado dois dos seus sete filhos e seu tio em suas casas. Dube estava dirigindo seuChrysler 300C, que os assaltantes perseguiram. Os relatórios da polícia sugerem que ele foi morto a tiros pelos carjackers. Cinco homens foram presos com ligação comn o assassinato. Três homens foram julgados e considerados culpados, em 31 de março de 2009, dois dos homens tentaram fugir e foram capturados. Os homens foram condenados à prisão perpétua."

Entre as várias profecias da inapagével estrela do Reggae, que muito se bateu contra o apartheid, propomos extrato da música "my brother, my enemy": "Not every black man is my brother, not every white man is an enemy" (Nem todo preto é meu irmão, nem todo branco é um inimigo). "We know our heroes die in vain" (sabemos que os nossos heróis morrem em vão). 

Gociante Patissa



http://youtu.be/iUkv5FKpN5Y

sábado, 15 de outubro de 2011

Livro infantil "amigos para sempre" reapresentado ao público benguelense

O livro "amigos para sempre", um conto infantil da escritora  Paula Russa, esteve hoje à venda na portaria da Rádio Morena, em Benguela.  A autora lá se encontrava para os autógrafos, depois de o ter feito pela primeira vez durante a feira escolar "Longisa Mbaka", no passado dia 07 de Outubro, nesta cidade.

Paula Russa revelou-se impressionada pela procura, sobretudo pelos pais que foram ter com ela a pedido dos filhos. "O primeiro senhor a aparecer é inclusive iletrado, veio do bairro Damba-Maria a pedido da filha, que não teve dinheiro no dia do lançamento da feira", contou ao Blog Angodebates.

Editado este ano pela União dos Escritores Angolanos, o livro foi impresso no Brazil, faz parte da "colecção pitanga" e custa 500 kwanzas.

Gociante Patissa
 Fotos cedidas pela autora

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ensaio: Recados implícitos na atribuição de nomes a animais entre os Ovimbundu

Parte o presente exercício de dois relatos partilhados recentemente por um casal que revelava semelhanças num gesto das respectivas mães, atitudes que, vistas além de simples coincidência, fornecem matéria antropológica. Trataremos a mãe do marido por “Njali-A” e a mãe da esposa por “Njali-B”, sendo “onjali ou njali” correspondente a pai/mãe, tutor/a.

Njali-A e njali-B têm em comum o papel de “ndona yukulu ou ukãi watete”, estatuto social dado às primeiras esposas, em contextos de poligamia, onde, independentemente da idade, as demais (“sepakãi”) se assumem “irmãs mais novas”. O que as separam são uma década e cerca de 600km de estrada. Njali-A vivia em Kutenda, município da Chicomba, província da Huila, e o gesto deu-se na década de 70; por sua vez, njali-B vivia no Monte-Belo, município do Bocoio, província de Benguela, e sua acção deu-se na década de 80.

Os Ovimbundu, há quem os chame “os Umbundus” por conta da sua língua, são grupo etnolinguístico de origem Bantu que habita o centro e sul de Angola, em seis das 18 províncias: Kwanza-Sul, Benguela e Namibe (costa), Bié, Huambo e Huila (planalto centro e sul). Representam 1/3 da população, num país com 16 milhões de habitantes, e cerca de oito grupos de matriz Bantu, sem esquecer os Khoisan, pré Bantu, e os de origem ocidental.

Nem sempre o número de falantes é indicador de etnia, um fenómeno que podemos atribuir a dois factores: (a) a motricidade das comunidades de trabalhadores do CFB (Caminho de Ferro de Benguela), do Lobito (Benguela, litoral centro) ao Luau (Moxico, extremo leste e de predominância Lunda Cokwe); (b) o êxodo para as cidades e/ou zonas mais seguras durante as três décadas de guerra civil, onde poderá contar o facto de a UNITA (rebelião armada) ter imposto o Umbundu como símbolo de afirmação patriótica nas zonas sob seu domínio.

No contexto das comunidades rurais que abordamos, a maioria das mulheres dedicava-se ao cultivo e lida doméstica, salvo poucas com formação básica para o professorado ou enfermagem. O mesmo se aplica aos homens, no cultivo e caça, excepto uns poucos na função pública, com ofício, ou então para-militares. Njali-A era esposa de motorista hospitalar e Njali-B de funcionário administrativo. Seus maridos eram de concentrar as várias esposas num mesmo espaço, chamemos-lhe de quintal, e com isso uma convivência intensa entre as “irmãs” rivais. Até aos dias de hoje, há quem o pratique nos centros urbanos, o que é culturalmente normal, mas nem por isso fácil de gerir.

Em sociedades de pendor “machista”, a participação da mulher na tomada de decisões é aparentemente nula, pois, como se sabe, este ser secundário tem subtilezas para vincar posição. Falaríamos por exemplo da influência que as mulheres vêm tendo sobre os mais diversos carrascos. Njali-A adoptou um cão, a quem atribuiu o nome de “Notole”. Njali-B intitulou o seu cão “Cohinla”. A palavra é ícone para um provérbio, o que seria pleonasmo referir, já que é sobre o adágio que assentam os nomes dos Bantu.

“Notole, ndikasi vesaila; nate ciwa, ndikasi lo kimbo lyetu” – choca-me bem, sou pinto dentro do ovo; trata-me bem, que faço falta à terra de onde venho. “Cohinla mange calwa” – é muito o que se esconde no silêncio de mulher madura. Na força do provérbio, as mulheres apresentam um protesto passivo-agressivo aos maridos e demais elementos da poligamia, e ao mesmo tempo uma denúncia à comunidade sobre o que as intriga, ao longo dos 10 anos de vida de um cão, o guarda de casa. Ainda da comuna do Monte-Belo vem outro exemplo: “Kanjila” foi a alcunha que certo homem chamou para si. “Kanjila komange kakwete apa katekula, kasumbiwa”. Por mais insignificante que possa parecer, o passarinho-mãe tem um ninho a sustentar e exercer autoridade.

Podemos considerar que a atribuição de nomes proverbiais a animais como forma de protesto é prática antiga entre os Ovimbundu e provavelmente de outros povos Bantu, dada a semelhança entre Njali-A e Njali-B, que vivem em épocas e lugares distantes. Não parece, por outro lado, que seja ao acaso também que um homem adoptou a alcunha para reclamar respeito.

Gociante Patissa, Benguela, Outubro 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

P: "Sendo um dos autores mais premiados no país, a sua obra não deveria ter uma maior divulgação em Angola e no estrangeiro?" R: "Para tal, falta ao João Tala a cunha. Dizem que isso se faz com a imprensa e com agregação a grupos privilegiados. São coisas de acontecer".

"Conto os meus mortos e revejo as cicatrizes"


João Tala, In «Vida Cultural, Jornal de Angola», 09/10/11 

O poeta e ficcionista João Tala lançou, recentemente, na União dos Escritores Angolanos, o livro de contos “Rosas & Munhungo”. Tala é autor dos livros “A Forma dos Desejos”, poesia, prémio Primeiro Livro da UEA, 1997, “O Gasto da Semente”, poesia, menção honrosa do Prémio Sagrada Esperança do INALD, 2000, “A forma dos Desejos II”, Chá de Caxinde, 2003, “Lugar Assim”, poesia, UEA, 2004, “Os Dias e os Tumultos”, contos, Grande Prémio de Ficção da UEA, 2004, “A Vitória é Uma Ilusão de Filósofos e de Loucos”, Grande Prémio de Poesia da UEA,  2005, “Surreambulando”, contos, UEA, 2007, e “Forno Feminino”, poesia, Kilombelombe, 2009.



Vida Cultural - Cada conto refere-se a uma mulher. São curtas mas grandes estórias de amor. Amores vividos ou sonhados? 
João Tala - As personagens principais dos contos em Rosas & Munhungo  são mulheres distintas que vivem diversas situações, ou são reconhecidas num cenário do pós-guerra imediato. Um traço comum entre essas mulheres é a superação de traumas e outros estados psicológicos daí decorrentes, pelo amor. A característica estilística tem uma grande carga onírica onde o real vivido se revê na composição do sonho. 

VC - O título "Rosas & Munhungo" sugere amor e boemia. Quer comentar?  
JT - Rosas, como sendo flores, é simbologia feminina, portanto, associada à mulher. Essas personagens, a maioria delas, adaptaram-se a ambientes que lhes eram hostis, ou então a carência cede-lhes o argumento para “ir à rua”. Daí a expressão kimbundo munhungo que é sinónimo de libertinagem, num sentido mais ousado da boemia.

VC - A proveniência médica do autor está muito presente pelo uso notório de termos do jargão médico. Este uso é propositado ou decorre, digamos, de deformação profissional? 
JT - Deformação profissional e porque a personagem representa gente. A essência da medicina são as pessoas.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

...diário...

Ontem, após breves momentos de trova improvisada no jardim sintético, ao Largo D'áfrica, Lázaro (músico promissor), Capui LaraMartinho Bangula e eu (ligados à escrita) fomos jantar ao restaurante Benamor. É um canto antigo na cidade, que reabriu este ano com diferente visual, com predominância para motivos de arte africana. Os preços é que não são muito "democráticos", mas que a comida esteve boa, lá isso esteve. Saímos dali perto da meia-noite. Um serão memorável.
GP

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Olosãi vyulima (Meses do ano)

Cada mês corresponde a um facto regional.

1 - Susu [sunsu]– Janeiro: (ponta).

2 - Kayovo  – Fevereiro: (pequeno salvador). O feijão dos altos e milho das baixas vêm mitigar a fome.

3 - Elombo – Março: Época com muita lama das chuvas, e também mês em que se iniciam as colheitas.

4 - Kupupu – Abril: (de pupula, bater) Mês em que se “bate o feijão” colhido em Março.

5 - Kupemba – Maio: (de okupemba, espirrar) Despedidas das chuvas.

6 - Kavambi – Junho: (de ombambi, frio) mês em que se começa o frio.

7 - Evambi linene – Julho: mês de muito frio, podendo ocorrer geada pela manhã.

8 - Kanyenye [kanhenhe] – Agosto: em quinze de agosto, o anúncio das chuvas e o começo da primavera.

9 - Nyenye -vava [Nhenhe]– Setembro: mês de chuviscos e calor forte.

10 - Mbala-vipembe – Outubro: dor dos campos baldios, preparação das sementeiras.

11 - Kuvala kwapupulu – Novembro: (de Okuvala, doer e Kwapupulu, mosquito) mês em que o número de mosquitos aumentam devido a humidade.

12 - Cemba-nyima [nhima]– Dezembro: nega-se a recompensa: com as chuvas e o calor o capim dos campos atrofiam; Não se vê o resultado do trabalho no campo. 

sábado, 1 de outubro de 2011

Futuras notas e moedas sem efígies de Presidentes de Angola (In, «Novo Jornal», Nº 193 - 30 de Setembro de 2011)

Por: David Filipe
As novas notas e moedas do Kwanza, que poderão entrar em circulação nos próximos meses, não terão as efígies do Presidente fundador da Nação, Agostinho Neto, e do actual Chefe do Estado, José Eduardo dos Santos.

Segundo fonte do NJ, tudo vai acontecer dentro desta legislatura, durante a qual a Assembleia Nacional aprovará também as novas cédulas, muito provavelmente antes do final de ano.. “De entre as novas notas que entrarão em circulação deverá constar uma no valor de 5.000.00 Kwanzas”, acrescentou a fonte, afirmando que as futuras notas e moedas terão efígies de belezas naturais e de alguns reis de Angola.

Refira-se que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, vai discursar sobre o estado da Nação, na cerimónia de abertura da IV sessão Legislativa da II Legislatura, a realizar-se no dia 18 de Outubro, como estabelece a Constituição. O discurso tem que ser proferido no dia 15, mas como o dia 15 calha num sábado, a segunda-feira seguinte, dia 17, é reservada para reuniões dos grupos parlamentares. “Haverá muitas novidades na intervenção do Presidente da República”, resumiu a nossa fonte.

O Kwanza foi introduzido após aindependência de Angola. As primeiras moedas foram cunhadas sem data de emissão, apesar de todas ostentarem a data da independência do país, 11 de Novembro de 1975 e a inscrição “República Popular de
Angola (RPA)” Tinham o valor de 10, 20, 50 lwei, 1, 2, 5 e 10 kwanzas. Em 1978 foram cunhadas moedas de 20 kwanzas.

A última data a aparecer nestas moedas foi 1979. As primeiras cédulas datavam de 1976, mas só foram emitidas em 1977 pelo Banco Nacional com o valor de 20, 50, 100, 500 e 1.000 kwanzas. A nota de 20 kwanzas foi substituída pela moeda em 1978. Em 1990, o novo kwanza foi introduzido, com o código ISO 4217 AON.

Apesar da sua paridade em relação ao kwanza anterior, os angolanos só puderam trocar 5% das notas antigas por novas. O resto das notas teria que ser trocado por títulos do Governo. O novo Kwanza foi vítima de uma forte inflação. Apenas foram emitidas notas. As primeiras cédulas emitidas em 1990 eram apenas impressões sobrepostas em notas antigas, com a nova designação: novo Kwanza. Em 1991, a palavra “novo” foi abandonada nas emissões de notas de 100, 500, 1.000, 5.000, 10.000, 50.000, 100.000 e 500.000 kwanzas.
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Kwanza Reajustado 1995-1999

Apesar da taxa de câmbio para o kwanza anterior ser de 1000 para 1, tão pequeno era o valor do kwanza antigo, a nota mais pequena emitida foi de 1000 kwanzas reajustados. A inflação continuou, tendo havido notas de 5 milhões de kwanzas reajustados.

Não foram emitidas moedas. Apesar de taxa de conversão, o valor do kwanza antigo tinha-se depreciado de tal ordem que a denominação menor das notas de banco foi de 1.000 kwanzas reajustados. Foram também impressas notas de 5.000, 10.000, 50.000, 100.000, 500.000, 1.000.000 e 5.000.000 kwanzas. A introdução desta unidade monetária permitiu a reintrodução de moedas. Apesar de ter sofrido de uma alta inflação, no início, encontra-se hoje estabilizada.

Em 1999, foi introduzida uma segunda unidade monetária chamada simplesmente kwanza. Mas, ao contrário do primeiro kwanza, esta nova moeda estava subdividida em 100 cêntimos. Com o segundo kwanza foram reintroduzidas as moedas. Apesar da inflação inicial, o seu valor encontra-se agora estabilizado. D.F.