PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Fábulas da nossa Terra: "Omunu amunu ko" (A pessoa não é pessoa) - Umbundu/Português

Umbundu

Eteke limwe, vusitu, ukongo wayeva ava vakwa, ndokupinga ekuatiso oco vapopeliwe kolofa. Heti ndamako, wasanga vokueve mwapatukila ohosi, onyoha kuenda omunu.

Okueve ociliva, kufenliwa ocitunyo, noke kilu kusitikiwa, oco ocinyama cipatukile vocikulungu, okutunda kacitava. Puãi, eteke olio ndoto, avinyma ko ño lika, muafa vo ukongo womitanjila. Okañunuñunu kovimbo kakakulihinle, la pana okuti kapapitiwa, pakola, eye vali kaipo.

Olio ekumbi apa lio lienda, ukongo ongusu vo kakuete ño yenda oko loko. Kosi yocitunyu valikeketa evalo lusumba, “mopele weh, mopele weh!”.

Ovê, okongo, mopele ame ndi hosi, omunu amunu ko…!
Kukatave, okongo, hinse ame ndimunu ndove, ohosi ocimelenle…!
Hinse ame ndinyoha, lohosi lomunu kavakoleliwa…!

Ukongo walinga yevelele, ohenda yokuata, kumosi lutõi. Onanla mo tete munu, ukapa kongongo. Munu wapandula lokulikuminya okusumbila una woyovola. Onala mo nyoha, casula ko ohosi. Lavo vo vokupandula haimo.

Teke limwe, hosi yeya okusuñinyisa ko ukongo. Muna vokusapela, hosi wapula:
Oteleka likaliove, ndona yupi?
Sikuete oñuatisi. Oco mwenle nda dacilwa, ndilala onjala! – ukongo wakumbulula.

Ohosi yakanyanenle ufeko ume waposoka calwa haeye onalavai. Ukongo wapandula ondambi vonenenla. Puãi cenda ombinda, ufeko omonla a Soma. Eteke limwe omunu una ayovuile vokueve ati ndipita, walimbuka ukãi. Okuiya ocikuata okukasapula kusoma. Owiñi wakuatiwa lenyeño vokusokolola okuti, puãi ohosi yanyana ufeko, elumbu lyukongo. Vokapa vikolo, toke vokayike. Onyoha eci yakaciyeva, yeya vokati kuteke okunyunla cikonde, luloñuinla po ati:
Tulinga ndoto: Soma kuti olaña laña ño lokutumanla, lokepia kaindi, ame ndikolumana. Ove osala lombenje eyi ndeti, omo munli ovihemba vikusakula una walumaniwa lonyoha. Eci valungula okuti soma walumaniwa, helie okuete ovihemba, ove olitukulula.

Ndomo capopiwa, omo ceya okukala. Soma walumaniwa, cikonde wasakula, kuenda ekandu liaecelua. Pokuenda konjo, ukongo wasokolola peteke lina ayovola ava vapatukilile pokueve, capianla olondaka via nyoha la hosi: “omunu amunu ko” eci ca siata olonjanja.

Olusapo woyiwa la Gociante Patissa (Wosapuila ko sekulu Valeriano Manuel Kalui Patissa), Bairro da Santa-Cruz, Lobito, 28 de Fevereiro de 2011


Português

Certa vez, na mata, um caçador ouviu gritos de socorro. Ao aproximar-se, viu uma armadilha, onde desesperavam um leão, uma serpente e um homem.

“Okueve” é um tipo de armadilha em jeito de poço. Uma vez accionado, o tecto de palha cede e não há presa que se salve sozinha. Naquele dia, porém, constava entre as presas um ser humano, que era caçador e viajante. Desconhecia os segredos e lugares sagrados daquela aldeia. Pouco faltava para anoitecer, e o caçador estava já sem vigor naquele dia. No fundo do poço vinha uma onda de gritos, entre a dor e o medo: “salve-me, por favor, salve-me por favor!”.

Caro caçador, salve-me a mim, o leão, que pessoa não é pessoa…!
Não aceite, ó caçador, melhor salvar-me a mim, ser humano como você, que o leão é letal…!
– Melhor eu – disse a serpente – o ser humano e o leão são perigosos…!

O caçador comoveu-se e veio a força. Puxou para fora do poço o ser humano. Resgatou depois a serpente, e por último o leão. Todos prometeram agradecer e respeitar.

Numa bela noite, o leão foi à casa do caçador seroar. E durante a conversa, perguntou:
– Onde está a sua esposa, que não lhe prepara o jantar?
– Não tenho companheira. Assim, se chego tarde à casa, passo fome. – respondeu o caçador.

O leão raptou uma bela moça. O caçador alegrou-se com a chegada da companheira, que tanta falta lhe fazia. Mas para seu azar, a moça era filha do Rei, portanto, andava a aldeia toda à sua procura. E logo foi achada. Por quem? Justamente por aquele homem resgatado da armadilha. Ávido de ganhar os elogios do Rei, foi contar que o leão mais não era do que um truque do caçador solteiro. Lá o caçador foi capturado, amarrado e preso. O relato chegou aos ouvidos da serpente, que no calar da noite foi ter com o herói caído em desgraça. E cochichou:
– Façamos o seguinte: como o Rei passa o dia relaxando, vou-lhe aplicar uma boa mordidela. Fique com essa cabaça de antídoto. Quando o alarme soar, diga que você consegue curá-lo.

Como previsto, o golpe da serpente aconteceu. O preso curou o Rei e foi perdoado. E de volta à casa, o caçador lembrou-se do dia em que salvou três pesas de uma vez, muito mais das palavras da serpente e do leão: “a pessoa não é pessoa”, ou seja, o ser humano em muitos casos não presta.

Adaptado por Gociante Patissa (contado pelo velho Valeriano Manuel Kalui Patissa), Bairro da Santa-Cruz, Lobito, 28 de Fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Será que assim fui duro?...

Enquanto aguardávamos pelo jantar, pouco antes das 20h, alguém bate ao portão. Minha kota (irmã mais velha), que falava ao telefone, deu-me tacitamente o direito de fazer "as honras da casa". Entra um menino, com carácterísticas físicas condizendo com alguém, de cuja inconveniência já muito tenho ouvido falar. Sem tirar as mãos do bolso - nervosismo talvez - pergunta se a fulana (minha sobrinha, namorada dele) não está. "Está a trabalhar", disse-lhe. E para ter a certeza de que fui claro, acrescentei: "olha que ela tem também deveres de casa, está bem?!". E o gajo, "sim, dá licença". Feliz ficou a dona de casa, também já farta do jeito de "genro" pegajoso do rapaz, claro, com a devida cumplicidade da sobrinha...

Enfim, afinal sou tio ou não? Esses adolescentes nunca mais aprendem a alfabetizar suas vontades como mandam os bons valores de família, pá?!!!!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Rebuçados e detergentes no lugar do troco... Se não fossem criativos, também não seriam taxistas angolanos

Autorizada pela entidade competente a subida dos preços dos táxis, antecedida por manifestação em 2010 neste sentido, os candongueiros ou Hiaces, como há também quem assim os chame, têm agora outra maka em mãos. Essa maka chama-se falta de trocos. É que, dentro das localidades (Lobito ou Benguela), a tarifa é de 80 kwanzas, justo numa realidade como a angolana, onde as notas de menor valor facial são insuficientes, tendo em conta o quase nulo papel das moedas metálicas. A briga com o passageiro, como é de calcular, cobre o horário de serviço. E na falta dos 20 kwanzas (inferindo-se que o cliente apresente 100), alguns taxistas passaram a "oferecer" rebuçados, pastilhas ou pacotes de detergentes. Bom, quem faz da estrada o dia-a-dia está mais do que preparado para soluções paliativas...

Gociante Patissa, 22 Fevereiro 2011

Actualização (sobre a matéria, Edson H. T. Bastos disse via facebook):

"ehehehehe...outra maka mais!!!Tive a oportunidade de constatar esses factos,e é preocupante a maneira como o "cobrador" manuseia os dinheiros e os trocos...tudo com a mesma mão.Melhor mesmo é convencionarem os 100 paus pela corrida...em nome da Saúde Pública,pois muitas crianças fazem o uso desses meios de transporte". 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Crónica: Que sobrou das curvas apertadas da nossa adolescência?

Para os Ovimbundu, nunca é extemporânea a visita quando se vai pela primeira vez consolar alguém pela morte de um ente querido. (“Onambi yapita ño kuyu wayipasuile”, ou arriscando na tradução, o óbito só acaba para quem o tiver visitado). Como exemplo, meu pai faleceu em 2001. Cinco anos depois, alguns parentes apareceram em casa com uma estridente choradeira, como se o cadáver ainda lá estivesse. Por um momento, refilei em silêncio: que chatice deve ser agora para a minha mãe, a viúva, “reacender” o óbito…!

Ao contrário do que um ex-colega filipino de nacionalidade interpretara, óbito aqui neste texto não se refere ao funeral mas sim à cerimónia no seu todo, em que familiares e pessoas mais próximas se reúnem durante sete dias em casa do finado, culminando com o varrer de cinzas.

De folga no serviço e após breve visita à obra da casota, meti-me a caminho em companhia da kota (irmã mais velha) para ver o amigo Don Refer, cujo bebé de nove meses de idade foi sepultado anteontem. Don Refer, nome artístico de um cantor que procura lugar ao sol, é dos primeiros amigos que conheci quando em 1987 fomos morar para o bairro da Santa-Cruz, no Lobito, tendo depois seu irmão mais velho casado com uma de minhas irmãs.

Por muito macabro que possa soar, é factual que os óbitos servem de oportunidade para reencontros, dinâmica que é a vida no meio urbano e de tão desencontradas as agendas. De modo que falamos de tudo. Nisto surge Katele, promovido pelo jeito alcoólatra a (des)animador de óbitos. Com um faro facilitado pela pequenez das comunidades suburbanas, localiza óbitos, manda umas bocas (quantas vezes inconvenientes!), come, bebe e vai. Contam-se pelo menos três em tal categoria (para o meu desencanto, já digo porquê), no bairro que morei até 2008.

Dois desses (des)animadores são do meu tempo, com bom rendimento escolar, o que aliás ainda sobrou na articulação gramatical e no raciocínio lógico, apesar do efeito etílico e aspecto farrusco. São ambos um pouco mais novos que eu, com quem partilhei quilómetros entre a casa e a escola. Com o Katele, inclusive, e o que mais me custa aceitar, suportamos longas filas e a rabugice do sol para receber refeições nas cozinhas humanitárias do PAM, durante a crise humanitária pós-eleitoral de 1992. Anos mais tarde, veio a curva apertada da opção de embarcar para Luanda, onde se diplomou na escola dos vícios. Hoje tem a velhice tingindo de branco suas barbas, rouquidão na voz, e a ilusão de se achar no estatuto de mais-velho que seus mais-velhos. O segundo é, tal como o Katele, ex-acólito, que depois foi para o seminário, visto pela família como vocacionado para padre. É, diz-se, bom pedreiro, mas está sempre “acamado”.

Redutora como é a visão de um embriagado, Katele mandou a todos calar, menos a mim, o único que a seu ver dominava a língua inglesa e seu “teacher”. Conversa mais conversa, a possível, claro, ele justificou o seu deprimente (para mim) estado pelo facto de ser órfão de pai e mãe. Cuidei de logo lhe lembrar que Don Refer era igualmente órfão de pai e mãe, mas que se preocupou em conseguir trabalho, tem mulher e filhos, concluiu o ano passado a nona classe e quer ser cantor.

Não é de agora pois que as obras, enquanto seguem o curso da vantagem, exalam na mesma direcção transtornos em arco-íris.

Gociante Patissa, 19 Fevereiro 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Crónica: o bom do guarda Pedro João

Partindo do princípio de que as grandes conquistas são um somatório de pequenas vitórias, vai daqui um retrato para que fique registado. Voltei ontem pelas 6h00 da manhã à Universidade Piaget, propositadamente para localizar o guarda a quem entreguei o alicate-canivete. Tinha lá estado três dias antes, sem que lhe tivesse pois perguntando o nome, ou fixado o rosto, ou me lembrado de o abordar à saída. Disse que era mesmo ele e tinha a coisa no bolso, aguardando que eu voltasse. O caso do guarda Pedro bem podia não ter relevância, não fosse a dissonância de circunstâncias ultimamente. Senão, vejamos:

A obra da casa própria, finalmente ganhando forma, apesar do muito que ainda falta, trouxe ao meu imediato vocabulário a figura do guarda. O primeiro, que andava a vender água à socapa à vizinhança, e sempre que possível cimento, acabou sendo dispensado. Já o segundo, que no início até mostrava claros sinais de lealdade e empenho, deu conta que o patrão assume e não grita quando algo some, vai daí que entendeu que não lhe ficava mal subtrair ferramentas e afins para a sua casa. 

Por outra, nesta busca incessante pelo assento mais ajustado ao traseiro, fui ao Cyber do Akwá (não já o futebolista angolano, mas um vietnamita de pai e mãe) imprimir o curriculum vitae e duas dezenas de papéis entre certificados, declarações e cartas de recomendação. Na pressa de despachar pela DHL acabei esquecendo a pendrive de 4 Gigas, justo no computador da atendedora. Voltar lá no dia seguinte foi demasiado tarde para reavê-la. Simplesmente ninguém viu. "Se calhar um cliente levou", diziam.

E como a representatividade é sempre uma questão relativa, activa-se o cepticismo quanto à noção de coisa alheia. Quando o cabrito come radicalmente onde for amarrado, um guarda honesto é sempre novidade (também já não se fazem feiticeiros como antigamente...).

Gociante Patissa, Benguela 13 Fevereiro 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O outro lado da euforia no Egipto. "O circo da hipocrisia - Terra Comprometida ", artigo de opinião de José Goulão, publicado no Jornal de Angola

«O Egipto é o maior parceiro económico e comercial da União Europeia, através de acordos, parcerias e ambiciosos planos de acção negociados, aprovados e aplicados durante as últimas décadas entre as instituições de Bruxelas e o regime político-militar comandado pelo marechal-presidente Hosni Mubarak. Os Estados Unidos – seja com Reagan, Clinton, Bush pai ou filho ou Obama – contribuem anualmente com 1300 milhões de dólares para formação, equipamento e financiamento do exército do Egipto – desde sempre o principal pilar do regime que contribui, como nenhum, para a afirmação plena da aliança entre Israel e Washington à custa do desprezo permanente pelos direitos do povo palestiniano. Enquanto proclamam emocionadas sentenças de compreensão para com as reclamações dos egípcios, os dirigentes norte-americanos – com a concordância reverencial dos europeus – vão fazendo tudo para que a "transição" política se faça de maneira "ordeira" e "pacífica" garantindo a "estabilidade" do Egipto».


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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Luto na UEA: poeta Kunduma morre em acidente na estrada

(Texto da Angop) O poeta angolano Cândido da Silva “Kunduma” morreu na madrugada deste sábado, em Viana, Luanda, vítima de acidente de viação.

Kunduma, como é conhecido nas lides artísticas nacionais, era membro da União dos Escritores Angolanos (UEA), integrando a sua comissão executiva e ocupando o cargo de secretário para a administração e finanças.

A informação foi avançada hoje, domingo, à Angop pelo secretário para as relações exteriores da UEA, Albino Carlos, que diz tratar-se de uma grande perda para o mundo das letras angolanas.

Segundo o responsável, Kunduma era uma das revelações de poetas angolanos, tendo-se destacado entre a nova geração de escritores e provando a firmeza e qualidade dos escritos da nova geração.

“A sua morte representa um grande vazio no mosaico cultural angolano e fundamentalmente, tendo em conta o processo de renovação que vem decorrendo no mundo das letras no país com a entrada em cena de jovens com muito talento, que deram a literatura angolana uma perspectiva mais virada para o questionamento do ser do angolano”, reafirmou o responsável.


Actualização1 (Texto da UEA):



Biografia


Kunduma nasceu em Luanda, no último ano da década de 50 e faz parte da geração de jovens forjados no período pós – independência de Angola.
Fez Mestrado em Administração Geral Marítima no Reino da Suécia em 1986, com a defesa da tese “Maritime Transportation State Control”.
É Membro da união dos Escritores Angolanos, da Associação dos Economistas Angolanos, e Chefe do Sub-sector da Marinha Mercante junto da SATCC (SADC).
Obras publicadas, tem duas. É Mentira, publicada em 1997, e Aconteceu, publicada quatro anos depois, portanto, em 2001, Calamidade 2003.
O grupo do velho Ngongo chegou à sanzala que pretendia visitar. Porém eles não Acreditavam o que os seus próprios olhos viam no local visitado. Encontraram uma enorme multidão aí concentrada, nunca antes observada na respectiva sanzala e locais circundantes. O que mais os surpreendeu, foi a presença em massa de indivíduos que vinham das cidades. O numero de pessoas provenientes das outras sanzalas e das aldeias vizinhas era inferior em relação aos citadinos. Eram crianças, jovens, adultos e velhos de ambos os sexos, vestidos, de acordo com as suas origens. Enquanto a maior parte dos camponeses trajavam panos para cobrir a parte inferior dos seus corpos e apresentavam-se de tronco nú, as suas senhoras vestiam-se de panos e quimones e andavam descalças como os homens da localidade porquanto, estes só usavam calças e camisas normais quando convidados para participarem em cerimónias importantes, como por exemplo, receber uma ilustre visita ou ir às cidades próximas para venda dos seus produtos conforme os europeus.
Tais gentes eram operários, privados, funcionários públicos e religiosos. Chegavam de viaturas ligeiras, autocarros, motorizadas e inclusive de bicicletas. O estacionamento dos seus meios rolantes era feito de forma anárquica, o que dificulta ainda mais a movimentação das pessoas na sanzala. Mais tarde, as pessoas a construir grupos de acordo com os seus princípios religiosos, educacionais e cívico.
Extracto de um texto In: “Aconteceu” Capitulo III, p49.50.
Aconteceu, segunda obra de Cândido Pedro Tomás da Silva, é assim analisada pelo Escritor João Melo: “Esta segunda obra trata-se de um conjunto de três estórias que se entrelaçam, melhor, que se colam umas às outras, mas que a meu ver, não chegam a construir um romance -, ganharia alguma coisa, penso, se o autor acrescentasse um ponto de interrogação ao título. Isso reforçar-lhe-ia o tom de relativa ambiguidade já presente, como disse, na sua estrutura, o que é sempre um interessante recurso literário...
Há entretanto, um procedimento do autor que chamará certamente a atenção dos leitores. Trata-se da transposição de estórias ou factos aparentemente localizados em épocas passadas (durante a colonização portuguesa?) para o actual cenário reinante no país, no qual pontifica a guerra fratricida que nos divide e dilacera desde a independência, sem esquecer, também o fenómeno do bom religiosos verificado nos últimos dez anos, com todas as suas grandezas e misérias. Esse procedimento diga-me não é um mero exercício de estilo. Assoma, por detrás dele, uma finalidade, digamos assim, cívico-pedagógica: dar lições aos leitores, á boa maneira das estórias tradicionais (e também – será isso apenas uma coincidência? – da herança socialmente comprometida da própria literatura angolana moderna). Mais uma vez, portanto, Kunduma prefere ser coerente consigo mesmo, do que arriscar-se por exercícios formais modernos”
UEA-Digital, Seomara Santos

Edvânia, o novo "lançamento" da escola prática de jornalismo que é Benguela

Vi ontem na TPA canal 2 a Edvânia. A "nossa" menina de Benguela, que começou na Rádio Morena em programa infantil, está em Luanda, com micro de lapela a apresentar o programa Cine TV. Força aí!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ocilongua: parábola

"Kunde kayandela kowangu, oco ongombo wata la muku" = Se o feijoeiro consegue crescer entre o capim, é porque teve prévio acordo com o rato.

Wasapuila ko kota (contado pela mana mais velha) Arminda Kanjala Gociante Patissa

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Caravana do cantor Cabo Snoop sofre acidente rodoviário: três mortos e número de feridos por confirmar, segundo comandante municipal da polícia no Lobito, superintendente Capusso (actualizado)

(Na foto: Ho Chi Fu, IVM e Cabo Snoop, na Consagração de CS e o tema Windeck como o melhor cantor lusófono da MTVBase)

Acidente rodoviário compromete agenda de actuações de Cabo Snoop, o maior sucesso do ku-duro de momento, que se notabilizou na arena musical angolana pelo tema "Windeck" e o carisma em palco. Na tarde de Hoje (03/02), o mini-autocarro que transportava parte da equipa estourou um dos pneus, em função do qual o motorista perdeu o controlo do veículo, na comuna do Culango. Três pessoas perderam a vida, duas das quais no hospital do Lobito, segundo avançou o comandante municipal da polícia no Lobito, superintendente Capusso, entrevistado ao telefone pelo jornalista Gilceu de Almeida, do programa "Dimensão Jovem" da Rádio Benguela. Sem revelar a identidade das vítimas mortais da tragédia, assegurou apenas que Cabo Snoop se encontra ileso e que vinha em outra viatura.

A "Power House", de que Cabo Snoop é a joia, tinha agendado um fim de semana recheado de espectáculos em Benguela, para saudar o feriado prolongado no contexto do 4 de Fevereiro, a data do início da luta armada de libertação nacional. A estrada foi a via escolhida para ligar Luanda a Benguela, numa caravana que integrava técnicos, responsáveis pela produtora e os dançarinos.

Depois de há pouco menos de um mês ter actuado em Terras de Ombaka, desta vez volta a convite do promotor Cláudio Pleya, que tem sido parceiro do grupo "O Escondidinho". O "Solar dos Leões", à praia Morena e propriedade do referido grupo, acolheria um dos espectáculos. A vila da Catumbela preparava-se também para acolher um dos shows. Ouvido igualmente pela Rádio Benguela, Cláudio Pleya, que se recusou a confirmar a ocorrência ou não de morte, adiantou que Ho Chi Fu, mentor da "Power House" e proeminente figura na realização de videoclipes, integra os feridos graves sob cuidados médicos no Lobito.

Actualização:
Numa reportagem da TPA, ficaram confirmadas as mortes de Ibrahim Martins "IVM", o produtor musical, sua  irmã Márcia Martins, cantora da "Powerhouse", mais um dançarino.

Actualização2:

Os demais integrantes do elenco, incluindo o próprio Cabo Snoop, regressaram na tarde de hoje  (04/02) para Luanda no voo da operadora angolana Diexim Expresso. Desolação era comum no semblante, o que não impediu o artista de ir dando explicações pontuais à medida em que os fãs e curiosos o abordaram.

A LS, que agencia a Power House, fez deslocar a Benguela o também músico Sidney o Profeta para junto dos familiares e amigos acompanhar os procedimentos necessários. Até bem perto das 16h00 de hoje, acreditava-se que os feridos seriam evacuados para a capital do país. O feriado hoje registado impediu a conclusão da papelada necessária para a transladação dos restos mortais de IVM e dois outros colegas para Luanda, onde residiam, o que poderá ocorrer inicialmente manhã.


Gociante Patissa

PS: O Blog Angodebates e o seu editor endereçam à família enlutada (bem como à classe artística de modo geral) os seus pêsames. Rápidas melhoras aos doentes.


Actualização3 (Angop 06-02-2011:

Produtor musical IVM e irmã vão terça-feira a enterrar


O músico e produtor Ibraim Veríssimo Martins “IVM”, e a sua irmã e cantora Márcia Morais Martins, ambos falecidos quinta-feira, vítimas de acidente de viação, vão terça-feira a enterrar no cemitério da Santana, informa uma nota enviada pela família à imprensa. De acordo com o documento da família, o velório irá decorrer nos bombeiros, partindo o cortejo fúnebre dali para o cemitério da Santana (foto da Angop).

Família do produtor musical IVM agradece apoio da Sociedade ante a morte dos filhos


A família do músico e produtor Ibraim Veríssimo Martins “IVM”, e da cantora Márcia Morais Martins, ambos falecidos quinta-feira, no percurso Luanda/Benguela, vitimas de acidente de viação, agradecem o apoio e solidariedade prestados pela sociedade, que se curvam perante a dor e o vazio que deixam estes promissores artistas da música nacional.


“É com profunda consternação que nós recebemos a notícia do desaparecimento físico dos nossos filhos, cujos feitos serão sempre lembrados por toda a família, amigos, especialmente pelos amantes do sucesso Windeck (premiado na MTV BASE África 2010, como melhor performance lusófona)”, refere a nota da família, chegada este domingo à Angop.


De acordo com a família, IVM, homem de trato fácil, marcou profundamente pelo seu carácter calmo, apaziguador, amigo e solidário com o próximo.


IVM, de 29 anos de idade, perdeu a vida, quando se desloca à Benguela, com uma caravana artística para espectáculos agendados pela produtora PowerHouse, de que era músico.


Do acidente resultou também a morte de sua irmã Márcia, cantora de 12 anos que se lançava no mundo musical, e um outro integrante, Dadão, do grupo Os Cazumbi.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Diário 01.02.11

Recordo de, em pequeno, termos uma discussão daquelas com um amigo que nos tentava impingir a ideia de que ele nunca sonhava, que ia para cama apenas e não sabia o que era sonhar. Hoje, duas décadas por aí volvidas, acrescentaria na minha posição: que seria a realidade dos homens se não gozassem da agradável imposição natural que é sonhar?...