PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 31 de outubro de 2010

Crónica: "Brasil um pouco mais longe"

Que moral teria o dicionário para definir prostituição, se nada diz de dor no coração?

Melhor mergulhar na vox populi para sugar dela o molho do afecto, é que o dicionário não tem coração nem sente dor. Fica portanto explicado o porquê de definir ambos os termos com ocas palavras, como sempre acontece quando lhes falta a linguagem corporal… da empatia.

Uma amiga europeia define prostituição como sendo o «uso do corpo para obter benefícios». A outra diz desgostar que lhe toquem o ombro, excepto em ambiente íntimo, pese embora, como executiva profissional que é, procure disfarçar para não parecer antipática. A primeira alinha, e sentencia: «somos todas prostitutas, até certo ponto».

Já lá vai quase um ano, e o silogismo continua soando como canção inacabada no meu subconsciente. É como se tivesse sido concebido para ilustrar este conflito, muitas vezes não expresso, da maioria de angolanos – permitam-me arriscar na generalização estatística – que trabalham em coisas muito distantes de suas habilidades ou vocações.

Tinha eu 15 anos em 1993, quando consultei uma Foto. Precisava de trabalhar para custear os encargos escolares de quem andava na 7ª classe. Tinha já vaga ideia do trabalho em fotografia, graças à experiência fracassada de meu pai e seu irmão em investirem no ramo, em finais de 80. Pouco a pouco, fui dominando os segredos da arte, naquela época do preto e branco, quer atrás da máquina, quer na câmara escura. Porém o entusiasmo de aprendiz não sobreviveu a reincidentes excessos dos patrões, para quem sete horas da noite era ainda cedo para largar. Foi assim que entrei para o mercado do trabalho.

Em 1996 ganhei noção do que queria ser e podia fazer, se cruzasse com a oportunidade de aprender e experimentar. Mas não passei disso.

Em 1999 obtive certificado de operador de computador, mas não veio com isso a sorte de passar a funcionário, continuei sendo trabalhador no que posso considerar até hoje o pior emprego da minha vida, a Sonamet. Ganhava ironicamente USD 120/mês como ajudante de soldador, sendo na prática armazenista e interprete/tradutor de um superintendente francês, que era bom como chefe, mas também cobarde quando o assunto fosse justiça salarial e ascensão profissional. (“Há os que mandam e aqueles que pensam que mandam”, segundo destrinça de um certo dirigente angolano. “... E os que pensam em mandar e os que mandam sem pensar”, o acréscimo é de uma amiga do Blog Angodebates.) Dez horas úteis por dia, sendo que a alegria ficava fechada do lado de fora do portão, só sendo recolhida na hora de largar. Foi assim durante 22 meses. Daí fundei uma ONG, o que abriu portas para outras experiências, incluindo internacionais, e alargou o sentido de exercício da cidadania.

E é com alguma perplexidade que, 17 anos volvidos desde o embarque ao mundo do trabalho, me vejo forçado a abrir mão da primeira oportunidade de participar em conferência internacional como escritor, isso, para preservar o emprego actual e as benesses que ele implica. Um silêncio do alto bloqueia o dreno da dispensa, que devia acontecer até ao meio dia de 2ª feira, 1 de Novembro. Ficam sem efeito o visto e a comunicação há um ano preparada. Eu já devia saber que “a esperança é, às vezes, a mais cruel das ilusões”.

Alguns empregos são em muito comparáveis às drogas, sabemos que nos fazem mal, e até estão teoricamente à vista inúmeras alternativas, mas lá está o homem dependente da sensação de bem-estar. De facto "a liberdade é o direito que cada pessoa tem de escolher a sua própria opressão".



Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 31 Outubro 2010
 
PS: "Outros dias e oportunidades virão", acaba de me dizer em jeito de consolo um confrade. Concordo, ciente embora de que outras oportunidades tanto poderão ser de êxito, como de desilusão, na medida em que "tenho vocação / tenho barriga / não tenho às vezes é como me guiar / quando não escolhem ambas o mesmo itinerário".

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lei do Estatuto das Línguas Nacionais apresentada pelo Ministério da Cultura

(Texto: Jornal de Angola, 20/10/10)

O Ministério da Cultura apresentou ontem, na sala de sessões da antiga Câmara Municipal, na cidade do Uíge, o Ante-Projecto Lei sobre o Estatuto das Línguas Nacionais. 

O director do gabinete jurídico do ministério, Aguinaldo Cristóvão, disse, durante o acto de apresentação do documento, que é importante organizar debates e recolher contribuições, para que nos próximos dias seja remetido ao Conselho de Ministros e posteriormente à Assembleia Nacional para a aprovação. “A apresentação do diploma visa dar a conhecer aos delegados de todas as províncias a posição do Executivo sobre as línguas nacionais e posteriormente conseguir a sua aprovação na Assembleia Nacional”, sublinhou.

O documento tem cinco capítulos e 48 artigos. Está em fase avançada de estruturação e retrata de forma generalizada o uso das línguas nacionais nos vários sectores da vida socio-económica do país. Vai regular a política de promoção, valorização e divulgação das línguas faladas no território nacional e escolher as que vão ser utilizadas como línguas veiculares no país e que são integradas no sistema de ensino e aprendizagem, e utilizadas na comunicação social. “Existem línguas semelhantes que são faladas em determinadas regiões do país. Os linguistas angolanos estão a identificá-las, o que já nos permitiu eleger oito das principais línguas faladas que podem ser já introduzidas no sistema de ensino e usadas na comunicação social”, disse. 

O ante-projecto lei sobre o estatuto das línguas nacionais, em fase de conclusão, defende que algumas ruas, travessas, avenidas, bairros e cidades tenham também denominações em línguas nacionais.  “O ante-projecto lei reserva igualmente um capítulo que repudia a descriminação linguística. Este capítulo defende que ninguém tem o direito de destratar ou maltratar a dignidade de outra pessoa por falar uma determinada língua”, frisou. O linguista angolano e docente universitário, Vatomene Kukanda, afirmou, no Uíge, que uma língua usada por vários povos pode ser falada de forma diferente em cada região, mas no acto da sua escrita os critérios convergem.

O linguista destacou a diferença que existe entre a pronúncia e fonética da língua nacional kimbundu falada nas províncias de Luanda, Malange e Kwanza-Sul. Vatomene Kukanda disse ainda que “a língua nunca foi falada da mesma maneira pelas diferentes gerações”.

O linguista e docente universitário revelou que os estudos efectuados sobre as línguas nacionais de origem Bantu, apontam para a existência de mais de nove grupos etnolinguísticos, com maior destaque para o kikongo, kimbundu, umbundu, tchokwe, fiote, oshiwambo, luvala e nganguela.  Vatomene Kukanda defende a escolha de uma combinação comum entre as línguas nacionais para a adopção de um modelo padrão que permita a criação de gramáticas e dicionários de línguas angolanas, com vista a facilitar a divulgação, promoção e ensino destas línguas.  

“A principal maneira de criarmos gramáticas e dicionários em línguas nacionais é começar por escolher uma variante comum entre as diferentes formas de falar uma língua. Depois de escolhermos a variante devemos organizar o alfabeto, a fonética e depois as regras de transcrição para facilitar a escrita”, concluiu.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

poemas do meu dorso: "alçado posterior da água"

E começou a chover
gota atrás da outra
no tecto solteiro a orquestra
o asfalto a renascer
na sanzala porém é reza
para o tecto não ceder

Gociante Patissa, Benguela 19 Outubro 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Tramaram (ou tramou-se) o rapaz?

Em franca ascenção profissional, lobitanga apresentador da TPA e radialista de relevo em Luanda vê-se num escândalo daqueles por exposição na Internet em vídeo pornográfico caseiro, de telemóvel, onde, segundo a revista/site Platina, ele e mais um amigo envolvem-se com uma menina, aparentemente casual, que à partida não se sabe se é ou não prostituta. 

Diz ainda a "bomba" que o vídeo terá sido filmado em 2007, tendo em conta o som ambiente do quarto indicar novela brasileira emitida naquele ano.  A revista/site (que alega questões de ética para exibir apenas fotos da cena e não o vídeo como tal) desafia ainda os visados em caso de quererem mais detalhes sobre o vídeo que se diz durar 23 minutos e sem grande qualidade, embora seja fácil reconhecer os "personagens". 

Há quem fale mesmo em suposta demissão sumária de que terá sido alvo o lobitanga, embora se for verdade os fãs e não só possam questionar, quanto a mim com razão, da dualidade de critérios, tendo em conta que recentemente uma colaboradora da TPA brindou o mundo com transmissão em directo de relações sexuais mantidas no contexto de concurso internacional (sem ser despedida por isso, não obstante a onda de indignação nacional). Enfim, é mais uma para figuras públicas reflectirem sobre (o direito a) traquinices íntimas.

Qual é a sua opinião a respeito?

Gociante Patissa

sábado, 16 de outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

perspectivas...

Pouco antes do noticiário das 12h00, hoje, locutor de uma rádio da cidade enfatizou a seguinte notícia: DUAS MAIORES PRODUTORAS AMERICANAS DE PORNOGRAFIA SUSPENDEM FILMAGENS, DEPOIS QUE UMA ACTRIZ ACUSOU POSITIVO NO TESTE DE  VIH (vírus da SIDA). Já o ano passado, disse o locutor, ocorreu caso similar com um homem (cuja identidade foi igualmente mantida em anonimato), tais actores infectaram-se em serviço. À noitinha, dei boleia a duas senhoras e levantei o assunto. A reacção delas foi de causalidade directa: "Esperavam o quê?! Quem brinca com fogo ganha gelo?..." Para elas, a rádio estava a prestar-se a um pleonasmo.

Se estiver em Benguela, não deixe de comprar livro de contos A Última Ouvinte, na Tabacaria Grilo, edifício do mercado municipal (1.000 kwanzas o exemplar)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Entrevista: “a poesia é o género mais nobre da literatura” (escritor Domingos Florentino ou o político Marcolino Moco)

Entrevista cedida ao Semanário Angolano AGORA (e tirada ao site de MM http://marcolinomoco.com/?cat=4)

AGORA – O que é ser escritor num país onde pouco se lê?
Marcolino Moco – Ser escritor, em qualquer lugar do mundo, é criar e e espalhar sonhos, por onde for possível, e apanhe-os quem poder e os misture com seus sonhos.

AGORA – Como vê a produção literária em Angola?
MM – Angola é, essencialmente, produto do sonho de muitos dos seus escritores, sobretudo seus poetas. Por isso, não obstante as adversidades, tem havido uma razoável produtividade literária. A minha preocupação é que esse parto algo promíscuo, mas positivo e pertinente a seu tempo, não seja eternizado com actuais gestos perniciosos de politização e partidarização da criação literária ou de outros géneros artísticos. Exemplifico com a instituição de comités de escritores de um partido ou com a retirada de um prémio literário a um grande poeta, falecido há cerca de 40 anos,  atribuído por júri competente, sob a égide de uma instituição governamental, por ordens do partido governante,  assentes em critérios descriminatórios atávicos e vergonhosos mesmo,  prontamente aceites e executadas por uma intelectual de grande craveira, a exercer funções governativas,  como se soube.

AGORA – Fale-nos um pouco sobre “Terra de Sonhos”, como surgiu a ideia inicial para a criação desta obra?
MM – Essencialmente poeta, e um poeta mais de inspiração momentânea,  do que de textos laboratorialmente pensados e trabalhados, Domingos Florentino, por longo tempo atrapalhado pelo heterónimo Marcolino Moco, dificilmente regista quando e como lhe vêm as ideias para a criação de seus textos literários. Mas, creio que “Terra de Sonhos” surge naqueles anos, início deste milénio, em que observamos eclipses sucessivos do Sol, em Angola. Amador da astrofísica, imaginei que a aldeia onde nasci e cresci,  nasceu súbita e inexplicavelmente, no fim de um eclipse total do Sol. E assim terá surgido “Terra de Sonhos” ou, na minha língua materna,”Vimbo li’olonjoi”, que traduzido literalmente significa “aldeia de sonhos”.   

AGORA – Usa algum método para escrever os seus livros? Onde gosta mais de escrever? Começa por inventar as personagens todas e o enquadramento da história ou vai surgindo ao escrever?
MM – Como disse, Domingos Florentino, devido ao facto de usar a mesma cabeça e as mesmas mãos que Marcolino Moco, homem absorvido, anos a fio, em criações de outra natureza, não planifica a sua produção literária.  Provavelmente agora, se um maior repouso deste último o permitir,  Domingos Florentino tenha tempo para uma produção de maior fôlego e que, ipso facto, tenha necessariamente que planificar o seu trabalho. Não é por acaso que o “Vimbo” é o meu primeiro livro de contos, que quanto à poesia  (especialmente aquela que é meramente inspirada) exige sempre um maior fôlego, o que não significa que esteja de acordo com aqueles que pensam que haja uma relação de graduação de qualidade literária que começa na poesia e tem a sua maior dimensão no romance. Pelo contrário, penso mesmo que, em algum sentido, a poesia é o género mais nobre da literatura.   

AGORA – Em termos literários como vê o futuro da literatura angolana?
MM – Há um futuro promissor. Se o apoio que é legítimo esperar das instâncias governativas, numa altura em que tudo está em fase da arranque, não for confundido com a instrumentalização político-partidária. Embora a independência na criação literária, como aliás em tudo o que se preze, deva ser uma essencialmente resultante intrínseca da atitude dos seus autores, que assim mais se valorizam e mais valorizam a criação artística. 

6.Temos um povo que sofre muito.  É possível, através da literatura, reconciliar a cultura popular com a cultura académica?
MM – Não sou concordante que haja, por um lado, uma cultura popular e, por outro, uma cultura académica. Penso que toda a cultura nasce do povo.  O povo e a sua actividade quotidiana é o fundamento e substrato da cultura que é manuseada, cada um a seu modo, pelo criador de arte literária ou outra arte qualquer, por um lado, e pelo académico, por outro lado.  O sofrimento e outros elementos vivenciados pelo povo misturam-se nesse substrato. Onde quer que nos imaginemos, a cultura e a criação não devem beber apenas do sofrimento do povo, mas também das suas alegrias,  esperanças e sonhos. Neste sentido, literatura, (não manipulada) é na verdade, uma reconciliação geral em cada comunidade historicamente dada. Costumo preconizar, e talvez o “Vimbo” seja um pouco a metáfora deste apelo, que o escritor, ou mais amplamente, o intelectual angolano, deve esforçar-se por conhecer melhor a alma angolana,  que não se esgota na sua vertente ocidentalizante e modernista, quiçá, aquela que se constitui na locomotiva do progresso, mas que não pode deixar atrás a vertente das comunidades tradicionais, com toda a sua vastidão e riqueza antropológica e cultural. Daí a importância do conhecimento das chamadas “línguas nacionais”, que eu prefiro chamar de “línguas africanas de Angola”, na medida em que o Português é também, e cada vez mais, uma língua angolana. É evidente, que estão fora desta “exigência” os escritores angolanos que, pelo seu talento, assumem uma vocação mais universalista, já que a cultura, e neste sentido, não pode ser vista como confinada a espaços e restrições territoriais.

AGORA – Quem considera o maior crítico angolano?
MM – Não me tenho dado a essas contabilidades, mas, penso que entre muitos, como David Mestre,  Jorge Macedo, Lobito Feijó e Akiz Neto, será Luís Kandjimbo o mais prolífero e conhecido crítico literário, pelo menos em vida.

AGORA – O que a Universidade deve a sociedade?  
MM – Repetiria o que disse respondendo à questão nº 6 porque, na verdade, a Universidade é uma vertente da cultura e a cultura deve alimentar-se da actividade do povo, sem que isto seja encarado dentro de uma visão xenófoba e rejeitadora dos valores universais, elemento fundamental, como a própria palavra “universidade” o diz. Infelizmente, devido aos reflexos da política assimilacionista do colonialismo português em Angola,  cuja inércia não foi estancada no período pós colonial que vivemos, quanto mais nos instruímos, mais nos afastamos da matriz tradicional, com toda a sua riqueza cultural, como já referi. E, assim, a Universidade tem dificuldade de ir a um encontro integral com a sociedade. Daí, sob o meu ponto de vista,  estar hoje a sociedade preocupada, com um número cada vez maior de gente que não consegue encontrar a sua própria identidade, com os distúrbios sociais que isso acarreta.  

AGORA – Que conselhos daria à nova geração de escritores?
MM – Conhecer a realidade angolana e africana e aproximar-se, sem complexos dos valores universais, através de muita leitura e observação; ler clássicos angolanos e universais e libertar a criatividade.  

AGORA – Que lembrança mais tenra teve do contacto com a literatura?
MM – Na minha adolescência, entre muitos autores portugueses, como Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Antero de Quental, Alexandre Herculano e Almeida Garret,  li e extasiei-me imenso com Camões, especialmente, o lírico, bem como com o romancista Júlio Dinis. Mais para os tempos da juventude rebelde, deixei-me envolver pelos poetas da libertação: Agostinho Neto, António Jacinto, Viriato da Cruz, Costa Andrade, Jofre Rocha, Mário António, António Cardoso, Léopold Sédar Senghor, etc., romancistas americanos que se liam em inícios dos anos 70 como Irving Wallace ; ultimamente, a descoberta do mundo extraordinário de Shakespeare e muito realismo mágico com Franz Cafka e José Saramago.

AGORA – Existe a ideia de que nem sempre ter talento e escrever bem são as “receitas” para o sucesso, mas as boas relações do escritor no meio literário. Qual a sua opinião sobre isso?
MM – Não conheço a história de hábitos dos escritores ou outros criadores de sucesso. Mas creio que tudo dependerá de muitos factores de ordem objectiva e subjectiva a aliar-se, naturalmente, ao talento. Poderá ter acontecido haver ou ter havido escritores com talento, boas relações e cujas obras nem são conhecidas porque não publicadas ou mal publicitadas. O inverso também pode acontecer. Diz-se, por exemplo, em certos círculos,  que o que o escritor brasileiro Paulo Coelho escreve não é literatura, propriamente dita, mas a verdade é que homem vende, vende até não parar, e, com os seus leitores a pensar que estão a consumir uma verdadeira literatura e no sentido mais estrito do termo.      

AGORA – Principiantes podem viver  apenas da escrita?   
MM – Nem principiantes nem veteranos, acredito, podem viver da escrita, pelo menos em Angola. Não acredito que se perguntarem isso a Pepetela, o mais celebrado e bem sucedido romancista angolano, possa dizer o contrário. Escrever é antes de mais, uma realização espiritual do que material.  

AGORA – O que acha do sistema de cooperativa, onde vários autores pagam para publicar numa colectânea?
MM - Ideia interessante. Sobretudo se a cooperação não se limitar ao domínio meramente material mas também se estender a questões de superação mútua,  no que diz respeito ao domínio do conteúdo produzido.

AGORA – Projectos literários em carteira?
MM – Domingos Florentino vai continuar a produzir poesia e conto, e, amanhã, quem sabe, romance. Tudo depende do tempo que Marcolino Moco, o homem e criador noutras vertentes, lhe deixar a disposição. Não haverá obsessões. Tudo será natural. Já tem próximos títulos em poesia: “Canto Sereno”, “l(í)i-ricos-clamores” e “O mar, as coisas e o nome delas”.  

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

bocas banais: um susto daqueles

Há três dias que não via minha pasta (carteira) de documentos. A princípio não me importei, pois não precisei nem me apeteceu conduzir. Hoje, voltei à casa da kota (mana), onde pensava que havia deixado a maldita por esquecimento, mas nunca mais aparecia, e não estava. Naquele momento, passava pela cabeça a maçada que seria andar pelas instituições e repartições públicas para tratar a segunda via por exemplo do BI, cartão de eleitor, carta de condução, cartão de membro da UEA, cartão multicaixa, enfim… a começar mesmo pela participação à polícia. Por sorte, a maldita pasta estava entre papéis na minha (altamente) desorganizada casa. Como diria o jornalista (da TPA) Lutonádio Kunsunga, naquele ímpar jeito de relatar falhanços no futebol africano, “não foi déééééééstaaaa!!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

Bonga "causa" embaraços à organização do Top dos Mais Queridos

02/10/10: Decorre neste momento em Luanda a edição nº 20 do Top editado pela Rádio Nacional de Angola, criado em 1982. A Bonga, um dos convidados especiais para a iniciativa da homenagem ao instrumento "dikanza" (reco-reco), de que é o mais visível internacionalizador, foi dada a oportunidade de actuar na abertura do espectáculo. Uma só música (com voz) antecedida por curta entrevista sobre sua trajectória no palco e um número instrumental. Isso causou imediatas vaias a Salú Gonçalves, o rosto visível do top e mestre de cerimónia. Era como se fosse "um insulto" trazer Bonga para tocar só "um cheirinho". Quase em uníssono, o público exigiu o regresso ao palco do kota Bonga, para o engasgo do apresentador, que no entanto não cedeu, e as vaias demoraram um bom bocado. Moral da história: Bonga é mesmo Bonga, não se aconselha "consumí-lo" a conta-gotas. Bom barómetro.

Gociante Patissa

PS: com ondas de insatisfação e polémicas à mistura, o juri (na base da votação pública em papel e suporte electrónico) da edição 2010 do Top dos Mais Queridos elegeu Yola Semedo com o tema "Injusta" (letra e música de Matias Damásio) como primeiro classificado, sendo segundo na classificação (e aqui o pomo dos apupos da assistência e cá fora) a cantora Ary com o tema "vai dar bum", ficaram em terceiro lugar os Irmãos Almeida com o tema "vou ficar com as duas". O prémio da crítica foi a tribuido a Nanuto, pela qualidade do CD Chimbica.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Em cartaz

Fenómenos linguísticos: "parte do princípio de que não me chamo minha kota"

(Enquanto aguardávamos pela última parte do atendimento nessa coisa de registo criminal, entra um jovem...)

Gerente: Então o senhor, quando tratou o documento, não leu que só fazemos entrega no periodo da tarde, das 15h00 às 18h00?

Cliente: Ainda só são 11 horas, faz favor... (exibindo o recibo) São dois processos...

Gerente: Ainda mais... o outro tratou com quem?

Cliente: Um foi mesmo com a minha kota...

Gerente: Olha, parte do princípio de que não me chamo "minha kota". Ou me trata por senhora, ou pelo meu nome. Também não o trato por miúdo... Nós não adamos juntos...!

Cliente: É desculpar... vai-me desculpar...