PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 29 de agosto de 2010

Crónica: Músico Presilha da B’Max ou o magrito Kinito Calei do morro do Lobito?

Há muito que venho adiando esta crónica, digo há cinco anos, o que pode muito bem não ser tanto assim nessa era da “ditadura do relativismo”. As razões do adiamento são pessoais e nacionais ao mesmo tempo. Nacionais, porque temos um país onde se tornou suspeito tecer elogios, públicos ou não, a pessoas bem sucedidas ou figuras notórias da sociedade – isso, por causa de gerações que, para a nossa desgraça, usaram e abusaram da fórmula, ao ponto de o elogio, que era suposto brotar do coração, passar a vir da garganta, descendo em direcção ao bolso, naquela táctica da letra “B”. Pessoais, porque sendo filho de minha mãe, para quem a pessoa deve aprender a usar o nariz, é já tarde para aprender o contrário.


Cruzei com ele pela primeira vez, em 1999, na Zona Comercial (28) do Lobito. Foi-me apresentado como irmão do colega de serviço com quem partilhava a suite no terraço do prédio defronte a Gráfica Magalhães (o que não era verdade, vim a saber mais tarde). Na altura, a moda era usar calças Jeans da marca Levi’s Strauss 501 (straight), adquiríveis somente no mercado paralelo de balões de roupa usada “fardo”, daquelas que tinham os guardacintos laterais pregados à costura mais abaixo, por outras palavras, as que “pregavam”. Moda também era investir em tudo que fosse camisa ou camisola de marca.

Kinito Calei. Franzino, humilde, algo acanhado, mas com aquele aspecto visível de quem queria ir longe. Ainda o vejo com o teclado a tiracolo, na paciente frequência às aulas de órgão do mestre Semedo, pai dos Impactus 4, que residia bem ao lado da Casa do Desportista, mais ou menos onde actualmente fica a DHL. Kinito, que com o tempo foi adoptando a alcunha de “Presilha”, morava na Zona Alta do Lobito, precisando de apanhar um táxi até à praça do Chapanguele e daí outro para chegar à Zona Comercial, o centro da cidade. A minha relação com o colega foi-se incompatibilizando, terminando a coabitação já no fim do curso de informática, que era a razão de eu ter ido morar sozinho pela primeira vez na vida.

Naquele mesmo ano, fundei com amigos a AJS, uma pequena ONG angolana que adoptou como divisa “Humildade, Justiça e Solidariedade”. E a primeira oportunidade de capacitação foi um seminário sobre elaboração de microprojectos, onde conheci a Zila Calei, isso já em Agosto de 2000. Além de bonita, ela tinha um nível de Inglês raro para as meninas autodidactas, mesmo. Foi ali que fiquei a saber da história de persistência musical da família Calei. O pai, funcionário bancário reformado,  é mentor de um sonho que o levou a investir em meios e capacidades para com os filhos cantar, buscando almas para Deus. “Conversão” é o nome da banda, de que conheço o Heth, baixista, Kinito (DJ Presilha, se quiserem), tecladista e guitarrista, Zila, vocalista (não cheguei a conhecer pessoalmente a Mãezinha, também vocalista).

O mais-velho Calei tem passagem pela IESA (Igreja Evangélica Sinodal de Angola), a mesma de minha família. Serviu ainda a Cruz Azul, um movimento cristão de combate às drogas. Talvez um pouco contra a vontade do pai, Joaquim Valeriano Calei viria a “fugir” para Luanda, sendo recebido e retemperado pelos estúdios da Beto Max Produções. Mas em 2001, ainda no Lobito, recordo ter visto o jovem preocupado em programar acordes no órgão para o show com Euclides Dalomba. Portanto, já estava bem encaminhado. E antes da ida a Luanda, onde conquistou todo esse sucesso como produtor e tecladista da Banda Voga, rentabilizava os meios e as capacidades, enquanto produtor de instrumentais e sonoplasta caseiro, pelo que cobrava qualquer coisa como USD 15 por música. Pessoalmente encaminhei Don Refer, com o tema promocional “kamba do peito”, um produto final que agradou a minha sensibilidade.

Em 2004, tive o Heth e o mais-velho Calei como convidados no “Palmas da Paz” (era de Zila a voz feminina dos indicativos e vinhetas do programa), que eu realizava e moderava ao serviço da AJS através da Rádio Morena Comercial. Falamos do contributo dos artistas à reconciliação nacional. Nessa altura, já tinham um CD, que me parece não ter sido devidamente promovido e continua desconhecido, até em Benguela. Em 2006, a Rádio Luanda premiava Presilha como melhor artista produtor daquele ano.

Confesso que sempre me intrigou o facto de o DJ Presilha, que chegou a acompanhar Patrícia Faria no Kora, aparentemente não “puxar” a Zila, também a residir em Luanda. Finalmente, ao passar pelo programa “Hora Quente” de Pedro Nzagi, na semana passada, o rapaz deu a notícia que sempre esperei: “Nós temos um grupo familiar, a Banda Conversão. A Banda continua, vamos já agora, se calhar, é tirar outro CD”. E não fiz outra coisa quando o vi, hoje, no meu local do ganha-pão. Usando o meu direito de mais velho dele de há onze anos, confrontei-o em tom policial. “Kinito, aquela informação que avançaste, sobre a vossa banda familiar estar a preparar um disco, é mesmo verdade?”, ao que me respondeu “sim, é”.

Assim sendo, só me resta reiterar meus votos de êxitos à família Calei, da Banda Conversão, no fundo a origem de todo o sucesso do produtor musical Presilha Calei (que a solo tem já três álbuns). Assim é que é!

Gociante Patissa, aeroporto da Catumbela, 29 Agosto 2010.
Foto da Zila tirada do seu Facebook (não me leves a tribunal, faz favor, ya?)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Novidade!!!! Para quem estiver em Luanda, livro de contos "A Última Ouvinte" pode ser adquirido na Feira do Livro e da Música no Cefojor

Acabo de notar numa reportagem do Janela Aberta (TPA), a partir do Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), onde decorre a Feira do Livro e da Leitura. O meu livrito de contos está na montra da União dos Escritores Angolanos, onde pode já ser comercializado (enquanto se prepara lançamento).

Não custa nada, se estiver em Luanda, compre só o livro do outro, está bem??????!!!!!!

Para saber mais sobre a feira, clique aqui

PN apresenta autores do assalto à Agência do BAI da marginal de Luanda


Os autores do assalto à dependência do Banco BAI, da Avenida Marginal, em Luanda, foram já detidos e apresentados pela Polícia Nacional, nesta Terça – feira, 24/08, entre eles está o próprio tesoureiro da agência, que confessou o crime, a Reportagem da TPA.
Foram apresentados o Tesoureiro e o caixa do Banco, bem como um outro elemento que entrou na agência para simular o assalto, com uma arma que por fim se afirma que era de brinquedo.
“Eles disseram-me que não havia problemas nenhuns que nada iria acontecer, era só deixar a barba crescer mudar um pouco a aparência porque estava tudo controlado e que eu devia ficar o mais discreto possível”, explicou o suposto assaltante, de nome Paulo Jorge, de 34 anos de idade.
Adejame Filomeno Santos, o tesoureiro, 32 anos, confessou que, o dinheiro roubado serviria para pagar a compra de uma casa no Projecto Nova Vida, que estava a ser fortemente concorrida por outras pessoas.
“Eu estava a ser pressionado para pagar a casa, razão pela qual…tentação, uma vez que eu trabalho com dinheiro, infelizmente cometi este erro e aconselho ninguém a cometer porque não houve êxitos”, confessou o tesoureiro.
Já Moisés Kifuta, 22 anos, o caixa, alega que, não tinha qualquer envolvimento com o assalto e que foi apenas ajudar o seu colega a contar as notas do maço de 100, longe de imaginar qualquer combina com o cliente.
Com os resultados desta operação, a Polícia Nacional, reiterou o alerta a todos que continuam ainda com a engenharia de assaltar agências bancárias, para que desistam porque o crime não compensa.
“A polícia está em estado de alerta e importa também dizer que as câmaras visionárias do circuito fechado de televisão da referida agência bancária não colheu as imagens como devia o que se pressupõem que a qualidade dela não é das melhores”, frisou o 2º Comandante Provincial de Luanda.
De notar que, durante a acção de conivência foram roubados da Agência do BAI, cerca de 283 mil dólares norte – americanos, 23 mil Euros e dois milhões de Kwanzas.

Fonte http://www.tpa.ao/artigo.aspx?sid=6c171b3d-fe44-4ea0-b4da-3fcfaa786633&cntx=seme8cY8v4yRoRqjKB73IX39pC48a2GoL8txqLBNjF%2FoiEPlUxKeDnZ9y%2BZb%2Bmmp  

Carros com mais de 3 anos proibidos de entrar no país (Angonotícias com JA)

26 Ago 2010: As autoridades aduaneiras que­rem aplicar com urgência o Decreto Presidencial que limita a importação de veículos automóveis ligeiros com mais de três anos, soube o Jornal de Angola de fonte oficial. 


Uma das medidas a que os importadores são sujeitos, é a interdição da entrada, já nos próximos dias, de automóveis que não obedeçam aos condicionalismos aprovados pelo mais recente diploma presidencial de 13 de Julho último. O decreto agrava, igualmente, os impostos sobre viaturas usadas. 

O Decreto Presidencial nº 135/10, de 13 de Julho, que aprova o regulamento sobre a actividade de importação, comércio e assistência técnica a equipamentos rodoviários e revoga toda a legislação anterior, admite também a importação de veículos automóveis pesados que tenham, no máximo, cinco anos de uso, contados a partir da data de fabrico e desde que obedeçam às condições exigidas. 

A partir de agora é obrigatório o veículo ter no local respectivo as placas de identificação contendo o número de série e o ano de fabrico, a apresentação do certificado de inspecção que aprove o seu estado técnico, emitida pela entidade competente do país de origem e válido por um período não inferior a seis meses, anterior à data de embarque, e a entrada no país com a matrícula de origem. De acordo com o Decreto Presidencial, os veículos cujas marcas e modelos estejam aprovados, só podem ser matriculados após aprovação em inspecção técnica a realizar nos termos do Código de Estrada, pela Direcção Nacional de Viação e Trânsito ou por uma entidade delegada por essa instituição. 

No caso de viaturas importadas directamente pelos seus proprietários, cujas marcas e modelos já estejam aprovados, pode ser requerida inspecção técnica e matrícula, unidade por unidade, aos serviços competentes, com indicação do número do título de aprovação. No caso de marcas e modelos ainda não aprovados, os proprietários ­devem solicitar a sua aprovação ao ministro dos Transportes. 

As direcções dos Transportes Rodoviários e de Viação e Trânsito são chamadas, a todo o tempo, a fiscalizar a conformidade das marcas e modelos com o protótipo aprovado e os automóveis importados e comercializados pelas empresas. No quadro da fiscalização e do regime sancionatório, sem prejuízo da competência de outros órgãos com atribuições na matéria, foram também tidas, além das direcções anteriormente evocadas, o Serviço Nacional das Alfândegas e a Direcção Nacional do Comércio. 

Contravenções
As contravenções ao actual regulamento são punidas com multas que vão dos 10 mil e seiscentos kwanzas, por cada dia de atraso na prestação de informação à direcção dos Transportes, a um milhão e sessenta mil kwanzas, que corresponde a importação de veículos cujas marcas e modelos não estejam previamente homologadas. 

As infracções a importação de veículos para uso próprio são punidas com o valor de 795 mil kwanzas (Akz), no caso de automóvel usado, e Akz: 1.590.000,00, no caso de carro novo. Por outro lado, quando um titular deixa de reunir os requisitos para a prestação da assistência técnica pós-venda, é sancionado com uma multa no valor de 530 mil kwanzas. (http://angonoticias.com/full_headlines_.php?id=28571)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Reflexões literárias: Livro de poesia (Consulado do vazio) na interpretação de Fridolim Kamolakamwe sob o título «A Desconstrução da Construção para Edificação do pretensamente Desconstruído frásico»

Nota: Caros (ou baratos -  não estamos a falar de preços!) leitores, decidi partilhar a curiosa interpretação que o conteúdo do meu livro de estreia "Consulado do Vazio" suscitou em Fridolim kamolakamwe. Foi-me dada pelo próprio por ocasião do lançamento (em Benguela, a 26/07/08), que ele enriqueceu com a sua forma ímpar de declamar. O texto não é curto mas eu voltaria a lê-lo sempre que pudesse, porque... ora porquê? Bom, porque o sentido polissémico da poesia é uma coisa espectacular, sobretudo quando o leitor cria, imagina eventuais contextos que seriam  a base do surgimento da obra. GP


Tema: «A Desconstrução da Construção para Edificação do pretensamente Desconstruído frásico»
“ The crack in the tea-cup/ Opens a lane / To the land
Of dead”   (A sevícia na xícara de chá, abre uma brecha para terra dos mortos)
Auden Webber (poeta Inglês) século xviii
O ser enquanto “Ontos”, está sujeito aos determinismos inalienáveis da sua natureza circundante, agindo por conseguinte, em função dos quesums e quesaruns inerentes às desinerências ditatoriais de tal realidade aflictiva, ora gravada na matriz iludibriável da sua própria existência;
quesuns  e quesaruns tão ilustres quão cancerígenos como a pobreza herdada, o albinismo inevitável, a negritude, a alienação, o iluminismo, o ocultismo, as seitas secretas, os deuses auto propostos os satanazes invencíveis, os contos de fada, o pai natal,a própria morte não escolhida e a vida jamais aceite por opção; é pois, a partir deste repertório de corruptelas circum-voláteis que o remetem ora à réu ora à juiz de si próprio, onde irá recolher os defraudados retalhos de suas vivências e expectativas, os seus malfadados infernos céus e purgatórios, para formulação de receitas de viveres ou morreres, para construção da sua história ao longo da passagem, pelo efémero jardim da vida.
Que dizer então de um pobre poeta, este pássaro que se surpreende zungueiro de assuntos, á revelia de vontades ilustres e antagonismos republicanos
Que dizer de um pobre poeta nos dias como os de hoje, onde às vezes a sombra é a lamparina do dia, e a lua morde mais que o recolher obrigatório no Iraque…
Que dizer de um pobre poeta cujo seu maior investimento é ele próprio, cujo maior empreendimento é um balão de sonhos que procuram o pavilhão do reconhecimento público, mirando a vida com o nguimbo dos dedos…
Que dizer de um poeta nos dias de hoje, em que o homem é o seu próprio inimigo, e Deus parece cansado de ser Deus, enquanto a TV assume o papel do odjango e das missas dominicais, em que sucumbem pássaros inocentes, no Iraque, em kabul e kandahar, nas minas de carvão na China, nos hospitais na índia! Em que mulheres, chefes de família se prostituem aos olhos de São Pedro, por um kilo de fuba que engane por alguns segundos a teimosia do estômago.
Faço das palavras do autor minhas:
Esta que se aproxima
Carrega uma criança às costas
E outra no ventre
Uma nuvem húmida rasga-lhe a blusa
Lembrando que é hora de parar e amamentar
E lá vai ela seguindo o itinerário que a barriga traçar
Gestora de um ovário condenado a não parar
Porque é património social
Penhora o útero na luta contra a taxa de mortalidade…

The crack in the tea-cup
Opens a lane
To the land
Of dead
Nestes célebres versos do poeta inglês, que criticava assim a atitude da rainha em relação ao tratamento díspar entre os fidalgos, anglo-saxões e a plebe, as massas, e que é hoje o hino de bandeira do grupo de Rap, racionais MC’s no Brasil, quando se levantam contra aquilo a que chamam  política sectarista em relação aos negros e pardos nas terras de Getúlios Vargas e Zumbi dos palmares, não vêm ao acaso chamados para esta reunião de análise, e de introspecção à qual nos convida o autor de “Consulado do Vazio”, aliás diga-se de passagem, um título muito bem conseguido, em cujas entrelinhas subjaz já a formula plurímembre e enunciativa dos elementos sintagmáticos do dizer poético, prenhes de plurisignificâncias incorrigíveis e dos axiomas de que se faz revestir este poemário, repleto de cambiantes líricas e de um platirríneo exercício musical, mesmo quando os versos aparentam suicidar-se no trigésimo andar da inevitável dúvida, que acompanha sempre o carpinteirismo literário;
e no apogeu da sua irreverência orgasmica, propõe vendilhonicamente uma milícia de sonhos que se propõem estradas fardadas de flores brancas, sem o grunhido falsiforme de braços apressados ao sopro fútil e sequaz dos gatilhos, discípulos de vontades alheias.
O poeta, em obediência à um instinto que não precisa de ser cruel para ser fatal, que não carece de ser amoral, para cumprir por inerência do próprio egos faciendi e dos determinismos augustos do lavoro artistico, que não precisa socorrer-se dos socratismos mega impressionistas e dos fanhosos aristotelismos à edificação de falsos pudores e pretensas fénixes renascidas, cumpre uma função específica, peremptória e “desquesumcitória” do subjecto enunciativo, neste imensamente belo e quantas vezes ingrato departamento do dizer, por meio da mímica quantas vezes mal interpretada das palavras, quais delas flores, quais delas cravos, quais delas felizes, quais delas discípulas de amorosas angústias, quais delas perfumadas de ventos cinzentos com rostos de feridas e calendários repletos de datas fúnebres e prédios a cair, quais delas viagras, capazes de atiçar a mais distraída filantropia entre convénios pro-guerra, quais delas capazes de despertar um platonismo aprisionado na comarca dos mais fúnebres silêncios, ou nas sacristias de vontades desconexas, ou de um lancinante beijo á despedida recrudescificando na mente inapta porque enfadada, caravelas de trabalhos negreiros, e esperanças mortas a partida.

“Pinto nestas linhas de poema desarmado
Um marco…do respeito pelos ideais
Que morreram no peito
Sem terem subido à boca
Ou descido às mãos, ou beijado montras”
As montras da vida, onde os homens bebem e deixam-se beber até que a sombra ilumine mais que uma noção de lugar a beira do nada? As montras repletas de mulheres ausentes até da própria ausência, aonde o sacrifício é o padre de uma missa plantada sobre as nádegas de alheios sandinismos nicaraguenses?
Cônscio como no-lo asseguram os frutos de sua ceara, da responsabilidade enunciativa de um carpinteirismo literário apurado, para perfeita construção frásica de um aparatus linguístico suculento, ainda que envolto em oceanos de metáforas e sugerências proso-poéticas, arremessa e arremessa-se a si mesmo num jogo cíclico de transmissão e retransmissão de valores, num exercício permanente de metaforização da palavra poética e de metasistematização da linguagem literária, confundindo a utopia que acompanha os desvarios da mente criativa, com o rigor auto-critico que parece sobressair no seu produto intelectual, como resultado meritório deste esforço de oficina , entretanto, contudo, porém…
“Na orquestra de quem trabalha
Estradas rasgam-se na curva dos seios
Na nudez do arco-íris
A vida é infindável caminhada”
Quem não vê os homens que atravessam diariamente a cruz da vida com o desespero mensal no bolso e o terço envelhecido da esperança, no escritório mais escuro da vontade de partir, nas minas, nas serrações, nas frentes de combate, no Iraque e no Afeganistão! É isso que nos fazem lembrar esses versos cujos laivos de denúncia deixam no palco da memória, a recordação incessante de um mundo que é preciso construir, sem que para isso, o poema se perca em derrapagens fastidiosas até que a poesia morra no desequilíbrio inestético da emoção incontida. Estamos sem dúvidas perante um poeta que dispensa os faustosos debates “euistas “de rádio e as tertúlias de vendilismos líricos, e os joguetes magoativos dos iluminismos compadristas…os requisitos presunçosos da idade, para atingir o clímax do verdadeiro fazer poético…viva, temos um poeta…mais um em Benguela. A intertextualidade quase refractária, quando confrontada com a seiva dos amores propostos pelos antigos, socorrendo-se porém da plurisotopia da linguagem e da plurisignificância dos próprios recursos estilísticos, cria e recria em torno da aura do poeta, um repertório de sentidos que ameaçam já timbrar o nome do enunciante, o subjecto proponente nos anfiteatros da eternidade, para que as unhas do tempo ruminem sobre a escassez dos sentidos, a luz, luz sobre o firmamento das ideias, luz sobre a morbidez dos caminhos de dizer a humanidade de tanto assim, pois claro que não,… a sugerencialidade desditosa das verberas anti-poiesis às quais sabe fugir, com um engenho admirável:
De noite
O corpo exausto cobra pelo descanso
Os olhos carregados enganam as almas
Que adormecem masturbadas…
Mais uma vez és a sentença pela mão do vate inconformado, algures por detrás de um cigarro grávido de quadrigémeos (Norte, sul, este e Oeste) com a cor da lua e da rua e com rosto de crianças que têm idades de velhos e dizem países sem coração, onde o carácter interventivo mas sem ser necessariamente panfletário, canta os homens vergastados de enxada na mão, cujo o cansaço do corpo anda igualmente cansado. És a brecha para lembrar o ensaísta brasileiro Jonas Negalhas “Os poetas são profetas, anunciam eras através da sua arte, são lutadores, usam a poesia como arma de defesa e de ataque” é assim o homem do Consulado do Vazio, onde cada menino de rua pode ser o Cônsul, e o Vazio, o mestre de cerimonia. Uma poiesis prenhe de presentes que já foram passados e se recusam terminantemente a ser futuros seja de quem for, seja em que parte for, para que haja luz no firmamento das ideias, pois
The crack in the tea-cup
Opens a lane to
the land
of dead
Este poeta não reclama, porque quem está já não é, e quem é já não está, este poeta não reclama, as coisas reclamam por si…quando auto demitindo-se dos preconceitos estético-aprisionistas e dos falsos iluminismos retóricos, dos fastidiosos recursos às nugas, ao uso do estribilho e às rimas milimétricas, dá a luz ainda que á cesariana, versos de um calibre lírico tal que alcançam os terraços das erudições mais distantes e cada vez mais raras porque inéditas, dispensando o voluntarismo das palavras kamikazes e o recurso supostamente anestésico às viagens propostas por kiekgaard e Heidger, os ínvios retratos de Dante Alighieri, Giaccomo del vechio, e Giovanni Boccacio, sem recurso aos discursos de destruição maciça, propondo um menu recheado de cambiantes líricas extraordinárias, para que a palavra tenha o seu lugar á mesa de um estar que é comum à monarquia das nossas presenças, repletas de aldeias sem humanidades, grávidas de frígidas irmandades.
“Na esquina do umbigo
Multiplicam-se funerais domésticos
Abortos não reclamados nas estatísticas nacionais
E o amanhã uma promessa ainda…”
Que a presente crítica ao livro de Gociante Patissa, não tenha o efeito do veneno do elogio que muitas vezes projecta o poeta para os antípodas do sucesso, e o faz resvalar no leito da preguiça e da vaidade, mas na orquestra dos seus versos habitam vinhos procurados e nunca revelados aos profetas, pois a inevulgaridade dos mesmos coloca-os desde logo à mercê da procura e dos contusionismos académico literários. Nullas est celeritas qui possit cum annimi celeritate contendere
Estamos em crer, que este autor, jovem por sinal, não passará para os antanhos da história como apenas mais um poeta, candidato á um lugar de destaque, na pendrive do esquecimento nacional, bem haja, e viva 
...............................................
Fridolim Kamolakamwe
*Bacharel em Filosofia-Seminário Maior de Cristo Rei, *Estudante do Segundo ano de Técnicas de Tradução-Universidade do rio Grande-Brasil / *Poeta- Declamador, Tradutor

Tríade da pedra do tempo e da obra




Tríade da pedra do tempo e da obra

 Na madrugada
 acelera-se a pulsação 
no movimento irreversível do tempo 
os fantasmas da responsabilidade cantam
ecoam as lembranças 
é a despedida do repouso


De dia
o suor espalha-se 
pelos poros afora 
na orquestra de quem trabalha 
estradas rasgam-se na curva dos seios 
na nudez do arco-íris 
a vida é infindável caminhada


De noite
o corpo exausto cobra pelo descanso 
os olhos carregados enganam as almas 
que adormecem masturbadas


Ontem foi partida
hoje é caminhada

e o amanhã uma promessa ainda

Gociante Patissa
In «Consulado do Vazio» (KAT-Consultoria e empreendimentos, LDA, Benguela, Maio 2008)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Desabafo: Às vezes ladrão é...

Raiva, muita raiva, pelo corrupto e pelo ignorante. O cidadão é assaltado, a vizinhança prende o ladrão, dá-lhe umas bofetadas. Depois se lembra de não fazer justiça por mãos próprias, e informa a polícia. Esta leva o ladrão mais a botija de gás de cozinha como evidência. Na semana seguinte, o assaltado consulta a esquadra, onde há muito o ladrão foi solto - sabe-se lá como. Abandalhos e abandalhos para ter de volta a botija de gás... e já cansado, mesmo porque nestas idas e vindas acabou por levar com duas faltas do serviço, o assaltado decide tudo sozinho... paga 3 mil kwanzas que o polícia exige - porque há muitos processos acumulados e o dele está longe do despacho... Ou seja, uma multa por ter sido vítima de assalto, do qual ficou destruido o televisor. Para piorar, nada registado para formalizar o prcesso. O cidadão é primo meu, que vive no Lobito, órfão de pai e mãe, que trabalha duro para se estabelecer na vida, mais agora que acaba de nascer seu primeiro filho e prepara o necessário para juntar-se à companheira.

Um dia passou-me pela cabeça que "a cidadania é resultado de um exercício permanente de educação e comunicação". Hoje me pergunto: A quantas andamos? Haja contenção...

Gociante Patissa

sábado, 21 de agosto de 2010

Ponto D'ordem: "os riscos no uso de adjectivos"

Um dos principais desafios para quem exerce o papel de informar, em particular no campo do jornalismo, é conseguir o devido equilíbrio entre “o cidadão e o profissional”, mais concretamente diante de emoções que o assunto noticiado possa suscitar. Daí que, muito inteligentemente, o homem inventasse o “método”, precisamente para mitigar excessos decorrentes da sensibilidade humana.

Toda esta ladainha para uma chamada de atenção a alguns erros básicos, frequentes por exemplo no programa “Ecos e Factos” da Televisão Pública de Angola, que no entanto também ocorrem em outros órgão de informação: o uso de adjectivos.

“Agora vamos passar uma informação triste dizendo que…” “na cidade tal, aconteceu algo triste e curioso”… “Uma notícia não menos agradável”. “Um investimento muito importante”… Claramente, aqui subjaz a opinião do jornalista, viciando à partida o julgamento da audiência.

Se por um lado percebo que a intenção seja exercer o papel pedagógico que o jornalista tem, por outro não é demais lembrar que “os factos falam por si”. Claro, não no sentido radical do termo. Logo, no formato da notícia, o trabalho do jornalista é informar, na base dos factos, e não qualificar/julgar se bom, mau, interessante, desagradável, triste, feliz ou sei lá. É desnecessário, e não é preciso ter formação superior para o perceber.

Os adjectivos devem ser de uso excepcional, lá dizem os manuais de redacção. É que - e não sou eu quem o diz - “Na literatura, como no jornalismo, um adjectivo é a prosa tomando partido”.

Gociante Patissa, Benguela 21 Agosto 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PARA (MUITO) BREVE: LANÇAMENTO DO LIVRO DE CONTOS "A ÚLTIMA OUVINTE"


Superados os contratempos que impediram o lançamento em Junho, o book poderá estar nas bancas nos próximos dias. É apenas uma questão de acerto de agendas. 


Como nunca é demais, retomo a nota de justificação da editora, emitida em Junho último.


"A UEA pede desculpas a todos pelas expectativas criadas, mas, ao contrario da promessa que nos foi feita pela Odebrecht/Angola de termos cá no pais o livro do nosso membro Gociante Patissa, A última ouvinte, antes da realização da conferência de Benguela, tendo sido para o efeito programado para ser lançado neste evento, acabamos agora de receber terminantemente a notícia de que o lote de livros no qual o mesmo consta ainda não está, e nem estará nos proximos dez dias, nos armazéns de Luanda da referida empresa. Então, a UEA pede que cancelem o programa do lançamento do referido livro, lamentando qualquer anomalia que possa ter causado na programação geral do evento, mas trata-se de um aspecto que foge completamente da nossa vontade e controle".


Esperem só mais um pouquinho, ya?!... Muito obrigado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Várias semanas para 3 páginas

Possas!!! Há semanas que não conseguia os quatro parágrafos (literalmente) que faltavam p terminar um conto de 3 páginas. Pareço um adolescente!!! Que sensação agradável no fim do ciclo de criação, essa combinaçáo entre a imaginação e o esforço....

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma palavra que se impõe pelas mudanças no Programa "Atracções" da TV Record em Moçambique

Através de "parabólica" que minha irmã tem instalado em casa, é possível acompanhar (parcialmente) a vida do país irmão de expressão portuguesa, Moçambique, por via do sinal da TV Record local. Assim, é com muita satisfação que notamos as mudanças operadas no programa "Atracções", emitido em directo entre 16-18 horas  (horário angolano), que tinha como característica principal a "fervecência" do apresentador, Fred "dos beefs". Mas de uns dias a esta parte, tem um novo apresentador, Stwart, com créditos firmados enquanto músico. Com um ar mais "maduro" e cenário de estúdio, o programa parece ter achado o seu caminho, sobretudo com música ao vivo à base de improviso - logo aí uma vantagem ter um guitarrista como anfitrião. Na edição de hoje, 18/08/10, os convidados foram Hortêncio Langa e Tanya. E uma coisa invejável, os moçambicanos parecem ter bué de orgulho em cantar suas raízes, nas suas línguas. Claro, sem exclusão de estilos musicais mais "recentes". Eis uma inteligente forma de promover a cultura. Força! Gociante Patissa




segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Há quatro anos, nascia o blog Angodebates


Nota: O Blog chamou-se Debates Contados (www.debatescontados.blogspot.com), influenciado na ocasião pelo programa de opinião/debate sobre cidadania e saúde preventiva "Viver para Vencer", que o editor realizava e moderava a título freelance através da Rádio Morena Comercial. Só em Outubro de 2006, dois meses mais tarde, viria a ganhar a denominação Angola, Debates e Ideias (www.angodebates.blogspot.com). De lá para cá, mudou-se de visual umas três vezes. Nas linhas que seguem o "manifesto de fundação", no qual me revejo integralmente volvidos quatro anos, tanto assim que o apresento intacto (incluindo as gralhas).

Homens são vontades!!!

Depois de ter tido a oportunidade de publicar textos em páginas de amigos e não só, nunca mais parei de exigir de mim o dever de contribuir. A ideia de criar esse blog pode ser semelhantes a muitas outras (idiotas, talvez), mas que ajudam a fazer alguma coisa nesse mundo. Mais do que simples ilusão apaixonada, ao longo dos temp0~s os blogs têm sido uma importante ferramente na promoção da mudança sociail. Fico mais contente porque não estarei a dizer novidade para ninguém.

Vou lançando, hoje, agora, a minha primeira pedra. É um blog que se pretende pacífico, participativo, apesar de "íntimo", ou seja, misturar doses moderadas de debate cidadão com contos e provérbios, no fundo sevir como o bloco diário de apontamentos desse vossomeu/ amigo. A ideia á fazer desse canto um espaço sem limites, quanto mais não seja de língua. Que as diferenças nos juntem, mais do que afastar. Se você é mulher, homem, fala que língua for, isso não deve estar em primeiro lugar. Vale sempre a intenção.Volto daqui a pouco.

Aliás, cada hora é certa para lançar a nossa primeira pedra construtiva nessa obra chamada mundo.Há sempre algo a fazer, para quem tem vontade para tal. Comente, critique, escreva, leia. Só não se esqueça que "é má ideia não ter ideias"
Eu

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Opinião: O Clube de Imprensa e o poder da ideia



Confesso desconhecer os estatutos do Clube de Imprensa de Benguela (CIB), o que, porém, não impede que um ou outro cidadão possa partilhar ilações a seu respeito.

Vêm estas linhas a propósito das iniciativas do CIB, desde que tomou posse o corpo directivo saído da assembleia de 2009, que tem à cabeça o jornalista (da Televisão Pública de Angola) Eugénio Ferreira.

Depois de há poucos meses promover o “café de ideias” com jornalistas em torno do combate à poliomielite, numa parceria com o Ministério da Saúde e a OMS, ontem foi a vez das artes plásticas. No salão da Rádio Benguela, fazedores de arte, jornalistas e estudantes reuniram-se em palestra, outra parceria do CIB, desta vez com o Núcleo de Jovens Pintores – vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes da categoria, edição 2009.

Se é ou não o que os jornalistas esperam do seu clube de especialidade, ou da “rapaziada” a quem confiaram o seu comando, ninguém ainda veio a público manifestar. Indiscutível mesmo é a relevância de tais eventos, que acabam por reforçar a oferta no que toca a oportunidades de intercâmbio, por uma sociedade mais esclarecida e participativa.

É claro que o CIB não é uma instituição embrionária, mas seria claramente suicídio institucional – permitam-me os termos – dar continuidade ao legado da direcção cessante sem humildade. E é neste aspecto que a actual direcção tem revelado, a meu ver, a fórmula eficaz. A título de exemplo, para além da colaboração dos órgãos de comunicação social na divulgação dos eventos, a direcção reforça com telefonemas e mensagens de convite. E geralmente, seguem-se telefonemas e mensagens de agradecimento pela participação. Parece que preferem investir os parcos recursos na comunicação personalizada a servirem champanhe, café, chá ou bolinhos à plateia. Como, aliás, diz a sabedoria popular, “cada um estende as pernas na medida do lençol”.

Numa das crónicas deste Blog, escrevi há tempos o seguinte:

Na minha condição de mobilizador comunitário e activista cívico (há dez anos ligado à uma pequena ONG nacional), julgo que os movimentos juvenis devem ter, mesmo até pela sustentabilidade e/ou visibilidade, uma preocupação no sentido de criarem factos e acções. E ali, é preciso aguçar a visão para se continuar a ter acções regulares com ou sem (big) fundos. Às vezes, ignoramos o impacto que pequenas acções podem desabrochar até mesmo no âmago de quem já está connosco.

Gociante Patissa, Benguela 13 Agosto 2010