PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Opinião: A TV Zimbo e o espaço para o contraditório

Na sua recente passagem pelo programa Zimbando, a jornalista e editora de política do Jornal Angolense, Suzana Mendes, acentuou o elogio à TV Zimbo por esta dar maior espaço para o debate, opondo as duas maiores forças políticas angolanas, o MPLA e a UNITA.
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E foi com agradável surpresa que ontem, 24 de Setembro, a televisão privada do grupo Medianova brindou a audiência com mais um debate. Desta vez, os contendores foram os deputados Raúl Danda (jornalista e docente universitário, pela Unita) e João Pinto (jurista e docente universitário, pelo Mpla).
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Em causa o debate constituinte, em prol do estabelecimento de um modelo de governação, estando o país em fase transitória de Lei de revisão constitucional para a existência de uma Lei Constitucional. Ailás, estão já em posse da Comissão Constitucional da Assembleia Nacional as propostas de constituição dos partidos representados no parlamento, sendo de destacar que o PRS (Partido de Renovação Social) defende um sistema de governo federativo.

Como era de esperar, os ânimos "aqueceram" quando se tocou na controversa ideia de Angola adoptar o modelo de eleição presidencial indirecta, em que, como caracterizou Raúl Danda, funciona como aquele marketing "paga um, leva dois". A Unita defende a ferro e fogo a eleição directa, ou seja, um cidadão, um voto, e não a escolha do presidente pelo parlamento. João Pinto, por seu turno, lembrou que não se trata de decisões tomadas e sim uma oportunidade que se abre para se discutirem os mais variados cenários possíveis, o que em política é usual.

É na verdade a segunda vez em menos de três semanas, tendo tido o jornalista Amílcar Xavier como convidados, na primeira ronda, o jurista Raúl Araújo (ex bastonário da ordem dos advogados, pelo Mpla) e o político Abel Chivukuvuku (ex-candidato a presidente da Unita).

Havendo quem tenha voltado a franzir a testa face à actuação "arruaceira" do jurista João Pinto, a iniciativa como tal não deixou de ser mais um contributo para a necessária cultura do debate, conhecida pelo efeito de enriquecer a democracia.

Como angolano, só posso manifestar também os meus parabéns à TV Zimbo, que "arrisca" em abrir espaços de confronto de ideias, mesmo se tratando de temas um tanto sensíveis. Ganha o país, ganha o jornalismo.

Gociante Patissa, Benguela 25 Setembro 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Crónica: As águas quentes do Kutokota e o sexo dos monumentos

Duas estradas paralelas, uma de entrada e outra de saída, separadas por um canteiro que só não é mais vistoso por lhe faltar relva, bipolarizam o centro da Vila do Balombo, que acolhe e/ou assiste quem vem do litoral em direcção ao centro e sul de Angola (ou vice-versa).

Tarde de sexta-feira. No ar a sensação de dever cumprido, o primeiro dia de capacitação das comissões de pais e encarregados de educação de três escolas correu pontual e lindamente. Embora cientes de que a nossa presença na vila não passava despercebida, serpenteávamos turisticamente a bordo do Land-Cruiser. Melhor ainda sabia a descoberta sem qualquer interferência, como seria o caso de sermos abordados por um pedinte, a quem nada teríamos para dar (mas disso falo daqui a pouco, ya?).

No grupo, eu era o único que tomava contacto com o Balombo pela primeira vez, por sinal o que me restava dos nove municípios que compõem a província de Benguela. Era incontornável a ansiedade: que mais me pode oferecer esta vila, para além da nascente do “Kutokota”, conhecida oficialmente (diria até erradamente)
por “Kotakota”? Não via a hora de apalpar com as próprias mãos as águas que há bué impressionam o mundo pelo fenómeno de saírem literalmente quentes da nascente.

A questão era esperar! No entanto, pelo já visto, a impressão da viagem era positiva. É verdade que teria sido mais “orgásmica” se as aldeolas ao longo da via tivessem uma espécie de placas/legendas. Outra coisa, achei preocupante que no Balombo não se tenha acesso à emissão radiofónica (aparentemente devido à inoperância dos repetidores da Rádio Nacional), ao contrário da televisão.

Voltemos às vantagens da paz. Lá vão os tempos em que as ONG’s eram um verdadeiro “poder”, por altura da emergência, quando um Land-Cruiser com a chapa de matrícula verde (ou vermelha) instigava no anfitrião o sonho de amealhar uma bem-aventurada dotação: comida, roupa ou uns dólares. Hoje, felizmente, o contexto é de desenvolvimento, ênfase para o combate à dependência de f
orças externas através de projectos e programas que visem potenciar os agentes locais.

Pouco depois das 16 horas. Estávamos (at last) às portas do Kutokota!!! Para a minha surpresa, o ímpeto da criatividade fotográfica era substituído pela auto-censura. Havia homens (muitos) e crianças a banharem completamente nus. E lá me levava o lado paternalista a advertir os colegas para terem cuidado ao fotografarem (por conta da ética).

Meia hora depois, estaciona um Jimmy, de um cidadão (seria estrangeiro?) que trazia a esposa, filhos mais uma mocinha à prodigiosa fonte. Eis que rebentava um alvoroço, com insultos de parte a parte.

– O lugar das mulheres é lá em baixo! Você é mulher de onde, que não respeita os que estão nus?
– Quem vos manda banhar nus aqui? – refila a cidadã, que trazia uma criancinha nos braços.

– Aqui é lugar dos homens, as mulheres é lá em baixo! – vociferavam os “ofendidos”, apontando o dedo para o distante lado norte do rio, onde certamente a água já não chegava quente.

– Mas quem definiu que aqui é lugar dos homens, se isso é um local público? – insistia a “intrusa”, confiante na justiça do seu argumento, sem contudo recuar a marcha em direcção ao monumento, enquanto que o marido aparentemente não intervinha na contenda.

– Os donos do Balombo é que definiram assim!!!

– Pois então definiram mal! – desafiava.

Amanhã enfrentaremos outra vez cerca de 200 quilómetros de estrada rumo a Benguela (haja nádegas!), mas foi proveitosa vinda ao Balombo. Muito obrigado à AJS pelo convite.

Gociante Patissa, Balombo, 18 Setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Já agora, é para dizer "chinelo" ou "chinelas"?

Existe alguma diferença nestas duas imagens quanto à sua natureza? Bom, segundo as minhas sobrinhas, "citando" os vendedores de Benguela e o linguajar da moda, há dois indicadores:

1. Se for parecido a este, temos em mãos um par de "chinelos".




2. Se se parecer mais a este, não haja dúvidas, estamos em posse de "chinelas"


No telejornal de hoje, a repórter, que cobria a polémica na escola francesa de Luanda por causa do rigor na indumentária, realçou que doravante as meninas não poderão aparecer (...) de chinelas, como se estivessem a ir à praia.

sábado, 12 de setembro de 2009

O cartão vermelho

O jogo do "Cartão vermelho" é um interessante gesto de reconhecimento que o Blog Angodebates ganhou ( indicação) do Blog "Estados de Alma" (http://osestadosdealma.blogspot.com/).
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Regras:"Cada um deve fazer uma lista com 10 assuntos aos quais mostra o cartão vermelho. Pode ser uma pessoa, uma atitude, uma palavra ou qualquer outra coisa que de alguma forma, nos incomoda - se achar por bem, justifique as suas escolhas. Após isso, seleccione cinco blogueiros, a quem reconheça consciência social, e passe o testemunho…"O que me incomoda e, por consequência, leva o meu cartão vermelho:
1. Guerra em Darfur.
2. Fome no mundo.
3. Degradação de valores e bons hábitos na sociedade angolana.
4. O cancro da corrupção em África e por cá.
5. Aos promotores e patrocinadores de concursos fúteis com altos prémios, a exemplo do "bumbum dourado", entre os demais.
6. Ao racismo e demais formas de exclusão social.
7. Às igrejas dúbias, entre elas a Igreja Universal do Reino de Deus pelo excesso de propaganda e milagres inexistentes.
8. À ainda pouca atenção e valorização das línguas nacionais, locais ou regionais angolanas, fazendo com que novas gerações as conotem (erradamente) com atraso e pouca cultura.
9. Aos que deixaram de acreditar na possiblidade de um jornalismo cidadão, isento e rigoroso.
10. Aos que cruzam os braços e deixam de lutar para a realização dos sonhos, preferindo identificar culpados para os seus fracassos.
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Indico (por muito que me custe sleccionar apenas cinco entree os vários blogues que acho valerem a pena) os seguintes:
Aos leitores e amigos do blog Angodebates, ficam os agradecimentos do vosso Gociante Patissa.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nossa homenagem a Luís Xavier, um batalhador e activista pela dignidade da pessoa com deficiência

A rubrica “Nossa homenagem-um reconhecimento às pessoas pelo seu exemplo de sucesso” traz a lição de vida de um educador social, chefe de família, angolano. Ele tem 35 anos de idade, actualmente representa na província do Huambo a ONG angolana LARDEF (Liga de Apoio à Integração da Pessoa com Deficiência), onde ingressou como voluntário. Estamos a falar de Luís Quintas Xavier, conhecido como Oliveira no seio familiar.

«Para aqueles que me conhecem, eu tenho uma paralisia dos membros inferiores, que adquiri já aos três anos vítima de poliomielite, mas apesar disso eu nunca olhei para a minha deficiência. E na altura em que os meus pais eram vivos, também nunca se deixaram levar, nunca olharam apenas na minha deficiência. Foram pacientes em sempre levar-me para a escola», recorda.

Luís é uma pessoa que vê a vida na positiva, embora lamente o facto de estar impedido de assistir ao teatro, que muito adora. É que as salas de cinema geralmente são pouco acessíveis, devido aos degraus, isso, para quem anda de cadeira de rodas. Mas esse é apenas um dos vários desafios que pessoas com deficiência enfrentam na sociedade.

«A maior discriminação que eu já senti foi na altura em que pensei que tinha que ter uma companheira. Na verdade encontrei uma barreira por parte da família da moça, que achou que o Luís, na qualidade de uma pessoa com deficiência, não podia contrair matrimónio com a filha deles. Esta foi uma situação muito difícil, mas por pouco tempo». E ainda bem. Tanto se juntou a ela que, após quatro anos a viverem maritalmente, oficializaram o casamento o ano passado.

Em finais dos anos 90, Luís Xavier morava no Luongo, Catumbela, e frequentava o ensino médio no PUNIV, que se situa no C
ompão, Lobito, uma distância de aproximadamente 15 quilómetros em ida e volta. Umas vezes metia o seu triciclo no comboio, mas geralmente ia a pedalar de segunda a sexta-feira. Luís desistiria na 10ª classe, abraçando o mercado do trabalho pela AADC (Associação de Apoio ao Desenvolvimento Comunitário) que, diz o co-fundador, «hoje infelizmente está a meio gás».

No entanto, há momentos altos na vida de Luís, que ele não esconde:

«Depois de trilhar nessa senda de trabalho, o momento mais alto da minha vida foi quando recebi a nomeação para Coordenar a Lardef a nível da província do Huambo, em 2007. Foi um momento muito alto da minha vida, porque a partir daí eu percebi que as minhas responsabilidades tinham aumentado, para com o grupo alvo e para com a sociedade em si. Porque, na verdade, costumam dizer os mais velhos que vale a pena estar em frente dos animais do que em frente das pessoas».

A transferência à província do Huambo permitiu o regresso aos estudos, interrompidos há 11 anos, e tanta é a força, que Luís já é finalista. E hoje, amigo Luís Xavier, sente-se longe ou perto dos sonhos?

«Bem, hoje, apesar de que ainda não sou universitário, mas eu pelo menos não me sinto muito em baixo, sinto-me capacitado para ainda trilhar o mundo para um futuro mais próspero. E tenho tido muito encorajamento de alguns amigos, principalmente os que foram colegas de escola. Acima de tudo posso dizer que ainda estou mais próximo daquilo que são os meu sonhos», revela.
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(*) Rubrica “Nossa Homenagem-um reconhecimento às pessoas pelo seu exemplo de sucesso” emitida na edição de 01/09/09, do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, que teve como tema "A Prática dos Primeiros Pocorros". Viver para Vencer é uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta
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AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”.