PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Crónica: "O pódio e o reencontro das montanhas"

Há pessoas que trazem sempre à mão um pódio, prontas a ocuparem o lugar mais alto deste quando cruzam com alguém. Uma dessas pessoas é você, sou eu, é ele, ela … de vez em quando. Fosse possível deixarmos de ser humanos (uma vez ou outra), conseguiríamos fazer uma avaliação mais isenta do mundo.

Para alguns é coisa circunstancial, mas para outros é modo de vida. Porque, talvez assim o sintam, o pódio faz jus ao estatuto, seja resultante de posição social, acumulação de riqueza, de poderes (todos eles e mais algum). Há quem tenha o pódio por uma questão de feitio pessoal, se calhar.

Subir ao pódio, entretanto, é mais do que trepar; é voar e automaticamente “evocar todos os sentidos” (para cabular aqui Gastão Cruz)… excepto num determinante ponto. O que geralmente acontece é que ao ocupar o pódio, sentimo-nos mais confortáveis quando de olhos fechados, pois subir implica altura. E dá vertigens qualquer olhar profundo de cima para baixo. Por isso, é habitualmente escusado usar o sentido da visão, inoportuno que é.

Porém, embora não faça falta no momento, a questão é que de olhos fechados não se consegue ver o imenso terreno por desmatar, terreno este, que dá pelo nome de futuro. E muito há que se esconde na sombra do tempo.

Sabes aquela sensação de dar de caras, pela primeira vez volvidos dez anos, com um tipo que um dia teve grande prazer de ser seu carrasco?! Um pouco mais de barba, uma barriga indismentivelmente mais saliente, mas com a mesma cara, o mesmo sobrenome, desta vez porém sem o pódio…
– Fulano?! – saúda ele com o olhar denunciando a insossa surpresa.
– Então, Sicrano, nas calmas?! – respondes, sem saber ao certo o que sentes no momento; era o renascer da dor que te causou, ou a vergonha por nunca te teres esquecido do que se passou?…
– Luanda?
– Não, trabalho aqui também.

Ele retira-se do local (seria vergonha, orgulho?), aparentemente sem coragem de pedir a ajuda que precisa. E tu inicias o teu trabalho, pois é manhã ainda e o horário pertence ao patrão…

És profissional e sabes que ele merecerá o atendimento, se tecnicamente for possível. Mas as horas passam e tecnicamente, confirma-te o chefe, não é possível qualquer excepção. Aí te dás conta que, mais do que homens que um dia partilharam enquanto colegas de serviço o mesmo espaço, dava-se o reencontro das montanhas. “Olomunda ño ovio kavilisangi, omanu valisangasanga”(*). Só que, estranhamente, falta algo que há dez anos era a diferença: o pódio. Não que tenha mudado de lado, é que já não existia (mesmo!) na circunstância.

Ajudem-me por favor a não esquecer que "as pessoas podem esquecer o que você fez, disse, esquecer (quase) tudo, menos a forma como você as trata".

(*) As pessoas sempre se encontram, só as montanhas é que não (máxima Umbundu).

Gociante Patissa, aeroporto da Catumbela, 26 Agosto 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nossa homenagem aos angolanos que batalham para vencer na vida - Hoje é a vez de Rui Filipe

Mais uma história digna de homenagem foi descoberta pela produção do programa “Viver para Vencer”(*). O exemplo de sucesso é do jovem Rui Filipe, mais conhecido por Filipe, que reside no bairro da Santa-Cruz, subúrbio do Lobito.

Já na sua adolescência, Filipe Manifestava uma inusitada paixão pelo futebol, destacando-se pelos acesos debates enquanto defensor acérrimo do Petro de Luanda. Com o passar do tempo, Filipe viria descobrir a sua paixão pelo jornalismo desportivo.

«O meu grande sonho era ser jornalista desportivo. E por esse motivo já andei por muitas estações de rádio e de imprensa, infelizmente, não fui bem sucedido». Mas o que terá faltado, sendo Filipe beneficiário de um dos primeiros (a seu tempo melhor reputados) cursos intensivos de jornalismo, ministrado pela Associação para a Promoção do Homem Angolano (APHA). Não será porque a concorrência é difícil? «É difícil – reconhece o nosso interlocutor, para de seguida desabafar – embora, algumas vezes, encontrássemos pessoas que não fossem de acordo com aquilo que a gente trabalhava. Senão, teríamos capacidades de ficar, mas, pronto, – diz – acho que a vida é assim, não devemos chorar pelo leite derramado. E há uma passagem popular que diz que há males que acontecem por bem».

E de desgostos não é tudo. Filipe fez parte do grupo de jovens que, há coisa de cinco anos, foram qualificados nos testes (concurso público) para trabalharem num dos museus. Só que, curiosamente, nunca foram chamados. E você acha que ele deixou de batalhar? Muito pelo contrário! Continuou a estudar a fim de concluir o ensino médio.

A dificuldade, de muitos por sinal, é ingressar no ensino superior. Sem fundo para custear a propina praticada pelas universidades privadas (USD 250/mês), Filipe candidatou-se na Universidade Pública, mas chumbou nos exames de admissão. Um outro desistiria, não ele!

«O optimismo é uma das minhas virtudes. E então no ano a seguir voltei a tentar, e consegui entrar no curso regular de história, isso foi em 2004. Em 2008 consegui concluir a minha licenciatura».

Aos 29 anos de idade, Filipe é licenciado em ciências da educação na especialidade de história, é também quadro de um dos ramos do ministério do interior. «Os frutos apareceram. Está aqui a licenciatura feita e, naturalmente, almejamos, a partir do próximo ano, iniciar o mestrado e dar sequência a essa carreira estudantil», revela.

O desemprego já não um problema para si? «Felizmente já não, e graças a Deus por isso. Também, com o nível alcançado, temos estado a sorrir, se o podemos dizer; embora o homem, por natureza ou enquanto ser bio-social, seja sempre insatisfeito. Mas, por enquanto, as necessidades básicas são possíveis de serem satisfeitas», referiu.

E foi com agrado que ficamos a saber que o Rui Filipe não desistiu do seu sonho, o de ser jornalista desportivo. «Se ainda houver oportunidade de continuar com a carreira jornalística, estarei aqui bem-disposto para continuar, porque é um grande sonho», revelou.
Gociante Patissa
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(*) Rubrica “Nossa Homenagem-um reconhecimento às pessoas pelo seu exemplo de sucesso” emitida na edição de 18/08/09, do programa de mesa redonda radiofónica, “Viver para Vencer”, que teve como tema "As implicações da infidelidade nas relações amorosas". Viver para Vencer é uma produção da ONG angolana Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), às terças-feiras, das 17-18h30, através da Rádio Morena Comercial (97.5FM), cobrindo as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta.....AJS – “A cidadania é resultado de um exercício permanente de Educação e Comunicação”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Crónica: "Benguela Tem Uma Rádio Mais"

Quando anteontem o repórter da rádio Ecclesia pediu, com gravador ligado, a minha opinião sobre os critérios em que assentam a abertura e expansão da Rádio Mais, uma sensação estranha de súbito me envolveu.

Para lá da minha confessa ignorância sobre os meandros legais/reguladores do exercício da radiodifusão privada em Angola, não deixou de mexer com o meu lado afectivo notar que (a) me encontrava no espaço da Rádio Morena Comercial (onde me iniciei e sou realizador freelance de programa semanal de mesa redonda, “Viver para Vencer”, ao serviço da ONG AJS); (b) sendo entrevistado pelo Zé Manel (que foi em 2004 meu instrutor de “noticiarista, redactor e repórter” na obra da Rádio Ecclesia); (c) opinando sobre a Rádio Mais (que não hesitou em valorizar o meu potencial aquando dos testes de admissão, não chegando porém a integrar a equipa porque na hora de decidir inclinei-me pela preservação do vínculo num emprego que em nada me anima mas que está perto de ser função pública).

Por isso não será de estranhar a inveja positiva que vivo hoje, 20 de Agosto de 2009, desde que cedo sintonizei a emissão inaugural da Rádio Mais (96.3 FM), cujos integrantes conheço bem (o Rui Fernandes, o Salesiano, o Emerson, a Cristina, o Chandicua).

E o que surpreenderá, uns mais, outros menos, é a minha “aprovação” quanto à abertura da “Mais”, que até vai acabar com o espectro do “Morro”, implantada que está na Bela-Vista, Lobito, o bairro que me acolheu quando em 1985 cheguei do (mato) Monte-Belo.

Será contudo legítimo lembrar que muitos profissionais que por Benguela fazem jornalismo não têm mais do que os cursos intensivos que a APHA (Associação para a Promoção do Homem Angolano) andou a promover, sendo que no meu ciclo, em 2005, interveio o Instituto Camões, representado na altura pela professora Aida Baptista.

Daí que veja a Rádio Mais como uma oportunidade de formação na base do aprender-fazendo (on-job, sem preferirem), na medida em que muita juventude gostaria de trazer cá fora o potencial no campo do jornalismo. E não se pode negar que a inexistência de instituições vocacionadas para o efeito seja uma verdadeira barreira para o luzir de mais estrelas.

A minha luta pela afirmação no campo daquilo que me sinto com vocação (jornalismo e literatura) iniciou-se em 1996 enquanto frequentei o programa infantil “Comboio da amizade” da TPA Benguela. Cheguei a aparecer por três vezes, se tanto, como (aprendiz) repórter desportivo. O bicho reacende em 2003, altura em que estagio na RMC como moderador de fórum de opiniões na base de enigmas fictícios (casos difíceis). Mas como muitos jovens sem acesso à formação do ramo, não cheguei a brilhar nem a ficar. Desistir? Não! Sempre acreditei na possibilidade de fazer mais, se tivesse acompanhamento e oportunidade. E surge em 2004 a possibilidade de estagiar na obra da Rádio Ecclesia em Benguela, numa altura em que já realizava e moderava na RMC (com todos os defeitos de auto-didacta) o programa “Palmas da Paz”, iniciativa pioneira da AJS.

O auto-didactismo permitiu-me chegar a outras “aventuras”, como a fundação do Boletim informativo, Educativo e Cultural (A Voz do Olho), bem como a criação de Blogues, que servem como caderno de exercícios e uma forma cidadã e livre de contribuir para a comunicação. E claro, sempre valorizando o espírito de equipa e a descoberta de outros jovens sem formação de especialidade, mas com potencial.

Portanto, vejo a “Mais” como oportunidade de aprender-fazendo. Por exemplo, quem ouviu o noticiário de hoje, que teve obviamente tropeços, ficou impressionado pelo ritmo demonstrado, não digo já pelo sénior Rui, mas por aqueles jovens que o faziam na primeira oportunidade de trabalhar para uma rádio.

Só posso, enquanto apreciador da ascensão profissional na base da competência, desejar os maiores êxitos à Rádio Mais. Aproveitem a oportunidade de crescer técnica e profissionalmente
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Gociante Patissa, Benguela 20 Agosto 2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quatro estudantes sancionados na Universidade pública por uso de cábula

O ano académico 2009 termina seis meses mais cedo, pelo menos assim está a ser para cerca de quatro estudantes (três rapazes e uma rapariga, entre primeiro e terceiro anos), apanhados a cabular durante as provas semestrais, ocorridas no mês passado, no Instituto Superior de Ciências da Educação (Isced) em Benguela.

Conforme os comunicados publicados pelo Departamento dos Assuntos Académicos (DAC), e uma vez - diz o texto - ouvida a comissão disciplinar, os estudantes “recebem” no pacote de sanções a admoestação escrita e a suspensão de seis meses, tendo para alguns contado como atenuante a confissão imediata da fraude, e não ficam anuladas a cadeiras aprovadas no primeiro semestre. Ou seja, têm automática reprovação, mas escapam da (“temida”) pena de dois anos “na rua”.

E como cada circular
tem estampada a fotografia tipo-passe do estudante sancionado, as vitrinas do Isced voltaram a ser o centro das atracções de quem se desloca àquela unidade de ensino afecta à ex-Universidade Agostinho Neto, hoje Rei Catiavala. Não é a primeira vez que na história do Isced em Benguela a fraude nos exames é sancionada severamente à luz dos regulamentos vigentes, não obstante tal não garantir mudança na atitude dos sancionados.

Gociante Patissa, Benguela 19 Agosto 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Crónica: Está confirmado - desporto é Angola não perder no basquetebol africano

Com a victória desta noite na meia-final diante da selecção tunisina, os angolanos (que são ao momento nove vezes campeões africanos em basquetebol) conseguiram dupla qualificação: a primeira, para a grande final do corrente Afrobasket e, a segunda, para o mundial da modalidade, a decorrer no próximo ano na Turquia.
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Uma partida renhida foi o que se deu a ver pelas imagens transmitidas pela TPA, sendo que no final os "baixinhos" angolanos venceram por 79-69 os "gigantes" da Tunísia. Caso para dizer que, quando o destino está traçado para a derrota, nem mesmo a torcida pode resolver; de outro modo não ganharia Angola se tal dependesse da vontade da ensurdecedora assistência no estádio em Tripoli.
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E ficou outra vez confirmado: desporto - quanto a mim (e olha que somos milhões com Angola no coração) - é não perdermos no basketebol africano. A um passo da conquista do décimo título de campeão africano, não desejamos sorte aos compatriotas comandados pelo luso-moçambicano Luís Magalhães, porque já nos habituaram a vencer sem ela, ou seja, por competência mesmo!
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Gociante Patissa, Benguela 14 Agosto 2009

domingo, 9 de agosto de 2009

O Blog Angodebates agradece os seus visitantes e amigos


Olá, é altura de partilharmos uma chávena de café. Se és fumador, não há makas...
Hi, it's time to share this cup of tea with my visitors. If you are a smoker, no problem...
Gociante Patissa

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Crónica: "Eleições na Guiné-Bissau. Que efeitos se esperam?"

Outra vez o papel de Angola no centro das atenções. O recém-eleito presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, escolheu Luanda para uma visita cuja finalidade é convidar pessoalmente o chefe de estado, Eduardo dos Santos, a presenciar a cerimónia de investidura, prevista para 07/08.

Tal iniciativa alimenta algum desagrado dos angolanos menos informa
dos sobre o mundo mais distante, como se a violência e a brutalidade guineenses fossem contagiosas. E neste campo há que reconhecer que é de muito fresca memória a vergonhosa “maratona” de assassinatos (não esclarecidos), desde Nino Vieira, então presidente da república, Tagmé Na Waie, máxima patente do exército, e, já no início da campanha, dois candidatos às presidenciais, Baciro Dabó e Helder Proença.

A tensão entre militares e políticos, acrescida à aparente impunidade, fazem do país de Amílcar Cabral uma “bomba relógio” imprevisível. Não deixando de ser legítimo o pessimismo, e sem querer assumir o papel de analista político (primeiro, porque não fomos para tal formados, e segundo, porque não nos dá prazer nenhum!), vejamos uma coisa: não está em causa se é boa ou má a participação de Angola em quase tudo que é maka em África. É incontornável a influência e o poderio que o nosso país granjeia a nível do continente, com proeminência para os campos militar, económico e político. E no caso da Guiné, cujos laços de irmandade remontam aos tempos de luta anti-colonial contra o regime português, a “proximidade afectiva” (com os apoios que isso implica) é um tanto automática. Aliás, em política, os mais fracos e os mais fortes, permitam-no os termos, têm algo em comum: a procura do aliado conveniente.

É verdade, seria bom que os cidadãos de cada país fossem consultados em cada intervenção internacional (só?) que o governo, enquanto gestor do Estado, se quiser envolver. Aliás, a história já nos deu a ver vários exemplos de decisões que redundaram em erro, ou não fossem idealizadas por humanos. Mas como assim não é realista ser, há que dar a carta-branca para os “nossos dirigentes” actuarem até chegarem as eleições para o crivo do seu desempenho.

Ocorreu-me, esta semana, sondar a opinião de um intelectual guineense residente em Angola. A pergunta foi: eleições recentes na Guiné-Bissau. Que efeitos se esperam? A resposta não podia ser mais profunda: “Muitas eleições, pouca democracia. O que a gente quer é estabilidade”.
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Gociante Patissa, Lobito 4 Agosto 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

Breve História de Um Sábio de Berlim

Nota: É um "biscoito" que nos chegou por e-mail da amiga Maria Gomes (do Blog www.romadevidro.blogspot.com). Angodebates

Herr Alleswisser fez um castelo de livros e, sem mais delongas, instalou-se nele; ponta a ponta, foi lendo a sua casa e, lendo, sentia-se feliz.Um dia, de tanto ler paredes e pilares, o castelo ruiu; e Herr Alleswisser achou-se soterrado sob a sua cultura e viu-se nu, com fome, com sede, exposto à bruta crueza do Mundo.Hoje, Herr Alleswisser é um sem abrigo e vive debaixo da ponte Erscheinigungsbrü cker, onde passam os carros que seguem para Berlim Oriental.Só quando confrontado com a vertente prática das ruas que apenas conhecia como ideia nesses livros que lia é que Herr Alleswisser compreendeu que a Literatura, só por si, não constitui a Cultura. Que ser culto, implica viver na mesma proporção em que se teoriza, sob pena de o sabor de uma carne ou de um peixe não ser a carne ou a peixe mas apenas uma sensação da saliva que surge à boca ao pensar-se uma iguaria abstracta que não é mais que metáfora.Ao descobrir isso, Herr Alleswisser obteve o impensável: perdeu tragicamente o seu castelo, para encontrar na condição de sem-abrigo aquela completude que buscava.Dulcineia, meus Quijotes, está ao virar da esquina, não ao virar da página!

Publicada por Miguel Joao Ferreira in http://persona08. blogspot. com