PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 28 de junho de 2009

Fotos da nova ponte sobre o Rio Catumbela

Com mais de 100 anos de existência, essa ponte metálica se retira da "vida activa" este ano, dentro de três meses para ser mais preciso. Ao seu lado foi "parida" uma ponte-sauro (expressão nossa) pelo consórcio Mota-Engil com mão-de-obra angolana, portuguesa e chinesa. A ponte de quatro faixas, tão enorme que custa aprensentar numa só fotografia, "anda" na boca dos cidadãos, suscitando à maneira angolana os respectivos prós e contras. Condenada pelo excesso no tamanho (tanta altura e comprimento para quê quando o rio Catumbela não é de transbordar, sendo neste caso mais inofesinvo que o Cavaco?!... Há quem não se esqueça da vertente dinheiros, ou seja, perto de 26 milhões de euros... Quantas escolas não teriam sido construidas?!). Mas, e já pelo lado positivo da coisa, outros parabenizam pela pertinência (afinal, de engarrafamento andamos todos fartos), mais ainda porque o país, que organiza o Campeonato Africano das Nações em futebol (CAN 2010) precisa de ter atracções turísticas, isso, sem esquecer o contexto de reconstrução nacional. O que eu acho fica para mim, alíás, a ideia é partilhar consigo umas fotos recentes (neste momento decorre a asfaltagem da placa).
Gociante Patissa

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Futebol: Uma jovem que vence tabus pelo sonho de ser árbitra internacional

Mais uma história incomum de vida foi descoberta pela rubrica “Nossa Homenagem, um reconhecimento às pessoas pelo seu exemplo de sucesso”. Ela nasceu e reside na cidade de Benguela, atende pelo nome de Deolinda Gaspar Simão, e costuma surpreender pela afeição que tem pelo futebol, ombreando com qualquer homem, quer nos bastidores, quer no ajuizamento de jogos.

«Eu já venho gostando de desporto, no seu geral, há um bom tempo. Mas, desde o mundial de 1998, aprofundei-me muito mais para esse lado mesmo, que é o futebol. Comecei a gostar, a praticar, estou agora a apitar também. Quer dizer, tudo relacionado mesmo ao futebol», conta.

Deolinda Gaspar Simão é estudante, escuteira e professora. Mas é no futebol que vive o maior desafio na vertente da arbitragem.

«Diz-se categoria provincial. Fazemos jogos de iniciados, juvenis, juniores e seniores. Tive agora uma grande bênção, fui promovida para a 2ª divisão. E quero continuar a trabalhar, chegar até à primeira divisão e, quiçá, a árbitra internacional, que são alguns dos meus objectivos, e continuar a aprofundar os meus conhecimentos», salientou.

Alguma vez esteve envolvida em situação de violência, ainda que indirectamente, por algum erro cometido enquanto árbitra? «Olha, é muito complicado e é muito difícil! Principalmente quando a equipa de casa (ou mesmo a de fora) perde, praticamente as culpas recaem sempre quase todas sobre nós. Por acaso já estive em várias situações assim, mas acho que a maior parte dos jogos correram bem, soube, com um ou outro erro, levar o jogo avante».

E será que alguma vez praticou futebol? «Já. Já joguei no “Peixe Cuio”, que agora é “Águias Vermelhas” durante uma temporada, joguei também no “Andorinhas” ou “Amiguinhas” (já não me recordo o nome), durante uma temporada e meia».

A inclinação para o desporto foi uma surpresa em casa, e só mesmo com o tempo Deolinda conseguiu conquistar o apoio dos pais. «Olha, a princípio foi muito difícil, principalmente quando comecei a jogar, e comecei a gostar muito dos jogos, às vezes faltava às aulas para ver jogo ou jogar, mas o tempo foi passando e foram-se acostumando. Acredito que o importante é que cada um tenha que fazer aquilo lhe faça feliz, aquilo que bem quer, desde que não fira a sensibilidade de ninguém».

Determinada, Deolinda Simão consegue conciliar o desporto e a formação académica. «Eu estou a fazer o terceiro ano da faculdade, estou a seguir o curso de economia, embora não seja o meu grande sonho (porque eu quero mesmo continuar a fazer o superior de educação física). E sou professora também de educação física, há já dois anos».

Para além disso, ainda encontra forças para outros compromissos sociais. «Sou escuteira há já quase 11 anos e sou presidente da associação ACASO (Causa Social). Temos como fim recolher alguns donativos para oferecer aos mais desfavorecidos. A associação é americana, nós somos a primeira filial cá em Angola, e precisamente em Benguela».

Deolinda Simão resume os problemas da juventude em duas fragilidades. «São a falta de escolaridade e a falta de emprego. São problemas sociais muito graves e são mesmo eles que levam a nossa juventude a se misturar em coisas que não têm nada a ver; vemos aí casos práticos como guerras de garrafas, lutas, um montão de confusões».

Estudante, escuteira, professora, responsável de ONG, e árbitra de futebol. Deolinda Simão leva uma vida literalmente ocupada. Será que ainda sobra tempo para lazer a que tem direito?
«De facto tenho sentido falta de um bocadinho de tempo, relaxe, principalmente ao fim-de-semana. É o único tempo que tenho para ficar com a minha família, mas tem as saídas: jogos de manhã, aos sábados tenho que ir à formação de escutismo, se calhar tenho um encontro ou outro, e fica realmente um bocadinho apertado. Mas eu gosto de viver assim, acredito que ocupação é menos preocupação».
...............
Recorde-se que a rubrica "Nossa Homenagem" é oferta do programa radiofónio de mesa redonda pela cidadania e saúde preventiva, "Viver para Vencer", uma produção da ONG AJS-Associação Juvenil para a Solidariedade, emitido às 3ªs feiras entre 17h-18h30 através da Rádio Morena Comercial para cobrir as cidades de Lobito, Benguela e Baia Farta (litoral da província de Benguela), Angola.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fotos recentes da cidade do Lubango (II)

Investir no turismo é investir na informação/comunicação. Obrigado pelas legendas!
E você ainda se lembra deles? A primeira vez que estive no Lubango, os telemóveis custavam perto de 500 USD (pelo que os "gémeos" na foto eram a "força motriz"). Que fiquem ondem estão, nem que seja para fundamentar a história da evolução das tecnologias de informação e comunicação. O Casino está bem plantado, com uma beldade que contrasta com qualquer vício maléfico.
"Paragem da Garrafa". Mas qual foi a intenção? Seria para dizer "sentido proibido para bebedeiras?"
Nossa Senhora do Monte, um encanto turístico de todos no Lubango (Bom, se calhar já era altura de se erguer uma estátua da "Nossa Senhora" também, ao lado da do "Cristo Rei"... Então, onde está o espírito do equilíbrio no género?...

Loucuras e abraços do vosso Gociante Patissa

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Olusapo: "Ukuenje umue wasandele ukema"(*)

Kuakala ukuenje umue waenda lokusakalala, cokuti lotulo kakuatele. Waenda lokulipulapula ukuenje wu ndeti. “Cilingila nye okuti, ame ndicimumba cocimatamata, letosi lyukema sikuete?! Cilingila nye okuti layumue ño, vimbo, ofetika ombangulo yokuti yinditukula ame?”
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Ukuenje wiya ocisokolola sui… okuiya wakuata ocisimilo cimue “culoño”. Wavanjiliya okuti, catete komunu oyongola ukema, okukuliha pi pakasi omuenyo womanu vimbo. Etambululo lieli oukuti: povava! Omo okuti, ndaño muele cina oholua, alopo yinyua ovava.
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Cina muele okuti kakuacile ciwa, ukuenje walimba vonjila yokocisimo (ale onjombo). Eci apititala vali kasumile: ofetika okunia. Nie muele pomela wocisimo, eye osia po oluhaku waye. Olondona eci vyakapitila lomele oco vitape ovava, vasaña elundu lieniña. Opo muele okuimba oluiya.
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Ukuenje kefetikilo wasanjukile, puãi, oku ceya okupitila, ema liolio ho. La sekulu yimbo, soma haeye tio yayi, wovanjele ovitangi. Nda tulinga tuti soma ociliangu, yu wanyola ocimumba caye? Cilingila nye okuti ukulu wendamba okulonga ovimumba kacitela?!
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Ondaka yokupatekela yeyi okuti, vokusanda ukema ciyongola okuenda ciwa – katukasandi omangu lamania – momo ukema kuli vo uvi.
(*)
Olusapo woponjango kimbo lietu
Gociante Patissa

sábado, 13 de junho de 2009

Crónica: “Por aqui, doutor?!”

– DOUTOR…!? Nunca mais a vi…! – gritou, emocionado, Ratinho, correndo de braços abertos em direcção ao tórax do intelectual, duas vezes maior que o dele.

– Como vai, meu caro Ratinho? – reagiu, com a devida frieza da ciência, antes de ceder ao emotivo abraço.

Era capaz de dizer que tem uma força metafísica a palavra DOUTOR, tanta nobreza assim, que sempre se sentiu como que a flutuar quando pronunciasse o termo. E sem dar por conta, algumas (muitas) vezes, soltava-se a criança dentro dele para se alegrar com a doença… porque vinha sempre a recompensa de se encontrar com um “DOUTOR!”. Contrariamente, não foi o que sentiu desta vez; tinha um sabor diferente, para não dizer quase nenhum, abraçar um DOUTOR que estivesse em posição inferior por força das circunstâncias (a começar mesmo pelas ausências da gravata e da chave de Jeep).

Ratinho. Nada de bonito ou de nobre com esse nome (é isso que ele acha). Mas, nome, a gente não escolhe, não é isso?! Hoje, grande o suficiente que até já tem o hábito de fazer a barba na barbearia mais antiga da Catumbela, ainda carrega o nome que lhe fora atribuído pela senhora sua mãe (com o desleixo do pai, diga-se!)… ora essa, pá!, como se (o conceito Ratinho) tivesse algum efeito de agasalho diante da extrema magreza com que o rapaz nasceu (no frio de Julho de um ano distante).

Ratinho, desmobilizado do exército com 48 anos, julgava ter passado por todas as provações da vida, ao ponto de inconscientemente adoptar estranhos tiques. Um deles é, quando estiver a caminhar, olhar sempre atrás. Que se lixe lá o cansaço do pescoço, diria ele, o importante é que tu também podes ser caçado enquanto caças.

Concluída a oitava classe, já lá vão dois anos, Ratinho, que há ano e meio aguardava pela colocação na função pública, começaria finalmente a trabalhar. Tramado pela ironia da vida, seria outra vez na companhia de uma kalashnikov o novo ganha-pão. Quem me dera ser DOUTOR…!, desabafou certo dia durante os três meses de recruta policial na escola Kamutipatipa.

Ratinho é agora guarda prisional e teve a sorte de a farda, da cor da ferrugem, não ficar mal sobre o seu corpo esquelético. Mas difícil (mesmo!) para Ratinho foi dar de caras, no primeiro dia de trabalho, com o ex-explicador de psicologia, que há ano e meio não via.

– Por aqui, DOUTOR?!
– Sim, Ratinho, há já catorze meses. Tive um comportamento erróneo no trabalho. – disse-lhe o “DOUTOR”, antecipando as perguntas que Ratinho não tinha a coragem de exteriorizar.
– Ok, DOUTOR! – seguiu-se um suspiro – Coragem, DOUTOR!

Ratinho teve quase uma noite em claro. Sua mentalidade de finalista da oitava classe buscava uma explicação para o facto de um DOUTOR de psicologia (ciência que estuda o comportamento) ter “um comportamento erróneo no trabalho”. Muito é o que há por aprender, aprendia ele.

Gociante Patissa, Benguela Junho 2009

Publicitar kit Internet da UNITEL é desonesto

Com algum espanto, notamos ontem na TV-Record (brasileira e bastante consumida por cá) a publicidade “VIVA 3G da UNITEL”. Como é de prever, os angolanos lá fora devem imaginar poeticamente que esta operadora de telefonia móvel serve excelência nas tecnologias de informação e comunicação. Nada mais enganoso!

Há coisa de uma semana que o sinal via modem da Unitel (que, diga-se em abono da verdade, tem sabido decair em termos de eficiência), estagnou. E para variar, ninguém se lembrou de vir a público justificar os problemas. (Neste aspecto perde para a Angola Telecom, que tem a já célebre questão de “problemas com cabos de fibra óptica).

Longe de nos “imiscuirmos” em questões técnicas, não dá é fingir que não vemos o óbvio: ao aceder a ligação, o cidadão recebe a confirmação de estar online, porém na condição de “somente locais”, que não permite nem mesmo enviar SMS, quando, em contrapartida, a contagem do consumo soma e segue. Outra maka tem a ver com o prazo de recarga obrigatória que virá penalizar quem se viu privado de gastar os impulsos (que custa 4mil e 500 Kwanzas em média mensal).

A questão é até moral. Até melhorarem a qualidade, qualquer publicidade referente ao kit Internet da UNITEL, seja em Angola ou no estrangeiro, é desonesta.

Gociante Patissa, 13 Junho 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Algumas fotos do Lobito

O que se vê na outra margem do mangal é a área da triagem do CFB (caminhos de Ferro de Benguela) e mais ao fundo ainda o Puniv (Centro Pré-Universitário do Lobito), no Compão.

Não importa se os flamingos não costumam ter a cor cinzenta, este é o símbolo da cidade (e bonito, até)
Estou neste momento no Alfa, Restinga, a trabalhar pela AJS. O que se vê ao fundo é um navio que se aproxima à baía para atracar no Porto.
Do Mangal dos Bombeiros vê-se a Sonamet, estaleiro de construção de estruturas de exploração de petróleo. Um dia fiz parte dos sistemáticamente explorados (e por que não, demitidos) pelos franceses. Sindicato...?
Conhecido como prédio da ENE, sorri para quem entra à Zona Comercial, ou 28. À direita fica a 1ª esquadra da polícia.

domingo, 7 de junho de 2009

Crónica: “Um dia fujo… para brincar com a minha filha”.

“Um dia fujo do trabalho para brincar com a minha filha”. Você também ficaria capturado/a pela força desta doce rebeldia, sendo (ou não) pai/mãe (de uma menina).

“Um dia fujo do trabalho para brincar com a minha filha”. De quem seria este pensamento? Também especulei quando li a frase, como você estará especulando agora. Mas achei-a no rótulo de pacotinho de açúcar (de fabrico português) para café. Esses peritos de marketing é que são “pecadores”, por conseguirem quase sempre brincar “tão bem” com as nossas emoções.

Estava no Lubango em gozo de férias, daí que me visse num instante remetido às saudades de casa ainda no terceiro dia. Apatetado por óbvio efeito da rebeldia de “herói desconhecido” (pai ou mãe) perante a fatalidade do horário laboral, chamei a (mais bonita) atendedora da pastelaria. E vinha à minha mesa. Algo larga sua blusa, próprio aliás de uniformes de bar, tinha uma dose de sensualidade sempre que transparecesse o forte vermelho do sutiã. Parecia mãe (seria? Ou era apenas aos meus olhos viciados pelo contexto?). Quantas vezes não terá ela sussurrado… “um dia fujo do trabalho para brincar com a minha filha”, lá fantasiava eu!

Já tive o cuidado de (em página própria no meu livro de estreia) agradecer aos meus sobrinhos, pelo prazer de me fazerem sentir criança – (ainda os sobrinhos) petizes das minhas saudades, para o desgosto de primos e tios cansados de tolerar o “insólito” solteiro na casa dos trinta anos; de tal modo que não surpreenderia se uma mão caridosa me regalasse com o “pau de Cabinda”, como se a questão fosse ter a chama biológica muito branda…

Ontem foi a vez da Ruth, oito anos, segunda filha do meu kota. Estávamos naquele bate-papo na sala da minha mãe, quando a menina entrou trazendo a irmã às costas. Era suposto estarem num dos dois casamentos das redondezas, facto suficiente para justificar a nossa surpresa ao vê-las tão cedo no local de dormir.
– Só viemos beber água.
– Lá está a cuiar?
– Está…
– Comeram o quê? – provoco, imaginando-me no lugar dela a disputar por um bolinho seco.
– Não comemos nada, já ‘tamos repletas, só ‘tamos à espera da noiva. – surpreendia-me a Ruth com agradável frieza, não imaginando como era “sagrado” nos nossos tempos comer no casamento – Jantamos canjica [caxupa] na tia Teresa...

A maioria dos puxões de orelha que levei foi no bairro da Santa-Cruz (desde 1987), uns na escola, outros por pular muros das igrejas adventista e evangélica. Até por baixo da mesa nos escondíamos, só para bisar as rodadas no copo d’água. Era bolinho seco, geralmente maçudo, servido no papel com sumo em garrafa da “Refriscentro”, defronte à Pediatria (Grémio do Sal).

Gasosa em lata era raridade quando chegamos ao Lobito em 1985. Ainda me lembro de um
vizinho (bairro da Bela-Vista) funcionário da pastelaria “Áurea”, em cuja casa (de luxo, diga-se) usava-se também o enfeite da pirâmide de latas vazias (geralmente recolhidas dos “lixos” da cidade). Cheguei a testemunhar (enquanto filho de comissário comunal, hoje administrador) os abastecimentos mensais nas lojas do povo – a dos dirigentes era a “Organizações Wapossoka & Nambula” na Zona Comercial, mas apenas os privilegiados com acesso às “Lojas Francas” sabiam o gosto do frango e a miragem de criança com gasosa em lata.

Por isso não deixou de excitar a minha reminiscência distraída constatar que, duas décadas depois, as crianças são indiferentes aos bolos do casamento. Nos nossos tempos eram estes mais im
portantes que os noivos e/ou qualquer sermão. Um dia fujo do trabalho para contar isso à Ruth (ou aos primos dela – meus filhos – quando for oportuno surgirem).

Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 6 Junho 2009

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Crónica: "A manhã sempre chega"

Sexta-feira, quinto dia de Junho em 2009. Manhã algo fria nas ruas de Benguela, cidade em metamorfose para acolher o campeonato africano das nações (CAN) em 2010.
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Primeiro dia de bumbas outorgado pelo fim de mais um ciclo de férias. Trinta e cinco dias longe da maresia e do caos, contraste que só mesmo o ambiente do aeroporto consegue impor.

São sete horas e tal. Como sempre, pauso na esplanada do Café da Cidade, à espera do habitual. Um galão e bolo trança. Vadios, os olhos cansam o pescoço de tanto andarem às voltas. Os ouvidos captam a conversa, digamos desabafos periféricos, do dia: cidadãos que condenam a nova sinalização rodoviária, que, qual robot, impede circulação em sentidos tradicionais. “Como é que quem vem da rua da Sé Catedral já não pode virar à esquerda no cruzamento do largo 1º de Maio?”

Barba feita, uniforme em dia. Um mês de férias é sempre pouco, ne?! (só deu para visitar Huambo e Huila). O tempo traiu, mas pronto (pronto mesmo!), que mais se pode fazer?! Por ano há mais, vão ver só!... Até lá continuo com o mesmo sobrenome, a mesma certeza que a cabeça é fadada para a arte, pensar e criar (jornalismo e literatura inclusive); já quanto à barriga, esta, mostra-se talhada a ser mais flexível, a dar o que der pelo dono e outras bocas mais.
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A moça do galão surge, e o efeito de Pavlov é automático – é hora dos maxilares! Engano meu, que ela não trazia só a comida, trazia também uma rajada de perguntas. “O vosso avião hoje é às 16h, né?!”, ao que sorrio antes de da resposta: “Fiquei trinta e cinco dias em casa de férias, só vou começar hoje”. Qual quê?! A outra enfia-me outra questão: “e o da companhia X, e da companhia Y, também é de tarde?”. Eis que repito a mesma frase: “fiquei trinta e cinco dias de férias, só começo hoje”. Ao que ela acrescenta: “Comprei bilhete da companhia Z”, mas perdi o voo. Não sabes se o voo deles também é às 16h?”. E outra vez eu com a mesma estéril frase. Como quem diz, aié pensas que te livras, ne?!, ela prossegue: “eu só queria…”. Até que educadamente saí em defesa do meu mata-bicho, que corria o risco de arrefecer: “amiga, na aviação as coisas mudam rápido, e não estou em condições de explicar nada com segurança, trinta dias ausente é muito”.
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Pouco antes de ter o troco de volta, chegava o colega, de cuja viatura pessoal às vezes abusamos para poupar o subsídio de transporte.
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No caminho, era aturar-me com aquelas perguntas bué tolas, de quem quer devorar as novidades, como se um mês de férias fosse embarcar para outra galáxia. Finalmente despertava da ilusão, a de não ter sido honesto com a rapariga do Café. Afinal, na aviação as coisas não mudam tão rápido assim (literalmente).
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Bom, manda a natureza que tudo tenha um fim (e é essa a bengala em que me apoio quando faltam forças para vomitar perante a falta de escrúpulos dos homens e do cacimbo que aborta o sol dos ideais). “Não importa quão longa seja a noite, pois a manhã acaba sempre por chegar”, já dizia o outro.
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Gociante Patissa, aeroporto da Catumbela

segunda-feira, 1 de junho de 2009

No dia da criança... "Sonhos de rua"

No dia de São Valentim
vou apanhar flores
e guardá-las bem perto de mim
debaixo do meu banco de jardim
e tenho a certeza de que logo à noite
a morena miss dos meus sonhos
a sua prenda virá reclamar
sou criança de rua
mas tenho o sonho
na conta do que a sorte me negar
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In Consulado do Vazio (Gociante Patissa-KAT consultoria e empreendimentos, Julho 2008)

Luanda

Bairro (morro do) Benfica à entrada
Edifício oficial à baixa da cidade
Chicala
O engarrafamento no Largo da Independência cria oportunidade para venda ambulante (zunga) e os mendigos produzirem