PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Chipilica recua e retira queixa contra AJPD

O antigo ministro da justiça e actual provedor de justiça, Paulo Chipilica (na foto), terá retirado a queixa intentada contra a Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD) por difamação.
A informação é do padre Pio Wakussanga, promotor da vigília de ecuménica marcada para hoje, em solidariedade com os membros da prestigiada ONG cívica.

Os arguidos teriam de responder a tribunal nesta quarta feira, depois da notificação recebida no meio da semana passada.

«A vigília que podia juntar cristãos de varias denominações e membros da sociedade civil já não se vai realizar, pelo facto do D. Paulo Chipilica ter retirado a queixa, no passado dia vinte de Novembro», explicou Padre Pio Wakussanga à Rádio Ecclésia.

No entanto fontes daquela estação radiofónica da capital, revelam que foram envidados esforços para ouvir Paulo Chipilica, mas não houve qualquer pronunciamento do seu advogado por enquanto.

A mesma fonte indica que também, a AJPD, liderada pelo jusrista Fernando Mcedo, prefere manter-se em silêncio enquanto não dispor de qualquer documento formal, que confirme a viravolta do governante.

Nov 27, 22:50 Texto: Angonoticias/ Fonte:Rádio Ecclésia/Apostolado

Embaixada de Angola critica entrevista do Programa do Jô

A embaixada de Angola no Brasil criticou à Agência Lusa a entrevista feita no Programa de Jô que abordava a sexualidade das mulheres angolanas, exibida pela Rede Globo de Televisão e que está sendo investigada pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro sob a acusação de preconceito.

"Com a manifesta conivência do entrevistador, aparentemente apostado em estimular índices de audiência, recorrendo ao primarismo do culto ao bizarro, o entrevistado deturpou e manipulou tradições culturais e costumes locais, dando-lhes colorido anormal", afirma a embaixada de Angola em comunicado divulgado à Agência Lusa.

A nota da embaixada afirma ainda que "mais uma vez, o apelo ao exotismo, real ou imaginário, foi usado como meio de marketing para vender jornais, programas de rádio ou de televisão de má qualidade".

As denúncias contra o programa de Jô Soares surgiram há dez dias e ainda não há uma conclusão da procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Márcia Morgado, responsável pelo caso, declarou nesta terça-feira à Lusa o Ministério Público (MP).

No Programa do Jô, que foi exibido no último dia 18 de junho, o angolano Ruy Morais e Castro, atualmente taxista na cidade paulista de Campinas, comenta costumes de uma tribo de seu país a partir de fotografias, relacionando os penteados das mulheres com a sexualidade.

Em um dos exemplos, o entrevistado diz que o penteado de uma mulher na faixa dos 20 anos indicaria que ela havia feito uma incisão no clitóris para que se tornasse tão "apertada" quanto uma menina de seis ou sete anos, idade em que as mulheres dessa tribo iniciariam a vida sexual.

"Foi uma atitude bizarra do Programa do Jô, que deveria nos dar um direito de resposta. A entrevista com o taxista foi uma aberração porque expôs, execrou a mulher, e não levou em conta os valores de uma cultura e de sua ancestralidade", disse à Lusa uma coordenadora do Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro.

Essa entidade, que impulsionou outras organizações sociais a entrarem com queixa no Ministério Público contra o Programa do Jô e a TV Globo, considera que a entrevista foi "ofensiva a todas as mulheres, em particular às mulheres negras, pelo tom de deboche e desrespeito às mulheres muila".

Segundo outra representante do movimento negro brasileiro, Alvira Rufino, houve uma "violência psíquica contra a mulher negra".

"Não se pode analisar a cultura de um povo e fazer críticas a costumes pré-estabelecidos partindo de uma visão eurocêntrica. O programa foi preconceituoso, racista e teve a intenção de desvalorizar os costumes de um povo", disse à Lusa a presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra.

A organização não-governamental feminista E'leèkó - Gênero, Desenvolvimento e Cidadania-, se manifestou igualmente contra o programa e qualificou a entrevista como "desrespeitosa para com a mulher angolana".

"O preconceito saiu do taxista, mas o Jô não só entrou na brincadeira, como foi jocoso e também riu muito. Temos mesmo que procurar a justiça para reeducar a sociedade, porque não temos no Brasil o exercício do cotidiano da cidadania", disse à Lusa a representante da ONG, Rosália Lemos. As investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro deverão ser concluídas em um mês.

De acordo com a assessoria de comunicação do MP, se for comprovada a existência de irregularidades no programa, a procuradora Márcia Morgano poderá entrar com uma ação na justiça ou atuar de maneira extrajudicial, fazendo apenas uma advertência ao Programa do Jô e à TV Globo.

Texto: ngonoticias (citando a Lusa)
Nov 28, 07:30

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Terá faltado respeito em Joanesburgo? Lucky Dube assassinado por "batuqueiros"

Foto de autor não identificado
“Uma morte absurda”, assim consideraram amigos, artistas, políticos, intelectuais, enfim, cidadãos do mundo, quando apanhados desprevenidos pela velocidade sanguinária da violência urbana na África do Sul. Segundo a polícia, Lucky Philip Dube, de 43 anos, foi assassinado por supostos ladrões de carros, ou “batuqueiros” como são conhecidos entre nós, no dia 18/10, depois de ter deixado dois filhos adolescentes, à noitinha, em casa de um irmão em Rosettenville, subúrbio de Joanesburgo.
Os meliantes surgiram de súbito, abriram a porta de seu Chrysler e dispararam à queima-roupa, uma cena assistida pelo filho, que chamaria pela polícia instantes depois, enquanto o artista tentava fugir, até a viatura embater num obstáculo metros adiante e perder a vida. A polícia já deteve quatro presumíveis assassino, entre 31 e 35 anos, nomeadamente, Sifiso Mlanga e Julius Gxowa, de nacionalidade sul-africana, e os moçambicanos Thabo Mafoping e Mbofi Mabe, cuja sessão de discussão em tribunal deveria acontecer no fim de Outubro, de modo a permitir-lhes a constituição do suporte legal a que têm direito.
No domingo, 28/10, Lucky Dube, que deixa viuva, Zenale, e sete filhos, foi a enterrar em cerimónia restrita à família e amigos mais chegados, na sua fazenda, situada em Newcastle, província de KwaZulu-Natal. O enterro entretanto foi alvo de polémica, já que, para cumprir aquilo que a família considera ser o último desejo do malogrado, o funeral deveria ser algo restrito e simples; ou seja, a participação de milhares de pessoas de todo o mundo limitar-se-ia ao velório, reservando-se os familiares e amigos chegados o privilégio de acompanhar Lucky até à sua última morada, o que, embora legítimo, é desproporcional à dimensão deste terapeuta do reggae contemporâneo.
«Devemos continuar a agir em conjunto como um povo que combate esta terrível onda de crime, que tem tirado a vida a demasiados sul-africanos», disse o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki.
Apesar de nunca ter estado em Angola, a morte Lucky Dube enlutou admiradores da sua música, amantes do Reggae e os amigos do povo-sul africano de modo geral. Amplamente anunciada pela imprensa angolana, a notícia teve como reacção mais sonante a marcha organizada pelo Movimento Rasta Fari em Luanda, a 26/10.
«É importante rendermos homenagens as pessoas, como ele, que lutaram pelo bem-estar social, e condenar estes tipos de acontecimentos criminais, porque só assim conseguimos demonstrar para as outras pessoas que estamos unidos em laços de irmandade», disse à Angop o ancião da comunidade Rastafari de Angola, Faia Congo.
O relatório da polícia enfrenta ainda um implícito inconformismo quanto à ideia de se tratar (só) de um assalto de ladrões de carro, já que, para além de não ter sido levada a viatura, Lucky Dube é a segunda celebridade abatida em menos de um mês. No passado dia 15/10, o actor Patrick 'Kid' Mokoena, que se notabilizou na série televisiva 'Soul City', foi também assassinado a tiro num bar na zona de Jeppe, perto do centro de Joanesburgo.
A criminalidade é um gritante ponto fraco da governação do país que se ressente ainda do espectro do Apartheid, regime baseado na segregação etno-tribal e na supremacia económica, cultural e política da minoria branca, tendo sido o uso da violência recurso do povo negro na luta pelo direito à dignidade. E a insegurança poderá afugentar turistas e investidores quando a África do sul albergar o Mundial de Futebol em 2010.
De acordo com o site brasileiro www.primeirahora.com.br, citando fontes oficiais, a África do Sul regista mais de 19 mil assassinatos e 400 mil ataques por ano. A polícia sul-africana registou aproximadamente 20 mil assassinatos no período entre Março do ano passado e o primeiro trimestre deste ano, o que representa um aumento de 2,4 por cento em comparação com os índices do ano passado. São também tidos como altos os número de estupros e de roubo de carros(Reuters).
Perfil
O nome Lucky foi-lhe atribuído pela mãe por ter nascido em condições difíceis de saúde, a 03/08/1964, em Ermelo, no Transvaal Leste, hoje Mpumalanga. Cresceu sob cuidado da avó, enquanto a “mãe solteira” Sarah, tinha de trabalhar. Sua infância foi marcada pela miséria e pelo Apartheid.
Iniciou a cantar em bares na sua cidade natal e na igreja, e logo fez parte da banda Love Brothers, na qual tocava mbaganga durante dois anos. No início dos anos 80 decide abraçar então o estilo Reggae.
Criança ainda, trabalhou como jardineiro em casa de uma família branca, o que viria abandonar face as humilhações e pouca remuneração, optando por estudar. E na escola forma a sua primeira banda,'The Sky Way Band'. Desde a gravação do primeiro álbum em 1986, "Rastas Never Die," sufocado na época pelo poder da sensura, até atingir o apogeu, Lucky manteve a humildade, o que lhe permitiu estar sempre perto do seu povo. Lucky Dube foi o primeiro artista negro na África do Sul com a música a tocar numa estação de Rádio.
Ao contrário do estereotipo de músicos, especialmente do estilo Reggae, Lucky Dube não fumava marijuana (liamba), não bebia, muito menos permitira integrantes da banda consumirem álcool antes do espectáculo. A sua mensagem aborda questões políticas, sociais e pessoais – coisas que jogam importante papel na vida de qualquer cidadão. Uma vez foi questionado sobre o que o inspirava, ao que humildemente respondeu: «As pessoas! Olhar as pessoas, observar movimentos e o que fazem, em situações e experiências da vida real de pessoas» (blackwomanineurope.blogspot.com.
Publicou 21 álbuns em Zulu, Inglês e Afrikaans, num período de 25 anos, e conta ainda a sua trajectória com 20 distinções pela voz, música e vídeo, chegando mesmo a ser condecorado cidadão honorário do Estado de Texas, EUA, a 27 de Maio de 2007.
«O amor e o respeito deviam andar de mão em mão; é impossível ter amor por alguém se não o respeitas. Com respeito, o mundo pode ser um local melhor para se viver», era a forte convicção de Lucky Dube quando lançou o seu último álbum “Respect”.

Temos vergonha das nossas línguas?

O uso das línguas nacionais na promoção da saúde pública foi tema de debate, na 51ª edição do programa radiofónico “Viver para Vencer”, no passado dia 09/10, juntando mobilizadores comunitários, jornalistas e técnicos de saúde.

«A nossa população nem toda consegue entender o português. E, na sua maioria, a juventude, pelo contrário, não entende a língua nacional e também tem dificuldade em se expressar, como tal, em português» caracterizou Adriano Justo (AJ). E atribui tal fenómeno ao desprezo que o colonizador, durante séculos, impôs às nossas línguas nacionais, «de tal modo que os pais não transmitiram estas aos filhos», defendeu AJ.

Do mesmo ponto de vista alinha Adelino Kosengue (AK), do Departamento Provincial da Cultura, que julga necessário debater-se sobre o assunto: «porque a nossa juventude, muitas vezes não percebe o que é a língua nacional e se calhar dá importância a outras línguas e deixa aquilo que é natural, do seu país, da sua origem», descreveu.

Questionado sobre a razão de trazer a utilidade das línguas nacionais para debate, o Produtor do programa, Júlio Lofa, argumentou: «nós estamos também preocupados com as pessoas que vivem nas comunidades muito distantes das zonas urbanizadas», para adiante notar que «há muitos projectos a serem desenvolvidos aqui; e o problema da saúde preventiva não é só das cidades, mas também daquelas comunidades onde não se fala o português ou fala-se com muita dificuldade. Portanto, há toda uma necessidade de nos avaliarmos, nós activistas que estamos neste desafio, se, de facto, estamos em condições de levar a mensagem lá onde existe pessoas que precisam de uma outra língua para terem uma informação correcta», justificou.

Com base na sua experiência de jovem promotor da saúde, João Pedro (JP), do projecto da Cáritas Diocesana, “Vida com Esperança”, conta que a dificuldade aumenta à medida que se deixa as sedes municipais, e se atinge as zonas recônditas, exigindo do técnico a adaptação à realidade local para o êxito da missão.

AJ sublinha ainda como incentivo à juventude no uso das línguas nacionais o enquadramento de novos quadros em vários sectores da função pública, ante a necessidade de se adaptarem, para a vital comunicação, ao uso da língua dominante nas áreas em que são inseridos. «Na área de saúde, o conhecimento da língua local é muito importante, porque quando o técnico se expressa na língua materna, o doente tem mais liberdade de se expressar», disse.

«Tenho um sobrinho que, hoje mesmo, perdeu a oportunidade de “agarrar” um emprego por não saber falar a língua nacional», lamentou ainda AJ.

César Kangwe (CK), músico e locutor da língua Umbundu há 23 anos ao serviço da Rádio Nacional, denunciou que na sociedade benguelense o quadro da rejeição virtual da língua materna é mais notório, contrariamente ao que se assiste com os kimbundu, Cokwe, por exemplo.

«Até há pessoas mesmo que sabem falar Umbundu e fingem que não o falam. Procuram formas, quando quiserem pronunciar uma ou duas frases em Umbundu, de fugir um pouco da fonografia da língua, desafinam, que é para darem a entender que não falam. Esse é um pecado que a sociedade vai cometendo», condenou CK.

Mas como fazer com que os termos correntes nas cidades não representem um lesar dos costumes e sensibilidades uma vez levados às zonas rurais? JP reconhece ser uma constante difícil, mas superável: «uma das grandes vantagens que têm feito com que não tenhamos tantas dificuldades, é a recruta dos activistas comunitários locais. E estes submetidos a uma formação, também vão nos ajudar a levantar os termos, especificamente, na língua materna», revelou.

Por seu turno, o Coordenador do Projecto “Viver Contra a Sida-3”, Salomão Gando, é de opinião que o contacto com as línguas nacionais para técnicos de saúde deve iniciar mesmo durante o processo de formação, durante a fase de estágio curricular.

A reportagem simultânea do programa radiofónico “Viver para Vencer” e do Boletim “A Voz do Olho” ouviu Justino Tchapwiya, professor e responsável da Associação dos amigos da língua inglesa (Afela). Tchapwiya recorreu ao exemplo das igrejas na veiculação do evangelho para ilustrar a utilidade da língua local para que a população compreenda a mensagem que lhe é transmitida. Contudo, considera ser necessário trabalhar-se mais com o activista, o mobilizador comunitário, em termos de seminários, palestras e treinamento para passar a informação de base, cooperando com sobas e agentes comunitários, uma recomendação também reforçada por Armindo Jonatão, funcionário do Departamento Municipal do Lobito da Cultura.

O representante do Departamento Provincial da Cultura, AK, lembrou algumas recomendações do 2º Encontro Sobre as Línguas Nacionais: «Que se proceda a integração das línguas nacionais em todos os domínios para que elas possam contribuir para o desenvolvimento global do país; que se proceda a valorização, protecção e divulgação das línguas nacionais como forma de preservação da cultura nacional e consolidação da integridade cultural».

Entretanto algumas iniciativas mereceram elogios dos convidados ao debate. Tal é o caso dos painéis com mensagens de boas vindas “Akombe veya”, por ocasião do Afrobasquete 2007.

Fonte: Boletim "A Voz do Olho", projecto informativo, educativo e cultural da AJS e amigos, edição de Outubro/2007

Cidadã morre soterrada (Quando desafiava montanha para sustento)

Uma cidadã de 32 anos, que em vida se chamou Maria de Fátima (MF), moradora do Sector da Hondokela no Bairro da Santa-Cruz, Lobito, faleceu soterrada no passado dia 29/10, por volta das 10h50. Maria deixa viuvo e dois filhos.
MF fazia parte do grupo de mulheres entregues à miséria e que, para a sua subsistência, se dedicam à extracção de terra arenosa, daquilo que ainda sobra do antigo morro residencial da já falida Açucareira, junto da ponte do Estádio do Buraco. O produto, que transportam à cabeça, é comprado geralmente por pessoas de baixa renda, que, na falta de cimento, rebocam as suas obras com terra e areia.
«O lugar estava húmido, mas ela não conseguiu dar conta do recado. Chegou ao local, tentou extrair a terra e automaticamente a terra desabou sobre ela. E, o pelo peso da terra, já não resistiu e acabou por sucumbir», contou à reportagem do Boletim a Voz do Olho um dos mais antigos responsáveis da Subcomissão de Moradores do Bairro da Santa-Cruz, Celestino Dias “Tino” (CD). Após o alerta de testemunhas, conta a nossa fonte: «nós demos todos os procedimentos jurídicos: ligamos para a terceira esquadra, a qual nós pertencemos, e por sua vez também ligou para a investigação criminal para fazer chegar ao piquete».
A área representa um perigo eminente, já que, tendo sido desbastada pela construtora francesa, Satom, pouco sobrou do morro para aguentar o poste de alta tensão, o que vem sendo agravado pela erosão e pela acção de cidadãos que vêm neste “garimpo” um ganha-pão. A par disso, a bacia formada à sua volta pela força das chuvas tem constituído também um risco de afogamento para os petizes que fazem da água parada uma “piscina”.
«Não é a primeira vez» - recorda CD- «Pela primeira vez se deu, se bem me lembro, o ano passado, já se deu um caso idêntico: a terra desabou e houve unicamente um ferimento. Pela segunda vez, a terra desabou, acabou por sucumbir uma senhora e saíram dois feridos. E esta, nós podíamos denominar como terceira vez».
Após este recente infortúnio, nenhum “garimpeiro” voltou ao local, algo que CD encara com indiferença por recear que, passado o choque, tudo volte à mesma. E justifica: «Nós já havíamos alertado que ninguém mais deveria fazer aquele trabalho, mas como se sabe, que hoje o índice de desemprego é maior, nós podemos alertar, eles fazem daquilo o seu ganha-pão; eles continuam a levar a sua actividade laboral, que é a extracção de terra junto do poste de alta tensão».
Sabe o AV-O que o entulho do local é a solução projectada pelas autoridades.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Comentários racistas e pedófilos sobre a mulher angolana no programa de Jô Soares geram onda de protesto no Brasil

Foto de autor não identificado
"Acabo de receber um e-mail que originalmente foi postado por Vilma Piedade do Movimento de Mulheres Negras do Rio de Janeiro. Ela envia o link de um recente programa do Jô Soares onde ele entrevista um sujeito que atende pelo nome de Rui Moraes e Castro. O tal foi no Jô sabe para quê? Para explicar a relação do penteado das mulheres negras de Angola com as suas vaginas", escreve Ranato Rovai, editor da revista Fórum no Brasil.

"Entre outras coisas o tal mostra um corte de cabelo, que segundo ele foi armado com bosta de boi e fala que aquela mulher quer mostrar que está "mais apertada". E diz, em resumo, o seguinte: "como o negro começa sua relação sexual com seis, sete anos e essa mulher já tem 20, 21 anos ela está velha, acabada, larga. Então ela fez uma operação no clitóris a sangue frio, com uma faca de sapateiro, e fica mais fechada. Com esse cabelo ela está dizendo ao homem que voltou a ficar fechada e que vai dar tanto gozo ao homem como uma garota de sete ou oito anos...".

"Sabe o que o Jô fez, divertiu-se a beça com a história. E continuou a entrevista com preconceitos e histórias horrorosas assim por mais uns cinco minutos."

Outros protestos referem que o "Jô Soares e sua equipe deveriam se informar melhor sobre a história pessoal de seus entrevistados e o conteúdo que supostamente têm a oferecer. Em sua ignorância o senhor Morais e Castro chega a afirmar durante a entrevista – entre outras coisas – que certa região de Angola situa-se perto “da fronteira com a África do Sul”. (!)

Ficamos nos perguntando no que aquele conjunto de impropérios, preconceitos, comentários jocosos e degradantes, absolutamente descontextualizados, vem contribuir para um projecto de sociedade mais justa, mais tolerante, mais equânime – projecto com o qual nos identificamos e para o qual temos trabalhado em nossas áreas de actuação profissional e de militância política.

A cena dantesca de dois homens “bem-sucedidos” e com acesso a uma rede de televisão com o poder da Globo (não só no Brasil, mas também em Portugal e em Angola) fere gravemente tanto a nossa constituição quanto o projecto – construído a duras penas – de uma sociedade brasileira aberta à compreensão e ao respeito pelos diversos grupos culturais que a compõem, suas práticas e sua história. A nosso ver, isto é o que torna a humanidade o que ela é: rica, porque diversa.

É impossível silenciar diante desta manifestação torpe de racismo e etnocentrismo. Esperamos como cidadãos e cidadãs uma retratação dos protagonistas deste circo dos horrores, para que possamos continuar nosso trabalho diário junto a jovens, educadores e crianças e reafirmar que o tempo de desqualificar o que não compreendemos e de tratar o diverso como animalesco já passou", escreve Mailsa Carla Passos e Aldo Medeiros.

Nov 20, 08:08Fonte: AngoNotícias

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Obrigado, senhor Agente... É essa a polícia que queremos

Trânsito ajuda vendedora ambulante

Cidade de Benguela, 14/09: Um agente regulador de trânsito da polícia nacional destacado no cruzamento da Naipe, como é vulgarmente conhecido, tomou a liberdade de revolucionar um pouco a sua forma de actuar, no início da tarde desta quarta-feira: perante um trânsito incomodado pela lama da chuva da noite anterior, o agente abandonou a pinhanha e, num gesto ímpar, via-se, de vez em quando, o agente suspender a marcha das viaturas para permitir a travessia de vendedoras ambulantes, as quais acompanhava com a mão no ombro, num gesto típico de “irmão mais velho”.

Esse gesto pode, aparentemente, ser irrelevante para muito boa gente, menos para aqueles que acompanham com preocupação a dificuldade que os nossos vendedores ambulantes enfrentam no seu dia a dia, quanto mais não fosse pelo risco de atropelamento, sobretudo em áreas sem passadeira de peões como tal.

Numa sociedade como a angolana em que a relação entre vendedores ambulantes e agentes da ordem é conhecida principalmente por alguma violência e usurpação de haveres, é de todo justo merecedor de um grande elogio esse gesto.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

De repente desafio o meu vício

Estou num cyber café
E é sempre a mesma irónica sensação:
(esconder-se e, ao mesmo tempo, estar tão exposto ao mundo)
tomando o café vicioso chamado Internet!
O tempo passa e parece que nada disso importa
À minha direita abre-se e se fecha constantemente a porta
As atendedoras olham para mim
Feito um “louco” com os olhos atrás dos óculos
“comendo” a tela, como se nada mais houvesse à volta
Isso lá pouco importa!

Uma rápida visita aos e-mails
Diz que nada de novo há para hoje
Somente uns kambas que encaminharam o habitual:
Aqueles e-mails que, ora nos levantam, ora nos deixam lá embaixo

É grande a ambivalência
Um lado pede para levantar-me
O outro diz que não, que ainda não se matou a saudade com os kambas
O lado da razão me lembra de mais um elemento: a distância
30 km de estrada entre Lobito e Benguela para uns costumam durar eternidade

Um tanto estranho pensar assim,
mas ter 100 kz no bolso não garante que o taxi chegue cedo
portanto, convém pôr-me andando
enquanto o sol ainda tem rosto
e guardar para o fim
a vontade de relaxar depois de mais um dia de salo
Afinal, amanhã é dia de folga
e o que não der hoje, há-de-se fazer amnhã.
De repente me lembrei que deve sobrar um espaço tempo
Para a família, antes que anoiteça

De repente, a pessoa pensa o quanto muitas vezes
Sacrificamos o direito da famìlia à nossa companhia
Divagando em conversa com kambas ou torturando algum teclado qualquer!!!

(Mas que "vício")
De repente desliguei, e sapei

Gociante Patissa 08-11-2007/ 17:38

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Denúncia: há cábula em todas as instituições de ensino

Você já fez cábula? É uma pergunta aparentemente simples, mas que deixa pouco à vontade muito boa gente, a depender da circunstância. Uma prática antiga e ainda polémica. A 47ª edição do programa radiofónico “Viver para Vencer”, oferta da AJS através da Rádio Morena, foi dedicada ao debate antecedido de uma reportagem sobre o fenómeno cábula. É simplesmente uma ajuda à memória ou algo que se deve combater?
Ouvimos Valdemar Manuel, estudante finalista do Instituto de Ciências Religiosas de Angola (Icra): “Já fiz cábula uma vez. Tinha dificuldades em História e decorar números. Na altura não sabia que era tão bom ter a capacidade de decorar números. Então as datas e séculos escrevia nas mãos”, confessou, para a seguir apontar a prováveis causas: “A preguiça mental, alguns porque são viciados, outros porque não se acreditam que são capazes de reter ou compreender o conteúdo que têm. Alguns alegam falta de tempo e por isso fazem cábula”. Preocupado com o futuro, Valdemar aconselha: “A cábula não leva a um conhecimento eterno, leva sim a um conhecimento imediato. Vocês têm que optar em estudar”, frisou.
Outra estudante, de 18 anos, finalista do Centro Pré-universitário (Puniv), que só sob anonimato aceitou falar à nossa reportagem, denuncia como o avanço da tecnologia é aproveitado para aperfeiçoar a cábula. “Agora, com a tecnologia, já dá para fazer cábula pelo telefone, pen-drives. Antes era com papelinhos, escrever nas carteiras, nas batas”.
Já o docente de Práticas de Metodologia de História no Imne do Lobito, Ismael Andrade, considera que a forma como se elabora a prova e a característica da sala podem estimular o aluno a fazer a cábula. “Temos que culpar alguns professores que na elaboração das suas provas convidam os alunos a, em vez de puxarem pela cabeça, tirarem o recurso ilegal que trazem para tirar notas positivas, e a disposição da própria sala de aula. Se o professor não verificar as carteiras, se a sala não permitir que os alunos se sentem mais confortavelmente também facilita a cábula. E, por último, a forma de elaborar a prova, usando perguntas directas do princípio ao fim, o aluno fica preguiçoso”. Desafiado a deixar recomendações, Ismael não hesitou: “Provas bem elaboradas, professores actuantes e com sanções adequadas, acredito que por essa via a prática da cábula vai diminuir gradualmente das nossas escolas”.
O painel de convidados no estúdio constituiu-se de agentes com experiência na docência, entre eles os representantes do Ministério da Juventude e Desportos e o da Escola do segundo nível Luís Gomes Sambo.
No entender de Manuel Kavambi, docente do ensino médio e estudante universitário, “a cábula é um fenómeno social que ameaça o futuro de qualquer sociedade e nunca foi ajuda à memória. Antes de mais, no momento em que um estudante estiver a usar a cábula, ao invés de ajudar a memória estará a dispensá-la”, asseverou, para adiante considerar com ironia que cabular é só “um simples exercício de caligrafia.”
O educador social Manuel Rita Gaspar vê na cábula um fenómeno social que atinge todos os níveis de ensino e lamentou ainda a falta de uniformidade nos critérios de sanção, já que, referiu, cada escola age à sua maneira. “Porque há até alunos apanhados a fazerem cábula e tiveram um tratamento, mas outros noutra escola o tratamento foi diferente; só foram retiradas as folhas de provas e receberam outras para continuaram a fazer. Acho que isto não é correcto!”, condenou, sugerindo ao Ministério da Educação a estipulação de medidas disciplinares. “Eu penso que, quando se trata de escola, independentemente da entidade que a promove, a política de estado é tutelada pelo Ministério da Educação. Quer seja a escola da igreja, ONG, colégio, é o Estado quem deve meter a mão e solicitar essas forças vivas e traçarem mecanismos para actuarem neste sentido”, asseverou.
Entretanto quanto a sanções disciplinares, defendeu o representante do Minjud, Ndituavava Gonçalves, “elas estão regulamentadas. A aplicação é que não tem sido aquela. Existem escolas mais flexíveis. A questão só está aí e não na falta de medidas”.
António José, docente da escola do segundo nível “Luís Gomes Sambo”, contou que naquela instituição as crianças também já dão sinais de prática de cábula, embora sejam fáceis de detectar dada a pouca experiência, mas no ensino de adultos, o problema é mais sério. Por exemplo, como se vendiam folhas de prova com certa antecedência, estudantes há que traziam-nas já preenchidas com o que presumiam vir à prova e outros escrevem a matéria nas carteiras.
É caso para pensar: qual é o resultado de um médico que se formou no ciclo vicioso da cábula? De resto, a preocupação contra as fraudes nas provas não é recente. Pelo menos até finais de década de 80 os enunciados, a chave bem como as folhas de prova do segundo nível em diante eram trazidos ao recinto escolar por oficiais da Segurança do Estado devidamente uniformizados e identificados, sendo óbvio o clima de medo quanto a eventuais consequências. Se foi o método mais eficaz ou não, isso não é para aqui chamado. Entretanto, o que importa é ver que, como qualquer problema, mais do que dar relevância ao tratamento das consequências, no caso a sanção, impõe-se a adopção de medidas que visem tratar o problema a partir da sua origem, sendo a cábula uma questão de atitude.
Víctor Barbosa, por exemplo, que durante mais de 30 anos foi director de um Puniv, em Luanda, é de opinião que “a cábula resolve-se com muitos outros aspectos, não apenas com punição quando ela acontece. Temos que criar um ambiente escolar, menos alunos por professor, espaços que permitam os alunos questionarem o que estão a aprender e sentirem que todos os momentos em que estão na sala de aulas são momentos para porem à prova aquilo que sabem e não apenas no momento da prova. Acabar com o excesso de peso que se dá à prova”, o que, em sua análise, “várias vezes traumatiza também os próprios alunos e é necessário criar um ambiente de maior diálogo; e a democratização da escola podem contribuir para o combate à cábula”, acentuou aquele pedagogo assumidamente seguidor de Paulo Freire.
(AV-O/ Palmas da Paz)