PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 26 de abril de 2017

DIvagações | IMUNE A ESTA FEBRE

Do jeito que as redes sociais, enquanto reflexo da sociedade, andam, sou feliz em saber que sou saudável. Sua excelência eu há-de ser dos poucos. Não tenho clube, logo escapo deste surto que caminha para o alienante, o da militância futebolística e fracturante (por clubes europeus), com tanta coisa mais premente que bem mereceria prioridade no debate transversal em que reside o exercício da cidadania. Sei que isso pode soar intolerante, apesar do exagero nas entrelinhas, mas... excelências, isso de realmadrilenismos, barcelomessismos, benfiquismos, sportinguismos, ou o que seja, no final do dia não fabricam um só tijolo na vida de ninguém por cá. Sabem por acaso eles (os endeusados) de quantos cortes de luz fazem a nossa semaninha? E se canalizássemos as energias para diagnosticar as causas do raquitismo do nosso desporto? Ainda era só isso. Obrigado.
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Divagações | DA AJS

Evitei sempre uma intervenção próxima da agenda dos partidos políticos durante os anos que integrei o corpo directivo da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), ONG que co-fundei em 1999 no Lobito e cujo vínculo de membro tive de suspender em virtude de algum desgaste, volvida uma década queimando cérebro.

Outros tempos, outros sonhos. Dissera eu à saída acreditar que mais tarde ou mais cedo, a AJS encontraria o seu caminho, o que para já é visível e louvável, desde logo porque se mantém a casa aberta a caminho do décimo oitavo aniversário daquele pontinho na constelação da sociedade civil. Se a AJS morresse pela minha saída, então é porque nunca chegou a existir. Pelo que ela existe e está aí, é o que basta, não importa eventualmente a que distância do sonho original.

E porque volta e meia chegam a mim questões sobre a postura da ONG e a nova identidade da sua actuação, com toda a perplexidade de quem, fazendo parte da sua história, entretanto não é necessariamente "dono da empresa", talvez ajude informar que já lá vão pelo menos seis anos que deixei de frequentar o espaço físico da AJS e se fez o respectivo distanciamento, literalmente​, do seu elenco. Isso mesmo. Portanto, e distorcendo o filósofo, só sei que já nada mais sei.

Ainda era só isso. Obrigado.
Daniel Gociante Patissa
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Crónica | Homólogo, eu?!

O pai, meu e de mais umas duas dezenas, foi dono de um apurado sentido de precisão. Um dom. Na verdade tinha vários outros. Raramente usava o novelo, ou o prumo, ou a régua das vezes que o vi envolvido em construção civil. Guiava-se pelo olho só. De todas as habilidades, a maior graça nele residia no jeito natural para actor. Poderoso dom da palavra, um narrador, melhor que isso, tecelão. Havia sempre qualquer coisa mais nas palavras, um tempero que as enchia de cor, de vida própria dentro ou fora da frase. Eu vi-me, adolescente mais ou menos precoce, na necessidade de pedir tradução.

As ligações para a comuna da Kalahanga, onde era o velho o primeiro cidadão no aparelho da Administração do Estado, faziam-se a bordo de camiões de lenha e carvão, cujas guias de marcha dactilografavam-se lá em casa. Na véspera de cada viagem, dizia ele assim: «Por estas horas, o almoço hoje é na Kalahanga». Ora, eu então entendia que ele iria almoçar à Kalahanga mas voltaria no mesmo dia, já que nada disse do jantar. Ou seja, que lógica haveria em ressaltar o almoço quando se vai lá passar mais de um mês?

Cada alegoria, cada metáfora, cada mobilização política faziam do homem um tecelão. Os ciclos seguiam-se. Guarda-costas confundiam-se nos direitos com os rapazes mais velhos da casa (um deles, da primeira vinda ao bairro Santa Cruz, receberia a mais insólita das ordens. «Então, passou bem a noite?» E ele: «Não, chefe.» Mas porquê? Inquiria o velho. «Muito mosquito, chefe». Ora, «Tu não és tropa? Faz tiro!» Nós era só rir).

Os camiões deixavam para trás vários dias de saudades e incomunicabilidade. Outra via não havia senão a da carta trazida ao bolso aleatoriamente por carvoeiros, sem data de chegar. Aos 12 anos, mais coisa, menos coisa, só podia ser violência contra a criança ter de ler aquilo dos beijos, e saudades, e te amo muito, e estas e outras intimidades às esposas dos tropas e guarda-costas, cujos maridos se esqueciam da condição delas de iletradas.

Meses depois lá estava o pai de volta ao conforto do lar, embora já soubéssemos que boa parte do tempo seria gasta na solidão do seu pequeno escritório, onde rabiscava madrugadas à mão (a missão de dirigente em localidades vulneráveis aos ataques inimigos de guerrilha destruiu o direito de dormir as oito horas, iminente que se fazia o risco de captura e servir de arma de propaganda). Pessoas assim, confesso-me também eu, possuidoras de um rápido pensar e aprender, costumam andar perto do defeito do perfeccionismo.

Não faltavam momentos hilariantes nos barafustares de Victor Manuel Patissa (1946-2001). Certa vez recebeu carta de cobrança feita por um tarefeiro. «Ao meu omorco», iniciava assim a missiva. «Homólogo, eu?!» Resmungou o velho, face à enunciada igualdade cujo sentido não conseguia achar. «Mas o fulano não é só escavador de fossas de WC? Assim somos colegas?! E ele escreveu ‘Ao meu homólogo’. Como assim?!»

Não respondemos. Nossos sorrisos marotos transformados em gargalhada disfarçada. Imaginávamos o filme da comparação na cabeça do queixoso: um dirigente de excelente aparência, eloquência, alguma escolaridade, prestígio (pelo menos até onde conseguiu resistir a sua estabilidade emocional), equiparado logo a um maltrapilho tarefeiro e dado a bebedices. Estava visto que o tarefeiro só quis caprichar na deferência, talvez não fazendo ideia do sentido de precisão do pai. Pronto. Ainda era só isso. Obrigado. Hahaha

Gociante Patissa, Benguela 17 Abril 2017 www.angodebates.blogspot.com

Das saudades que ficam do sector voluntário, poder enfiar o trabalho na mochila e perder-se, viajando

(sua excelência eu em finais de 2006 numa expedição Benguela-Lubango-Namibe-Lubango-Kunene (Angola) - Oshikango-Windhoek- Oshikango (Namíbia) -Lubango-Benguela)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sua excelência eu, aos 14-15 anos (1993), empregado como ajudante de fotógrafo para custear os estudos na 7.ª classe (com uma escola de caminhar a pé 10 quilómetros dia em ida e volta), ao tempo do preto e branco analógico, aproveitando sobejos, montou e imprimiu este postal que à época se considerava foto artística, na artesanal Foto Kodak, bairro Santa Cruz, Lobito

Memória descritiva da montagem

Com uma caneta, escrevi os dizeres "feliz natal e boas festas" sobre o cartão postal em papel comprado a uma das tabacarias/livrarias da cidade do Lobito. Seguidamente, o mestre Lopes fotografou o postal e recortou-se o negativo para servir de maquete, obviamente depois de processado na câmara escura, onde passa por dois líquidos de efeito químico, o revelador e o fixador, mais tarde exposto (o negativo) ao sol para secar. Feito isso, de volta à câmara escura, insere-se o negativo no ampliador, uma máquina óptica em forma de busto com pescoço flexível e em cuja cabeça está a lâmpada que incide a luz pelo negativo e grava no papel fotográfico. O mesmo processo é repetido com o negativo do modelo, garantindo que se grava na metade do papel que andava protegida por uma venda escura. A parte final é passar o papel no revelador até divisar-se a imagem, sob a luz encarnada da câmara escura, depois pelo fixador, por água e então expôr ao sol para secar. E pronto, está contada a trabalheira que este aparente postal simples deu, coisas que na era digital faz-se a dois clics no computador. Ainda era só isso, obrigado. Daniel Gociante Patissa

Utwe (umbundu) | Cabeça (português) | Head (english)

Citação

"A arrogância passa com a experiência, garanto, depois de doze livros meus publicados e uns quarenta traduzidos.
Até porque se descobre o óbvio: literatura não é nada neste país, não nos projeta, não nos faz reconhecidos, apenas nos torna partes de um grupo de gatos pingados cujos miados não fazem maior ressonância. E, quando debatemos e nos arranhamos com os egos eriçados, o que somos é netunianos debatendo com venusianos, nada que remotamente interesse ao planeta Terra."

(Chico Lopes, escritor brasileiro, hoje, via facebook)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Citação

“Eu acho que a música não pode ser porque tu queres, não; tem que ser dom. Quando é natural, as coisas acontecem naturalmente” 
(Euclides Dalomba, músico angolano. In “Ouvi Dizer”, programa Jovial Cidade, Rádio Luanda e TPA2, 03.02.2017) www.angodebates.blogspot.com

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Volta e meia me acho neste trecho

"Acabei com tudo
escapei com vida
tive as roupas e os sonhos rasgados
na minha saída.
Mas saí ferido,
sufocando o meu gemido.
Fui o alvo perfeito
muitas vezes no peito atingido.
Animal arisco
domesticado esquece o risco"

(Trecho da música brasileira Fera Ferida, atribuída a Erasmo, Betânia e Roberto, trilha sonora da novela com o mesmo título)

Crónica | Um dia em grande

Odeio rotinas pela proeza de remeterem o cidadão
sua excelência eu à consciência de repetição crónica, qual engrenagem de uma máquina. Viver não pode ser só isso. Por isso é que se revestem de motivo duplo de enaltecimento aqueles dias que se superam a si próprios em altura e largura, sendo por isto muito mais do que simples marcha nos calendários. Adoro dias extraordinariamente originais. Vejamos o caso de hoje. Segunda-feira, dia de ressaca, calha-me estar de folga. Ainda bem, diria qualquer um. A minha voz  (se é que ainda tenho) está horrível. Garganta com... com ares de gripe. Um dia daqueles que aconselham tudo, excepto sair de casa. E tu não sais. Faltam-te filmes para  enganar o tempo, mas também não é caso para se fazer drama: de onde saíra a luz que ressuscite a tomada? A fome acende o fogão. Algo prático. Não mora pachorra para comprar peixe, arranjar e ir ao fim da rua descartar guelras e afins. Aí é que entra o surreal. Sai massa de atum e legumes com água mineral. A torneira tipo é na recauchutagem, só sai ar. Um dia em grande, não? Ainda era só isso. Obrigado 
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Gociante Patissa. Benguela, 10.04.2107

domingo, 9 de abril de 2017

Citação

"A fome tem seus caminhos para amenizar as convicções." (Max Lucado, autor americano. In Ele Escolheu os Cravos. 2002, Pág. 63. Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro.  Brasil)
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Diário | PERSONALIDADE FORTE É ISSO?!

"Mas, ó meu! Pára ainda aí! Assim também, não! Desculpa-me lá, mas tudo menos isso!!!"
"É com a minha pessoa?..."
"Ya! Mas estás a pensar que isso é o quê, afinal?! Já ontem foi assim, passas aqui a pé - um, dois, um dois, - e não cumprimentas, com essa cara tipo deputado em carro com vidros esfumados. Pescoço bem duro, tipo avestruz. É o quê afinal?! Tu foste meu colega de escola, naquele tempo em que os exames vinham com soldados da segurança do estado, fugimos juntos, lanchamos bolacha e leite que nos queimava a boca... esqueceste?"
"Mas eu iria te saudar no Facebok. Ou será que o teu chat está off?"
"Mas..."
"Qual é mesmo o tipo de emoji que te alegra mais?"
"Mas não achas que isso é desconsideração? Então me fazes de estátua ao vivo e me esperas nas redes sociais?"
"Fica calmo, sócio. Não sejas arcaico! A evolução está à vista. Há aí gente a fazer grandes negócios, emocionantes reencontros, hã!, casamentos fortes... a partir mesmo só do virtual. O segredo é cortar no pão, na fuba, investir no saldo. Mas tens telefone inteligente afinal para quê, é brinquedo?!."
"Eh! Chegaste a este ponto?! Toda aquela irmandade dos anos de escola evaporaram?!"
"Meu amigo, eu sou uma pessoa de personalidade muito forte..."
"Arrogante? Personalidade forte é isso?!"
"Mas tu achas que eu levo a vida tipo novela mexicana, que é só choramingar e beijar?!"
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Gociante Patissa. Benguela, 9 Abril 2017

sábado, 8 de abril de 2017

Citação

“A dada altura, eu fechei-me em copas. Desapareci. Prefiro ficar em casa com os meus filhos a me fazerem rir do que andar aí por esta Luanda. Porque há muita falsidade no ramo da música, e eu não aprendi a ser falso, não aprendi a dar a mão a quem não se sente bem com a minha presença, não aprendi isso.”
(Flay, músico angolano, via Kutonoka, TPA1, 08.04.2017)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Anedota | As contas do Joãozinho

Professor: "Se eu te desse dois gatos, e outros dois gatos e outros dois, quantos tu terias?"
Joãozinho: "Sete."
Mestre: "Não! Escuta com atenção... Se eu te desse dois gatos, e outros dois gatos e outros dois, quantos tu terias?"
Joãozinho: "Sete."
Professor: "Deixa-me colocar a pergunta de maneira diferente: se eu te desse duas maçãs, e mais duas maçãs e outras duas, quantas tu terias?"
Joãozinho: "Seis".
Professor: "Muito bem. Agora, se eu te desse dois gatos, e outros dois gatos e outros dois, quantos tu terias?"
Joãozinho: "Sete!"
Professor: "Francamente, Joãozinho! Mas de que raio de lugar é que foste arranjar sete?!"
Joãozinho: "É que eu já tenho um gato, professor!"

Tradução e título pelo blog www.angodebates.blogspot.com (Do site laugh factory)

Just a question | Os efeitos da pena de morte diferem de país para país?

Numa das habituais visitas ao site da DW (Voz da Alemanha), que tem um serviço em português que cobre o continente africano, de que gosto porque disponibiliza texto e áudio, topei com uma notícia do país irmão Moçambique, cuja oposição optou por boicotar a visita do presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang. A Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), maior partido na oposição em terras de Machel, justifica, na voz da sua chefe da Bancada, Ivone Soares, que "não se compactua” com países ou personalidades que vêm na pena de morte” ou no "golpe de Estado uma solução”. Por seu turno, o repúdio do MDM (Movimento Democrático de Moçambique) veio do deputado José de Sousa, estranhando que se tenha convidado um "indivíduo que defende aquilo que a nossa Constituição" - disse - "não permite, por exemplo, a pena de morte”. Há naturalmente outros defeitos que se apontam a Obiang e seu regime, mas fazer este estardalhaço contra a pena de morte da Guiné-Equatorial, quando se é parceiro de relações formidáveis com os Estados Unidos de América (que não tem dado grandes sinais de abolir a mesma medida), dá assim uma ideia de contrassenso. Por acaso os deputados reagiriam da mesma forma se a visita fosse de um chefe de Estado americano? Fica a questão de retórica. Ainda era só isso. Obrigado.   www.angodebates.blogspot.com

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Proposta de debate

"Nossa ideia de intelectual está, desgraçadamente, presa à do acadêmico — quase sempre um sociólogo — que, figura carimbada dos programas jornalísticos, aparenta ter uma opinião formada sobre os mais variados assuntos. Contudo, nada pode estar mais distante da vida intelectual do que esse esse falso expert que tem soluções mágicas para todos os problemas. Um intelectual é alguém que, ao mesmo tempo, se interroga e interroga o seu tempo; questiona-se e questiona a sua cultura, os valores da sua época, as escolhas e o modo de viver dos seus contemporâneos; investiga o que o passado nos legou e realiza o diálogo crítico entre essa tradição e o presente. Ou seja, ele transcende a ordem imediata das coisas e busca a verdade que nasce desse diálogo com o conhecimento universal, com a inteligência. O comentarista da tevê ou do rádio é, quase sempre, o servidor de um partido ou de uma ideologia — ele se traveste de intelectual, mas, por ser quem é, só consegue repetir fórmulas prontas, tem o desempenho de um ilusionista das palavras. O verdadeiro intelectual está em busca de respostas que independem da ideologia dominante ou dos modismos acadêmicos. O que ele busca é um encontro pessoal com a verdade." 
(Rodrigo Gourgel, académico e escritor brasileiro. 03.04.17. Ler entrevista completa no portal FaustoMag)

Divagações | O lado saudável da crise energética

Sua excelência eu tem dedicado as últimas semanas a um exercício de observação, principalmente​ naqueles dias em que a rotina profissional impede de fazer as refeições em casa. Resulta deste exercício (que não deixa de ser subjetivo, uma vez que sua excelência eu ainda não foi beneficiário do dom de falar pela boca e sensações de outrem)... que, na condição de piscívoro congénito, descobriu que o peixe nos restaurantes resgatou o sabor que é esperado de alimentos apanhados num mar cujas ondam se podem ouvir, tão perto que mora. A razão está na crise energética, que desencoraja investir grandes quantidades de pescado na congelação. Antigamente, dava até a impressão que os restaurantes todos da  cidade de Benguela, passe algum exagero, tinham a mesma fórmula de tempero: só sabia a sal. Há que aproveitar esta fase, o peixe chega no prato à mesa do cliente transpirando saúde. Ainda era só isso. Obrigado hahaha

Citação

"Não! Por acaso! Sim senhora! Eu gosto muito das ideias, hã, que você publica! É assim mesmo! Tens que continuar mesmo assim, porque ajuda muito a cidadania social, mas... é assim... Sabes como é que é, né? Então, eh pá, pronto, né?, eu só que assim já, eh... como é que vou dizer?... portanto... ora... você até sabe que não é por mal nem receio nem nada disso, né?, sabes que até não sou disso, mas... é só que eu não coloco "gosto" ou "like" nas grandes ideias porque, estás a ver já, né?, pode ser que as publicações comprometam um gajo. Mas... não podes parar, estou contigo! Qualquer coisa, estamos aqui, ya?..."

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Divagações | Um olhar diferente ao 4 de Abril, Dia da Paz em Angola

O Dia da Paz é já por mérito próprio um ponto de interrogação que se impõe relativamente à necessidade de transpor a cortina que teima em relegar para o esquecimento patriotas que deram o litro por Angola nos diversos domínios do país antes de 2002. Por razões históricas, recomenda-se que a "Nova Angola", seus marcos e protagonistas não se dissociem dos ciclos de avanços e recuos que antecedem o fim das armas, sabido que é que a história de um povo deve resistir ao risco da fragmentação.

Declaração de interesse: Para a paz de Angola, conquistada com lutas e guerras, contribuíram Manuel Patissa (dirigente evangélico preso político enviado à cadeia de São Nicolau, hoje Bentiaba, entre 1961-1966) e o seu filho Victor Manuel Patissa (Comissário Comunal da Chila, Bocoio, e Equimina, Baía Farta, e no mesmo município com a mesma categoria só que designação diferente, administrador da Kalahanga). Como digo num conto no prelo, a história dos grandes já foi escrita, teremos um dia de escrever sobre os pequenos. O 4 de Abril tem de se elevar ao nível de congregador de memórias de todo um processo de lutas, não havendo lugar para fragmentos.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Citação

"Você faz só como os outros, dum coro. Não vale a pena querer levar as coisas muito a sério. Vais complicar. Se mete só a ligar nas regras, para ver como vais acabar... Assim você nunca vais ser nada."

Entrevista ao jornal Valor Económico | “HÁ QUE REACTIVAR A INDÚSTRIA DO PAPEL” - Gociante Patissa, escritor

LITERATURA. Gociante Patissa entende que se devia investir “numa crítica literária endógena”, mas nega que o futuro da literatura angolana passe pela diáspora. Em entrevista ao VALOR, o escritor reprova o “’status’ secundário” dado às línguas nacionais.


Nasceu, licenciou-se e trabalha em Benguela. O que falta para haver mais jovens a prosperarem nas suas províncias e não se afunilarem só em Luanda?
Luanda é o centro geográfico do poder e das oportunidades. Em algum momento na minha vida, pensei na possibilidade de deixar Benguela, enquanto melhores oportunidades de formação e progressão profissional surgissem. Não surgiram. Se calhar não era para ser.

Porque é que diz que, em Angola, as línguas nacionais têm ’status secundário’?
Houve uma certa distracção logo que se deu o corte com a dominação colonial. Sabe-se, por exemplo, que, nas comunidades dos trabalhadores dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), era expressamente proibido falar línguas indígenas. E não houve um trabalho posterior no sentido de libertar as mentes durante décadas formatadas. No interior, ainda nos anos 1980, era passível de castigo falar-se umbundu, com direito a uma espécie de caça e denúncia ao erro, para as merecidas reguadas do professor. Herdou-se a pedagogia da estigmatização. Ainda hoje, quando alguém fala mal o português, a reacção é rirem-se dele. A nível institucional, um exemplo é o do designado jornalismo em línguas nacionais, que, na verdade, nos serviços informativos, é apenas uma tradução a quente do texto em português. É frequente ver a preocupação em contratar-se um tradutor quando o país recebe entidades até de países de expressão espanhola. Quando se trata de autoridades tradicionais, vemo-las a esforçar-se num português que mal dominam, expondo-se ao ridículo da estigmatização social.

O que o Estado devia fazer para definir uma política em que as línguas nacionais tivessem melhor ‘status’?
A primeira é a harmonização da grafia das línguas de raiz bantu, acabando-se com isso da grafia católica ‘versus’ a convencional. Até lá, fica comprometida a produção de literatura nas línguas nacionais. A segunda é rever a toponímia e devolver o sentido proverbial dos nomes das localidades. O que existe é a perpetuação da corruptela deixada pelo regime colonial. Deve haver maior diálogo entre os ministérios da Administração do Território e o da Cultura.

Publica regularmente, mas há quem se queixe dos custos para impressão no país…
Não forço nada. O meu trabalho é pesquisar, escrever e caçar gralhas; agora, financiar, promover e distribuir é tarefa de outros agentes do sector livreiro.

Em 2012, foi distinguido com o Prémio Provincial de Benguela de Cultura e Artes. Que impacto teve na sua carreira?
Recebi quase 600 mil kwanzas do Estado, o que sempre cobre alguma despesa. Mas o impacto não é muito grande, desde logo porque os livros não circulam. Contudo, fica o valor simbólico.

Concorda que o futuro da literatura angolana passa pela diáspora?
Negativo. Uma coisa é ter acesso a uma rede de editoras acutilantes, bem relacionada com o ‘lobby’ na academia e na imprensa, outra coisa é julgar-se o mais representativo de uma realidade vivida à distância. O futuro da nossa literatura passa por investir numa crítica literária endógena, que não nos meça pela bitola do leitor europeu. Isso consegue-se com formação consistente, bolsas para os nossos estudantes e pensadores irem ao estrangeiro, depois regressar com uma bagagem técnica que saiba comer funji, lombi, mahini, kitaba, fumbwa. Há que reactivar a indústria do papel. Se temos uma população com uma herança assente na oralidade, então um livro caro não vai figurar entre as prioridades.

Possui um blogue com espaço para críticas a livros, mas alguns nunca foram sequer comentados. Isso ocorre porque se lê pouco em Angola?
Com o ‘boom’ das redes sociais, os blogues passaram a ser passivos quanto a serem comentados. Mas há que lembrar que a crítica literária angolana é ainda inexistente. Quem determina o que tem ou não qualidade são os portugueses, salvo algumas excepções. Os estudiosos de letras enveredam logo para a docência. Talvez haja pouco incentivo à investigação.

De 0 a 10, que nota daria à qualidade da literatura feita actualmente por angolanos?
Não me julgo com autoridade académica para uma tão generalista avaliação.

PERFIL
Daniel Gociante Patissa- nasceu no Bocoio, Benguela, há 38 anos. É licenciado em Linguística, especialidade de inglês, pela Universidade Katyavala Bwila. Além de já ter publicado mais de seis livros, tem participação em diversas antologias, sendo também membro da União dos Escritores Angolanos.
Nota do Blog Angodebates:
Saiu na edição de hoje (03.04) do jornal Valor Económico uma entrevista com sua excelência eu, feita via questionário que me foi endereçado pelo profissional Onélio Santiago. Imagino o trabalho que terá dado essa coisa dos arranjos para o todo caber no espaço concedido pelo jornal, mas no essencial tudo se mantém. Contudo, manda a honestidade intelectual dizer que embora a versão publicada omita, faço uma citação na resposta quanto ao status secundário das línguas. A parte final seria:

"Alguém certa vez reclamou o que lhe parecia injusto, pois é frequente ver a preocupação em contratar-se um tradutor quando o país recebe entidades até de países de expressão espanhola. Entretanto, quando se tratar de autoridades tradicionais, é vê-las esforçando-se num português que mal dominam, expondo-se ao ridículo da estigmatização social."

Citação

«É assim que os mais esdrúxulos “relativismos” pululam por aí. Para escapar das dificuldades da praxis literária, pretende-se que a qualidade da narrativa, ou o desempenho no campo textual, deem lugar ao “vivencial”, ao “testemunho literal do eu”. Mas aí o que temos não é literatura, e sim relatos existenciais quase sempre simplistas e deliriosos» (António Risério. Jornal Folha, Brasil, 30.03.2017)

domingo, 2 de abril de 2017

Divagações | Ainda o pregão do meu voto em leilão

Caros candidatos a governo ou regimes,
Sua excelência eu não pede muito, apenas a abertura de uma rádio FM que privilegie:
1- a promoção de uma pauta cultural (tal como já se conseguiu com a política, a música, as igrejas e o desporto),
2- a visibilidade e sistematização da recolha junto de fontes orais,
3- a investigação dos fenómenos linguísticos, considerando a diversidade etnolinguística e a riqueza que isso representa,
4- mais trabalho de campo do que o ar condicionado da cabine, quer dizer o tal dito jornalismo comunitário,
5- do ponto de vista jurisdicional, a garantia da aplicabilidade funcional da lei do mecenato para assim os empresários pagarem os salários dos profissionais e colaboradores (não havendo garantias da cobertura cabal desta rubrica por via da publicidade),

Assim será que sua excelência eu inflacionou muito o voto? O voto como é meu, e cada um manda no que é dele, ainda mba cumpra-se só. Gabinete de sua excelência eu, aos hoje. Ainda era só isso obrigado. 

sábado, 1 de abril de 2017

Crónica | Bem é pouco

A minha rua sabe colorir-se a preceito dos modernos ventos à angolana, ou seja, é barulhenta. Não é bem minha e nem sei mesmo se é rua. Talvez tenha nome, já até ouvi falar de um, desses pomposos que ficam bem no documento. É uma rua de rostos socialmente bem colocados, entidades umas e outras. Pouco se ganha com isso, entretanto, na vertente cidadã do culto ao silêncio, tão imprescindível ao retempero de energias, à leitura e à paz dos níveis tensionais. Há sempre música alta, à noite, por vezes às altas horas. O Karaoke é sofrível, mas, mas, mas, e quem se manifesta contra? Deixa lá o outro fazer o negócio dele. Ninguém o diz como tal, é como se o dissessem. Se nem a polícia se importa com o caos nisso de poluição sonora, né?... E não é tudo. Se a cantina, uma e outra, para fidelizar etílicas gargantas assim o exigir, venham a nós os berrantes altifalantes. Cai Rap, palavrões na ementa, cu-duro, sobe o volume, sobe mais. Convivência é que é o quê?! Mas gosto mais dos ais e gooolos, e porras, assobios, cantares a benfica, a real, a barça, filha da puta, pá!, do árbitro. Marca, ó burro! A baliza mesmo é ali, e você faz esta porcaria?! E vai, segundo tempo, prolongamento, desconto. Até que, por fim, a êxtase morre e aterramos ao sem chão colectivo. Felizes da vida no caminho de volta à casa, a qual não cativa de quente e apagada, toca a acender as lanternas do telefone para ver onde pisar. Aqui chove mesmo depois de a chuva cessar. Houvesse semente de arroz... Ontem postes de iluminação pública, hoje múmia é favor. Lixo rente com saudades do contentor, leveda em águas vãs, o renovar do imundo e dos medicamentos em vias de faltar algures num banco de urgência. Mas a rua, se é que o é, no recato de muro a muro, do lacónico bom dia, por vezes vultos de cães de raça lavados e bronzeados ao portão, até já faz figas para que chegue a noite e se agigante num abstraído barulho. O de costume. Geradores veteranos. Goooolo! Viva CR7. Ronaldo, não! Viva o Messi. É bom que a equipa não perca, isto é alta competição. Até esse burro do defesa deviam lhe transferir só, mete muita água. Têm que saber que somos hipertensos, e a noite de derrota é perigosa. Tudo menos derrota. Temos que organizar passeata também, como os demais no centro da city. Por cá corre-nos a vida muito bem, obrigado. Correcção: bem é pouco. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa, Benguela, 01.04.2017

Citação

Está cada vez mais difícil ser angolano. Os fundamentalistas democráticos crescem a cada dia que passa. Esquecem-se de que numa luta há sempre dois lados. Falar bem suscita reacções negativas, criticar pior ainda. Tornou-se sinônimo de falar mal. A independência de cada um torna-se mais difícil que o pão nosso de cada dia. Infelizmente tudo é verdade, apesar de estarmos no dia das mentiras."
(Dani Costa, jornalista angolano, via Facebook)

quinta-feira, 30 de março de 2017

É frontal a manhã

Já fui mais
Foto: Rubens da Cunha

atrás
escolhi
desencontros
e cansei


Estatelo-me
no canto
Maomé de costas com a montanha.
Invadem-me Outonos que já encontrei
músculos com preço e prazo
nada mais


Deixo-me derreter na força da noite
e quando acordo
é frontal a manhã
(não foi viagem)
confirmam meus lábios
despidos e secos.


Gociante Patissa in: Almas de Porcelana, pág. 58. 2016. Editora Penalux. São Paulo. Brasil

(áudio) Conversas de Benguela | Aspectos Urbanísticos, Culturais e Históricos a Propósito do Poema “Meu Amor Da Rua Onze” (Rádio Ecclesia)

A mesa redonda foi emitida em directo pela Rádio Ecclesia a partir de Benguela na manhã de 28.03.2017, moderada por Zé Manel a propósito do passamento físico de Esperança Lima Coelho “Panchita” (25.03.1928 – 25.03.2017), a musa de Aires de Almeida Santos (1922-1991) no poema “Meu Amor da Rua Onze”. O painel de convidados esteve constituído por Felisberto Amado (arquitecto), Isaac Sasoma (engenheiro ambiental), Joaquim Grilo (investigador) e Gociante Patissa (escritor)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Arquivo áudio | GOCIANTE PATISSA ENTREVISTADO SOBRE AIRES DE ALMEIDA SANTOS (MP3 disponível para download)

O escritor Gociante Patissa concedeu uma entrevista à Rádio Benguela, a 12.02.15, que visou assinalar mais um aniversário de Aires de Almeida Santos (n. Bié, 1922-1992), escritor conhecido pelo poema “Meu Amor da Rua 11”, e antigo preso político na luta de anti-colonial. Este é o material bruto da conversa conduzida pelo radialista Miguel Pascoal, que levantou ainda o tema das relações afectivas na véspera de 14 de Fevereiro, o dia de São Valentim.

De volta às prateleiras do Kero Benguela está a antologia ANGOLA 40 ANOS | 40 CONTOS | 40 AUTORES, publicada pela Mayamba Editora em 2015 para festejar o 40.° aniversário da independência nacional. Sua excelência eu participa com o conto O HOMEM QUE PLANTAVA AVES

Bem, o preço (Akz 3.999) parece um pouco puxadinho, mas vale o investimento. Ainda era só isso. Obrigado

domingo, 26 de março de 2017

Homenagem | Panchita Coelho da Rua 11, musa até no jeito de partir

A coincidência de datas entre o nascimento e a morte de Esperança Lima Coelho Vilhena “Panchita” é de inspirar. Veio ao mundo há 89 anos num dia 25 de Março (fim-de-semana) e precisamente num dia 25 de Março, ontem portanto na cidade de Benguela, congelou o fôlego (de causas naturais). Imagina-se que tenha apanhado de surpresa familiares e mais próximos que preparavam o carinhoso bolo e a vela a apagar. Feliz aniversário, querida, dá lugar ao Adeus, paz à sua alma.

Há pessoas que marcam a história de emblemáticas cidades e se tornam figuras públicas pelo simples facto de existirem tal como são, inspiradoras. Uma dessas pessoas, falando de Benguela, é a beldade esperança Lima Coelho Vilhena “tia Panchita”, celebrizada pelo poema “Meu Amor da Rua Onze”, de Aires de Almeida Santos (Bié 1921 - Benguela 1992).

O poema, datado ainda da época colonial, quando ela morava na Rua 11 do Bairro Benfica, subúrbio, vigora aos dias de hoje, tão intemporal que a Banda Maravilha o musicou e por esta via vai dando corpo a versões e roupagem bwé.

“Meu Amor da Rua Onze” acabaria por constituir uma espécie de mistério, porquanto retrata um fulgurante romance reivindicado como facto consumado e desfeito por força-maior, o que no entanto a musa não viria a confirmar, repetindo em várias entrevistas que teriam sido ligados, musa e poeta, por nada mais do que uma relação de profunda amizade. Consta, como curiosidade adicional, que Aires teria (também de causas naturais) dado os últimos suspiros ao colo de Panchita. Não se conhecem, todavia, registos do poeta a dizer de sua justiça quanto haveria de verdade ou de pura ficção no poema. A este respeito, o que se pode, sem medo de errar, é afirmar que o poema cumpriu o seu papel enquanto obra de arte, o de perpetuar a inquietação na mente do leitor.

Para além de ser tia de um amigo e amiga de vários outros, nunca pessoalmente cheguei a um dedo de prosa com a “tia Panchita”. O único diálogo que tivemos ela e eu foi tácito, aquele olhar de anuência para a objectiva da minha máquina fotográfica, seguido de um já muito rouco “obrigada”, no passado dia 9 de Janeiro de 2017, quando concedeu o que julgo ter sido a sua última entrevista ao jornalista e escritor Kajim Ban-Gala. Antes disso, tinha ocasionalmente cruzado com ela pela cidade meia-dúzia de vezes, nos últimos tempos já acomodada em cadeira de rodas, rendida ao peso dos anos e da frágil saúde.

Foi-se um dos mais significativos (e raros) símbolos da literatura angolana. Nem tudo está perdido. Como li algures certa vez, "se um escritor se apaixona por ti, então tu jamais morrerás".
Gociante Patissa, 26.03.2017
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MEU AMOR DA RUA ONZE

Tantas juras nós trocámos,
Tantas promessas fizemos,  
Tantos beijos nos roubámos  
Tantos abraços nós demos.

Meu amor da Rua Onze,
Já não quero  
Mais mentir.  
Meu amor da Rua Onze,  
Meu amor da Rua Onze,  
Já não quero  
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor  
Que ainda sinto o calor  
Das juras que nós trocámos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar  
Que ainda pairam no ar  
As vezes promessas, que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca  
Qu´inda me queimam a boca  
Os beijos que nos roubámos.
  
Tanta loucura e doidice  
Tinha o nosso amor desfeito  
Que ainda sinto no peito  
Os abraços que nós demos.

E agora
Tudo acabou
Terminou   
Nosso romance  

Quando te vejo passar  
Com o teu andar  
Senhoril,  
Sinto nascer  
E crescer  
Uma saudade infinita  
Do teu corpo gentil  
de escultura  
Cor de bronze  
Meu amor da Rua Onze.

(Aires de Almeida Santos)

quinta-feira, 23 de março de 2017

Crónica | O Soba é que disse

O Soba cá do bairro mandou um liga só. Logo hoje. Eu não mayei, liguei na hora para o vovô. Nunca se sabe se te cai uma fezada de ires à reforma em nome dele, andar a vida só em viagens e curtir, ou não é isso? Alô, paizinho Soba, ligou?Ele respondeu que ligou só através do coração, que queria mesmo era que eu fosse comprar saldo que era para ele ligar para mim, porque o assunto era muito sério para ser tratado pessoalmente. Que o melhor era mesmo falar pelo mobile. Eu disse paizinho, a chuva que te molha é a mesma que me molha. Já que o assunto é fonar, vamos gastar no meu, ainda, falando só mesmo em saldo, temos peito para tal. Ele disse, está bem já, pronto. Alô! Continuou o Soba do bairro. Estou na linha, excelência. Ó filho, estás mesmo a ver como a nossa vida está na lama da chuva, né? Não vês que até aparecemos no noticiário? Você fica já esperto, filho. Aqueles homens que lhes falam são jornalistas, quando estás a lhes ver estão a se acompanhar tipo é rato, uns com micro, outros com câmara, estão a te perguntar "afinal como é que foi?", assim você pensa que há alegria?... Nós então somos mais velhos, já vimos muito, pá! Até eu como teu mais velho não consigo sair para jantar na segunda mulher né? Estou a ver, papá. E aquele teu carrito tipo, altura tipo é cágado, é como? Ah, paizinho, é coisa leve, deixei o mambo na oficina a ver se lhe soldam boias de ar ou então asas. Estás maluco ou quê, filho?! Você não acha que com um cavalo tinhas a locomoção mais melhor? Ah, pois, mas não havia uma concessionária de cavalos, nem camelos, quando o dinheiro apareceu. Foste precipitado, filho! Mas pronto, agora é tarde. Viste ambulância passar aqui no bairro ou na rua hoje? Ainda não, paizinho Soba. Esquece. E kupapatas? Nem sombra. E energia? Tinha saído, nem sei responder. Ok, filho, prosseguiu o Soba. Já porque vocês são já os tais viciados das redes sociais, Facebook virou jardim para namorar, vou pedir um favor. É favor mas é ordem. Avisa só aqueles vossos amigos que cantam não sei se gospel ou quê - o nome me foge da boca, mas é parecido com cospe -, pois, lhes avisa mesmo bem. Que não me apareça um estúpido a me cantar, ah, porque "Faz chover, Faz chover! Abre as comportas do céu!" O povo não se vai responsabilizar, ouviste mesmo bem, né?! É tudo, paizinho Soba? Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa. Benguela, 23 Março 2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Utilidade pública | ALMIR AGRIA EM CAMPANHA PELA AQUISIÇÃO DE GERADOR ELÉCTRICO PARA A MÃE DE SEBEM

A ouvir neste momento na Rádio MFM Luanda, programa "Só as Melhores", o lobitanga Almir Agria promovendo campanha para recolha de fundos e consequente aquisição de um gerador de electricidade para a casa da mãe do ku-durista Sebem. Nas palavras de Almir, Sebem atravessa sérios problemas e está há um ano sem assistência médica, período que corresponde à data em que a esposa deixou ficar em casa da progenitora o autor de "todos nós queremos a felicidade". Almir faz referência a uma conversa que terá mantido em directo com o apresentador Miguel Neto ontem. Chega a fazer um apelo incisivo. "Atenção, Rei Helder! Tu fizeste muito dinheiro à custa de Sebem, vamos lá também ajudar o homem agora que tanto precisa".
Ainda era só isso. Obrigado
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Para alcance das metas na Jean Piaget de Benguela | NOVO DIRECTOR-GERAL RECUPERA “COLABORAÇÃO DE TODOS” COMO CHAVE

O recém-empossado Director-Geral do Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, Carlos Pacatolo, considerou ingente a função que lhe foi confiada por aquela unidade de ensino, onde irá superintender a vertente académica. Diz ter aceitado o desafio por acreditar que pode contar com a colaboração de todos, dos docentes, estudantes aos serviços de apoio, sendo esta a chave para o alcance das metas.

A tomada de posse teve lugar na segunda-feira, 20/03, durante a cerimónia oficial de abertura do ano académico 2017 e foi testemunhada pela comunidade piagetina, familiares, amigos e distintas entidades académicas e governamentais. Conferiu posse o Vice-Presidente da Associação Instituto Piaget de Angola (AIPA), Domingos Peterson. Pacatolo substitui no cargo o docente Bonifácio Tchimboto, que sai a seu pedido ao cabo de 12 anos para dar vida à coordenação científica do mesmo projecto universitário.

segunda-feira, 20 de março de 2017

O bom do Silivondela no teatro

Tive hoje, pela segunda vez, o grato prazer de ver em palco Alexandre Silivondela no papel de actor. Já se passaram pelo menos uns cinco anos desde que assisti no Cine Monumental a uma peça teatral do Twayovoka, na qual ele desempenhou o papel de feiticeiro. Embora se tratasse, no caso de hoje, de teatro de intervenção, tendo como tema a abertura oficial do ano académico no Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, o homem voltou a fazer as coisas com notável mestria. Silivondela tem o que um bom actor deve ter: expressão dramática, clareza na dicção, projecção da voz (sem gritar), cultura geral e... naturalidade. De abono vai ainda o humor inteligente, o que não é para todos. Mano, resumindo e concluindo, você é BOM, ya!... Ainda era só isso. Obrigado.

Jean Piaget Benguela homenageia Director-Geral cessante | ANO ACADÉMICO 2017 ABERTO OFICIALMENTE HOJE

A cerimónia de arranque oficial do ano académico 2017, no Instituto Superior Politécnico Jean Piaget de Benguela, realizada na manhã de segunda-feira (20/03), foi marcada pela homenagem ao Director-Geral cessante, padre Bonifácio Tchimboto, que deixa assim, a seu pedido, um cargo que desempenhou ao longo dos doze anos de existência da instituição. Para ocupar a vaga foi nomeado o doutorando Carlos Barnabé Upindi Pacatolo, também docente da instituição, até então coordenador do curso de economia.

O Director-Geral cessante foi alvo de um banho de elogios e manifestação de carinho, presentes em vários discursos e intervenções de colegas, associação de estudantes, assim como de gestores da Associação Instituto Piaget em Angola (AIPA). 

Divagações | NÃO HÁ VAGA PARA LEITURAS

Por favor, não peçam amizade via Facebook com a única intenção de me porem a ler (ou solicitar aprovação) o que se gostaria de publicar. A razão é simples: (1) não tenho autoridade académica de crítico literário; (2) as horas do dia estão cada vez mais curtas, estando difícil conciliar o emprego (numa área de actividade distante dos livros), a família com a obrigação individual de ler e escrever. Conselho: Aquele que escreve continue a escrever, e a ler principalmente, para aprimorar o fluxo criativo e o domínio da língua, que é a ferramenta de trabalho. Depois é arriscar em concursos e/ou submeter a editoras. Peço desculpas, sei que essa conversa já se torna chata, de tanto que a repito, mas diariamente entram mensagens neste sentido. Aproveitando para parafrasear um escritor renomado, a forma mais prática de dialogar com um escritor é lendo a sua obra. Portanto, amigos (novos e velhos), não tenho mesmo capacidade de resposta. Ainda era só isso. Obrigado
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