PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Na lógica de que um cargo público não é profissão, a conveniência de serviço que legitima a nomeação não é bastante para exonerar?

Curiosidades e memórias da AJS (1)

Num dia como hoje, no ano de 2002, isto há quinze anos, era comprado o primeiro computador da Organização Não Governamental AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), de marca "Infant", adquirido à Lobinet. Fundada em 1999 e depois de ter funcionado provisoriamente nas instalações da Associação dos Defensores e Amigos do Ambientes (ADAMA), a AJS conseguiu arrendar um antigo armazém para servir de escritórios. A montagem do computador na sua sede, situada na a época na rua principal da parte semi-urbana do bairro Santa Cruz, na cidade do Lobito, aconteceu no finalzinho do dia. Já a pensar em projectos envolvendo radiodifusão, fez-se questão de encomendar no acto da compra uma segunda drive gravadora DVD-R. A impressora era uma HP850, para mim a mais eficaz de todos os tempos da marca, tanto que era capaz de imprimir mais de 60 certificados de participação em cartolina em menos de meia-hora. Iniciava uma era que colocava fim ao recurso às máquinas de dactilografia, duas, uma herdada da moageira do Sr. Paulo Cambiete "Podre", no que contou o empurrão do membro Amos Chitungo, outra já velhinha comprada à Lupral juntamente com secretária. Foi neste computador que viriam a ser elaboradas muitas das propostas de projecto espalhadas à avaliação e possível financiamento, entre as quais o primeiro grande financiamento (depois dos 2 mil da Oxfam). A aquisição resultava da poupança no que nos cabia do orçamento da "Coligação Ensino Gratuito, Já!", financiada pela ONG americana World Learning. A coligação era liderada pela Omunga e incluía cinco ONGs de Benguela, nomeadamente O Círculo Rastafari de Benguela (CRB), a (ADAMA) a AJS e o Conselho das Igrejas Cristãs (CICA) e, de Luanda a Associação Estrela da Criança. Conduzia uma campanha de advocacia pela gratuitidade do ensino, que se consubstanciava em reforçar as capacidades dos pais e encarregados de educação e ao mesmo tempo levar acções directas de monitoria contra as cobranças de propinas no ensino de base público. No ano de 2003, chegaria o primeiro até então grande financiamento do CREA (Creative Associates) na condição de sub-recipiente da agência do governo americano USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) , com o qual se pagou o espaço de antena na Rádio Morena para o programa de debates sobre reconciliação e prevenção de conflitos no contexto pós-guerra intitulado "Palmas da Paz". Compreendia ainda workshops e debates no litoral, concretamente nos municípios do Lobito, Benguela e Baía Farta. Ao cabo dos seis meses que durou o projecto, cuja extensão ficou inviabilizada pela extinção da missão do doador em Angola face ao despoletar de uma investigação sobre a teia de corrupção que envolvia funcionários da entidade sub-recipiente americana CREA e responsáveis de algumas ONGs nacionais, a AJS viria a ser premiada, sob orientação da USAID, pelo êxito no alcance das metas do projecto, o que lhe valeu o primeiro computador portátil (um "Toshiba" azul em segunda mão, que era da área de contabilidade da agência financiadora), quando um novo podia custar aproximadamente USD 3 mil. Ainda era só isso. Obrigado.
Daniel Gociante Patissa (na foto, aos 23 anos de idade)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Caros locutores e porta-vozes, antes de articular tipo o português sai com maionese e quiabo, que tal voltar a ler gramáticas? Obg

(arquivo) Diário | Achas que sou corrupto ou quê?!

"EI! XE! VOCÊ!!! ENCOSTA AÍ! NÃO VIU A ULTRAPASSAGEM ARRISCADA QUE FEZ?!" NÃO VIU A ULTRAPASSAGEM ARRISCADA QUE FEZ?!"
"É desculpar senhor agente..."
“Faculta-me a documentação e a carta de condução mais o BI, por favor…!”
“Chefe o seguro está em dia, a taxa de circulação também, consoante os selos mostram no para-brisas…”
“Mas o angolano é assim porquê, que você pergunta o nome do peixe e o cidadão te fala que o arroz é saudável porque é integral, hã?! DOCUMENTO DA VIATURA E A CARTA DE CONDUÇÃO! RÁPIDO, PÁ!”
“Chefe, só um momento… Vou só atender uma ligação urgente… Também já caiu e estou sem saldo…”
“A viatura é imunizada?”
“Como, chefe?”
“O proprietário do bem é alguém que goza de imunidades?”
“Não, chefe, é pessoa mesmo como nós, um batalhador para não faltar pão na mesa… Eu como sou temente a Deus, com esses ricos, que um gajo não sabe se o tal dinheiro sai no roubar ou vem com as cobras de feitiço à noite, meu chefe, não aceito trabalhar…”
"Já viste quantas pessoas morriam se a condução fosse baseada nisso de pedir desculpas?!"
"Meu kota, perdoa só já o teu puto. Ainda não facturei nada hoje, vai custar fechar a conta do patrão..."
"Ainda por cima, tens coragem de dizer isso. Dezasseis passageiros, contra a lotação do mini autocarro. Quer dizer, para vocês é tudo trinta por uma linha, ne?! Essa multa vai-te cair mesmo bem..."
"Meu brada, não faz isso! Safa só o teu sangue. Estamos a entrar no fim-de-semana, e uma multa vai-me estragar o ano."
"Aié? Assim te safo... e a mim quem é que me vai safar?"
"Meu kota, não fica mais malaike tipo aqueles trânsitos sujos. Você até aqui tem boa fama... Olha, é assim: tenho uma pequena fezada assim para fechar o kota com um saldo, meu kota."
"Embrulha na carta, xe!!!"
"Aqui está, meu kota."
"Porra! Você só vai me passar mil kwanzas?! Achas que sou corrupto ou quê?!"
(Adaptação)
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa, 05 Janeiro 2017 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O casal é acusado de desviar USD 3 milhões doados ao Min Saúde para combate à malária, e o advogado fala em erro de contabilidade😥

Campanha Cabaz de Fim de Ano | ADQUIRA POR E-MAIL E GRÁTIS O LIVRO DE CONTOS «FÁTUSSENGÓLA, O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS», de Gociante Patissa | Termina a 17 de Dezembro

Os serviços de apoio de sua excelência eu tornam público que, a seu pedido e julgado procedente, o autor Gociante Patissa disponibiliza grátis de 07 de Novembro a 17 de Dezembro a versão digital no formato Adobe PDF do seu livro de contos intitulado «FÁTUSSENGÓLA O HOMEM DO RÁDIO QUE ESPALHAVA DÚVIDAS», a número 01 da colecção designada «Novos Autores», por via de uma Bolsa Literária da iniciativa do projecto «Ler Angola» no ano de 2014 e que foi descontinuado há por aí dois anos. Sustentam tal decisão a grande procura pelo referido livro, já esgotado na rede de mercados Kero, combinado com a extinção do projecto que editou a obra. Assim, em caso de interesse, deverá de preferência escrever para patissagociante@yahoo.com ou também deixar na secção de comentários o seu e-mail (na verdade a primeira via seria a mais aconselhável). Está-se a considerar a ideia de disponibilizar via whatsapp mas ainda não se chegou à conclusão quanto à viabilidade e conforto de ter de ler 120 páginas no telemóvel. Passe a palavra. Ainda era só isso. Obrigado
www.angodebates.blogspot.com 

(arquivo) Diário | A ÚLTIMA PESSOA A FALAR?

"Meu kota! Kota Kupatisa! O kota não está a me reconhecer, né?"
"Desculpa. Tu és..."
"O fulano! Meu kota, deixa só parar bem a mota para dar um abraço no kota Kupatisa... Grande kota..."
"Pois, és o fulano, sim. Mas já vai muito tempo que não nos vemos."
"Eu estava a cumprir. Recebi soltura só há dois meses e tal. Mas sempre que via o kota Kupatisa na televisão, lá mesmo na pení [penitenciária], os meus colegas não acreditavam. Eu lhes falava mesmo 'éste é meu kota lá da banda!'.
"Obrigado pela consideração."
"Nós estamos a acompanhar a carreira do kota. Primeiro mesmo foi naquele teu livro, A ÚLTIMA PESSOA A FALAR!"
"A Última Ouvinte?"
"É mesmo esse. Eu até lhes falava que o kota também já bumbou assim na rádio."
"Quer dizer, indirectamente, fiz programa de uma outra entidade através da Rádio Morena..."
"Vi na televisão o lançamento, aquilo é um grande livro, kota Kupatisa, A ÚLTIMA A FALAR!!! Continua mesmo assim, meu kota. E onde é que estão a vender?"
"Ah, ainda não tiveste contacto com o livro?"
http://angodebates.blogspot.com | sexta-feira, 20 de Novembro de 2015

domingo, 19 de novembro de 2017

É curioso ver que em muitos casos o debate nas redes sociais não aquece no mérito do tema mas no afã de ser o "dono da verdade"

(arquivo) Diário | E quem é a fonte?

"Ora, cá está o sindicalista mais famoso da província!..."
"Bondade sua, meu caro. Famosa é a vossa digna casa."
"É, né? Seja bem-vindo. Olha que o nosso diferencial no panorama jornalístico e informativo está mesmo na abertura, isenção e pluralidade. É que aqui, censura não mora. Não é fácil neste nosso país com o passado histórico que temos, como imagina... Pronto, está ligado o microfone. Vamos gravar..."
"Mas preparam ao menos as entrevistas? Ultimamente as entrevistas são feitas a free style, e é em todos os órgãos de informação..."
"Bem, caro sindicalista, esta parte não posso publicar assim como disse..."
"Mas é a minha opinião!"
"Pode ser mal recebido. Mas entendo o que o senhor quis dizer. Vou escrever que o sindicalista defende maior cobertura das actividades reivindicativas, é isso?"
"Estou a dizer que o habitual é que convidam mas não se faz a mínima pesquisa do que o entrevistado faz, às vezes nem do nome dele sabem. E isso não é nada bom para a tradição de rigor que o jornalismo tinha…"
"Mas, sabe de uma coisa? – E isso falo como amigo, já não é na qualidade de jornalista. – É bom não criar anti-corpos na classe, até mesmo porque a imprensa tem um poder que nem o meu caro amigo imagina."
"Isso quer dizer o quê?"
"Quer dizer que como experiente no metier, já sei as palavras que vou usar para a entrevista ser bem ouvida. Porque temos de saber falar para todos os segmentos e camadas…"
"Mas disse eu algum disparate?"
"Não, por amor de Deus!  Mas, pronto, vamos avançar, que o tempo é pouco e ainda temos mais perguntas."
"À vontade."
"Indo directo ao ponto da discórdia. A entidade patronal esteve cá e disse que o senhor em particular, em desprimor da responsabilidade que tem e do número de seguidores ideológicos, é o que mais periga a higiene no local de trabalho. Acha correcto o que tem feito?"
"Mas o patrão foi a tempo de falar também do défice de higiene interior que tem?"
"O que seria higiene interior?"
"Uma conduta coerente e deontologia e ética..."
"Mas o que é que isso acrescenta à resolução do diferendo?"
"Se ele acusa e ataca, julguei que falasse de exemplos morais de parte à parte."
"Chegou-nos a informação que o senhor passou uma semana de 'doença política', alegando dores lombares. O que tem a dizer?"
"E quem é a fonte?"
"O senhor quer praticar censura?! Já ouviu falar da liberdade de imprensa, de opinião e da protecção das fontes? O senhor acha que andamos a brincar no jornalismo ou quê?! Se acha que é tarefa fácil, com todo o respeito, porque é que não vem exercer?!"
"Não se chateie caro entrevistador. Essa sua fonte foi honesta o suficiente para explicar que passei a trabalhar sentado em mesa plástica de bar, as chamadas 'espera condições', desde que o chefe cedeu a minha sala a uma estagiária particular que lhe serve o café?"
"Vê lá se nos entendemos à luz da clarificação de papéis! Quem faz perguntas sou eu. Para já, o senhor acha educado criticar um superior hierárquico aos microfones?! Acha que a sociedade vai respeitar um sindicalismo deste género, quando até a própria palavra do Senhor ensina respeitar as nossas autoridades em primeiro lugar?!"
"Quem começou com perguntas enviesadas é você..."
"Eu para já não admito que me chamusquem a reputação. Se o senhor quer censurar, não é aqui! Você tem ideia do esforço dedicado por todo um colectivo para se construir essa imagem de excelência jornalística, isenção e pluralidade que temos?!"

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 21.05.2016

O panorama de opinião e comentário vai fusco e carregado. O futuro está "passado". Ainda era só isso. Obrigado

sábado, 18 de novembro de 2017

(arquivo) Diário | Xé!, você é mau, ya?...

(I)
"Boa noite, meu irmão. Vai para o Lobito?"
"Boa noite. Mais ou menos. Parei para dar boleia àquele moço, é um primo meu. Não é bem Lobito, está mais próximo da Katombela o destino dele."
“Dá-me só um jeito também, ya?”
“Fica complicado, mano. Vai-me desculpar. Estou a vir da escola, são já 22 horas. Portanto, aquilo vai ser um depositar o homem na paragem e voltar imediatamente.”
“Não faz mal, fico onde ele ficar…”
“Pronto, se for assim, então vamos…” 
(II)
“Eh pá, primo, estás entregue. Chega bem à casa e cumprimentos à família!”
“OBRIGADO. VOCÊ TAMBÉM, PRIMO. BOM REGRESSO E VAI COM DEUS.”
“Mano, conforme falamos, a paragem é aqui…”
“Mas vai ter que fazer a rotunda lá na bolacha do campo do Buraco, ou não é isso?”
“Sim, com certeza.”
“OK, ali estou bem.” 
(III)
“Pronto, companheiro, aqui já estás entregue.”
“Meu irmão, entra só até depois da ponte [500 metros]. Vais ter mesmo coragem de deixar o outro nesta escuridão aqui na linha onze?”
“Assim fica complicado ajudar, companheiro. Lembras-te de quando eu disse que só traria o primo?”
“Meu irmão, não custa nada, ajuda só. Eu tenho medo de bandidos. Vais fazer isso mesmo comigo, me deixar nesta escuridão?...”
“Olha, neste caso, há uma solução boa para ambas as partes. Fecha a porta, ainda vou a tempo de te deixar na paragem de Benguela [35 km] onde subiste. Lá não há bandidos.”
“Xé!, você é mau, ya?…”

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa, Benguela. 17 Agosto 2016

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Tu que te despes peça por peça nas redes sociais pela fama, acelera! Despe-te de uma vez. A TPA2 versão actual acaba em Dezembro

(arquivo) Diário | O quê que ela vai pensar?!

"Amor, posso fazer uma crítica ou um pequeno reparo? Quer dizer, não é bem reparo. Se calhar é uma observação. Ou seja, talvez até não chegue a ser uma observação, é mais ou menos uma nota. Diria mais uma espécie de ponto de vista, um parecer..."
"Pára de dar voltas, homem! Qual é o assunto?"
"Sabes que eu mesmo... o amor é aquele, né?..."
"Já estás há dois dias a patinar nesta rotunda, desculpa-me o exagero, mor... Queres dizer o quê, que a relação termina aqui?"
"Claro que não!!! Hoko!"
"Então esta tal crítica, que não é bem crítica, ou o reparo, que não é reparo, ou a nota ou moeda, sei lá, é sobre o quê mais afinal de contas?! Até já estou a bocejar. Que sono!"
"Amor, estamos a namorar há já quatro meses, pelo que, ah!... e já é tempo de me apresentar aos teus pais, sabes?..."
"Hum! Ó coiso! Isso tudo assim é legalizar a vontade me ver dormir todas as noites no teu quarto? Assim, quatro meses de namoro, te apresento na minha mãe. Amanhã te dá na cabeça me trocar por outra. Pouco tempo depois vou apresentar outro homem, ah ‘porque, mãe, aquele já não é, o dono das pastas agora é esse'. O quê que ela vai pensar?!"

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa. Katombela, 24.08.2016

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Telefone dos outros toca, é nomeação. O meu? Beep agorinha, prefixo +248, Seicheles, menor país africano. O sangue está sujo, juro

Caros amigos, ao solicitar amizade leiam o mural. Não disponho de tempo para o chat. Posso pedir a JLo para vos exonerar do Facebook?

(arquivo) Diário | Mas você lhe chamou de porco ou não?

"Obrigado, meritíssimo. Mas ainda, um ponto de ordem só, faxavori. É rápido…"
"FAXAVORI?! SÃO LINGUAGENS?! MAS ASSIM ENTÃO O QUE É QUE O REU ACHA QUER ACRESCENTAR MAIS E QUE PODE MUDAR O DESFECHO DA LITIGÂNCIA EM APREÇO, SE O DEFENSOR OFICIOSO JÁ TUDO FEZ POR SI E PELA CAUSA PERDIDA?!"
"Meritíssimo, eu apelo à sua clemência, por favor!!! Tem de me amnistiar, porque não vou aguentar tanto processo..."
"TANTO PROCESSO', COMO ASSIM?"
"A pessoa não pode ser julgada duas vezes pelo mesmo crime, não é isso?"
"MEU CARO, NÃO ESTAMOS PROPRIAMENTE NUMA AULA DE JURISPRUDÊNCIA, ESTÁ BEM? ATÉ PORQUE UM LEIGO PRESUMIR, POR MINÚSCULA HIPÓTESE QUE SEJA, DISCUTIR O MÉRITO DO DIREITO COM UM MAGISTRADO… SINCERAMENTE, É O MESMO QUE TERMOS UM CÃO SENTADO À MESA E DE GARFO E FACA E PALITO NOS DENTES. SERIA DE UM ATREVIMENTO GIGANTESCO…"
"Isso já percebi, Meritíssimo, mas, Meritíssimo, eu apelo que reconsidere só, tudo tem a primeira vez, não é isso? Estou a ver que dois processos… é muito..."
"MAS VOCÊ CHAMOU O SEU VIZINHO DE PORCO, SEM NO ENTANTO SUSTENTAR TAL SIMILITUDE. ACUSOU O OFENDIDO DE DESVIAR AS OFERTAS DA IGREJA PARA COMPRAR UMA MOTORIZADA PESSOAL. O OFENDIDO PEDE REPARAÇÃO PELOS DANOS MORAIS AO BOM NOME. NÃO SEI SE SABE, MAS A LEI DEVE SER CUMPRIDA. VOCÊ LHE CHAMOU DE PORCO OU NÃO?"
"É esse o problema, meritíssimo. É que acabo de ser informado que os porcos abriram outro processo contra mim por esta comparação, sentem-se difamados. Assim vou indemnizar quem nesse meio?"

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa, Benguela, 22.03.2016 (adaptação)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Mas ninguém se engana ao ponto de depositar milhões de USD na minha conta? Eu aceitaria porque errar é humano. Ainda era só isso

(arquivo) Diário | Estas palavras assim estão a ser dirigidas à minha pessoa?…

(I)
“Senhor inspector, tem uns cinco minutos? Gostaria de ter uma palavrinha…”
“Claro, senhor pedagógico…”
“Senhor inspector, como apesar de ter o superior de pedagogia fui sempre uma voz pragmática, vou directamente ao ponto…”
“Sim, pode pontuar… Estamos aqui para isso.”
“Pois, você me desculpe, mas… quer dizer… o trabalho já está concluído?”
“Se se refere ao inquérito, sim, está arrumado…”
“Mas há qualquer coisa que não bate certo…”
“Como assim? Usamos as técnicas e métodos todos em vigor no sistema de educação…”
“A questão até não é sistémica…”
“Senhor director pedagógico, não sei se sabe e não pretendo assim, tipo, tecer alguma ameaça, mas o tempo está a contar…”
“Meu caro Inspector, compulsada a papelada, notamos que há fortes indícios de fraude no resultado do inquérito. Senão vejamos. Dispusemos um dossier com irregularidades, certo? Inclusive aquele caso da chave de prova interceptada em flagrante delito em mãos de aluno. Então, assim de repente a evidência desaparece e o professor em causa é ilibado?”
“Não estou a acreditar, ó Jesus! Estas palavras assim estão a ser dirigidas à minha pessoa?…”
“Senhor inspector, onde estão as provas que incriminam o colega que passou para os alunos a chave com as respostas do exame? Então só esteve consigo, agora não aparece?!” 
“Vocês ainda não me conhecem, né? Vão ver só!…”

(II)
“Bom dia, chefe. Quer dizer… Ainda boas entradas, um ano novo recheado…”
“Pronto, já percebi. Vamos encurtar as cortesias, o tempo é dinheiro. Já agora, meu compatriota, lhe desejo o mesmo, à sua família, os seus colaboradores, vizinhos, enfim, entes queridos, as melhores venturas. Que o Poderoso derrame a sua luz para a saúde dos enfermos, o juízo dos presos, o amor ao próximo e que tenhamos uma Angola comprometida com o desenvolvimento e a justiça, custe o que custar. Ah! Mas você ainda é quem mesmo?”
“Eu sou o director pedagógico da Escola da Torre, fui notificado para vir responder ao Excelentíssimo Inspector Geral Provincial…”
“Afinal é você?! Só estamos já a ouvir a vossa fama… conta! O que se passou afinal de contas?”
“Chefe, é assim. Notamos graves indícios de contaminação de evidências, tão graves que chegaram a condicionar a lisura e desfecho no inquérito que solicitamos por fraude.”
“Como assim?”
“Depois do trabalho do inspector, verificamos que haviam desaparecido do dossier evidências estrondosas…”
“ESTRONDOSAS SÃO AS VOSSAS INSUBORDINAÇÕES, PÁ!!! Estrondosas, estrondosas…”
“Não estou a apanhar a ideia, chefe…”
“Você acha que um simples professor de carreira, mesmgo já que é director pedagógico, tem respaldo para inspeccionar um inspector em funções?! Estás bem no teu lugar, filho. Ainda és novo, tens muita vida pela frente. Vais mesmo só estragar o que está bom porquê?…”
“Mas devíamos proceder como perante tão flagrante indício?”
“Quem determina flagrante, ou não, somos nós, amigo! ESTÁ A OUVIR BEM, NÉ?! O que é vosso é deixar o homem fazer o trabalho dele, depois, se for o caso, reportar aqui à chefia o fora da norma para devido tratamento, ok?! Nunca ouviu falar em paradigma ou quê?!”
Gociante Patissa | 03.01.2017 | Aeroporto Internacional da Katombela
http://www.angodebates.blogspot.com/ ehttp://www.ombembwa.blogspot.com/

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Divagações | Pelas mãos do Quito, uma homenagem da ALCA

Na homenagem que lhe foi prestada pela ALCA (Associação Literária e Cultural de Angola), liderada pelo amigo Efraim Chinguto, a qual o cooptou sem direito à opinião contrária para membro honorário (não sabendo para já o que isso significa em termos mais concretos), Sua excelência eu se deu encontro com a excelência dele o Quito, se quiserem Henrique da Silva Pascoal, na sexta-feira passada. Foi das mãos dele que recebi a "comenda de membro honorário", em representação de um colega nosso nessas coisas de excelencismos - no caso o Administrador Municipal do Lobito (ele que não nos oiça, que de problemas já não tenho poucos hahah). 

O reencontro, mais um por sinal, diferencia-se dos demais pela aura solene e formal (por isso mesmo esquisita) da coisa. Desta vez sua excelência eu não esteve diante do "miúdo dele" o Quito (porque irmão mais novo do Nirvana, o Betinho, também ele meu puto, já que para todos os efeitos também nasceu depois de mim - eles que provem o contrário se podem - não obstante terem-se adiantado em outros compromissos sociais e coisa e tal, né?). 

Hoje economista, docente universitário e quadro sénior da edilidade do Lobito, conheci o rapaz por volta de 1998, na sequência da hospitalidade do seu kota Alberto (o soldador Betinho Nirvana, da cultura rock n' roll e meu colega na altura no estaleiro da Sonamet), o que me permitiu frequentar (muito bem acolhido) o lar da família da Silva Pascoal, erguido por dois professores. Foi também o ano em que fui morar no 28 (Zona Comercial) com a finalidade de fazer o curso de informática no período da noite, quando operar o computador era uma profissão, como aliás estampa o meu o meu passaporte. E vou seguindo com satisfação os passos e realizações de ambos, não obstante a distância que é o mais imediato sinal de maturidade no meio urbano. 

Quanto à homenagem propriamente dita, desta feita pelo acompanhamento e conselhos prestados na condição de escritor ao colectivo e outros fazedores de artes e letras por Benguela, é sempre com alguma ambivalência que vivo tais momentos, dada a aversão que nutro por gestos de auto-consumo. Ainda era só isso. Obrigado.

Nda olete ongende yavetiwa longeva | Na óptica do turista com saudades | Homesick tourist-wise

(arquivo) Diário | Personalidade forte é isso?!

"Mas, ó meu! Pára ainda aí! Assim também, não! Desculpa-me lá, mas tudo menos isso!!!"
"É com a minha pessoa?..."
"Ya! Mas estás a pensar que isso é o quê, afinal?! Já ontem foi assim, passas aqui a pé - um, dois, um dois, - e não cumprimentas, com essa cara tipo deputado em carro com vidros esfumados. Pescoço bem duro, tipo avestruz. É o quê afinal?! Tu foste meu colega de escola, naquele tempo em que os exames vinham com solda
dos da segurança do estado, fugimos juntos às rusgas de ir morrer na tropa, lanchamos bolacha e leite que nos queimava a boca... esqueceste?"
"Mas eu iria te saudar no Facebok. Não vais já ficar em online logo? Então?! Ou será que o teu chat está off?"
"Mas..."
"Qual é mesmo o tipo de emoji que te alegra mais?"
"Mas não achas que isso é desconsideração? Então me fazes de estátua ao vivo e me esperas nas redes sociais?"
"Fica calmo, sócio. Não sejas arcaico! A evolução está à vista. Há aí gente a fazer grandes negócios, emocionantes reencontros, hã!, casamentos fortes... a partir mesmo só do virtual. Repara que até a comunicação social jornalística transferiu as redacções para as redes sociais, sócio! O segredo é cortar no pão, na fuba, investir no saldo. Mas tens telefone inteligente afinal para quê, é brinquedo?!."
"Eh! Chegaste a este ponto?! Toda aquela irmandade dos anos de escola evaporou?!"
"Meu amigo, eu sou uma pessoa de personalidade muito forte..."
"Arrogante? Egocêntrico? Personalidade forte é isso?!"
"Mas tu achas que eu levo a vida tipo novela mexicana, que é só choramingar e beijar?!"
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa. Benguela, 9 Abril 2017

domingo, 12 de novembro de 2017

Como a "TPA somos todos nós", usando da fatia que me pertence, ofereço o Canal2 para cobrir as sessões parlamentares. O que acham?

"Quando regressou ao seu larzinho, na cauda da tarde, alma e corpo exaustíssimos de um dia produtivamente nulo, a lâmpada da sala estava acesa. E lá pensou com o florido laço de sua lapela: «Bem, como hoje é dia 1 de Abril, se calhar a companhia eléctrica está só a ver se acreditamos.»" (Gociante Patissa. Trecho de abertura do conto A QUE PONTO CHEGAMOS, OH MINHA VIDA!, do livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, disponível a partir de 27 de Novembro no mercado brasileiro, edição da PENALUX, São Paulo)

Alguém aí para ler na bola de cristal que reflexo positivo virá no sector da comunicação social provincial depois das exonerações?

(arquivo) Diário | Ah, fala o namorado dela?

"Wey, estás a ver essas miúdas?"
"Ya, wi."
"Lhes pára ainda!"
"Xé, garinas, venham cá!"
"Boa tarde, moços."
"Tudo bem, bebés?"
"Tudo."
"Vocês moram aonde?"
"Na Fronteira..."
"Aié? Passem aqui vossos números de telefone, já, já!"
"E o contacto da outra?"
"Ela ainda não tem."
"Olha, o meu amigo e eu vamos vos procurar, ouviram? Não vale a pena só desligar ou dar uma de quem não viu, estão a ver né? Eu fico lixado! É atender, ouviram bem, né?"
"Está bem, moço, não há makas. Vamos atender."
"Ok. Podem bazar!"
"Tchau."
"Wey, já viste o mambo? Estão já a nos tremer. Essas miúdas, logo mais, é só arrastar, mano. A mais boa é minha, você fica com a mamudinha. Damas muito fracas… hahaha"
“Esse mundo está estragado. Assim nos fizeram um zoom e deram conta que vamos lhes resolver minimamente a necessidades, estás a ver, né? Até só falhaste em lhes despachar rápido, mô wi, porque essas mboas, com um bitoque mesmo, é só levar. Eu tinha então uma pequena que lhe fazia ideia, mas quê? Assim mesmo do nada, me receberam com ela num burro à toa…”
“Ehéé! Mas não há-de-ser maka, fica só calmo, vais bater lá. Te garanto…”
"É, né? Aí falaste! Essas gajas hoje é tudo bandida. Porque você analisa mesmo só bem. Um desconhecido é que você vai lhe dar número do terminal?!..."
"Tá nosso! Dá ainda um ‘cool’, brother. Deixa ainda lhes dar já um beep no número que elas deram. Alô! Está? (Wey, tipo é voz de homem) Esse número não é da fulana? Ah, fala o namorado dela? Deve ser engano, meu velho, vai-me desculpar."
"Filho da mãe dessas miúdas, meu! Nos enganaram, deram número que não é delas, madres de merda, pá…"
"Nos deram de boelos, né? Foogo! Esse comportamento delas assim é de bem? Vamos fazer como, agora que já foram embora?" 
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela 03 Março 2016

sábado, 11 de novembro de 2017

Dia de tirar o pó às memórias sobre o sacrifício consentido pela pátria

O 11 de Novembro, sendo um dia de todos que sejam favoráveis ao fim do domínio colonial português, é também no plano pessoal e familiar um dia para simbolicamente refrescar o sentimento de pertença. Haverá aqueles muito mais directamente afectados pela história, o que legitima o sentimento de posse, assentado no conceito de "sacrifício consentido". A minha família é uma delas. Pelo lado paterno, duas gerações, sendo Manuel Patissa (o patriarca preso em 1961 e passou 5 anos na cadeia de São Nicolau, hoje Bentiaba) e Victor Manuel Patissa, político de base e governante do nível comunal. Pelo lado materno, José Samuel, abatido no Lobito em 1975, filho do velho Samuel Ferramenta, primo-irmão do meu avô Gociante Kapiñãlã. Ainda era só isso. Obrigado 
www.angodebates.blogspot.com

(arquivo) Diário | Os preços que pratica contribuem para a paz dos espíritos?

"Vamos abreviar o tempo e tentar ser objectivos, pode ser? Venho ter consigo uma conversa de homens..."
"Isso não vem ao caso! Estou aqui como entidade. Como deve saber, estamos a ensaiar o modelo de comissões de moradores, já que as autarquias são um bicho de muitas cabeças, né? Pronto. A pessoa que lhe fala é a Coordenadora."
"Seja bem-vinda à nossa unidade de produção..."
"Eu lhe chamaria, antes, unidade de preocupação..."
"Unidade de preocupação?! Peço desculpas, mas aqui a papelada está em dia, os impostos e tudo. Há algum ressentimento da vossa parte?"
"Nem ressentimento nem consentimento..."
"Então qual é o problema, senhora Coordenadora?"
"O problema é que o seu papel na diversidade e robustez da economia é questionável. Até as minhas entidades superiores já quase me consideram fonte insegura. Se cada mês que reporto, ou altera o valor ou altera o volume, né?..."
"Mas o mercado é dinâmico..."
"O caro empreendedor acha que os preços que pratica no pão, que até é bíblico, contribuem para a paz dos espíritos?"
"Mas eu não importo..."
"O SENHOR É MESMO ATREVIDO! Pão, que é a primeira coisa que a pessoa come ao acordar, vai custar 40 kwanzas, e ainda dizes que 'não me importo', ó senhor?!"
"Eu disse que não importo farinha, a matéria-prima. Logo, tenho de vender de acordo com o mercado. O preço tinha que subir."
"E o tamanho baixar?! Não sei se já reparaste mas com este tamanho, eu meto na boca dois pães de uma vez só e ainda consigo falar à vontade. Ou vais-me dizer que tens a coragem de negar?"
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Benguela, 21 Junho 2016

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

(arquivo) Diário | É só aí já que falhei, né?

"O PRÓXIMO!"
"Dá licença?"
"ENTRE!"
"Bom dia... Quer dizer, boa tarde já."
"Boa tarde. Pode sentar-se. Bem-vindo à entrevista. Bem disposto?"
"Sempre, Engenheiro."
"Senhor, para mim, já está bom. Só tenho o médio do industrial ainda."
"Está certo."
"Vamos ao que interessa. Sabe para que tipo de trabalho está a concorrer?"
"Bem, tenho vaga ideia. Dizem que é no ramo dos petróleos."
"Pois. Não tem nada a ver com escritório e canetas..."
"Não há problemas, Senhor. Somos homens para tal…"
"Ora, vejamos... O teu Curriculum Vitae... por acaso, tem peso."
"Obrigado."
"É tudo verdade, não é?"
"Sim, senhor. É a trajectória mesmo."
"Isso é bom. O senhor é professor?"
"Sim, sou."
"Mesmo assim prefere ir para um trabalho de lidar com metais e ferrugem?"
"Depende só de onde melhor é o bolo, profissionalmente falando a verdade. Porque, é desculpar a franqueza, carreira e estabilidade devem andar abraçadas…"
"O teu CV diz que é professor. Há quanto tempo?"
"Olha... já há oito anos. Não é fácil neste país…"
"É casado ou solteiro?"
"Casado."
"Que idade tem agora?"
"Estou com 23 anitos já."
"Em que nível dá aulas?"
"Nível secundário. Quinta e sexta classe."
"Desde sempre?"
"Sim."
" Então, fazendo as contas, se tem 23 anos e dá aulas há já oito... quer dizer que com 15 anos já dava aulas no segundo nível?"
"Bem... Pois, portanto, é só aí já que falhei, né?..."
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Lobito, 30.11.2015