PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Hino Nacional da República de Angola cantado na língua Umbundu (Elias Kapitango "Kunde Kwa Lile")


Iniciativa do senhor Elias Kapitango "Kunde Kwa Lile", actuando à margem da apresentação da monografia de licenciatura de seu sobrinho no Instituto Superior Jean Piaget de Benguela no dia 11/12/2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Curiosidades e memórias da AJS (16) | NO PERÍODO “ROMÂNTICO” DO ASSOCIATIVISMO, AS CONTAS DA AJS NUNCA BATIAM CERTO

Jacinto Faustino "Lito" (à esquerda.)
 e Amândio Serviço
Um inusitado problema contabilístico marcou os primeiros anos de vida efectiva da ONG. As saídas eram superiores às entradas. Explico-me. Se o elementar paradigma da contabilidade é ver quanto entrou, quanto saiu e ver quanto sobra, no caso da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), havia muito mais gastos do que permitiria a existência resultante das quotizações dos membros. É que levávamos a coisa de um modo tão “romântico” que despendíamos do próprio bolso sem prestar atenção a registos e/ou facturações para posterior devolução. A justificação técnica depois consistia em qualificar a diferença como “doações indirectas”.

A matriz cooperativista da AJS é suis generis. A sua composição deriva da coligação de afinidades, que vem do parentesco, de amizades prévias, de irmandade religiosa em alguns casos e, sobretudo, de colegas de escola. Daí que se defenda a existência de uma vida interna responsável pela contenção diante de conflitos internos, vida interna esta que soçobra a partir do ano de 2007, com a “desactivação” das assembleias gerais (ordinárias e pacíficas) de membros, fórum ideal de socialização e reinvenção do sentimento de pertença. Vamos à história.

Em finais de 1998, espalha-se pelo bairro do São João e arredores a fama da APDC (Associação de Promoção do Desenvolvimento Comunitário), liderada por Jacinto Faustino “Lito”. A par das noites dançantes, levavam a cabo campanha de construção de latrinas “melhoradas”, por via da distribuição de lajes, com o apoio da Save The Children UK, representada pelo (belga) Jean. Na segunda quinzena do ano de 1999, aproximamo-nos ao Lito (colega na Sonamet) para obter pistas de como constituir uma ONG e este deu-nos também a Lei das Associações.

Determinado, Daniel Gociante Patissa convence o seu amigo Edmundo da Costa Francisco, que conhecera na escola do 3.º nível dos Bambús da Catumbela por volta de 1995, onde este último se destacava pelo nível de inteligência e índole calma. Incluem a Flora Domingas da Costa Francisco “Mirita”, uma dinâmica escuteira e poço de simpatias. O último a entrar é Simão Marques, um motivador carismático ligado à igreja Católica no Bairro da Santa Cruz.

Na tentativa de legalizar a AJS, fazendo-se acompanhar de um manifesto/estatutos de quatro páginas, digitalizado pela senhora Helena da Costa, mãe de Edmundo e Mirita, somos “rechaçados” pelo oficial do Cartório Notarial do Lobito (Sr. Abraão), que por sua vez recomenda uma leitura melhor da Lei das Associações. Sugeriu "imitar", ali mesmo, os estatutos da ANABOC (Associação dos Naturais e Amigos do Bocoio) que, curiosamente, nunca saiu do papel.

Mobilizam-se três novos membros, a Arminda Kanjala Gociante Patissa, o Amós Chitungo Gociante Patissa e o Amândio Serviço, optando pelo valor mínimo na exigência de sete a 14 assinaturas. Postos no Notário, mais um chumbo. Tivemos de acrescer mais sete assinantes. Assim entram os irmãos Malaquias Catanha Fernando e João Jorge Fernando, o César Menha (colegas de escola de Edmundo no Puniv), bem como o Jaime Caliongo, o Henrique Chissapa Januário, o “Chimangá” e a Delfina Kandolo.

Os mais novos (22 anos em média) dedicam-se a tempo integral à Coordenação Executiva. Até 2002, data da inauguração da sede própria no bairro da Santa Cruz, funcionávamos provisória e oficialmente nas instalações da ADAMA (Associação dos Defensores e Amigos do Ambiente) no bairro da Caponte, do Sr. Tshombé. Nessa altura, recruta-se o Henrique da Silva Pascoal, pela inteligência e pela vantagem de ser vizinho da sede. A "caça" de cérebros leva-nos a incluir o Aquiles Chicapa Daniel, os irmãos Bungo Dumbo Casseque e Maria Dumbo Casseque, assim como a Mariana Pascoal Manuel. Mas como o caminho se faz caminhando, ocupações profissionais de uns e o desencanto pela chegada tardia dos frutos do projecto, por outra, foram ditando chegadas e partidas.

A sustentabilidade foi sendo um problema, o que levaria a Coordenação Executiva a delinear estratégias de incentivo ao pagamento regular da quota, quesito no qual passaria com distinção o membro Amândio Serviço, a quem foi atribuído o prémio “AJS UM OLHAR POR DENTRO”, no valor de USD 20, angariados dos subsídios pessoais que recebíamos enquanto membros de projectos da Rede Municipal da Criança de Rua do Lobito ou da Coligação Ensino Gratuito, já!”

Por incompatibilidade de horários com o seu emprego, o membro Amós passaria a contabilidade para o Malaquias, de quem a Coordenação Executiva da AJS ficaria “órfã”, depois que um concurso público ao professorado o “atirou” para o distante município do Balombo. O César (formado em ciências sociais) virava o herói da Administração e contabilidade, graças à assessoria da consultora australiana Susan Dow. Privados também ficamos da Mirita, que se mudou para a província do Bié.

A partir de 2004, ensaia-se um pacote de capacitações internas para diminuir o fosso em conhecimentos entre a Coordenação Executiva e os demais membros da linha de sucessão. A assembleia geral de membros autoriza o recrutamento, em 2006, de mais “reforços”, entre os quais o Júlio Lofa, a Mariana Teixeira, o Ricardo Calengue “Amado”, a Celma Canduli.

De 2007 para cá, com a “hibernação” das assembleias gerais de membros, abrandou igualmente a cultura da quotização, pelo que a AJS sobrevive apenas de financiamento externo e, provavelmente, do bolso do pessoal da Coordenação Executiva que for assalariado de projectos. Ainda era só isso. Obrigado.

AJS – “Humildade, Justiça e Solidariedade” | Benguela, 12 Dezembro 2017
Daniel Gociante Patissa (membro fundador) www.angodebates.blogspot.com

A luz malandra da Ende...

... por acaso se comportou, dormiu mesmo lá em casa, mas é na casa de banho, pois o castigo ainda não acabou. Porque não pode ser assim à toa que se repõe a confiança de quem nos desilude. O problema só, outro mais, foi o mosquiteiro, que deixou passar o inimigo. Resultado: esta noite, sua excelência eu foi um gigantesco Sushi dos mosquitos. Pelo que se nos próximos dias a malária nos levar, a homenagem que desde já agradeço é darem o kumbu das condolências em divisas, assim tipo euros ou dólares, estão a ver, né? Não é por mal, é só para se certificarem de que não vamos plagiar óbitos e quê e tal. Temos de ser originais, ou não? Pronto. Ainda era só isso. Obrigado hahaha

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Sua excelência eu esteve no Instituto Jean Piaget esta tarde onde integrou o painel de júri (arguente) na defesa da monografia de licenciatura no curso de Português e Línguas Nacionais (componente Umbundu). O que não esperava era receber o carinho de estudantes que reconheceram o escritor e tomaram a liberdade de tirar umas fotos para a posteridade. Ainda era só isso. Obrigado

Curiosidades e memórias da AJS (15) | BOLETIM DA CULTURA E DA CIDADANIA VAI PARAR OUTRA VEZ

Tudo indica que, no final deste ano, este Boletim informativo [designação modesta para o nosso jornal institucional] enfrentará mais uma pausa indeterminada, ainda, imposta pela inexistência de recursos para a sua reprodução. Como vem já sendo anunciado em edições anteriores, aproxima-se o mês de Dezembro, que marca o período de férias da equipa dos projectos “Viver Contra a Sida-3, Cidadania e Saúde Preventiva”, e do “Palmas da Paz”, financiados pelo Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Embaixada Americana, respectivamente.

Vai deixar saudades ao vasto público leitor e amigo deste veículo que dá ressonância à cidadania e à promoção cultural. Mas vai também, a sua ausência anunciada, transtornar de certo modo a equipa envolvida na sua edição, a mesma que tem dado a sua prestação de forma voluntária, incentivada que está pelo sentimento de dever enquanto cidadãos, filhos desta Angola e ainda pelo amor às tecnologias de informação e comunicação. Em Fevereiro último marcávamos o nosso regresso. E a chamada de capa não podia ser mais oportuna: “Estamos de Volta”, na qual, embora omisso, o ponto de exclamação era bem evidente. Tínhamos vencido os seis meses de interregno, forçado pela necessidade de aumentar a tiragem, melhorar o aspecto e formalizar o Boletim “A Voz do Olho” junto do Ministério da Comunicação Social, iniciando, obviamente, pela Direcção provincial.

"A Voz do Olho" é um humilde jornal de voluntários, que usa técnicas simples e mensalmente distribuído grátis. Na verdade, a ideia do seu surgimento, em 2005, foi, precisamente, facilitar de forma gratuita para os cidadãos o acesso à informação e dar espaço à nossa cultura através da divulgação de obras, eventos e contos (uma vez que os jornais não estão ao alcance de todos).

Um trio de amigos ligados à AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), com sede no bairro da Santa Cruz, no Lobito, [formado por Livulo Prata, Gociante Patissa e o Júlio Lofa] lançou então, de Janeiro a Junho de 2006, a fase experimental, com folhas agrafadas no formato A4, contando com o patrocínio do jovem Lázaro Bernardo Dalas. De seguida, “adoptados” pela AJS passamos ao actual formato, numa evidente melhoria, embora ainda não satisfaça o que equipa editora almeja.
A Coordenação Executiva da AJS anda há bastante compenetrada em identificar apoios e doações para não pararmos.
AJS – “Humildade, Justiça e Solidariedade”
In Boletim “A Voz do Olho” (AV-O), Ano 1, Edição N.º 9, Outubro de 2007

domingo, 10 de dezembro de 2017

Um exemplo acabado de projectos que, como diz o nosso povo assim terra-a-terra, "foram pensados com o cu": A fazenda agrícola dos chineses em Luanda que, segundo o telejornal da TPA, usa fezes humanas como fertilizantes. Ainda era só isso. Obrigado

Depois de 24 horas na vadiagem, a malandra luz da Ende me apareceu já à noitinha, envergonhada, a correr para as lâmpadas. Sua excelência eu nem lhe deu confiança! Ou fiz mal? Só lhe falei no coração uma coisa: p´ro castigo, amanhã vais limpar o que azedou na geleira por causa das tuas brincadeiras às escondidas, ouviste, né? Assim ainda estou a desconfiar que ela, nada fiável como é, sairá de fininho pela madrugada, sem deixar recado. Pronto. Ainda era só isso. Obrigado.

Curiosidades e memórias da AJS (14) | SABINO NUNDA CASACO, UM DOS BENEVOLENTES DESCONHECIDOS QUE DERAM VIDA À AJS

A história das instituições, a partir do momento em que estas saltam da esfera do sonho para a materialização, legitima várias perspectivas. E como só podia ser de uma ingenuidade gigante esperar que exista apenas uma versão de registar a trajectória e o impacto junto da sociedade, que é em fim último o beneficiário do altruísmo, a história da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade) é passível de ser colhida pela perspectiva dos protagonistas, pela das testemunhas, pela dos continuadores. Ultimamente, passou a contar também a versão das vítimas (aqui um lamentável fruto de umas e outras escolhas).

Neste apontamento ressalta-se outra perspectiva muito valiosa que não se encontra em actas de reuniões nem na glória dos relatórios de projectos implementados. Falo de parceiros desinteressados que se mantêm anónimos, aqueles que na primeira hora abraçaram o que para muito boa gente roçava o lunático. Um destes é Sabino Nunda Casaco. A AJS é faísca do sector da sociedade civil, Organização Não Governamental de âmbito local, nascida do inconformismo de estudantes do ensino médio (a média de idade do “núcleo de cérebros” contava-se abaixo dos 21 anos), num quadro complexo de guerra civil e carência urbana de vária ordem.

Enfim, depois de conhecer a Okutiuka-Acção para a Vida, coordenada por José Patrocínio, no ano de 2000, através da qual foram adquiridas habilidades em elaboração e gestão de projectos de desenvolvimento comunitário, chegou-se a delinear linhas de acção, uma delas sendo a da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. A oportunidade consistia em "infiltrar-nos" em excursões de jovens (à praia e não só) para no destino improvisarmos palestras e debates sobre o assunto. Mas havia depois um entrave chamado falta de material de apoio.

Nessa época, tudo o que a AJS tem é a determinação de quem vende ideias e crê que mais cedo ou mais tarde apareceria um financiador para projectos em gaveta. Não havia fundos para adquirir propaganda e preservativos junto da ADPP-Esperança ou do PSI (as quotas dos membros mal cobriam as despesas com táxis entre Lobito e Benguela à procura de parcerias).

Eis que “do nada” surgia o paramédico Sabino Nunda Casaco, da 7.ª Região Militar, e o seu colega Alexandre Camongua, que durante meses apoiaram o projecto, não só assessorando os palestrantes, mas também partilhando connosco dentro das suas possibilidades o tão precioso material informativo e preventivo.

Casaco é um homem de estatura alta, de fala terna mas é também conhecido pelo punho militar firme. À volta do seu carisma, rolava o relato de ter administrado uma sonante bofetada a certo jovem que o teria molestado durante uma festa. Dizia-se que tão valente fora a famosa bofetada que o destinatário da mesma desmaiou de imediato… e acordou sóbrio. Seria uma “bofa medicinal”? Morava no bairro da Kalumba. Viria a bater à porta da AJS por influência do seu amigo Simão Marques, membro fundador da ONG.

Foi na verdade graças ao impulso do mano Casaco que ganhou corpo a série de projectos "Viver Contra a SIDA" (financiados de início pela Oxfam em 2003/4 e introduziu a dinâmica dos activistas voluntários, dos quais cito o João Nunda, o Ricardo “Amado” Calengue e a Celma Yaveleka Tungalavo Canduli). O maior "bolo" viria com o financiamento do Fundo Global/PNUD e afins, que suportou o Boletim "A Voz do Olho" e o programa radiofónico semanal "Viver para vencer", produzido e conduzido por quadros da AJS via Rádio Morena Comercial, através de pagamento do espaço de antena.

A natureza melindrosa da disciplina militar fez com que o seu patrocínio tão determinante fosse mantido discreto ao longo destes quase vinte anos de existência. Obrigado, mano Casaco! Teria de ser amnésia colossal não lhe ter em conta como um membro honorário.

AJS – “Humildade, Justiça e Solidariedade” | Benguela, 01 Fevereiro 2017
Daniel Gociante Patissa (membro fundador) www.angodebates.blogspot.com

Oi, tudo a andar? Por cá também, só a luz que dormiu fora. Mas ela vai ouvir das boas quando aparecer. Ah, mas vai mesmo! É no que dá meter-se em más influências. Não se lembra do caminho para a casa. Aconselhem-na. Ou será que vocês também, tal como ela, dormiram "acesos"? Ainda era só isso. Obrigado

sábado, 9 de dezembro de 2017

Curiosidades e memórias da AJS (13) | A PROBLEMÁTICA 1.ª VIATURA DA AJS, UM TESTE À HONRA DA ONG JÁ ANTES DA DOAÇÃO

Tem-se dito que na arte de coleccionar relíquias, o valor alto que é pago não é pelo artigo como tal, mas sim pela história em torno dele. Diremos, adaptando a asserção, que o valor da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade) é para nós fundamentalmente imaterial, um afecto que de resto, dada a natureza humana, nem sempre resulta transmissível. No apontamento de hoje, o assunto é a viatura Toyota Land Cruiser Prado (“chefe máquina”), o primeiro (único até ao momento) zero quilómetros na história da AJS e o que nos custou a sua obtenção.

A história começa em finais de 2003, princípios de 2004, quando recebemos por intermédio da D. Manuela Costa a manifestação de intenção de uma consultora independente chamada Susan Dow, residente em Luanda. A D. Manuela, na ocasião Oficial de Projecto da ONG Omunga, trabalhara com Susan por muito tempo na britânica Save The Children. Havia em carteira um projecto no sector da educação cuja materialização passava por estabelecer parceria com uma ONG nacional de boa reputação. A AJS foi a escolhida.

Algum tempo depois veio a Susan. Lançou as bases e adoptamos a ideia projectual. O projecto em causa, que compreendia uma pesquisa para identificar as linhas de base para posterior intervenção no reforço de capacidades de pais/encarregados de educação, assim como de professores no ensino primário, seria co-implementado pela Education Action International (EAI), em português, Acção Internacional para a Educação, com sede em Londres, a também cidade dos doadores, entre eles o Comic Relief.

O município do Bocoio seria o grupo alvo, em virtude de já lá termos realizado alguns debates e workshops, sem esquecer a excursão marcante no ano de 2004, no contexto do 27 de Julho, data de fundação da antiga Vila Sousa Lara, em parceria com o “Pelotão”, colectivo informal recreativo do bairro Santa Cruz. Só que, durante as visitas de campo e encontros com as autoridades, numa delas com a presença da britânica Mandy, quadro sénior da EAI, ficou-se a saber que o CCF (Fundo Cristão para a Infância) também tinha projectos na área da educação, o que suscitaria duplicidade. Foi então que se optou pelo município do Caimbambo.

Originalmente, a parte angolana de implementadores incluía o Sinprof, pelo seu incontornável papel sindical na influência de políticas públicas e domínio de dossiês importantes na relação entre o professorado e a entidade patronal. Numa altura em que o desenho do projecto estava consolidado, recebemos uma delegação de alto nível, constituída por gestores da EAI e das instituições doadoras, para aquela monitoria inicial. Viajamos para o Caimbambo onde nos desdobramos em encontros com as autoridades, professores, sindicalistas e com a comunidade. O que os britânicos não gostaram foi da crispação entre o sindicalista e o então Chefe de Secção de Educação do município, do qual se inferia um antecedente mal resolvido. No final do dia concluíram que o perfil não condizia com o espírito do projecto, cuja estratégia passava por estabelecer uma relação de cooperação metodológica nos dois primeiros anos e só mais tarde a advocacia.

E quando por questões de transparência foi apresentada a proposta de projecto ao então Administrador Municipal, ficou-nos, pois, alguma má impressão dele. Em posse do documento, correu para o orçamento e solicitou que o carro (ainda não encomendado) viesse a ser propriedade da sua administração, finda a iniciativa. Diplomaticamente foi-lhe negado. O carro deveria servir para uma possível extensão das actividades.

De volta ao hotel Turimar, indisfarçável era o rosto desiludido dos decisores vindos da Europa. Bem, sem surpresas. Tinham passado metade do dia a fazer observações de nariz contorcido e fotografias, tais eram a condição de extrema pobreza material e o calor do armazém em que funcionava o nosso escritório. Maior ainda foi o impacto ao se depararem com as condições infra-higiénicas do WC que usávamos por empréstimo. Com nove anos de história, era aquela a nossa condição, não havia como maquilhá-la. Reunidos no restaurante, pediram-nos para aguardar enquanto provavelmente “puxavam as orelhas" à D. Susan. No relógio, 18h30.

Perto das 21h00 chamaram-nos aos suspiros para anunciar reformas notáveis na estrutura do projecto. Faltava-lhes coragem para verbalizar a insegurança que tinham da nossa idoneidade e carácter, pois podíamos muito bem, pobres que éramos, agarrar na primeira tranche do orçamento e fugir com a massa. A outra imposição foi no sentido de incluir a Okutiuka na liderança do projecto. E perguntaram-nos o que achávamos, receosos de uma atitude radical nossa. Respondemos, cordialmente, que o mais importante era a implementação do projecto, independentemente de quem lideraria o processo. Olharam-se uns para os outros, depois olharam para nós com alguma empatia e orgulho. Disseram que a nossa atitude tinha sido bastante saudável, que lideraríamos nós o projecto na mesma, sendo entretanto indispensável a entrada da Okutiuka (que tinha antecedentes positivos no Caimbambo e até um representante de nome Açores).

Com o arranque do projecto, era finalmente comprada a viatura ao preço de USD 35 mil e começavam as complicações e tensões, inicialmente na relação da AJS com o mundo externo. A “madrinha” Susan receava, pela nossa idade juvenil passível de vícios anti-éticos e abusos dos meios para fins pessoais, que se repetisse o trauma de uma ONG que apadrinhara no passado, a qual alegadamente partiu o carro todo antes da primeira revisão. Para o conforto dela, naquela altura (2005) os membros da AJS ainda não tinham carta de condução, pelo que os motoristas foram recrutados por via do seu crivo. Como não era de estranhar, contratou-se um antigo motorista da Save The Children que ela tinha em muito boa linha de conta.

A outra tensão latente reside no facto que prevalece até hoje, salvo melhor informação, de que a viatura, sendo nossa, foi comprada em nome da ONG irlandesa Ibis (sedeada no Kwanza Sul), congénere da EAI, como que uma espécie de semáforo para a recolha da viatura tão logo fossem registadas condutas contrárias ao voluntariado. Mas não é tudo. Outra exigência incontornável também era o seguro ENSA contra todos os riscos, um valor para já nada desprezível. Houve um momento em que quase nos pediram para conduzirmos a viatura ao Sumbe, desprovida que a tesouraria da AJS andava na sequência do fim do ciclo do projecto. Tivemos de pedir emprestado dinheiro a um dos membros para “salvar” o meio.

Pela sua história, o carro passou a ser uma questão de honra, como pessoas e para uma AJS comprometida com valores. Ironicamente, o tempo, e não foi preciso muito, veio a mostrar que a Susan não estava de todo errada. Lá houve quem não tolerasse reincidências, pioradas com a inexistência de um regulamento escrito, onde o bom senso já não servia como critério… e bateu com a porta. Ainda era só isso. Obrigado.
AJS – “Humildade, Justiça e Solidariedade”
Benguela, 9 Dezembro de 2017
Daniel Gociante Patissa (membro fundador)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Curiosidades e memórias da AJS (12) | MALAQUIAS FERNANDO, UM DOS CINCO SIGNATÁRIOS DA ASSEMBLEIA-CONSTITUINTE

Malaquias Catanha Fernando integrou a Comissão Constituinte, cinco membros a quem coube a missão de subscrever a escritura da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade) no Cartório Notarial do Lobito, no primeiro trimestre do ano de 2000, aquando da formalização da ONG. "Da impressão que tenho dos 10 anos de percurso da AJS, digo que é uma organização madura, pois que passamos por momentos difíceis, e também por aquilo que são as acções desenvolvidas", referiu o membro fundador e contabilista voluntário durante os primeiros anos de abertura da sede da Organização. Instado sobre qual seria sua resposta caso fosse outra vez convidado a integrar uma associação em fase embrionária, disse: "realmente é um pouco complexa a ideia, mas, na verdade, aceitaria".

In Boletim “A Voz do Olho” (AV-O), Edição Especial—10º Aniversário da AJS, Dezembro de 2009

Curiosidades e memórias da AJS (11) | Descobrindo novos valores em prol da cultura – A PROPÓSITO DO GRÉMIO DE ARTES "ELONGISO"

O Grémio de artes “Elongiso” foi fundado a 11/07/07, no bairro Santa Cruz, Lobito, congregando 15 jovens  moradores dos bairros de São João, Kalumba, Santa Cruz e comuna da Catumbela. É uma iniciativa autónoma que conta com a colaboração de várias instituições, estatais, do sector voluntário e singulares.

O grupo desenvolve actividades culturais, tais como o teatro, a dança, a poesia, a música, entre outras artes. Também já levou a força da sua recreação aos palcos dos municípios da Baia Farta, Caimbambo e Cubal, no âmbito do projecto “Noite Cultural”, que visa a descoberta de novos valores no mundo das artes  e realização de debates e palestras sobre problemáticas que assolam a sociedade, e a juventude, em particular.

Enquanto batalham para a sua consolidação, os jovens contam com o amparo da AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), com a qual partilha os escritórios.

In Boletim “A Voz do Olho” (AV-O), Edição Especial—10º Aniversário da AJS, Dezembro de 2009

Última hora | Distribuição gratuita por e-mail do livro de contos "A Última Ouvinte" com tempo alargado

Os serviços de apoio a Sua Excelência Eu levam ao conhecimento dos interessados que foi ligeiramente alargado o tempo de oferta por e-mail da versão digital PDF do livro de contos "A Última Ouvinte", do escritor angolano Gociante Patissa, inicialmente agendada para os dias 17 e 18 de Dezembro. Assim, após uma audiência com a Mãe-Natal, em representação do Pai Natal (a quem foi competentemente negado o visto de entrada ao país em retaliação à recusa em nos ajudar no milagre do regresso das divisas) decidiu-se abrir a copa durante três dias, com início à meia-noite de 16 de Dezembro e encerramento às 23h59 do dia 18 de Dezembro. O livro foi editado e lançado no ano de 2010 pela União dos Escritores Angolanos, sendo a capa uma tela da autoria de Miguel Dafranca (de eterna memória). Vale recordar que continua a oferta do outro livro de contos lançado no ano de 2014 sob chancela do Grecima, intitulado "Fátussengóla, o homem do Rádio que Espalhava Dúvidas", apurado no concurso de originais para colecção "11 Novos Autores", no quadro da Bolsa Ler Angola. Para ter acesso, bastará escrever para patissagociante@yahoo.com ou, como fizeram anteriormente, deixar o endereço na secção dos comentários. Ainda era só isso. Obrigado www.angodebates.blogspot.com

Para debate | Há ou não uma tendência de predominância nortenha no inventário oficial das glórias nacionais? Fundamente

Enunciado: Sempre que visito a cidade do Huambo, no perímetro que vai do Jardim da Cultura até ao Pavilhão Multiusos/Estufa, me questiono quanto aos critérios levados em conta na hora de plantar as estátuas e bustos ali presentes. Há simbolismo de homenagem a entidades ocidentais, herdadas provavelmente da era colonial, há também rostos de heróis nacionais. Salta à vista a heroína Deolinda Rodrigues (como de resto parece ocorrer em todo o país). As questões são as seguintes:

(1) Terá havido nos anais da história alguma façanha em especial protagonizada pela eterna Deolinda Rodrigues no Huambo?

(2) Não se consegue junto de fontes orais pesquisar se houve também durante os séculos de resistência alguma mulher da região do Huambo (Wambu) que pela sua valentia mereça uma estátua/busto e assim figurar ao lado de Deolinda?

(3) Por aquilo que se estuda no contexto escolar, pelos heróis que figuram na toponímia da Angola pós 1975, podemos concluir que há uma tendência de predominância nortenha no inventário oficial das glórias angolanas? Se sim, quais os factores e de que forma se pode optimizar uma representatividade mais equilibrada das sensibilidades que compõem a República de Angola?

Nota final: A motivação do debate é académica mas sua excelência eu, que não tem como coarctar os talentosos em conotação de ideias livres, aproveita desde já o ensejo para autorizar quem assim o pretender a inscrição de mais esta publicação na estatística do pretensamente subversivo. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa. Benguela, 08.12.2017 www.angodebates.blogspot.com

A pergunta mais frequente ultimamente | PARA QUANDO O LANÇAMENTO EM ANGOLA DO LIVRO DE CONTOS "O HOMEM QUE PLANTAVA AVES"?

Depende, mas não é do autor, no caso o meu conterrâneo Gociante Patissa. A ideia projectada é haver três edições independentes do mesmo livro, nomeadamente, uma edição brasileira, uma angolana e outra para Portugal. Para o efeito, depois de se ter avançado com a PENALUX, do Brasil, que "encomendou" o livro por altura da presença do autor na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha, 2016), a proposta foi submetida a uma editora dinâmica em Luanda, que por sua vez a aprovou há por aí cinco meses. Acontece que o autor não tem muito jeito para angariar patrocínios e cultiva ainda o entendimento clássico segundo o qual um livro só deve ser publicado em função do mérito e/ou potencial literário (com os encargos suportados/mobilizados pela editora mediante tutela de até 85% dos direitos. É o mesmo que dizer que não é de publicar porque eventualmente o autor consegue recursos). Para um bom entendedor... No Brasil, o livro está nos escaparates desde o passado dia 27 de Novembro e custa 35 Reais junto da editora que fica em São Paulo (façam o favor de adquirir e recomendar). Quanto ao mercado português, contando maioritariamente com o leitor de expressão portuguesa na diáspora, a proposta acabou de ser submetida e aguarda resposta, que tanto pode ser uma aprovação, como pode ser um pacífico e amigável chumbo. Resumindo, para o mercado angolano não há data porque também não se tem ainda a confirmação da disponibilidade financeira da parte da editora. Ainda era só isso. Obrigado. Gabinete de Sua Excelência Eu. www.angodebates.blogspot.com

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

JLo, exonere os pregadores de igrejas do marketing do Senhor, de sotaque brasileiro forçado e dizem ao micro "vou ir; que na qual"

(arquivo) Humor | Os tomates frios...

Três esposas estão a conversar sobre os seus maridos, e a primeira diz:
– Os testículos do meu Manel são frios!!
A segunda diz:
– Os do meu Xico também são frios!!
A terceira diz:
– Por acaso nunca reparei isso no meu marido. Hoje à noite vou ver e amanhã conto-vos.
No dia seguinte a mulher aparece toda roxa, magoada, sem dentes e com um braço partido. As amigas então perguntam:
– Maria, o que te aconteceu?!
Ela diz:
– Ontem à noite meti a mão nos tomates do meu marido e disse-lhe: “Que estranho, os teus estão quentes, os do Manel e do Xico são frios!”
Não vi mais nada, acordei no hospital. (* De autor desconhecido.)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Divagações | Caro ladrão, seja Pai-Natal. Devolva os documentos de sua excelência eu

Passei esta tarde em "baixa visibilidade" pela portaria da Rádio Benguela com a intenção de garimpar entre os documentos a granel "achados" na via pública os meus, documentos que por sua vez saíram a andar pelos próprios pés há por aí nove meses. Bem, renovar a esperança de um dia cruzar com a minha carteira de documentos é o que nos resta, pondo fé na boa fé do assaltante que quebrou um dos vidros do carro, apoderou-se de USD novecentos (adquiridos ao câmbio de rua na véspera de uma viagem ao exterior). Depois de fracassados os apelos através dos serviços de agenda pública nas rádios Morena e Benguela, sem deixar de fora as redes sociais e a benevolência do portal Pérola das Acácias, podia dar-se o caso de termos um assaltante, ou grupo deles, com alma caridosa ao ponto de ao menos devolver o vasilhame (cá entre nós, já sabemos de antemão que dinheiro é para esquecer), como bons angolanos que são, afinal tratar documentos não é das coisas mais confortáveis que temos na nossa cidadania. Estão sumidos o bilhete de identidade, a carta de condução em cartolina encarnada, o cartão de membro da União dos Escritores Angolanos, o cartão da Segurança Social, o cartão de contribuinte, o cartão visa Kamba do banco BAI, só para destacar o mais importante. A pasta de bolso é castanha e de cabedal. É claro que a polícia de investigação terá assuntos mais importantes do que se lembrar de assaltos a viaturas que ocorram em parque do hospital central, tão próximo do movimentado banco de urgência. Enfim, a primeira nota positiva do dia de hoje recai para a catalogação que é feita aos achados depositados na portaria da Rádio Benguela, onde um livro de registo bem organizado facilita a consulta (nomes em ordem alfabética e data de entrada). A segunda nota não menos positiva vai para a atenção e boa educação do agente policial que esteve de serviço ao balcão. É pena não termos achado no registo um qualquer Daniel Gociante Patissa. Mas ainda era só isso. Obrigado www.angodebates.blogspot.com

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Trechos

Tenho a vida doida
Encabeço o mundo
Sou ariano torto
Vivo de amor profundo
Sou perecível ao tempo

Vivo por um segundo
Perdoa meu amor
Esse nobre vagabundo
(Márcio Mello, brasileiro, do poema Nobre Vagabundo)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Opinião | Vale mesmo a pena ter um cartão de loja?

O senhor já tem o cartão da nossa loja? Abordou-me certa funcionária de uma cadeia de hipermercados na Namíbia. A pergunta soava-me familiar. Respondi que não, que estava ali em gozo de férias e não faria, pois, sentido despenderem custos para um cartão que não seria usado. Dona de um subtil poder de persuasão, a moça convenceu-me, ainda assim, a tratar um. São as tais decisões induzidas num cada vez mais frenético e ardiloso marketing globalizado.

Você não sai de casa com a intenção inequívoca de tratar um cartão de loja. Ouvimos falar dele no convívio social ou, na maioria dos casos, por aquele profissional de boa aparência e verbo, devidamente treinado para o papel. Descontos, bónus, acumulação de pontos. Todos falam de benefícios. E da desvantagem? Será que as lojas se tornaram instituições de caridade, deixaram de perseguir o lucro?

Façamos um pouco de contas. Você já parou para pensar que o cartão de fidelidade (dado aparentemente de graça) é feito tão-só do mesmo material que o cartão multicaixa (obtido mediante desconto de quase mil Kwanzas pela entidade bancária)? Você já pensou que o seu cartão de loja é feito do mesmo material usado na produção de passes de identificação em muitos estabelecimentos? Já agora, quanto é que você ou a entidade patronal paga pela impressão do cartão mesmo? Dou o meu exemplo a contas largas. A emissão normal do passe de acesso custa ao meu patrão anualmente dez mil Kwanzas (ao câmbio de USD 100). A perda implica uma penalização de 40 mil Kwanzas (USD 400).

Alguma vez a loja lhe cobrou pela emissão (normal ou segunda via) do cartão? A resposta é, certamente, NÃO! E já que estamos em maré de generosidades, que tal converter o valor do custo de produção do cartão em bens de consumo? Seria interessante saber quantos consumidores angolanos aderiram aos cartões de fidelidade. Mas, como já é sabido, no campo das estatísticas temos ainda um longo trabalho a fazer. Façamos ao menos uma volta breve pelos websites dos principais operadores comerciais em Angola.

Coincidiu

Se você nasceu no ano de 1978 e não sabe em que dia da semana foi, pode bater as palmas. Graças ao esforço do executivo, o calendário coincide com o de 2017. Verdade ou não, dizem outras pesquisas que o fenómeno ocorre também a cada 28 anos. Ainda era só isso. Obrigado (editado)

domingo, 3 de dezembro de 2017

No caso do duplo assassinato Jomance/Beatriz a polícia vai precisar de solidariedade. Parece ser a única que crê na própria versão

Diário | “OH! NÃO ERA PARA TERMOS A CORAGEM DE COMEÇAR A MUDANÇA AFINAL?...”

“Meu, mano, é como então que estás a ver isso?”
“Eh, pá. Devagar. O fim d’ano está aí, a agitação daqui a pouco é aquela, e os mambos estão caros…”
“Mas o angolano é assim porquê então?! Com tanta coisa boa a acontecer, você fica a lamentar? Não ouviste ainda que já podemos bazar para a South sem precisar de visto, né?”
“É verdade, mano…”
“Então?!… Fica contente, meu wi. Moçambique a abrir as portas assim à toa para o mwangolê, xé!”
“É verdade. Só falta já os dólares regressarem das férias…”
“Estou-te a falar, sócio! Esse João Lourenço é homem! O tempo dele está a trazer assim uma tuza diferente, né?”
“De facto, abrem-se tempos de novas esperanças…”
“Esse mambo tinha que mudar. E ainda vai mudar mais! Corrigir o que está mal nas instituições, mudar a moral, endireitar este país…”
“Seria bom… Neste caso não só as instituições, mas também cada um de nós mudar, né?”
“Claro, meu velho! Temos que ter a coragem para enfrentar a mudança! Porque esse país tem tudo para dar certo, palavra de honra, velho…”
“Desculpa só interromper. Estás a ver o que aquele senhor está a fazer?”
“Nada. Estive de costas, não galei. Hã, é o quê?”
"Ele fez manobra arriscada, embateu contra o separador de metal e depois derrubou poste de iluminação, destes que ainda não acendem. Aquilo ficou danificado. E ele está a querer fugir. Como é que um cidadão destrói o património na via pública, o património que é de todos e quer fugir para não ser responsabilizado?! Já viste? Tens o número da polícia?”
“Para quê só?! Não se mete, velho. Vais querer complicar a vida do outro angolano igual porquê? Esse dinheiro da tal multa nem entra no teu bolso. Você por acaso viu quanto dinheiro facturaram com esta obra?”
“Oh! Não era para termos a coragem de começar a mudança afinal?...”

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto da Catumbela | 03.12.2017

Extracto | do conto A CHEFE E OS HOMENS, do livro O HOMEM QUE PLANTAVA AVES, de Gociante Patissa

Adorada por mulheres que viam nela um ícone da ascensão feminina na vida, a Comissária era ao mesmo tempo alvo de intrigas. Intrigas da concorrência, mas também de alguns ressabiados. Destes há sempre. Era acusada de impingir ideias de brancos e desprezos lá da China à nossa cultura africana, como aquilo de impedir que as padarias familiares se prestassem à cozedura de filhos na quantidade que bem entendessem. A má influência só podia derivar do nível académico da chefe, pois estava visto, segundo a sabedoria popular moderna naquele meio difundida, muito estudo na cabeça de uma mulher faz mal. E nesse quesito a chefe tinha o Ensino Médio, numa comuna em que o maior nível findava na sexta classe.

JLo, exonere a dependência da mulher angolana à febre da maquilhagem e do cabelo postiço que a tornam artificial. Sempre foi linda

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Contingente de 160 militares angolanos partiu hoje em missão de paz no Lesoto, gabam as notícias. Eu, parvo, penso nas mães deles

Curiosidades e memórias da AJS (10) | ASSEMBLEIA-GERAL DE MEMBROS ANALISA CONTAS 2005-2007

Os membros regozijaram-se com o notório crescimento da Organização, traduzido pela identificação e implementação harmoniosa de três projectos, “Palmas da Paz”, “Viver Contra a Sida”, desenvolvidos nos três municípios do litoral da província de Benguela, e o Projecto “Pesquisa sobre os factores que influenciam a qualidade do ensino primário”, realizado no município do Caimbambo.

No passado dia 30/12, realizou-se a Assembleia-geral de membros da Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS), que teve lugar na sua sede social, ao bairro da Santa-cruz, cidade do Lobito. Participaram dez dos 15 membros que a compõem, e apesar da ansiedade já que a última assembleia aconteceu em finais de 2005, o ambiente foi, como sempre, marcado pela cordialidade e metodologia informal. Entre o essencial da agenda, constou a análise dos relatórios narrativo e financeiro do período 2006/7, do inventário do património da Organização, e a proposta de inclusão de novos membros, e, ainda, a constituição dos Órgãos Sociais.

A AJS, que já se tornou “obra da sociedade”, é uma iniciativa voluntária e apartidária da responsabilidade de um punhado de jovens humildes e com vontade de aprender, divididos em três galhos: A Coordenação Executiva, que frequenta com regularidade a sua sede social, a Assembleia-geral, formada por membros com pouca disponibilidade de tempo, e, ainda, por voluntários, jovens que participam de actividades e frequentam a casa sem remuneração nem vínculo como membro.

Curiosidades e memórias da AJS (9) | “QUANDO AS PESSOAS FALAM, A ORGANIZAÇÃO CRESCE”

César Menha
Boletim A Voz do Olho (AV-O): Ao participar nesta Assembleia, antecedida de um considerável intervalo, já que a última aconteceu em 2005, que impressão tem? Houve abertura para a prestação de contas?
BD: Dizer que a Assembleia não deu abertura para uma conversa franca e aberta estaria a mentir, porque ali falou-se de tudo um pouco. E, pese embora, termos deixado alguns pontos para o próximo encontro, acredito que foi frutífero o debatido.

AV-O: Teve de se deslocar à província do Huambo por questões de formação, o que o obriga a estar um pouco distante da organização e das suas actividades. Como se sentiu ao reencontrar os colegas?
BD: Sinceramente a emoção é tanta, porque há muito tempo que não participo de um encontro como este, com os meus colegas e amigos associados nesta nossa organização. E sempre que lá estivesse, sentia sempre a saudade deste reencontro, tanto mais que tenho um convite para comemorar o reveillon com os meus amigos no Bocoio, e tive de sair de lá directamente para esta Assembleia.

AV-O: O que espera para 2008?
Espero que tudo corra bem para as pessoas que dão o seu desempenho por “amor à camisola”, não só os membros como também os activistas, como nos é característico.
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João Fernando “John”

AV-O: Acha que valeu a pena a realização da Assembleia?
“John”: Sim, valeu, visto que abordamos aspectos que têm a ver com a Organização, aspectos esses que eu posso admitir que desconhecia. Em suma, foi bom.

AV-O: Quais foram os aspectos que julga necessitarem maior atenção, por exemplo, já no próximo ano?
“John”: Bem, é tentar rever o regulamento em si, visto que é um dos aspectos que ficaram reagendados para o próximo encontro e olhar mais por dentro a Organização.

Curiosidades e memórias da AJS (8) | APRENDER-FAZENDO É CHAVE DA AJS NA PROMOÇÃO DO ACESSO À INFORMAÇÃO (*)

Uma breve viagem no tempo leva-nos até Dezembro de 2003, um ano após o fim do conflito armado que durou três décadas. Dia 17, uma quarta-feira algo agitada, e não era para menos. Às 17h00 ia ao ar a edição inaugural do programa Palmas da Paz, a primeira aventura da AJS, através da Rádio Morena, na modalidade de espaço de antena. Contou-se com o financiamento da USAID, através do OTI/CREA.

Excepto o Eduardo Chingole, recrutado especificamente para a produção, os demais eram membros da AJS, que mais não tinham além do inconformismo cidadão e cursos intensivos, portanto nenhuma estrela do jornalismo. Pacificação, cidadania e prevenção de conflitos era a temática. O projecto, em prol da reconciliação, teve igualmente debates e workshops no Lobito, Benguela e Baia Farta.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Recolha de contributos, sugestões e estratégias | PENSAR AJS NO SEU 18.º ANIVERSÁRIO

Caros membros, amigos e pessoas em geral com algum carinho pela Associação Juvenil para a Solidariedade (AJS),

A nossa ONG vai completar este mês de Dezembro 18 anos desde que foi idealizada. De lá para cá muita coisa boa aconteceu, graças ao contributo de todos, ao espírito de sacrifício e desprendimento dos membros (fundadores e continuadores) e também ao cunho pessoal das equipas gestoras da Coordenação Executiva.

O crescimento é notório e praticamente não se pode falar do papel da sociedade civil em Benguela no que se refere aos últimos 20 anos sem incluir a AJS. Nos últimos dez anos conseguimos mais recursos, arrendamos um escritório mais condigno, meios rolantes, crescimento intelectual dos representantes, somamos na credibilidade perante doadores.

Seria desonesto dizer que tudo vai bem. Não vai. Alguns problemas estão identificados. Dois são assinaláveis. Falo do distanciamento entre a assembleia de membros (o poder soberano) e o órgão executor. Também na relação com a histórica comunidade do bairro Santa Cruz, no Lobito, perdeu-se parte de um grande capital na imagem da organização, que é a bondade, a frequência da sede enquanto factor de aproximação inter-geracional, entre outras coisas.

Assim e de forma especial, recorre-se à sensibilidade de cada um de vocês para sugerir ideias, estratégias e formas de actuar para identificar as melhores práticas e fazer com que a chama da AJS, que nasceu da faísca das ideias e do bem, siga fornecendo aconchego. Entretanto, porque alguns aspectos podem ser sensíveis, ou talvez para preservar a identidade de quem sugere, pede-se o favor de usarem o chat (mensagem privada) ou então escrever para o e-mail patissagociante@yahoo.com .

As ideias serão compiladas e apresentadas na próxima assembleia de membros que vier a ser convocada. Caso ajude, alguns itens para desenvolver o raciocínio são:
1. Que elogios você faria à AJS e ao pessoal responsável pela sua manutenção?
2. Que aspectos você considera prejudiciais à imagem da organização perante a comunidade, perante os parceiros, perante a sociedade em geral, perante o governo e perante os seus próprios associados? Como reverter o quadro?
3. Quais as formas de garantir o mínimo de recursos para as despesas de funcionamento da Associação?
4. De que forma a organização conseguiria, ou não, compensar a Coordenação Executiva pelo heroísmo de manter aberta a casa e somar conquistas no actual quadro adverso?
5. Acha que a AJS deve ser repensada para continuar ou já deu o que tinha a dar e deve ser extinta por vontade da maioria dos 4 (quatro) membros subscritores da Assembleia Constituinte responsável pela sua legalização?
AJS – “Humildade, Justiça e Solidariedade”
Benguela, aos 30 de Novembro de 2017
Atentamente,
Daniel Gociante Patissa (membro fundador)

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Curiosidades e memórias da AJS (7) | JOVENS DA SANTA CRUZ MUDAM O MUNDO

Desde Junho último, cerca de 15 jovens de ambos os sexos decidiram dar corpo ao seu dever de servir a sociedade com o pouco que podem fazer e com o muito que desejam aprender. De forma voluntária, dedicam-se ao aperfeiçoamento do teatro de intervenção, dando ênfase à promoção da educação cívica e à saúde pública.

Curiosidades e memórias da AJS (6) | AJS VAI RECRUTAR MAIS MEMBROS (anúncio do ano de 2007)

Fundar uma Organização Não Governamental angolana é apenas um passo e qualquer cidadão consegue fazê-lo se se guiar pela lei das Associações. Agora, sustentá-la no presente contexto de desenvolvimento é que é uma obra. Aliás, não é nada pequeno o número daquelas que se viram convidadas pela adversidade a encerrarem as portas e todo um sonho, depois de incentivadas a surgir pelo contexto de emergência.
Em Dezembro deste ano, a AJS somará sete anos de existência, uma experiência relevante para os seus membros, amigos e, sendo de todo justo aqui considerar, para a sociedade, que constitui o seu ponto de partida e de chegada. Nesta edição trazemos para @ noss@ leito@ o retrato recente da AJS.

No campo dos projectos, o biénio 2006-07 é o melhor da história da AJS, na medida em que permitiu gerir três Projectos autónomos em simultâneo. Trata-se dos projectos “Pesquisa para o Ensino Primário em Benguela”; “Viver Contra a Sida-3, Cidadania e Saúde Preventiva”; e “Palmas da Paz-2, Cidadania e Prevenção de Conflitos”, financiados pela Education Action International, Reino Unido, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e pela Embaixada americana, respectivamente.

Para o Responsável da Organização, Edmundo Francisco, vive-se actualmente um momento determinante para a vida da AJS, chegando a considerar tal experiência como resultado de todo um trabalho de equipa, reflexo da confiança nos valores que norteiam a agremiação, bem como o poder de iniciativa e execução dos seus recursos humanos tem merecido da sociedade. Todavia, considerou, sendo indicador de crescimento implica também que a sociedade vai exigir mais “de nós”.

Não é por mal, né? Mas se até dissertou em conferências da FAF, que tal indicar o prof A. Alegre para técnico dos Palancas Negras?

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Curiosidades e memórias da AJS (5) | PARCERIAS E "ATREVIMENTOS" ELEVARAM NOSSO PERCURSO

1999: Jovens idealizam a associação, sob a divisa “Humildade, Justiça e Solidariedade”.

2000: Completa-se o processo de legalização e afiliação nos ministérios afins. O primeiro reconhecimento veio da Secção Municipal da Educação do Lobito (obrigado, Sr. Lino Passassi!), a seguir veio do Ministério da Juventude e Desportos (valeu, Sr. António Bravo!). A busca pelas parcerias e aliados incluía ONG, associações e pessoas singulares. Em Outubro, a AJS torna-se membro da Rede Municipal da Criança de Rua do Lobito, que incluía o Instituto Nacional da Criança e apoiada pela Save the Children-UK. No aniversário deste ano, a AJS apresentou-se à comunidade com encontro de balanço, de que participaram o soba, seculos, administração de zona, entidades da comunidade e Defesa Civil. Na reunião de 23/07 completou-se o quadro directivo com os cargos e funções previstos nos estatutos.

Curiosidades e memórias da AJS (4) | ESTES FORAM OS PRIMEIROS PASSOS DA ASSOCIAÇÃO JUVENIL PARA A SOLIDARIEDADE (AJS)

Corria a segunda quinzena de Dezembro no distante 1999. O país vivia ainda os efeitos da crise humanitária, resultante do fracasso eleitoral de 1992.  Muita gente vende o que tem e ruma para o exterior do país, mas há uma maioria que nem sequer um dólar por dia consegue ter para sobreviver. Organizações da sociedade civil juntam-se às acções de agências internacionais ao lado do governo. Grupo de estudantes de Ciências Sociais do Centro Pré-Universitário (Puniv) do Lobito não se conforma com a realidade à sua volta, idealiza uma associação que se comprometeria com a integração de marginalizados (pela fome, drogas, etc.).

Concebida a ideia e mobilizados alguns interessados a membro, rabiscou-se o primeiro exemplar de estatutos. Tudo o que se possuía era uma máquina de dactilografar emprestada, pelo que urgia solicitar a ajuda a alguém para informatizar o manuscrito. E foi grande a ajuda da senhora Helena da Costa, que ficou várias vezes sem tempo para almoçar, no seu gabinete da ENE. Saiu um compilado de quatro páginas. Mas as expectativas viriam redundar em frustração, quando o funcionário do notário disse que aquilo estava longe de ser um estatuto. Pelo menos mais quatro rejeições notariais aconteceram, até finalmente arranjar um texto que mais perto estava de responder ao exigido pela Lei das Associações. Isso incluía aumentar o número de subscritores do manifesto, de quatro para 15. A escritura legal sairia finalmente em Junho do ano 2000, quase seis meses após as primeiras tentativas. Mas a verdadeira dificuldade estava ainda por chegar.

A comissão instaladora ganhava cada vez mais noção das suas incapacidades. Para além do inconformismo cidadão e da filantropia, faltava o essencial: o método, as parcerias, um conhecimento sólido técnico-científico das áreas em que queríamos actuar. Tinha-se ido já longe para desistir. As reuniões iniciais ora aconteciam no quarto de um dos membros, ora no recinto da escola Rei Mandume, muitas vezes ao relento por falta de chaves. Alguns membros começavam a desistir, não se vislumbrava para cedo a estabilidade financeira da ONG. Sonhadores, outros continuaram a acreditar, a maioria por sinal. Era desconforto reunir em “qualquer” lugar, pelo que a direcção prometia resolver o problema da falta de escritório, sem saber ao certo como!

JLo, faxavori, exonere o KUDURISMO FOTOGRÁFICO dos jovens. Tá fácil: compra máquina DSLR, cria marca e já se é o melhor do mercado

Opinião | Escrever no século 21 (*)

Foto: jornal La Jornada Baja California
O escritor do século 21 enfrenta o perigo de ver sua crítica estética desvanecer pelas leis comuns do governo, mercado, leitores, academia e internet.

A ordem desses poderes varia segundo cada país. Porém, todos eles controlam o escritor literário neste novo século.