PONTOS DE VENDA

PONTOS DE VENDA
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Qualquer dia, até tossir em espaços públicos será proibido | Do país em que até para fotografar a própria sobrancelha é preciso autorização da direcção de um estabelecimento privado

Enquanto se aguarda por uma segunda viatura para regressar à casa, depois de apreciar no Cinemax do Kero de Benguela um filme infanto-juvenil, os sobrinhos sugerem tirar fotos no parque de estacionamento para registar a socialização para a posteridade. Aí é que entra o guarda, armado mas bem educado, a proibir. Porquê? Porque está escrito. "É preciso pedir com adecedência", diz ele. Mas pedir autorização a quem? "Na Direcção mesmo". Caculando que talvez se devesse ao tamanho da minha máquina fotográfica semi-profissional, atiro: mesmo que seja para fins familiares? "Sim, é mesmo isso, é preciso autorização." Parece ridículo e nada melhor que ridicularizar: e se fosse uma selfie com telemóvel, também teria de pedir autorização? "Sim." Não gostando de desautorizar ninguém em posto de trabalho, acedi à "ordem" do segurança e fui ler o cartaz a que este post faz referência. Honestamente, não vejo que prejuízos à imagem do Kero de Benguela é que uma selfie tirada no parque (vazio) de estacionamento representa, ainda mais numa era em que um simples botão de lapela de qualquer casaco ou blusa pode fazer fotografias ou vídeos em investigação forense. Só pode ser uma reprodução de práticas de excesso de zelo do tempo de guerra em que imperava o estatuto de "objectivos estratégicos", no que entravam os aerportos, as barragens e afins. Portanto, menos, caros gestores, muito menos! Ainda era só isso. Obrigado
Daniel Gociante Patissa (cidadão e cliente) | http://angodebates.blogspot.com/

domingo, 27 de agosto de 2017

Diário | Negar uma simples água?! Mas você afinal é assim complicado porquê, velho?

“Mas não estão a ouvir?! Ainda vou bater com mais força. – tóc, tóc, tóc, - Estão ali?”
“Mas quem é?”
"Sou eu, vizinho.”
“Eu ainda tenho vizinho?”
“Assim então estás a falar como?! Sou eu, o teu brada Venceslau, da parede ao lado…”
“Não conheço…”
“Ah, é de se desprezar? Então, 15 anos de porta à porta, agora já não me conhece?”
“Mas não me chamaste de bruxo, bwé de nomes feios – filho disso e  daquilo – antes de me bloquear, só por alertar que na campanha é preciso pensar no dia seguinte, que somos o mesmo povo, que daqui a cinco anos haverá mais?!”
“Ai!… Afinal não sabes, né? Eu sou uma pessoa de mente aberta, vizinho. Posso te ofender no facebook, te bloquear, ficar inimigo contigo, né?, mas pensas que, tipo, aqui em casa misturo? Aquilo fica mesmo nas redes sociais. Fora comemos e chupamos juntos. Se tens dúvida, experimenta pagar aí na cantina. Estás ver, né?”
“Por acaso, não. Não estou a ver…”
“Meu, mano, isso é século 21. Nas redes sociais é uma coisa, aqui no dia-a-dia é diferente. A nossa amizade não pode ficar afectada…”
“Aié? E nas redes sociais estás com que nome?”
“Venceslau mesmo…”
“E eu?”
“Você mesmo…”
“Ora pois. Então tu me sujas, ameaças, eliminas os meus comentários de me defender, insultas a torto e a direito… agora queres-me convencer que tens duas caras?!”
“Ainda põe pause nesse tema, velho. Venho em paz, naquela base habitual já…”
“Que base?”
“Só para o vizinho esticar a mangueira em cima do muro. Me cortaram a água, velho. O que faz esse governo, esse governo!… Quer dizer, a pessoa vota, e o resultado é esse?!”
“Mas cortaram porquê? Deves ter dívida com a Empresa de Águas e Saneamento, não?"
"Até só perdi o meu rico tempo a tentar-lhes explicar. Quando acabar de pagar o crédito da motorizada, até vou regularizar a dívida, faltam só dois anos…”
“Hahahahaha. E o estado vai esperar dois anos para facturar o que consomes?!”
“Por isso vim aqui como homem, na paz, apelar o vizinho, exortar por uma mente aberta e neste âmbito me fornecer água durante o defeso. Até não é bem por mim, é mais pela família, as crianças que vão à escola. O irmão, sendo pai, o que tem a dizer?”
“É simples. Pega nas bandeiras e T-shirts, faz um cordão enorme, amarra no arco do balde e lança ao parlamento ou ao comité. Não andaste aí todo radical?”
“Também não é assim que se tratam os amigos, velho, desculpa lá! Acha isso realista?”
“Ah, é, né? Neste caso, pede a qualquer um dos deputados para te fornecer água de Lexus, ya? Agora me dá licença, vou mais é ajudar a mulher a lavar a loiça...”
“Até era uma coisinha de nada. Negar uma simples água?! Mas você afinal é assim complicado porquê, velho?”

Gociante Patissa | Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto – Catumbela | 27 Agosto 2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

“RAÍZES CANTAM” NA PENA DE JOB SIPITALI - Prefácio de Gociante Patissa no Jornal Angolano de Arte e Letras

A província de Benguela volta a inscrever, com caneta dourada, na história da produção literária angolana, um poemário consistente, «Raízes Cantam», que desponta da segunda década do pós-guerra, cujo marco é o ano de 2010, da qual o autor faz parte.

Pede-me o Job Sipitali que prefacie o seu livro. Ora, tenho duas boas razões para negar. A primeira é poupá-lo do azar (a única vez que prefaciei um livro no prelo foi há coisa de cinco anos, e nunca chegou a ser publicado). A segunda razão – e a mais forte – é que a obra tem tudo para vingar por si, com uma maturidade estética tão rara em estreantes e que, por isso mesmo, dispensa qualquer empurrão. Agradeço pois a honra e partilho então estas linhas pela consideração que me merece o autor e a riqueza do texto.

«Raízes Cantam», poesia contemporânea congénita, recebe por empréstimo do seu fazedor a relação intensa «cidade-campo», com este último sócio-antropologicamente inconformado na Camisa-de-forças do espaço urbano, onde se viu encaixado à ordem da pólvora. Fica também a interrogação quanto ao que ficou por dizer da parte do autor, tendo em conta as reticências que antecedem e encerram o título de cada poema.

Para um leitor que seja falante da língua Umbundu (onde língua implica a cultura deste grupo etnolinguístico de origem Bantu, que predomina no litoral centro, sul e sudoeste de Angola), será inevitável experimentar a intertextualidade entre a tradição oral e o tricotar alegórico do poeta. Temos isto mesmo em ...A ELEIÇÃO DO VERBO..., onde «Acorda-se o silêncio com o sino rural: cocorocó – cocorocó…/ E uma merenda sobre as brasas do fumo/ ergue os olhos da enxada.» Este vívido rural lembra um cântico que indaga com melancolia: «Kulo ka kuli akondombolo / pwãi kucaca ndati?» (Aqui não há galos / então como é fazem para amanhecer?). De resto, «A escrita rural / voa com o fumo / na chama dos parágrafos», como bem advoga o poema …SÁBIO RURAL…

No poema …FUTURAS PALAVRAS…, temos a enunciação que leva a inferir que a saúde do futuro reside no reencontro com o que há de lição e tradição no passado, na essência griot. «Vão ao serão / não serão / órfãos de palavras. / No serão ouvem-se / palavras circuncisas./ Vão. Não serão órfãos.» Só mesmo a embriaguez de poeta para ainda crer na exequibilidade de uma tal sugestão de resgate, precisamente numa sociedade, como a angolana, que faz culto (institucional, até) à encarnação mecânica de modelos/padrões identitários e civilizacionais que implicam a auto-negação ontológica africana. Mas há que vestir a certeza que o autor pinta na estrofe primeira do poema …VIAGEM…, que abre o livro: «Verdade ou não importa / o imperativo / dos sonhos.»

Atento aos fenómenos, virtudes e degenerações no rumo da sua sociedade, temos no poema …ADJECTIVO… o desencanto pelo papel do intelectual moderno, de quem se esperava, vagalume, guiar o seu povo, intelectual este que, no lugar de defender causas, escolheu defender lados conforme o charme do aceno. O que resta é que «As almas defendem-se / dos corpos epistémicos / dos filósofos nos olhos.» Ou, dito de outra forma, «O ex professo / Carrega consigo / O nacionalismo aurido» (do poema ...MISSÃO…)

Nota-se um distanciamento em relação à tendência dos da sua geração, aquela nota acentuadamente sócio-realista e declarativa, com textos prolixos e a passar ao lado do labor estético. Job Sipitali desponta pela diferença. Traz uma poesia concisa, proverbial e penetrante, enfim um material esteticamente cozido para saltar da gaveta para as páginas de um livro. Que desta promissora lavra venham outros e que receba um acolhimento à altura. Ainda era só isso.

Benguela, Angola, 01 de Julho de 2017, publicado no Jornal Cultura, de 15 a 28 de Agosto  de 2017 

Job Sipitali apresentou no domingo (30/07) ao público na Mediateca de Benguela a obra literária de estreia intitulada “Raízes Cantam”. Com 55 páginas, o formato é de livro de bolso e sai pela editora Perfil Criativo, com sede em Portugal, que para a primeira edição coloca à disposição de amantes da leitura 150 exemplares.
Job Sipitali (1985) nasceu no Município do Cubal, Província de Benguela - Angola. É Bacharel em Linguística-Português pelo ISCED (Instituto Superior de Ciências da Educação) - Benguela. É membro e co-fundador da ALCA (Associação Literária e Cultural de Angola), onde exerce a função de coordenador do distrito de Benguela. Escreve, principalmente, poesia e contos.

…NOÇÃO DE CONCLUSÃO…
Concluo fazendo o tempo: dos homens,
da terra, dos objectos,
das vozes naturais, do silêncio celeste.
Mas o tempo não cabe na conclusão
nem nas coisas vitais.
Cabe no Homem.
O tempo é ele mesmo.
Não tem género.
Sigamo-lo com a escrita não com os pés.

…A GRAMÁTICA E A ZUNGUEIRA…
Corrige-me
o destino
não o pensamento.
Corrige-me o sofrimento não a gramática
que gosta de comer bem com os verbos
e esquece-se dos
pronomes personificados, dos pratos típicos
e quentes da sintaxe.
Corrige-me a palavra,
não a polissemia que gosta de ser híbrida.
Corrige-me tudo, menos o pensamento.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

domingo, 13 de agosto de 2017

Coincidiu com a agenda da sua excelência eu assistir à defesa da tese de licenciatura da Loide Patissa, num grupo que agora sobe para cinco, todos netos de Manuel Patissa, que seguiram linguística na Universidade Katyavala Bwila (depois da Arminda Gociante Patissa, Celeste Manuel, Félix Manuel - português - e Gociante Patissa - inglês)

Daquelas quebras de protocolo que, mesmo não sendo ideia original, o fotógrafo naturalmente não tem como deixar de captar

Coincidiu com a agenda da sua excelência eu assistir à defesa da tese de licenciatura da Loide Patissa, num grupo que agora sobe para cinco, todos netos de Manuel Patissa, que seguiram linguística na Universidade Katyavala Bwila (depois da Arminda Gociante Patissa, Celeste Manuel, Félix Manuel - português - e Gociante Patissa - inglês)

Rádio Catumbela finalmente inaugurada | Emissão de programas está fora da agenda da mais nova estação da província de Benguela

A estação radiofónica comercial Rádio Catumbela foi oficialmente inaugurada no sábado (12/08) pelo ministro da Comunicação social, José Luís de Matos. A rádio dispõe de um raio de cobertura em FM 92.03 para a costa litoral da província (Benguela, Baía Farta, Catumbela e Lobito).

O director geral daquela estação emissora, padre António Manuel, referiu que no cumprimento do seu estatuto orgânico, a Rádio Catumbela vai continuar com um pendor essencialmente musical, com dois pontos informativos, nomeadamente às 13:h00 e às 20 horas, não exercendo a função informativa, nomeadamente entrevistas, programas de entretenimento e outros, como seria de esperar.

Ao presidir o acto, o ministro disse sentir-se regozijado por cumprir um dever constitucional de formar e informar os cidadãos, além de dar postos de trabalho aos jovens. José Luís de Matos augura que sejam úteis a população da Catumbela e façam reflectir nas respectivas emissões as preocupações dos cidadãos e que, por esta via, façam chegar as autoridades estas preocupações e, eventualmente, propor soluções.

Apelou aos profissionais da estação emissora, no sentido do cumprimento dos princípios básicos do jornalismo, mormente a ética, a deontologia e a equidade e que tratem de assuntos relacionados com os jovens.

Por sua vez, a vice-governadora para a área política e social de Benguela, Laurinda Baca, disse que com essa inauguração os problemas da comunidade serão abordados dentro de um contexto mais actuante.

O director geral daquela estação emissora, padre António Manuel, referiu que no cumprimento do seu estatuto orgânico, a Rádio Catumbela vai continuar com um pendor essencialmente musical, com dois pontos informativos, nomeadamente às 13:h00 e às 20 horas, não exercendo a função informativa, nomeadamente entrevistas, programas de entretenimento e outros, como seria de esperar.

A Rádio Catumbela já funciona neste formato musical há mais de um ano, sendo este o seu acto inaugural oficial e considerou tratar-se de, apesar de privada, uma parceira estratégica da Rádio Nacional de Angola.
 Fonte: Angop

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Final do Concurso de Ideias/projectos de Empreendedorismo 2017

Sua excelência eu integrou o painel de júri na avaliação de propostas de projectos nas duas edições do concurso organizado em parceria entre o organismo governamental CLESE (Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego de Benguela) e a ONG portuguesa Leigos para o Desenvolvimento. A segunda edição teve final no dia 28 de julho de 2017. Foi uma experiência gratificante e um passeio por gratas memórias do tempo (1999-2011) que servi como gestor de projectos (e mais) nas ONGs AJS (Associação Juvenil para a Solidariedade), com sede no Lobito, da qual sou co-fundador, e as internacionais Handicap International e Save The Children. Como referi, foi uma consultoria a custo zero mas ao mesmo tempo memorável, a qual agradeço ao amigo Carlos Pacatolo, que me convidou, aos concorrentes (sem os quais não haveria ideias e projectos a avaliar) aos colegas de Juri Carlos (cubano) e Cátia Cachuco, bem como ao compatriota Domingos Calete (responsável do CLESE) e à Mariana Cadaveira (de nacionalidade portuguesa, rosto dos Leigos para o Desenvolvimento na iniciativa). Guardo com o merecido carinho simbólico a menção honrosa. Acredito que no próximo ano mais jovens e não só surpreenderão pela positiva em termos de sonho e comprometimento com o desenvolvimento das suas comunidades, do mesmo jeito que acredito que mais intelectuais surgirão para substituir da melhor maneira o actual corpo de jurado. Ainda era só isso. Obrigado

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Utilidade pública | «A Ilha dos Espíritos», documentário do realizador moçambicano Licínio Azevedo, é exibido hoje em Benguela

Prossegue hoje às 19:30, no Chiquitos Café o ciclo Licínio Azevedo, o grande realizador moçambicano. Hoje apresentaremos o documentário A Ilha dos Espíritos, realizado em 2009. “Uma pequena ilha, uma grande história. Muito antes de dar nome ao país, durante séculos, a Ilha de Moçambique teve um papel fundamental no Oceano Índico. Ponto de paragem de caravelas, ponto de encontro de piratas, lugar de mistura de raças. A deambular pelas ruas encontramos um historiador, um arqueólogo marítimo, um pescador, o "porteiro" da ilha, uma dançarina, uns espíritos...”

Não percam a oportunidade de conhecer este grande cineasta e o seu poético olhar sobre Moçambique. DOCS ÀS QUARTAS é isso mesmo, são documentários de autores angolanos e africanos, todas as quartas feiras, à disposição de todos os interessados, aqui em Benguela, no Chiquitos Café. Vale ou não vale? (Texto e foto: divulgação)

PSICANÁLISE (poema inédito)

PSICANÁLISE (poema inédito)

Ciclicamente
Vou à terapeuta
música
Geralmente a mesma
Não a que cantei

Que bem cantar não sei!

Não me lavam as águas
Tépidas, frias
Nenhumas
Menos ainda o sabão
Melhor que o timbre, os acordes, a poesia

Ah, e o botão de replay!

Parei o calendário
Funciono na data de ontem
Intenso deleite
Ou um pouco mais

Ao mundo as portas fechei!

Em tudo
Sou tudo menos normal
Não acordo os meus mortos
De quem amar não recordo o rosto
Minhas memórias são odores

Do mais preciso que guardei!

Gociante Patissa | Aeroporto Agostinho Neto da Catumbela | 09 Agosto 2017

terça-feira, 8 de agosto de 2017

2ª Edição do Concurso de Ideias de Empreendedorismo

No passado dia 28 de julho de 2017, realizou-se a final da 2ª edição do Concurso de Empreendedorismo “Vem partilhar a tua ideia”, promovido pelo CLESE – Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego de Benguela e pelo GAIVA – Gabinete de Apoio à Inserção na Vida Activa em parceria com os Leigos para o Desenvolvimento.
Final II Edicao Concurso Ideias Empreendedorismo copyTendo em conta o sucesso da 1ª edição do concurso e com o objetivo de continuar a estimular uma atitude empreendedora dos jovens e adultos, incentivando ao autoemprego e aumentando, consequentemente, os níveis de empregabilidade, repetiu-se a iniciativa. Desta vez, o impacto foi superior, com a participação de prestigiados parceiros como a Casa Branca Comercial, Oliveira & Ligeiro, Fonseca & Irmão e Angola2Learn e com a receção de 41 ideias concorrentes, mais uma vez em diversificadas áreas com enorme interesse para o país.
Das 16 ideias selecionadas para a semifinal, as 5 que apresentaram maior índice de exequibilidade, originalidade e impacto, foram eleitas, pelo ilustre corpo de júri – Dr. Carlos Hechavarria, Dra. Cátia Cachuco e Dr. Gociante Patissa – para a final: (I) um centro académico de alfabetização e formação técnico-profissional, (II) um espaço aberto para a prática de artes marciais, cultura e turismo da natureza para crianças e jovens, (III) reciclagem de pneus para produção de mobília, (IV) serviços de cuidados de enfermagem ao domicílio e (V) criação e comercialização de espécies de aquários e prestação de serviços aquariofilistas.

O pássaro que queria ser peixe. Um barulho incómodo interrompeu o sossego em dia de não receber visitas. Curioso, dei com ele fazendo das asas barbatanas a uma linha fina de perecer. Resgatei a pobre criatura do balde de água em suspiros finais, dei-lhe aprovar o conforto de sol, tão trémulo estava, um pouco de arroz também. E o que fez no final? Sumiu sem se despedir. Moral: os pássaros são ingratos hahahah

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Diário | Ou você acha que na hora de votar vale a comunhão de bens?!

“MAS TAMBÉM COMO É QUE UM HOMEM COM O PORTE ATLÉTICO QUE O SENHOR TEM, Ó MEU CAMARADA!, VOCÊ ME APARECE AQUI CHEIO DE HEMATOMAS, ‘AH PORQUE A MULHER’ – QUE NEM 60 QUILOS DEVE PESAR – ‘ME AGREDIU’?! COMO É QUE FOI A OCORRÊNCIA?
“Eu estive no sofá a ver o jogo do meu Sporting. Ela chegou, começou a me fazer carícia na cabeça, que chamam de cafuné… – o senhor investigador está já a ver, né? – Até nem vi mais quando a primeira parte terminou, apanhei já sono com as mãos dela. Afinal aquilo era sopa, o prato principal estava a vir. Quando acordei, estava já assim como estou, machucado e cheio de sangue…”
“A SENHORA ASSUME QUE ESPANCOU O SEU MARIDO?”
“Eu sou crente. Na bíblia aparece duas vezes. É amor.…”
“E o que é que eu vou fazer na bíblia?! Me fala só!… Minha senhora, não estamos aqui para desconversar, está bem?! Sabe que o incidente que protagonizou pode desembocar numa pena, não sabe? Você já imaginou o prejuízo para o país se ele acabasse sem a faculdade votar como deve ser? Ou você acha que na hora de votar vale a comunhão de bens?! Depois de uma guerra fratricida de três décadas que dilacerou o solo pátrio, e até olhando para o Censo populacional, fica já a senhora a saber que os homens então são poucos, ouviu?…”
“Bem, é assim…”
“NÃO ME INTERROMPA, FAÇO-ME ENTENDER?!”
“Desculpa, senhor investigador…”
“E VOCÊ, QUEIXOSO, ISSO É A PRIMEIRA VEZ OU SERÁ QUE LÁ EM CASA AS SAIAS SÃO COM O MEU AMIGO?!”
“Acho que é a primeira vez, chefe…”
“Com que então, contra todo o esforço apelativo do executivo e sociedade civil, a senhora decidiu armar-se em activista activa na promoção da violência doméstica, não é?”
“Primeiro. Eu lhe falei já no início que antes de casar, me mostra já tudo o que você realmente é, porque eu não quero leão na pele de ovelha. Ele ouviu mesmo bem, não disse ‘filha, não aguento’. Aí casamos. Carinhosamente, ele filho e eu filha…”
“NÃO ENTENDI…”
“Segundo. Esses dias ele começou a se comportar pelo lado podre. Mas a bíblia já não disse que ‘Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o castiga’, senhor investigador?”
www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Aeroporto Catumbela, 7 Agosto 2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A lenda do outro e o leão (*)

Imagem Jornal 4 cantos (Brasil)
Vivia um homem numa aldeia que, igual aos demais, costumava ir fazer as suas necessidades nos arbustos ao cair da tarde. Num destes dias, gritou: socorro! Socorro! Os aldeões surgiram armados para aniquilar o anunciado não. E o homem, sorrindo, disse: estive a brincar, era só para saber se podia contar convosco. Obrigado. Repetiu isso mais umas duas vezes, até que chegou o dia em que se ouviu dele um grito, também a anunciar que estava a ser atacado pelo leão, mas os aldeões ficaram quietos e continuaram nos seus afazeres, pois podia muito bem ser brincadeira. Por ironia, nesse dia era tratou-se mesmo do leão, pelo que o bicho deu cabo do brincalhão. Moral da estória: por conta do leitor e da leitora. (Adaptado de autor desconhecido)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Diário | Eu sei que você é polícia mas também é homem, ou estou enganado?

“Ó SENHOR, DAQUI A POUCO EU VOU-TE ALGEMAR JÁ POR DESACATO, VAIS VER. TÁ A ENTENDER?!”
“Com todo o respeito, senhor agente, o assunto não te pertence…”
“MAS VOCÊ SABE QUEM SOU EU?! FILHO DA MÃE, PÁ! QUER DIZER, O SENHOR FICA ALI A LADRAR NOS CORREDORES DO HOSPITAL, A PERTURBAR O SILÊNCIO MEDICINAL E A DEONTOLOGIA, HÃ!, E QUANDO TENTO, NA MINHA QUALIDADE DE CHEFE DE POSTO, COLOCAR AS COISAS NO SEU SENTIDO LUGAR… VOCÊ DIZ QUE A TUA CONFUSÃO NÃO ME DIZ RESPEITO?!”
“Eu estou a discutir só o meu filho, não se mete só… Há coisas que um homem não pode aceitar, senão assim valapena só morrer… ”
“E VOCÊ ACHA QUE ESTOU AQUI A FAZER O QUÊ? QUER DIZER, SUA EXCELÊNCIA O COMANDANTE MUNICIPAL QUE ME NOMEOU É QUE FOI BURRO?!”
“Ó senhor agente, você também é quê? Sem farda a gente se surra…”
“Ó MEU CAMARADA, ESTE É O PROBLEMA DA PAZ… VOCÊ PENSA QUE SOU POLÍCIA de 2002? QUALQUER DIA VIRA DEFUNTO SEM SABER. ENTÃO EMPURREI CAPIM. NAQUELE TEMPO, UM GAJO TE ENFIAVA UM TIRO NOS CORNOS E JÁ IAS VER O VALOR DA FARDA, A DOÇURA DA BALA. AGORA CHEGA! DÁ-ME CÁ A PORCARIA DAS MÃOS, PÁ…”
“Assim já é por causa de quê? Me algemar, eu?! Eu então nunca me fizeram isso na vida. Estou a avisar, muito cuidado comigo então, ó chefe..."
"CALADO, XÊ! VOU PERDER A EDUCAÇÃO CONTIGO, FALTA POUCO. AGORA, NAS ALGEMAS, FALA MAIS..."
"Ai, esta porcaria doi como!... Desculpa, senhor agente, já estou calmo. Me tira só as algemas, o meu filho está a morrer na reanimação e o corno está a aproveitar…”
“ESTOU A LAVRAR A OCORRÊNCIA, ALGEMA TIRAM LÁ NO COMANDO. MAS O QUE SE PASSA AFINAL?”
“É assim, meu irmão. Eu sei que você é polícia mas também é homem, ou estou enganado?"
"ATENÇÃO, SEM MANIPULAÇÃO DE SENTIMENTALISMOS, OK?!"
"O chefe não ouviu quando a ambulância entrou com grave?"
"SIM."
"Aquilo é meu filho, chefe. Estamos a vir do nosso interior. A minha mãe, a mãe da criança, o meu cunhado da parte da mulher comigo."
"E?"
"Chefe, já viu isso?"
"O QUÊ?"
"Na hora que estão a pedir transfusão, o meu sangue, como pai da criança, é diferente. Agora sangue do primo da mulher é que vai ser igual?! Afinal é por isso que abandonou ainda o trabalho para nos ajudar a vir com a criança no hospital, né?..."

www.angodebates.blogspot.com | Gociante Patissa | Lobito, 02 Agosto 2017